Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 7 de fevereiro de 2026

GUAICURUS

 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/17459/charge-de-cavalerie-gouaycourous

Carga de cavalaria Guaicuru (1834) desenho de Charles Motte a partir de esboço de Jean-Baptiste Debret. 

A imagem faz parte de um imaginário do Rio Grande do Sul em relação aos índios cavaleiros Minuanos e Charruas. Porém, o grupo acima não atuou no Rio Grande do Sul. 

Trata-se dos Guaicurus grupos indígenas identificados no século XVI no Chaco (no norte do Paraguai) e que migraram para Goiás e Mato Grosso do Sul (Pantanal) onde deixaram relatos a partir do século XVIII. 

Esta tribo guerreira conheceu a doma do cavalo com os espanhóis. Passaram a utilizar o cavalo com grande maestria em caçadas e ataque a tribos rivais (como os guaranis) e aos espanhóis. Eram temidos e impuseram grandes perdas aos colonizadores espanhóis e portugueses. 

O artista Debret ficou surpreso com a habilidade dos Guaicurus em manejar o cavalo. Deixou o seguinte relato no livro publicado na década de 1830 Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil:

"para esconder-se do inimigo, imaginam um ardil que dá bem ideia de sua destreza e sua perícia de cavaleiros. Cada guerreiro, unicamente apoiado no estribo direito, segura a crina com a mão esquerda e assim se mantém suspenso e deitado de lado, no sentido do corpo do cavalo, conservando essa atitude até chegar ao alcance da lança; ergue-se então da cela e combate com vantagem, em meio à desordem provocada pelo ataque tumultuoso".

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/17459/charge-de-cavalerie-gouaycourous

TERMO DE VISITA DA ALFÂNDEGA (1856)

 

https://www.ocolecionistaleiloes.com.br/peca.asp?Id=21463871


Mais um exemplo de documento que era expedido pela Alfândega do Rio Grande. 

Trata-se de um Termo de Visita a um brigue vindo de Pernambuco para o Porto do Rio Grande. A visita ocorreu em 19 de fevereiro de 1856. 

O Termo de Visita é para que o escrivão e os oficiais da Alfândega inspecionassem a embarcação em busca de mercadorias que não foram descarregadas para o pagamento de impostos. Se fossem encontradas mercadorias não declaradas estas seriam confiscadas e ainda o comandante receberia uma multa no metade do valor delas.  

IGREJA DE FÁTIMA (1959)

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=11048794&ctd=57

Imagem pouco documentada nos cartões-postais: a Igreja N.S. de Fátima e o Colégio Marista São Francisco

Este é o número 33 dos cartões-postais editados pela empresa paulista Foto Postal Colombo em 1959. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

CASA NOTRE DAME DE PARIS

 

https://bndigital.bn.gov.br/exposicoes/franca-brasil/?tipo=todos-objetos&pg=3

Cartão litográfico da Casa Notre Dame de Paris localizada na Rua do Ouvidor no Rio de Janeiro. Se o cartão for coerente com a imagem, a hipótese é ter sido editado entre 1865-1875. 

Uma das casas comerciais mais famosas do Rio de Janeiro, estabelecida em 1848, era voltada, em especial, a comercialização de tecidos, roupas e acessórios femininos. Também trabalhava com roupas masculinas e infantis. 

Seu proprietário era o francês M. Décap que procurou edificar um pedaço de Paris na capital do Império do Brasil. Os produtos franceses tinham um marcante apelo junto às elites brasileiras e o Rio de Janeiro era a capital de difusão das modas e hábitos nas províncias brasileiras. 

Em Memórias da Rua do Ouvidor (1878) o escritor Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882) deixou as seguintes impressões:

"A loja Notre Dame de Paris, bem que não seja exclusivamente de fazendas e de modas francesas para senhoras, é, contudo, principalmente atraidora do belo sexo, e representa no seu imenso mundo capital avultadíssimo, que deve vencer juros pagos pelos consumidores e consumidoras; além disso, a loja contém e alimenta numerosa população de empregados de escritório, de caixeiros às dezenas, de modistas e costureiras em número elevado, de serventes e criados todos vencendo honorários e aluguéis. Calculem e façam ideia do que custam a moda e a elegância da cidade do Rio de Janeiro!...

Porque em cada corte de seda, em cada toilette, em cada xale, chapéu, gravatinha, etc., a compradora paga e deve pagar no seu tanto proporcional, além do valor e lucro do objeto que adquire, o aluguel da casa, e os honorários dos empregados de escritório, dos caixeiros, das modistas, das costureiras, dos serventes e dos criados, e antes de tudo isso os tributos da alfândega, que na verdade são de arrasar!...". 

https://bndigital.bn.gov.br/exposicoes/franca-brasil/?tipo=todos-objetos&pg=3

LIVRARIA COMMERCIAL - MEIRA (1898)

 

https://www.betoassef.com.br/peca.asp?Id=23888735

Carimbo da cidade do Rio Grande em 14 de fevereiro de 1898 com destino a Pelotas

O envelope é personalizado da Souza Lima & Meira - Livraria Commercial em sua matriz em Pelotas

Foi enviado da filial da Livraria Commercial em Rio Grande com um selo de 200 réis. 

Este selo da série jornais tinha valor original de 100 réis cor violeta em 1890 e foi sobreestampado em 1898 com um carimbo de 200 réis. 

GETÚLIO VARGAS (1941)

 

https://www.philatelia.lel.br/peca.asp?ID=21644310&ctd=131

Máximo postal com carimbo da III Exposição Filatélica Juvenil de Minas Gerais do dia 22 de junho de 1941. 

Cartão e selo destacam o então Presidente da República Getúlio Dornelles Vargas no período do Estado Novo e durante a II Guerra Mundial. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

PEIXES DA AMAZÔNIA (1874)

 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/23960/einer-unserer-moxos-indianer

Detalhe de uma gravura de um livro em alemão publicado por Franz Keller-Leuzinger em 1874. Trata-se de uma viagem a áreas da Bolívia e da Amazônia Brasileira. 

Franz Keller-Leuzinger (1835-1890) foi um engenheiro, fotógrafo e desenhista alemão e um dos primeiros viajantes estrangeiros a documentar a Amazônia. Entre 1867 e 1868, percorreu junto com o seu pai que também era engenheiro, os rios Madeira, Amazonas, Mamoré e Guaporé. Um dos resultados da expedição foi publicar o livro Do Amazonas ao Madeira onde ficaram registros textuais e visuais de áreas ainda desconhecidas do público.  Maiores informações da biografia de Franz Leuzinger e da expedição podem ser obtidas em https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25046


Na gravura que reproduzi acima, a legenda é "um de nossos índios Moxos" em referência a indígenas Moxos/Mojos cujo epicentro civilizatório era a planície de Beni na Bolívia mas se difundiram entre os rios Mamoré e Guaporé com deslocamento em áreas do Mato Grosso.

Os Moxos são da família linguística Arawak, desenvolveram a agricultura, obras hidráulicas para controle de inundações, construíram aldeias sobre aterros e, a partir de 1686, fundaram a primeira redução jesuítica que perduraram até a expulsão da Companhia de Jesus em 1767. 

Na gravura, o indígena está retornando de uma pescaria e o resultado faz parte da diversidade do pescado da região amazônica. 

A gravura é de mais de 150 anos no passado. 

O que podemos identificar em termos de espécies de peixes?

Vemos um peixe-cachorro (Hydrolycus scomberoidesou cachorra, um agressivo predador de escamas que pode chegar a quase um metro de comprimento e quase dez quilos. 


Uma arraia de água doce característica dos rios Amazonas e Tocantins. A gravura lembra uma arraia-olho-de-pavão (Potamotrygon motoro) que pode atingir um metro e pesar até 15 quilos. Esta espécie não está em risco de extinção e é objeto de desejo por aquaristas devido a sua beleza. As arraias exigem muito cuidado pelo ferrão e veneno que possuem no apêndice da cauda. 



O maior peixe do grupo é de couro, os "bagres amazônicos". A Amazônia possui espécies de grande porte que se colocam entre as maiores do planeta. Alguns exemplos são a Piraíba (que pode chegar a 300 quilos), Pirarara, Jaú, Pintado, Surubim, Cachara, Caparari, Jundiá etc. 

Como não tive a convicção na identificação dos detalhes da gravura com as imagens atuais de peixes amazônicos (não fecharam os detalhes com margem de segurança), não vou arriscar numa identificação desta espécie. 


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

INAUGURAÇÃO DO PORTO NOVO


https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=27007245

Cartão-postal do momento comemorativo da inauguração do serviço de tráfego do Porto Novo do Rio Grande, ocorrido em 15 de novembro de 1915. 

Edição da Compagnie Française du Port de Rio Grande do Sul com data manuscrita no verso de 3 de janeiro de 1916. 

TITAN (1912)

 

https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=25219449

Cartão-postal do editor R. Strauch/Livraria Rio-Grandense e as obras da Barra do Rio Grande por volta de 1912. 

O braço de pedras avança pelo mar na construção dos Molhes da Barra pela Companhia Francesa do Porto do Rio Grande. 

Em destaque, o trabalho do guindaste francês Titan que lançava as rochas no mar garantindo o avanço do molhe. 

CENTRO FILATÉLICO DO RIO GRANDE (1956)

 

https://www.betoassef.com.br/peca.asp?Id=23356407

https://www.betoassef.com.br/peca.asp?Id=23356407

3ª Exposição Filatélica Estadual organizada pelo Centro Filatélico do Rio Grande e realizada entre 7 e 9 de setembro de 1956. 

O Centro Filatélico do Rio Grande estava comemorando os seus 25 anos. Foi criado na cidade do Rio Grande em 7 de setembro de 1931. 

No verso da folhinha foram reproduzidas informações sobre os integrantes da comissão organizadora do Centro, da primeira diretoria e da diretoria no ano de 1956. 

Me chamou a atenção a presença de Abeillard Barreto na comissão organizadora para a criação do Centro Filatélico. Barreto deixou um legado em levantamento/aquisição/preservação documental e bibliográfico extraordinário. Também teve interesse em incentivar a Filatelia. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

DO RIO JACUÍ AO BALNEÁRIO BIARRITZ (1905)

 


A imagem do Rio Jacuí, nas proximidades de Porto Alegre, foi enviada para o balneário Biarritz na França. 

O trajeto deste cartão postal pode ser observado na data manuscrita em Porto Alegre no dia 8 de janeiro de 1905. No dia 9 de janeiro recebeu o carimbo dos Correios em Porto Alegre. O cartão seguiu pela Lagoa dos Patos e depois pelo litoral brasileiro até chegar ao Rio de Janeiro no dia 21. O mais difícil foi decifrar o carimbo de Biarritz. Minha interpretação é que o carimbo é do dia 10 de fevereiro de 1905, coerente com cerca de um mês de viagem entre Porto Alegre a França. 



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

SELO TINTUREIRO EM 1892

https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=18216417

Terno (3 selos) horizontal do selo Tintureiro com o carimbo da cidade do Rio Grande - S. Pedro do Sul. 

O carimbo obliterou os selos no dia 28 de dezembro de 1892, um período de grave crise republicana no Rio Grande do Sul. Em 1893 eclodiu a Revolução Federalista e a decorrente violência entre chimangos e maragatos. 

O selo Tintureiro foi lançado em 1 de maio de 1891. Foi impresso em três cores e com alegoria que remete a Marianne, um símbolo de republicano da Revolução Francesa. 


ESQUINA DA MARECHAL COM A DUQUE

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?Id=10446825

Detalhe da área mais movimentada da cidade do Rio Grande por volta de 1907-1910: a esquina da Rua Marechal Floriano com a Rua Duque de Caxias

A área mais valorizada para o comércio ficava nestas imediações em direção a Rua General Bacelar e na sequência da Marechal em direção a Rua Coronel Sampaio.  

Foi um recorte de um cartão da Livraria Americana reproduzido abaixo: 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?Id=10446825

CATEDRAL DE SANTA MARIA (1926)

 

https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=27007179

Cartão-postal do Editor José Regina com data hipotética de 1926. 

A fotografia (no tom esverdeado que caracterizou os cartões deste editor) mostra a Avenida Rio Branco e a Catedral na cidade de Santa Maria. 

A Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Imaculada Conceição foi inaugurada foi inaugurada em 1909. O teto da capela mor e da nave central apresenta pinturas de Aldo Locatelli. 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

INTENDÊNCIA DE PORTO ALEGRE (1916)

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=13660641&ctd=7

Cartão-postal impresso na Alemanha com data manuscrita de 24 de dezembro de 1916.

A imagem colorizada é da Intendência Municipal de Porto Alegre prédio inaugurado em 1901 com decoração de caráter positivista e estatuária alegórica. O projeto é do italiano/brasileiro Giovanni Carrara Colfosco.