Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

domingo, 12 de julho de 2026

REPRESENTAÇÕES DOS ESTADOS UNIDOS EM 1888

https://www.flickr.com/photos/44841559@N03/4401050339/in/photostream/

Card belga da Liebig editado em 1888. O tema é América. A série é "Soldados, Bandeiras Nacionais, Armas e Costumes".

Se o Brasil é representado de forma "estranha" e com muitos erros de informação, os Estados Unidos são também um caso a ser analisado no campo da análise do discurso visual.

Nos cards europeus, a América é vista, quase sempre, como uma colonização espanhola. O Brasil é representado com roupas e traços faciais espanhóis (brancos), indígenas e africanos. É como se não tivesse ocorrido miscigenação.

Já os americanos são quase sempre associados as tribos indígenas ou as atividades ligadas a criação do gado ou exploração do meio rural como a mineração. As cidades ocupam lugar inferior e a industrialização é secundária ou inexistente. 

Será um problema britânico mal resolvido em relação a derrocada da colonização inglesa e do rompimento do estatuto colonial quando da Independência Americana em 1776? 

No lado direito da imagem está um espanhol (representando o México) montado num cavalo (honra e superioridade) em postura aristocrática. É a raíz ibérica que modelou parte da paisagem da Europa Ocidental. 

A civilização anglo-saxão ficou na Europa e nos Estados Unidos ficaram os povos selvagens! É o que busca expressar este card de 1888 (acima). 

Nesta coleção de cards foram contemplados países como a Inglaterra e a ênfase foi num cidadão inglês e num militar escocês rigorosamente vestido. Como se observa abaixo:

https://www.flickr.com/photos/44841559@N03/4401050347/in/photostream/

Já neste card está um indígena segurando a machadinha e a lança. No lado oposto um cavaleiro com trajes espanhóis no padrão Dom Diego de La Vega na Califórnia. Em todos os cards desta série de seis estampas diferentes, no lado direito fica um militar e no esquerdo um civil. Aqui se misturou dois civis como se não existisse uma identidade militar nos Estados Unidos. 
https://www.flickr.com/photos/44841559@N03/4401050339/in/photostream/

O que as imagens passam é que a história americana se reduz a um faroeste, uma terra virgem a ser integrada ao capitalismo. Ignora-se o desenvolvimento industrial e o poder naval que está em desenvolvimento e o papel dos imigrantes ainda é um objeto estranho. 

Nos milhares de cards que já analisei do final do século XIX e início do século XX, os Estados Unidos são menos abordados do que países do norte da África onde a dominação europeia ainda era exercida. Há uma dimensão clara em retratar espaços do colonialismo inglês (britânico), francês, belga, alemão, italiano etc. São retratos muitas vezes exóticos e de pobreza técnica que contrapõem com o avanço civilizatório das urbes europeias. 

Volto a afirmar que os Estados Unidos, naquela período, são um problema mal resolvido e cujo interesse é secundário nas representações europeias. A imagem que se busca fixar é a da falta de técnica e da brutalidade de uma contínua conquista territorial sobre a resistência dos povos originários. Parece positivo o destaque da presença de populações indígenas, porém, neste período, havia as gravuras que exploravam a diferença antropológica e o exótico de povos do mundo para comparar com os civilizados europeus. Elementos ligados a selvageria, barbárie e civilização ainda seduziam as narrativas. 

Será também uma variável explicativa reduzir o espaço para a República frente a maioria dos países que ainda eram Monarquias como a Grã-Bretanha, a Alemanha, a Bélgica, a Rússia, a Itália etc? 

Entre a década de 1880 até 1918, os europeus conseguiam aceitar equilibradamente o convívio com povos que se emanciparam da colonização como os Estados Unidos? 

Em 1900, a economia americana era apenas agrária e pecuarista? Não! A produção manufatureira/industrial já superava em valor a produção agrícola e a população urbana tinha intenso crescimento. Nova Iorque já tinha quase 3,5 milhões de habitantes no início do século XX. 

Acredito que estes deleites visuais (cards) estão para além de meras imagens deletérias. Elas constituem representações imagéticas de padrões civilizatórios e de selvageria e de construções geopolíticas ligadas ao progresso e ao imperialismo europeu. 

sábado, 11 de julho de 2026

GRÊMIO LUSITANO (1935)

 

https://www.albertolopesleiloeiro.com.br/peca.asp?Id=31485976

A cidade do Rio Grande, no dia 27 de Junho de 1835, foi elevada de Vila para a categoria de Cidade.  

Este convite do Gremio Lusitano (fundado em 22 de abril de 1928) é para um baile comemorativo ao centenário de elevação.  

sexta-feira, 10 de julho de 2026

EXPOSIÇÃO FILATÉLICA ESTADUAL (1956)

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=31505123&ctd=33

Cartão-postal mostrando a "Porta Simbólica da Cidade do Rio Grande". 

Esta obra foi inaugurada em 1950 junto ao Parque Rio-Grandense

No verso, a divulgação da 3ª Exposição Filatélica Estadual que foi organizada pelo Centro Filatélico do Rio Grande entre 7 e 9 de setembro de 1956. 

Observa-se no selo em homenagem ao escritor Monteiro Lobato, o carimbo da Exposição Filatélica Estadual realizada em Rio Grande. 

No outro, a posterióri, foi colocado o carimbo da Exposição Filatélica Estadual ocorrida entre 7 e 15 de julho de 1962 em Pelotas

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=31505123&ctd=33



quinta-feira, 9 de julho de 2026

SANTA MARIA E O EDIFÍCIO MAUÁ

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=6350099

Cartão-postal fotográfico sem editor identificado. 

Data hipotética: 1950-1955. 

Trata-se do Edifício Mauá em Santa Maria

Este edifício foi construído pelo engenheiro Luis Bollick, em estilo Art Déco, entre 1945 a 1950.

Sua localização é Avenida Rio Branco esquina com a Rua Silva Jardim. 

O ônibus está subindo a Avenida Rio Branco em direção a Rua Dr. Bozano (atual Calçadão). 


quarta-feira, 8 de julho de 2026

CARTÃO E SELOS (1923)

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=6349365&ctd=32

Desde os primórdios dos 1900, a Livraria Americana lançou muitos cartões com cenários da cidade do Rio Grande.

Uma das melhores séries foi a Coleção de Vistas do Rio Grande editada em 1920/1921. 

Este cartão faz parte da série Coleções: "Novo Porto do Rio Grande - armazéns e guindastes". 

A colorização ressaltou a compacta presença e o movimento de embarcações no Porto Novo inaugurado em 1915. 

O conjunto de selos valorizou a peça cartográfica: três selos da série Alegorias Republicanas lançado em 1918 (a mulher de perfil); o selo Próceres Republicanos de 50 réis com Pedro Álvares Cabral, editado em 1906; e o selo Aviação da série Vovó, editado em 1920.  

O cartão foi manuscrito em Rio Grande no dia 5 de março de 1923 com destino a França. 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=6349365&ctd=32

terça-feira, 7 de julho de 2026

PELOTAS E A VARIG (1929)

 

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

Dois selos num fragmento de correspondência ou de encomenda. 

Um selo da emissão do Correio da série Vovó (emitidos a partir de 1920) no valor de 300 réis e com a alegoria de Mercúrio (representando o Comércio e a Indústria). 

O outro selo, é emissão particular da empresa aérea Condor Syndicat (impresso na Alemanha) e estava sendo reaproveitado (e carimbado) pela VARIG (empresa aérea fundada em 1927). 

O carimbo da VARIG é do dia 28 de dezembro de 1929 na cidade de Pelotas. 

A VARIG surgiu com a Linha da Lagoa (Rio Grande-Pelotas-Porto Alegre) e as três cidades dispunham de carimbos para obliteração. 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

PORTO ALEGRE EM 1915

 

https://www.acervoraroleiloes.com.br/peca.asp?ID=7526065

Cartão-postal Edição da Casa A. Miscellanea e A. Electrica Leonetti (Porto Alegre). 

Foi enviado de Porto Alegre para o Rio de Janeiro em maio de 1915. 

O cenário de uma fotografia colorizada artisticamente mostra a Praça Senador Florencio (atual Praça da Alfândega) no centro de Porto Alegre. 

Este trecho fica entre a Rua Sete de Setembro e a Rua dos Andradas. 

Verso do cartão:

https://www.acervoraroleiloes.com.br/peca.asp?ID=7526065

domingo, 5 de julho de 2026

CHAFARIZ FRANCÊS DAS NEREIDAS

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=9249142&ctd=127

Cartão-postal do editor Paraná-Cart (Curitiba) e fotografia de Helmut Koettel

Datação hipotética: 1967-1968. 

Chafariz das Nereidas na Praça Pedro Osório em Pelotas. 

Foi instalado no local em 25 de junho de 1873 quando a praça era denominada Pedro II

O chafariz foi comprado pela Companhia Hidráulica Pelotense e produzido na França pela Fundição Durenne

Além do corpo central com grande diversidade de elementos estéticos, o chafariz é composto por quatro figuras femininas montadas em cavalos marinhos. 

COSTUMES DO RIO GRANDE DO SUL (1922)

 

Montagem LHT. https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=6349357

Cartão-postal Edição da Casa A. Electrica, S. Leonetti (Porto Alegre).

O tema é Costumes do Rio Grande do Sul com data de 1922.

Foi enviado do Rio Grande do Sul, possivelmente de Porto Alegre, para a Hungria.

Em área rural não especifica, observamos uma casa colonial e moradores de um típico espaço estancieiro de criação de gado da campanha gaúcha. A indumentária do homem à esquerda é típica das atividades pecuaristas do extremo sul do Brasil e do Prata. 

sábado, 4 de julho de 2026

CENTRO HISTÓRICO DE PELOTAS

 


Cartão-postal editado pela Parana-Cart (Curitiba) e fotografia de Helmut Koettel

Ano hipotético: 1967. 

Junto a Praça Coronel Pedro Osório, observamos um dos espaços essenciais para a compreensão da trajetória histórica da cidade de Pelotas: saber, administração e comércio. 

No lado direito está o prédio da Biblioteca Pelotense cujo andar térreo foi inaugurado em 1888 e o segundo piso em 1915. 

Ao seu lado está o prédio da Prefeitura Municipal inaugurado em 1881. 

No lado esquerdo da fotografia está uma fácie do Mercado Público construído em 1852 e que recebeu modificações fundadas na arquitetura europeia entre 1911-1914. 

SANTA MARIA (1954)

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=31505141&ctd=51

Cartão-postal fotográfico sem identificação de editor. 

Avenida Rio Branco na cidade de Santa Maria

As setas indicam a Catedral Nossa Senhora da Conceição e o Hotel Pirajú

No verso do cartão, não circulado, está manuscrita a data: 13 de setembro de 1954. 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

PELOTAS, O SÃO GONÇALO E AS PONTES

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=6350092

Cartão-postal EDICARD (São Paulo) com uma vista aérea da cidade de Pelotas

A área retratada mostra estruturas industriais e armazéns do Porto de Pelotas

O Canal São Gonçalo escoa, no lado inferior,  para a Lagoa dos Patos. No lado superior, avança para a Lagoa Mirim adentrando os antigos Campos Neutrais

Observamos a Ponte Ferroviária (1884) e a Ponte Alberto Pasqualini (1963) que foi interditada em 1974. 

A nova ponte, Léo Guedes, foi construída entre abril de 1975 e inaugurada maio de 1976. 

Porém... não se observa a nova ponte e nem obras de construção desta ponte que, recentemente, completou 50 anos. 

Portanto... este cartão-postal deve ter sido editado entre 1970 a 1974. 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

DE PORTO ALEGRE A PARIS: A TROCA DE POSTAIS (1912)

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=6349358&ctd=25

Os cartões-postais se tornaram objetos de colecionismo desde o final do século XIX quando surgiram os cartões alemães Gruss aus (Lembranças de).

Na década de 1910, a edição e circulação de cartões-postais abarcava cenários mundiais que levaram a primeira globalização/circulação visual do mundo. 

Os cenários urbanos e rurais foram miniaturizados fotográfica e artisticamente para caber num espaço de poucos centímetros e de alcance geográfico estraordinário para os padrões da época.  

E as edições/editores de postais se sucederam buscando ampliar os cenários de postais disponíveis frente ao ávido colecionismo. 

Um exemplo está neste cartão da Editora A.M. La Porta (Porto Alegre). 

A fotografia colorizada é do Mercado Público de Porto Alegre. 

Foi enviado, da capital do Rio Grande do Sul, em 4 de dezembro de 1912 tendo por destino Paris. 

No verso do cartão, datilografado (incomum na época) Alvaro enviou uma mensagem para a francesa Renaud. 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=6349358&ctd=25

Numa tradução aproximada: "Senhorita. Tendo recebido recentemente seu endereço, apresso-me em perguntar se você estaria disposta a trocar cartões-postais comigo. Por favor, aceite minhas sinceras saudações". 

A troca de cartões aproximava amigos, parentes e pessoas que desejavam se conhecer: promovia sociabilidades e afetividades. 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

CAIXEIROS-VIAJANTES (1909)

 

https://www.acervoraroleiloes.com.br/peca.asp?ID=7526066&ctd=14


Cartão-postal Edição da Casa A. Miscellanea - Porto Alegre/Pelotas, circulado para o Rio de Janeiro em dezembro de 1909. 

Cenário da área rural de Porto Alegre com dois viajantes transportando uma mula mercadorias. 

São os famosos Caixeiros-Viajantes que foram essenciais na integração comercial das firmas urbanas com as localidades rurais de difícil acesso. 

https://www.acervoraroleiloes.com.br/peca.asp?ID=7526066&ctd=148

terça-feira, 30 de junho de 2026

VARIG, BIGUÁ E O ÍCARO

 

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

Fragmento de correspondência ou encomenda que era despachada por via área. 

O carimbo da VARIG - Serviço Aéreo no Brazil, foi realizado em Porto Alegre no dia 3 de janeiro de 1933. 

A VARIG deixou de utilizar os selos da Condor Syndicat a partir de setembro de 1930. A Livraria Globo, em Porto Alegre, imprimiu os selos VARIG com a simbologia de Ícaro

O primeiro símbolo da VARIG foi o Biguá, ave que habita a Lagoa dos Patos e fez parte do cotidiano nos tempos da Linha da Lagoa inaugurada em 1927. A partir de 1930, surgiu o Ícaro e em 1961, o símbolo passa a ser a Rosa dos Ventos

A VARIG não lançou selos com o Biguá e sua imagem não foi preservada na filatelia. 

Porém, consegui a imagem do Biguá para o conhecimento dos leitores:



https://www.varig-airlines.com/pt/design.htm