Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

quinta-feira, 30 de maio de 2019

EINSTEIN E O ECLIPSE DE SOBRAL: 100 ANOS

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48296017

Hoje, há cem anos, ocorreu um eclipse total do Sol cuja observação mudou os conhecimentos de Física.  O artigo de Camilla Costa “Teoria da relatividade: como eclipse solar no Ceará a 100 anos transformou Einstein em celebridade mundial” (https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48296017) aborda este evento e conta um pouco desta historia que projetou a cidade cearense de Sobral na enciclopédia dos conhecimentos científicos.

Era o dia 29 de maio de 1919, às 5h13 quando o eclipse foi observado por cientistas ingleses (Davidson e Crommelin) e fotografado com seus equipamentos.  Um mês depois, os cientistas repetiram as fotografias das estrelas Híades no espaço da abóboda celeste. No mês de novembro de 1919, após exaustivas análises, foi divulgado que as previsões de Albert Einstein, relativas à curvatura do espaço-tempo, (decorrência dos postulados da Teoria da Relatividade Geral) estava correto.

Conforme relatado na matéria da bbc: “Segundo a relatividade geral, a força de gravidade é um efeito causado pela curvatura do espaço-tempo. Um corpo massivo como o Sol, por exemplo, distorce o espaço-tempo a seu redor, e faz com que outros objetos menores tenham que seguir essa distorção. Até mesmo a luz de outras estrelas, em seu caminho até nós na Terra, tem sua trajetória alterada quando passa perto do Sol. Por isso, se pudessem ser vistas durante o dia, as estrelas se pareceriam um pouco mais afastadas do Sol do que realmente estão. Cálculos de Einstein previam um desvio da luz duas vezes maior do que o que era previsto de acordo com a teoria de Newton. Para testar a teoria, seria necessário fotografar estrelas próximas ao Sol e depois fotografá-las no mesmo lugar à noite. Em seguida, medir a posição delas no céu a cada momento, e encontrar a diferença entre estas medidas. O cenário ideal para isso seria um eclipse total, um alinhamento que faz com que a Lua esconda o Sol, projetando sua sombra sobre a Terra. A escuridão permite que os astrônomos observem as estrelas, os planetas e a atmosfera solar durante o dia, com mais facilidade”.Há cem anos, a Teoria da Relatividade teve sua primeira confirmação experimental e Einstein, com toda a resistência por sua origem alemã, começou a ser reconhecido como um dos grandes físicos que modificaram as interpretações sobre o Cosmos e a natureza dos fenômenos.

A matéria completa, ampla e detalhada, pode ser lida no site da bbc brasil.


 
Eclipse de Sobral. Acervo: SCIENCE MUSEUM LONDON



sexta-feira, 17 de maio de 2019

RESTAURANTE ANGOLA


O jornal O Tempo do dia 29 de junho de 1960 publicou uma longa matéria com Albino Tavares Pinho, proprietário do Restaurante Angola. Pinho, assim como tantos outros portugueses vindos para trabalhar na cidade, migrou de Portugal para o Brasil em 1933, desembarcando em Rio Grande no dia 8 de outubro deste ano. Natural de Aveiro, inicialmente trabalhou como carpinteiro para depois administrar em sociedade o “Restaurante Luzitano” (Av. Brigadeiro Silva Paes com Rua dos Andradas). Montou novo restaurante o “Sete de Setembro” na Av. Silva Paes defronte a Praça Sete de Setembro, o qual foi inaugurado em 1938. Conforme o jornal O Tempo “foi um dos melhores e de mais movimento da época”, porém, sofreu um incêndio em abril de 1941 em que sobraram apenas as paredes. Ainda no ano de 1941 abria as portas o Restaurante Angola localizado na rua Luiz Loréa esquina com Benjamin Constant. Em 24 de dezembro de 1959 o Angola passou por uma ampla reforma que o tornou um dos melhores e mais tradicionais da cidade. Paralelamente Albino abriu um atacado de Conservas, Especialidades e Bebidas na rua Riachuelo 185.
O jornal O Tempo ressaltou a trajetória e o esforço deste imigrante português que ao longo de sua vida trabalhou com seus familiares no comércio local e construiu um nome até hoje lembrado na cidade: o Restaurante Angola e o seu cardápio de peixes e frutos do mar.
Quem ainda recorda?


 



 Ilustrações: Jornal O Tempo de 29 de junho de 1960. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense.


quinta-feira, 9 de maio de 2019

O TUTANCÂMON INGLÊS


Pesquisador analisando a tumba. Imagem: MOLA. 
  
 O site https://www.bbc.com/portuguese/geral-48212907 postou neste dia 9 de maio de 2019 uma matéria sobre a tumba do “Tutancâmon inglês”. A descoberta ocorreu em 2003 a leste de Londres e uma longa pesquisa tem sido realizada na vasta câmara funerária que foi encontrada entre um pub e um supermercado. A matéria é da bbc e os direitos de imagem pertencem a MOLA.
Local em que foi encontrada a tumba. Imagem: MOLA. 
“Operários desenterraram a sepultura, que continha dezenas de artefatos raros, durante obras rodoviárias em Prittlewell, perto de Southend, na costa a leste de Londres, em 2003, e detalhes sobre o suposto ocupante foram agora finalmente revelados. Fragmentos de esmalte dos dentes eram os únicos restos humanos, mas especialistas dizem que o seu "melhor palpite" é que eles pertenciam a um príncipe anglo-saxão do século 6. A descoberta foi considerada o exemplo mais antigo de um enterro de um membro da realeza anglo-saxã cristã.
Quando escavou o local, a equipe do Museu de Arqueologia de Londres (Mola, da sigla em inglês) disse estar "surpresa" de encontrar a câmara funerária intacta.
Os restos da estrutura de madeira, que teria medido cerca de 4 metros quadrados e 5 metros de profundidade, abrigavam cerca de 40 artefatos raros e nobres. Entre eles havia uma lira - uma antiga harpa - e uma caixa de 1.400 anos, que acreditava-se ser o único exemplo que restou de madeira anglo-saxônica pintada na Grã-Bretanha. Moedas de ouro, o gargalo de prata dourado de um vaso de madeira, copos de vidro decorativos e um jarro que seria procedente da Síria também foram encontrados. Cada um deles foi colocado dentro do túmulo "como parte de um ritual de sepultamento cuidadosamente coreografado", indicando o local de descanso de um homem de linhagem de príncipe, disseram eles. 
O túmulo continha 40 artefatos, incluindo tesouros de outros reinos Moradores apelidaram o ocupante desconhecido do túmulo de Príncipe de Prittlewell.

O túmulo continha 40 artefatos, incluindo tesouros de outros reinos. Imagem: MOLA. 
Chegou-se a cogitar que os restos mortais fossem de Saebert, rei saxão de Essex entre 604 e 616 d.C.. Mas a datação por carbono e outros testes indicaram que o túmulo foi construído entre 575 e 605 d.C. - pelo menos 11 anos antes de sua morte. Após 15 anos de pesquisa, arqueólogos disseram que o "melhor palpite" nesse caso era de que o túmulo pertencia a Seaxa, irmão de Saebert.
De acordo com informações do Museu de Arqueologia de Londres, cruzes de folha dourada encontradas na cabeceira, por exemplo, teriam sido colocadas sobre os olhos dele como sinal de que era cristão. No entanto, outras características, como a mamoa (pequenos montes artificiais que recobrem monumentos fúnebres), os artefatos presentes nele e a câmara de madeira, refletem crenças e tradições pré-cristãs. Uma fivela de cinto de ouro, provavelmente feita especialmente para o enterro, indica um indivíduo de status elevado. O caixão de madeira de freixo "excepcionalmente grande" e de tampa elaborada também chamou a atenção, com espaço para um corpo e outros itens. Acredita-se que o caixão sozinho pesava 160 kg.
Vasos de ouro decorados estavam entre os tesouros encontrados na área. Imagem: MOLA.
O tamanho do caixão e a disposição dos itens dentro dele sugerem ainda que o ocupante tinha cerca de 1,68 m de altura. Entre os itens encontrados também havia um banquinho dobrável de ferro, que um lorde usaria, por exemplo, para distribuir recompensas e julgamentos a seus leais seguidores e guerreiros. Uma "espada habilmente trabalhada", com detalhes em ouro adornando o punho de chifre e uma lâmina de padrões complexos, era um sinal claro de um funeral real ou aristocrático.
Sophie Jackson, diretora de pesquisa do Museu, disse que ninguém esperava que o "local pouco promissor" encontrado em 2003 contivesse "o equivalente ao túmulo de Tutancâmon". "O local fica entre uma linha de trem e uma estrada, basicamente um limite. Não é onde você esperaria encontrá-lo", disse ela. Segundo pesquisadora, local onde a tumba foi encontrada era considerado "pouco promissor". Ela disse que o túmulo forneceu um retrato de uma "época realmente interessante", quando o cristianismo estava "apenas começando" nas Ilhas Britânicas. "Era uma fase de transição entre ter enterros pagãos com todos os seus objetos, mas também ter essas cruzes", disse ela. Jackson disse que "o melhor palpite" foi que o túmulo abrigava Seaxa. "Há muito debate sobre se ele era um verdadeiro guerreiro saxão maduro, ou mais jovem", acrescenta. "Teria ele morrido antes que pudesse realmente provar o seu valor?"
Quem foi Tutancâmon? Ele foi um rei egípcio que morreu há cerca de 3.000 anos. Seu túmulo foi descoberto pelo arqueólogo britânico Howard Carter em 1922 em uma área hoje conhecida como o Vale dos Reis. Foi uma das tumbas mais bem preservadas que os arqueólogos já viram, e aproximadamente 2 mil objetos foram encontrados dentro. A câmara estava cheia de tesouros e pinturas de parede detalhadas que mostravam a história da vida e da morte do rei Tutancâmon. Depois que os tesouros foram catalogados e limpos, a tumba se tornou um destino turístico quando foi aberta ao público na década de 1930.
Máscara funerária de Tutancâmon. Imagem: REUTERS.
Mais de 40 especialistas de várias áreas trabalharam juntos em Prittlewell para escavar, limpar e reconstruir a câmara. Em alguns casos, os itens haviam sido tão desgastados que sobraram apenas suas marcas impressas no solo. Esses artefatos foram recriados digitalmente usando técnicas como tomografia computadorizada e análise microscópica de amostras de solo. Alguns dos artefatos recuperados serão exibidos no Museu Central em Southend. O museu também lançou um site com informações sobre sua pesquisa, bem como um diagrama interativo da tumba”, conclui a matéria (https://www.bbc.com/portuguese/geral-48212907).
Artefato encontrado na tumba. A datação por carbono indicou as datas de sepultamento do "Tutancâmon inglês" entre 575 e 605 Depois de Cristo. Imagem: MOLA. 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

O TORNADO DE 1960?


Um tornado atingiu Rio Grande no dia 23 de outubro de 1960? Quase seis décadas depois do evento é difícil uma afirmação científica sobre os acontecimentos da tarde daquele dia. Era um domingo, às 14h30, quando algumas áreas da cidade foram atingidas por um fenômeno atmosférico que causou pesados danos estruturais em residências e na área portuária. A matéria do jornal Rio Grande do dia 24 de outubro, deixa algumas pistas sobre o que ocorreu naquela tarde: “Nada mais do que 56 segundos foram suficientes para que um ciclone, provocasse danos de monta em vários pontos da cidade (...) Redemoinhando como um pião, o forte vento atingiu a algumas zonas da cidade, deixando marcas muito fortes, fazendo vítimas pessoais (feridos) e demolindo casas de madeira. Enquanto na zona central nada mais do que uma chuva forte ‘tocada a vento’ se fazia sentir, nas vilas Frederico Ernesto Bucholz, Braz e Rural, ruíam casas de madeira, voavam telhados, caiam fios da rede elétrica e pesadas árvores; também na zona compreendida pela rua Marechal Andréa e adjacências, o flagelo produziu danos de monta”. Relatos enfatizaram que casas foram arrancadas e jogadas em cima de outras casas!
A Capitania dos Portos Naval foi duramente atingida e uma torre de Estação de Rádio foi totalmente inutilizada. Casas da Vila Naval tiveram seus telhados danificados. Oficinas do DEPREC foram destelhadas e o ginásio do Clube Náutico Honório Bicalho foi totalmente destruído. “O espetáculo mais triste é o que ofereceram as vilas suburbanas, onde, foram destruídas 169 casas de moradia, todas de madeira”. Pelo menos sessenta e oito pessoas ficaram feridas, sendo atendidas na Santa Casa e uma mulher faleceu na localidade da Barra. Estimou-se em mais de 100 milhões de cruzeiros os prejuízos.  Ampla campanha de mobilização foi realizada para reconstruir as casas e minimizar a perda total que os flagelados tiveram.
O jornal Rio Grande do dia 26 de outubro de 1960 deu mais uma dica em relação às condições atmosféricas: a Rádio Nacional da Suécia, informou sobre a formação de um ciclone no sul do Brasil naqueles dias. Ou seja, o fenômeno que atingiu Rio Grande está inserido no mau tempo relacionado ao ciclone extratropical (que poderia provocar chuvas fortes e ventos intensos) mas o nível de estrago “seletivo” (em alguns bairros) e a narrativa do jornal referente aos “56 segundos que perdurou o vento” e a expressão “redemoinhando como um pião” sugere, enquanto hipótese, a atuação de um “tornado” que tocou o solo em alguns pontos até se dispersar na Lagoa dos Patos (canal de navegação para São José do Norte).  
Não esqueçamos, que o município do Rio Grande está situado na periferia do Corredor de Tornados da América do Sul, o qual é o segundo do mundo em atividade de fenômenos tornádicos.   
Ilustrações: Jornal Rio Grande 23-10-1960; 25 e 26-10-1960.








PROGRAMAÇÃO DE CINEMA


Desde os primórdios do século XX o cinema fez parte do cotidiano dos moradores da cidade do Rio Grande. O cine-teatro e as salas de cinema estavam presentes no cenário urbano do centro e também de bairros. Na década de 1950, o Jornal Rio Grande destaca a programação de cinco espaços cinematográficos: Glória, Cine Sete de Setembro, Carlos Gomes, Guarani e Avenida. Filmes de aventuras, western, romance, drama, suspense, horror e muito clima de matinê fazem parte da ampla programação semanal que era projetada nas telas locais e partilhada entre os inúmeros cinéfilos.
Ilustrações: Jornal Rio Grande, 13-03-1956. Acervo da Biblioteca Rio-Grandense. 





quinta-feira, 25 de abril de 2019

O PRIMEIRO DE MAIO

Sociedade União Operária por volta de 1910. Estúdio Fontana. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 



Atividade na Sociedade União Operária em 01-12-1908. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 


Na véspera do “Dia do Trabalho” é relevante recordar a marcante presença de operários, a partir da segunda metade do século XIX, em Rio Grande. Um pesquisador desta temática, Benito Bisso Schimdt contribui para caracterizar o movimento operário local o papel da Sociedade União Operária.
Conforme Benito Schmidt no artigo “A Diretora dos Espíritos da Classe: a “Sociedade União Operária” de Rio Grande (1893-1911). Cad. AEL, v.6, n.10/11, 1999”, Rio Grande foi uma das primeiras cidades gaúchas a apresentar as marcas da sociedade urbano-industrial. Sobretudo nos primeiros anos, após a proclamação da República, desenvolveram-se no município indústrias de tecidos, charutos e conservas alimentícias, com consideráveis índices de capital investido e mão-de-obra empregada. Sendo o principal porto do estado, procurava alcançar o mercado nacional com poucos produtos, em torno dos quais concentrava o poder competitivo de suas empresas. Este processo foi percebido por muitos daqueles que o vivenciaram. Pedro Dantas, por exemplo, colaborador do jornal socialista Democracia Social, da vizinha Pelotas, assim descrevia a paisagem rio-grandina em 1893: “para todos os lados que se virar os olhos depara-se com um enorme cano de fábrica como que recortando os rolos de nuvens que passam pelo ar” (10-12-1893). Concomitantemente à industrialização ocorreu a formação de um proletariado urbano. É difícil precisar a população operária naquele momento, contudo algumas aproximações são possíveis. Segundo o jornal A Patria, Rio Grande tinha uma população de 20.277 pessoas em 1883. Já em 1897, o Echo Operario calculava serem ao redor de 8.000 a 10.000 aqueles que viviam de seu próprio trabalho, incluindo os donos de oficinas e artesãos autônomos.
Segundo Benito Schmidt, Rio Grande destacou-se também como um dos principais núcleos do movimento operário do estado, cujas manifestações fizeram-se sentir desde as últimas décadas do século passado: jornais, associações, greves, meetings, comemorações do 1º de maio, entre outras atividades, despontaram na cidade ao longo da I República. A primeira tentativa de organizar o proletariado de Rio Grande ocorreu com a Liga Operária (1892) que teve duração efêmera. No final de 1893 um grupo de operários convocou uma reunião para organizar uma sociedade voltada aos anseios do proletariado. O resultado foi à criação da União Operária que foi fundada em 24 de dezembro, mas, instalada oficialmente no dia 1° de maio de 1894, data em que pela primeira vez foi comemorado o Dia do Trabalho na cidade.  

INDÚSTRIA PESQUEIRA

Exposição de produtos da Pescal. Acervo: papareia.

Exposição de produtos da Torquato Pontes. Acervo: papareia.

Caviar de ovas de Miragaia. Acervo: papareia.


O cientista alemão Hermann von Ihering no livro A Lagoa dos Patos no século XIX na visão do naturalista Hermann von Ihering. (Rio Grande: Ecoscientia, 2003, p. 24-27, tradução de Clarisse Odebrecht), enfatizou da importância da pesca para a cidade do Rio Grande na primeira metade da década de 1880. Segundo ele, o mercado público do Rio Grande dispõe de peixes todos os dias, com exceção, naturalmente, de dias com muita chuva e trovoada, quando o trabalho na água é impossibilitado. Existem quatro a cinco grandes companhias de pescado, que não trabalham para o mercado, mas sim para a exportação. A maioria dos produtos capturados são embalados em barris ou tonéis e enviados para o Rio de Janeiro, Bahia ou Pernambuco, mas em parte também para Montevidéo, principalmente os camarões. Os produtos destinados ao Rio de Janeiro são levados normalmente em barcos a vapor (2$000 Rs. de frete por barril), e os para a Bahia e Pernambuco são embarcados em navios a vela”.
Não resta dúvida de que a atividade pesqueira do Rio Grande ainda poderia ser expandida consideravelmente. Mesmo se, de acordo com a natureza do produto – peixes salgados e secos - exportação do Rio Grande se dirige principalmente para o mercado no Norte do Brasil, ainda assim existem, entre os produtos locais, uma série de artigos que poderiam garantir rapidamente uma posição no mercado internacional. Seria de grande interesse para a população do litoral brasileiro que o governo brasileiro desenvolvesse a pesca marinha, a qual até o presente não foi bem estudada ou cuidada nem no Brasil nem em outros locais da América do Sul. Essa atenção seria de interesse para o bem-estar da população. Especialmente as dainhas e os linguados, bem como os camarões, poderiam tornar-se significativos na exportação ultramar. Pelos dados parciais levantados por Ihering, cerca de 15.000 quilos de miragaia seca eram produzidas por ano A dainha é capturada principalmente em maio, quando freqüentemente é capturada em quantidade tão grande que os pescadores só retiram tantos peixes da rede quantos podem guardar, jogando o resto de volta à água. Elas são preparadas com sal em barris. Em cada barril cabem 108-120 peças, com produção anual de cerca de 1.000 barris.
Na década de 1950 a cidade do Rio Grande passou por uma forte crise no setor industrial que promoveu alto índice de desemprego. A indústria têxtil, de alimentos e frigorífica estavam em decadência. O setor pesqueiro, na década de 1960 absorveu significativa mão-de-obra operária até a segunda metade da década de 1980 quando entra em falência. A indústria pesqueira na década de 1960 apresentava 17 empresas atuando no beneficiamento e exportação de pescado, voltado para diferentes mercados do Brasil e exterior. Significativo número de trabalhadores atuaram neste ramo industrial.
Fator de destaque para a implementação da indústria pesqueira no município foi a criação da SUDEPE em 1962 com incentivos fiscais previstos pelo Decreto-Lei n° 267, de 1967. Estes benefícios incluíam isenção de impostos e taxas federais sobre produtos importados, produtos industrializados, taxas aduaneiras na importação de máquinas e outros benefícios. O capital disponibilizado para o setor foi aproveitado pelo empresariado deste ramo que consolida em Rio Grande um parque industrial pesqueiro de renome nacional. O município apresentava as condições necessárias para ampliação do parque produtivo, como matéria-prima abundante e mão-de-obra qualificada na captura e no processamento fabril. (ver MARTINS, Solismar. Cidade do Rio Grande: industrialização e urbanidade (1873-1990). Rio Grande: Editora da FURG, 2006). Antigas salgas se transformam em novas plantas industriais sendo a comercialização do pescado industrializado direcionado para outros estados brasileiro.
O avanço tecnológico do setor pesqueiro e a disponibilidade do mar territorial do Uruguai e da Argentina, fez com que em 1970 a captura chegasse a 120.000 toneladas. Com a delimitação do mar territorial brasileiro em 1970 e as restrições então feitas pelo Uruguai e Argentina na pesca brasileira em seu mar territorial, a área de captura do pescado ficou bastante reduzida. No início dos anos 1980 o setor era constituído por 27 empresas que abarcavam o congelamento, salga, enlatamento, feitura da farinha, óleos e gelo. O setor empregava 20.000 trabalhadores, ou cerca de 90% da mão-de-obra industrial pesqueira empregada no Rio Grande do Sul. As empresas aqui atuando eram: Jahu Indústria e Comércio de Pescado, Torquato Pontes Pescados, Pescal, Eduardo Ballester Ind. de Pescados, Cooperativa Mista de Pescados Nipo-Brasileira, Atlântica Pescados, Guanapesca Indústria e Comércio de Pescados, Joqueira Indústria Alimentícia, Junca Indústria e Comércio de Pescados, Abel Dourado Indústria Alimentícia, Leal Santos Pescados, Albano Oliveira e Irmão, Manoel Pereira de Almeida, Frigorífico Anselmi, Rio Grande Produtos Alimentícios, Domar Ind. e Com. de Pescados, Furtado, Pesqueira Nacional, Cunha Amaral, Indústria e Comércio Figueiredo, Promar, Redentor, Indústria Charrua de Pescados, Marsilva Importação e Exportação de Pescados, Atlantis Comércio de Pescados, Nilmarsul Comércio e Exportação de Pescados, F.R. Amaral Indústria e Comércio de Pescados.  
             A crise do setor está relacionada com a redução da área de captura, a escassez  do pescado devido à sobrepesca de algumas espécies e a retirada o Estado como incentivador fiscal. Em 1985 ocorreu o desembarque de 87.490 toneladas de pescado com o declínio a partir do ano seguinte.
         Conforme Solismar Martins, o parque industrial pesqueiro não proporcionou a formação de uma classe média para a cidade, visto que seus operários trabalhavam em troca de baixa remuneração e, muitas vezes, com empregos temporários. Se a indústria pesqueira era moderna quanto ao processamento do pescado, tal riqueza, concentrada nas mãos de poucos, não se transferia para os demais trabalhadores envolvidos no processo. Além disso, a intensificação do processo de capturas levou ao descompasso dos ritmos reprodutivos das espécies de maior valor comercial. A partir da década de 1990 o pescado chegou a Rio Grande em menores quantidades sendo absorvido pelas poucas indústrias pesqueiras que permaneceram em Rio Grande, sendo consumido na própria cidade e principalmente sendo enviado in natura para processamento em outros centros por meio de caminhões frigoríficos ou containers. De cidade pioneira na indústria da pesca, Rio Grande foi se moldando como um grande entreposto de pesca, num caminho de industrialização às avessas.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

SANTA ENGRÁCIA


      A Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, teve sua obra iniciada em 1568 e sua construção perdurou por quatro séculos sendo finalizada na década de 1960 como Panteão Nacional onde repousam figuras destacadas de Portugal.
O longo tempo para sua execução popularizou a expressão “como as obras de Santa Engrácia”, em referência a algo que não chegará a acontecer, ou que demorará muito a acontecer. Versão popular fala de uma maldição lançada pelo cristão-novo Simão Pires Solis que era apaixonado por Violante filha de um fidalgo que não aceitou o relacionamento dos jovens. Solis foi acusado de roubar o relicário de Santa Engrácia e executado na fogueira. Enquanto seu corpo começava a ser envolvido pelo fogo ele teria lançado a maldição: “É tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem!”. A lenda pode ser parcialmente verdadeira, pois em 1630, os registros paroquiais registram a condenação à morte de Simão Pires Solis por desacatar Santa Engrácia!
No imaginário ficou a relação entre a maldição e a lentidão ou inviabilidade em encerrar uma obra. O interessante é que a lenda portuguesa era lembrada em Rio Grande em matéria do Jornal Rio Grande do dia 24 de fevereiro de 1956.  O tema se refere à construção do “Parque Princesa Isabel” no local atual do Parque do Trabalhador junto ao pórtico da cidade. A crítica é feita a lentidão/inexistência de trabalhos caracterizando segundo o jornal uma “obra de Santa Engrácia” isto é, “toda construção que demora mais do período normal entre o início e o fim”. No caso do Parque Princesa Isabel ocorreu uma dupla maldição de Santa Engrácia: em Portugal a igreja/panteão foi finalizada enquanto o referido Parque, com aquela proposta arquitetônica, nunca foi efetivado.

Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 


sexta-feira, 12 de abril de 2019

ANÚNCIOS DA SAVAG




Gustavo Cramer e Getúlio Vargas. 
Fundada em 1946, a Sociedade Anônima Viação Aérea Gaúcha (SAVAG) foi fundada na cidade do Rio Grande e tinha sua sede no andar térreo do edifício da Câmara do Comércio. Rio Grande já havia escrito um capítulo fundamental da aviação comercial brasileira com sua participação destacada na criação da VARIG com a “Linha da Lagoa” em 1927. Quase uma década depois, o comandante Gustavo Cramer foi um dos fundadores da SAVAG e se destacou na interligação aérea do Rio Grande com Porto Alegre e outras cidades gaúchas como Pelotas, Bagé, Passo Fundo, Carazinho e Erechim.
Gustavo Cramer nasceu em Rio Grande em 1911, dedicou-se à aviação sendo instrutor de voo no Aeroclube do Rio Grande e tornou-se piloto da Panair do Brasil. Desta empresa foram comprados os três aviões Lockheed Lodestar que deram início aos voos da SAVAG em janeiro de 1947. O primeiro dos aviões foi batizado de “Cidade de São Pedro do Rio Grande”, com voos entre Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. Posteriormente, foi comprado um Douglas DC-3, e iniciado os voos para Rio de Janeiro e São Paulo.
Na tarde do dia 30 de julho de 1950, Gustavo Cramer pilotava o “Cidade de São Pedro do Rio Grande” quando ocorreu um acidente em São Francisco de Assis que resultou na morte de todas as seis pessoas que estavam a bordo. O motivo da viagem era levar o ex-ministro da Aviação, senador Salgado Filho, para uma visita a Getúlio Vargas em São Borja. A tragédia teve repercussão nacional e uma trágica curiosidade está relacionada com Salgado Filho: no dia 28 de julho, dois dias antes do acidente fatal, ele não conseguiu embarcar no voo 99 da PANAIR (o Lockheed Constellation estava lotado) avião vindo do Rio de Janeiro que se chocou/explodiu com o Morro do Chapéu (Sapucaia do Sul) deixando 50 mortos. Salgado Filho teve mais dois dias de vida antes do trágico acidente que também tirou a vida de Cramer!  
No ano de 1956, propagandas da SAVAG estavam diariamente presente no jornal “Rio Grande”. Três exemplos destes anúncios são aqui reproduzidos.   






A PRIMEIRA FOTOGRAFIA DE UM BURACO NEGRO



Sua existência foi prevista por Albert Einstein quando da elaboração da Teoria da Relatividade Geral e das questões relativas à curvatura do espaço-tempo. Após décadas de discussões teóricas e observações astronômicas, a primeira fotografia de um buraco negro foi divulgada. Um esforço científico envolvendo mais de 200 profissionais e vários centros de pesquisa/rede de telescópios em diferentes países possibilitou observar um gigantesco buraco negro três milhões de vezes maior do que o planeta Terra. Sua localização é a distante galáxia M87 que está a 55 milhões de anos-luz da Terra (é só multiplicar 55 milhões por 10 trilhões de quilômetros).  
A divulgação da fotografia ocorreu no último dia 10 de abril e vai instigar o aprofundamento da investigação destes corpos de massa e densidade extraordinárias, na fase final de evolução estelar, que colapsaram e cuja atração gravitacional é tão forte que não deixa escapar nem a luz. As imagens mostram o buraco negro na parte escura central e as rajadas de energia de radiação que são sugadas para dentro do buraco.
Mais informações em https://www.natgeo.pt/espaco/primeira-fotografia-de-um-buraco-negro




sexta-feira, 5 de abril de 2019

O CONFRONTO LUSO-ESPANHOL

Cartografia portuguesa de 1777.


Cartografia espanhola de 1776.

Durante 13 anos, entre 1763 e 1776, a Vila do Rio Grande de São Pedro foi controlada pelos espanhóis.
Fundada em nome da Coroa Portuguesa em 1737, Rio Grande teve sua ocupação questionada por hispano-platinos desde os primórdios e transformou-se num dos espaços de conflito no século XVIII. Em 1763 ocorreu a ocupação espanhola da Vila que foi retomada pelos portugueses em abril de 1776. Os dois eventos consistem em momentos exponenciais e dramáticos que definiram o projeto civilizatório luso-brasileiro no Rio Grande do Sul. A manutenção da presença espanhola poderia ter lançado a atual fronteira com o Uruguai, no Chuí, pelo menos duzentos quilômetros ao norte. A ocupação espanhola e todas as atuações épicas ligadas à retomada portuguesa constituem episódios de destaque no cenário da história militar brasileira e nos desdobramentos geopolíticos de constituição do Brasil nação.
Com a ocupação espanhola, ocorreu o êxodo de grande parte da população luso-brasileira-açoriana que se dispersou pelo centro-leste do Rio Grande do Sul. A retomada portuguesa da Vila do Rio Grande envolveu um contingente de mais de quatro mil homens que expulsam os mais de 1.600 combatentes espanhóis. Os anos seguintes são de reconstrução e de repovoamento, ocorrendo um lento e gradual período de valorização econômica da Capitania do Rio Grande e o incremento das atividades marítimas e lagunares.
A produção cartográfica deste período é uma das melhores do Brasil da segunda metade do século XVIII. Portugueses espanhóis se esforçaram para retratar geograficamente o cenário em que se disputou a soberania cujo epicentro é a Barra do Rio Grande. Os dois mapas/plantas/planos selecionados são: Plano do Rio Grande de São Pedro (1777) da Biblioteca Nacional de Portugal; Plano del Rio Grande de San Pedro (1776) acervo do Arquivo General Militar de Madrid.

sexta-feira, 29 de março de 2019

HISTÓRIA E CARTOGRAFIA



          Nesta semana, participei de banca de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Geografia da FURG.
          A Dissertação foi defendida por Maria Cristina Chaves Pires e a banca também estava composta por Éder Leandro Bayer Maier (Orientador - FURG – ICHI), Jefferson Rodrigues dos Santos (IFRS Campus Rio Grande) e Miguel da Guia Albuquerque (IFRS Campus Rio Grande).
       O título remete a uma possibilidade de diálogo entre os campos da História e da Geografia: “CARTOGRAFIA HISTÓRICA DA CIDADE DO RIO GRANDE/RS: EXPANSÃO URBANA E MUDANÇAS AMBIENTAIS (1737-2017)”. Enquanto primeiro núcleo de formação luso-brasileiro no Rio Grande do Sul, as historicidades em Rio Grande são de longa duração temporal e a produção cartográfica é uma fonte preciosa para investigar a produção do espaço social no passado de quase três séculos da localidade. Conforme Maria Cristina “os mapas históricos preservam informações geográficas sobre a ocupação humana, a expansão urbana e as transformações ambientais ao longo da história. Nesta perspectiva, efetuamos a coleta, catalogação, descrição e interpretação de mapas do sítio urbano da cidade do Rio Grande, a fim de investigar a expansão urbana e as transformações ambientais. A cidade que teve sua gênese a partir da posição político-estratégica, de função portuária/militar e posterior desenvolvimento comercial e industrial atravessou diversos ciclos econômicos que determinaram sua configuração espacial. Foram utilizados oito mapas entre 1737 e 2017, obtidos na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, na Biblioteca Rio-Grandense, no acervo de Fortunato Pimentel e no Google Earth Pro. As feições permanentes naturais e antrópicas foram vetorizadas sobre uma imagem de satélite do Google e serviram de referência para configuração espacial dos processos de expansão urbana e transformação ambiental".
        A visualização da ocupação humana no espaço possibilita visualizar didaticamente os usos do espaço e as modificações antrópicas na paisagem natural. Os movimentos populacionais são frutos de processos históricos que podem ser investigados e interpretados. O espaço urbano é uma construção histórica fruto da intervenção humana no espaço geográfico.   A dissertação em foco é uma ferramenta para pensar a ocupação humana do espaço, as modificações ambientais decorrentes e os desafios para um crescimento urbano planejado.  
        Conforme a autora, a cidade do Rio Grande foi edificada em um ambiente fisiográfico que apresentava uma paisagem dominada por dunas, lençóis de areia, sequências lagunares e de banhados, vegetação pobre e a presença constante de ventos fortes. Estas características geológicas impuseram dificuldades aos portugueses durante o processo de ocupação, pois além do terreno instável devido às areias móveis, não haviam materiais apropriados para as construções. A localidade era privilegiada por suas condições geográficas, com sua aptidão portuária, teve em seu porto o único meio de ligação com o restante do país, isso foi fundamental para o seu desenvolvimento econômico e o ponto inicial das mudanças ambientais promovidas no pontal.
       Maria Cristina ressalta que cada período deixou a sua marca na configuração do espaço urbano, com a chegada de milhares de trabalhadores e a necessidade de adequar o gerenciamento da vida urbana. O crescimento e estagnação acompanharam esses processos, pois cada um deles teve seu apogeu e queda, não gerando riqueza suficiente para que os habitantes usufruíssem de uma melhor qualidade de vida. Cabe ressaltar que na última década os programas de habitação favoreceram o adensamento urbano e não a expansão como registrado no século passado. A necessidade de “criar terreno” para a expansão urbana promoveu profundas alterações na fisiografia no pontal. O crescimento ordenado e não ordenado gerou poluição, desmatamento, assoreamentos de arroios, destruição de ecossistemas e utilização de áreas preservadas para usos urbanos, gerando diversos desafios ambientais que Rio Grande precisa enfrentar na busca de um equilíbrio entre os interesses econômicos e ambientais.

Ilustrações: fotografia da Defesa de Dissertação. Gráficos contidos na Dissertação.

Apresentação de Maria Cristina.

Gráficos da expansão urbana. 

Gráficos da Supressão de Ambientes Naturais. 



sexta-feira, 22 de março de 2019

ESPAÇOS DA CRISTANDADE NO CENTRO HISTÓRICO



O precioso acervo fotográfico da Biblioteca Rio-Grandense preserva algumas imagens do patrimônio edificado católico das ruas da Praia (atual Marechal Floriano Peixoto) e da rua Direita (atual General Bacelar).
Nestas fotografias do ano aproximado de 1910, estão em destaque os prédios preservados da Capela de São Francisco (1814) e da Catedral de São Pedro (1755). A fachada da primeira Igreja do Carmo (1809) e o cemitério ao seu fundo foram demolidos no final da década de 1920, quando ocorreu a abertura do Beco do Carmo para o fluxo urbano (atual esquina das ruas Marechal Floriano com Benjamin Constant).
         As fotografias são do acervo da Biblioteca Rio-Grandense.

Antiga Igreja do Carmo por volta de 1910. 

Catedral de São Pedro em 1910.

Capela de São Francisco em 1910. 


A BIBLIOTECA


            A Biblioteca Rio-Grandense foi fundada em 15 de agosto de 1846 e teve por primeira denominação “Gabinete de Leitura”. O objetivo principal era possibilitar aos interessados o acesso aos livros a fim de despertar e difundir a leitura e o cultivo das letras. Nasciam no Rio Grande do Sul as sociedades voltadas à criação de bibliotecas em que a população pudesse ter acesso aos livros que eram relativamente inacessíveis devido aos altos custos.
         Seu idealizador mais destacado foi o comerciante e guarda-livros oriundo de Portugal João Barbosa Coelho que foi o seu primeiro presidente. A ata de criação da Biblioteca Rio-Grandense é elucidadora deste momento fundacional: “Achando-se reunidas vinte duas pessoas convidadas pelo Sr. João Barbosa Coelho, em uma sala da Sociedade Bailante, para formarem um Gabinete de Leitura, foi aclamado o mesmo Sr. Barbosa Coelho para presidente, o qual chamou para ocupar o lugar de secretário a Manoel Coelho da Rocha Junior. Seguiu-se incontinente a eleição da mesa provisória por escrutínio e saíram nomeados por maioria os srs. Domingos Soares Barbosa para presidente, Francisco Pinto de Carvalho para secretário e João Barbosa Coelho para bibliotecário. Foi encarregado o Sr. Barbosa Coelho de organizar os estatutos que devem regular o Gabinete. Nada mais havendo a tratar, o Sr. Presidente levantou a sessão”. No dia 23 de setembro de 1846 foi eleita a primeira diretoria e a primeira sede foi instalada na rua do Arsenal (atual rua Ewbank).  
             O acervo da Biblioteca não se restringe aos livros, mapas, fotografias, documentos, iconografias etc. Alguns documentos históricos também estão distribuídos nos corredores de seu prédio. São reproduzidos nesta página a “ação de 31 de agosto de 1878 no valor de Rs10$000”; a “ação de Rs5$000 de 17 de abril de 1889”; e o “recibo de Remissão de Mensalidades de 30 de setembro de 1883”.










sexta-feira, 8 de março de 2019

RIO GRANDE ANTIGA


         Uma fotografia é um documento histórico que pode trazer muitas informações sobre o processo civilizatório. Uma imagem panorâmica da cidade do Rio Grande foi realizada entre 1870-1872 e congelou a espacialidade naquele momento que hoje chamamos de passado. O centro da cidade portuária é retratado em seus principais referenciais urbanos: a atual praça Xavier Ferreira é ainda um projeto a ser efetivado; o Casarão do Rasgado, reformado pela Família Tigre, ainda permanece como o maior prédio civil; a rua da Praia (atual Marechal Floriano) é a principal artéria de deslocamento; o prédio do Mercado Público ainda é jovem (finalizado em 1863); o prédio da Alfândega (de frente ao atual lago da  Xavier Ferreira) seria demolido em breve para ser construído o monumental, e atual,  prédio da Alfândega; a Capela de São Francisco se destaca geminada com a Igreja de São Pedro.  
        Imagem rara que evoca um passado distante, mas, repleto de referenciais urbanos que compõem o nosso imaginário no presente.

Fotografia panorâmica do centro da cidade do Rio Grande (1870-72). Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

Capela de São Francisco (3 portas no térreo e 2 janelas superiores) e as torres da Igreja de São Pedro.

Prédio da Câmara do Comércio (primeiro plano) e do Mercado Público.

Área da atual Praça Xavier Ferreira e Casarão do Rasgado (atual prédio da Prefeitura que modificou o estilo da fachada e foi inaugurado em 1900).

Raríssima imagem do pátio nos fundos do prédio demolido da Alfândega do Rio Grande.