História do RG

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Livro Ilha dos Marinheiros

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

ONDE FICAVA?

 

Cartão-postal. Acervo: Walter Albrecht. 

Este cartão-postal circulado a partir de 1910 mostra uma paisagem urbana da cidade do Rio Grande. 

Que local é este?

CAIS DA RIACHUELO

 

Acervo: Fototeca Municipal Ricardo Giovaninni. 

Este cartão-postal, como quase sempre, não tem uma datação explícita em seu suporte. Como nos aproximar de uma datação?

Inicialmente, a espacialidade retratada. 

É a Rua Riachuelo na cidade do Rio Grande. Portanto, estamos no Porto Velho do Rio Grande quando ainda não havia o Porto Novo inaugurado em 1915. 

Muita mercadoria, especialmente barris, estão sobre o cais em frente das casas comerciais de exportação e importação. 

Neste caso, um detalhe é fundamental na identificação temporal: a iluminação é por lampiões e não por luz elétrica! Portanto, esta imagem é anterior a 1908-1910. Como conheço outros cartões neste estilo de edição com datações entre 1902-1905, hipoteticamente, sua datação é 1903. 

PORTO ALEGRE EM 1904

 

Cartão-postal de Porto Alegre, 1904. Acervo: https://www.ebay.co.uk/

Este cartão-postal com carimbo de dezembro de 1904 tem a dimensão dupla e mostra uma grande angular do Porto de Porto Alegre nos primórdios do século XX. 

Para ajudar na identificação do leitor: o Hospital da Santa Casa é o número 1; as duas torres na parte central identificam a Igreja Matriz (2). As duas torres no lado direito são da Igreja das Dores (3). 

Cartão-postal de Porto Alegre, 1904 (verso). Acervo: https://www.ebay.co.uk/ 

FILIAL DO BANCO DA PROVÍNCIA

O Banco da Província do Rio Grande do Sul foi o primeiro fundado no Rio Grande do Sul. Rio Grande e Pelotas foram as primeiras filiais deste banco que sobreviveu até a década de 1970 quando se fundiu com outras instituições para formar o Banco SulBrasileiro.  

Almanak Laemmert para 1907. Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
 

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

MARECHAL COM DUQUE

Acervo: Fototeca Municipal Ricardo Giovaninni. 

 

Cartão da Rua Marechal Floriano altura da Rua Duque de Caxias. Fotografia realizada a partir da Praça Xavier Ferreira. Década de 1930. 

TATU

 

Hermann Wendroth, Tatu, 1852. 

Tatus são os mais antigos mamíferos da América do Sul a terem registro fóssil. Seu nome é de origem Tupi, significando “animal de couro duro”. Habita, matagal árido tropical ou subtropical, florestas secundárias altamente degradadas, bordas de matas e campos. 

No Brasil ocorrem onze espécies e no Rio Grande do Sul quatro: Dasypus hybridus (tatu-mulita), D. novemcinctus (tatu-galinha), D. septemcinctus (mulita-comum) e Euphractus sexcinctus (tatu-peludo). No desenho é possível identificar oito a nove cintas móveis na carapaça o que enquadra a espécie como sendo o Tatu-galinha (Dsypus novemcinctus) que apresenta nove cintas móveis na carapaça. O tatu-mulita (Dasypus hybridus) e D. septemcinctus (mulita-comum) apresentam sete cintas móveis na carapaça. O tatu-peludo (Euphractus sexcinctus) é de fácil identificação não sendo compatível com a imagem.

DOMINGOS MONIZ BARRETO E O RIO GRANDE EM 1778

      O Capitão de Engenharia do Regimento de Estremóz Domingos Alves Branco Moniz, Barreto escreveu, no ano de 1778 "Observações relativas a Agricultura, Comércio, e Navegação do Continente do Rio Grande de S. Pedro no Brasil". Barreto analisa a situação econômica do Rio Grande do Sul e propõe uma série de ações políticas e econômicas para o melhoramento da Capitania. 

    Um trecho relacionado a Rio Grande até o Taim, é reproduzido a seguir: 

       "A povoação principal deste Continente, que se denomina vila de São Pedro, está situada na latitude de 31 º e 58' e na longitude de 34° e 25'. A sua barra é perigosa pelos muitos bancos mudáveis que tem de areia, segundo as enchentes e correntezas d'água. Passando este obstáculo, acham as embarcações um ótimo lagamar para se abrigarem e ancorarem. Dentro deste lagamar, acha-se uma grande ilha chamada do Marinheiro, muito fértil. Nela se encontram todos os auxílios necessários para se poder fazer naquele Continente uma bem regulada povoação. Os nacionais deste Continente são dóceis, amáveis, sinceros e muito vigorosos para o trabalho. O seu torrão desde a barra que fica duas léguas de distância até a povoação é de areia. Na distância de duas léguas desde a barra até a povoação, pelo que pertence à parte do sul, se achavam vários redutos que hoje não existem. O terreno que se segue para a parte das demarcações, desde a vila de São Pedro até o Povo Novo, que dista sete léguas, ainda é bastante arenoso, sendo as suas campinas retalhadas de muitos e torcidos ribeiros e de excelentes pastos para gados, pelas muitas estâncias que estão ali estabelecidas. O terreno que se segue desde o Povo Novo até Taim, que fica distante vinte léguas e onde temos uma guarda nossa, é do mesmo modo fértil, e com as mesmas grandes fazendas de gado. Este terreno é muito próprio para se plantarem vinhas, que podem produzir em muita quantidade, ainda que me persuado Portugal não necessita deste socorro, por ter grande abundância deste gênero". 

Domingos Alves Muniz Barreto 1778. Acervo: Biblioteca Nacional de Portugal. 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

PRAIA DE BELAS EM 1852

Hermann R. Wendroth, 1852. Acervo: Autor.


Nesta aquarela de Hermann Wendroth, datada de junho de 1852, o artista alemão realizou uma das mais belas obras. Do alto do Morro de Santa Tereza se visualiza parte de Porto Alegre. Ao alto a Igreja da Matriz (na atual Rua Duque de Caxias), as embarcações no Guaíba em área que hoje constitui o Bairro Praia de Belas. Muito aterramento foi realizado no século XX para formar o Bairro Praia de Belas o que reduziu radicalmente a enseada que está nos desenhos.

Wendroth, Praia de Belas. 

Parte desta área foi conhecida como Areal da Baronesa, devido a ser construída uma imponente residência por João Batista da Silva Pereira e sua esposa Maria Emília Pereira, respectivamente, Barão e Baronesa de Gravataí. No local do casarão, atualmente está edificado o prédio do Pão dos Pobres e em seu amplo entorno ficava a Chácara da Baronesa. Nesta área ruralizada, mas, junto à cidade, se fazia coleta de frutas nativas, caminhadas em vegetação cerrada e até existiam locais onde escravos fugidos se escondiam. 

150 ANOS

Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

 

Esta fotografia está comemorando 150 anos. 

Foi realizada em 1870 e mostra o prédio do Mercado Público que foi inaugurado em 1863. 

Personagens estão na atual Praça Xavier Ferreira e as bandeiras indicam alguma festividade. 

Ao fundo se observa os mastros dos navios ancorados no Cais do Porto Velho.   

A GRANDE FARSA - HQ

 


A Grande Farsa. São Paulo: Comix Zone, 29 x 21cm, capa dura, p&b, p. 224, 2020. Roteiro: Carlos Trillo; Arte: Domingo Mandrafina. 


Após três décadas da publicação de sua primeira versão argentina (1990) esta novela gráfica chega ao Brasil em grande estilo. A edição da Comix Zone é primorosa.

São duas histórias sendo a principal “A Grande Farsa” que inicia em clima noir e vai aprofundando a trama política ao longo das páginas. Desfilam ministros corruptos, ditador, cafetinas, prostitutas, bêbados, nazista, femme fatale, virgem milagrosa e diversos personagens populares. A voz narrativa se alterna com vários personagens que explicam o sentido de atores e acontecimentos para a compreensão daquele momento presente. Sarcasmo, ironia, perversão e medo conduzem a trama que vai revelando o perfil do ditador e do personagem mais temido: o torturador e assassino “Iguana”.

A segunda história se chama "O Iguana" e Carlos Trillo se deleita no realismo fantástico para explicar a trajetória do torturador mais temido daquele país.

Falta conhecer várias publicações, mas, esta HQ deve ser um dos momentos máximos da produção argentina.

O roteiro de Carlos Trillo e a arte de Domingo Mandrafina estão em sintonia e levam o leitor a se envolver na trama que vaga entre o trágico e o cômico dos costumes e da vida política latino-americana.