Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

DIAMANTINA

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/62

Rua Direita na cidade de Diamantina em Minas Gerais. 

Fotografia de Augusto Riedel do ano 1869. 

A primeira ocupação oficial de caráter colonizador em Diamantina (arraial de Tejuco) recua a 1713. O interesse era o garimpo de ouro, porém, serão os diamantes (a partir de 1729) o fator de impulso para o povoamento desta região da Capitania de Minas Gerais. 

Os diamantes atraíram a atenção das autoridades portuguesas que estabeleceram um rígido controle sobre a exploração e circulação. Luso-brasileiros e escravos africanos marcaram a formação social e cultural local. 

"Diamantina foi o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII, condição que se refletiu na evolução da cidade, desfavorecendo a formação de um espaço urbano arquitetônico na forma de uma praça representativa do poder político e religioso, como era então regra geral. Sua arquitetura civil tem referência especial pela extrema homogeneidade do seu casario. Possui uma estética sóbria, simples, porém refinada se comparada com outras cidades de sua época. Suas fachadas são bem geometrizadas e seu padrão foi sistematicamente reproduzido pela cidade, não havendo rupturas estilísticas importantes. Essas edificações apresentam evidentes testemunhos da reprodução do modelo cultural de origem portuguesa" (http://portal.iphan.gov.br).

Em 1999, Diamantina foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO.  

O ECLIPSE DE 1865 EM PETRÓPOLIS

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/622

Fotografia realizada próximo ao final do eclipse solar de 25 de abril de 1865 em Petrópolis

Observa-se a fachada principal do Palácio Imperial (atual Museu Imperial). Fotógrafo Revert Henrique Klumb

O eclipse solar ocorreu numa terça-feira, 25 de abril de 1865 quando a Lua passou entre a Terra e o Sol. O eclipse total é quando a Lua bloqueia toda a luz emitida pelo Sol. 

A faixa de totalidade deste eclipse (trajetória do cone de sombra da Lua sobre a superfície da Terra com cerca de 300 quilômetros de largura) cruzou Petrópolis e o Rio de Janeiro. A visualização em Petrópolis era ainda mais privilegiada por estar localizada a mais de 800 metros de altura. 

Como o dia vira noite, acredito que esta fotografia foi realizada quando já começava a clarear (se observa uma sombra em algumas árvores da direita). Por mais que o fotógrafo abrisse a angular e deixa-se em exposição para a placa ser sensibilizada, na escuridão de um eclipse o efeito deveria ficar mais esmaecido. Durante um eclipse total, em casos de não haver nebulosidade, pode se observar até estrelas. São especulações... 

Abaixo, o mapa da trajetória do eclipse solar de 1865. Em azul está a faixa de totalidade:

By Attribution: Eclipse Predictions by Fred Espenak, NASA's GSFC - http://eclipse.gsfc.nasa.gov/, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=16982936

PRAIA DO LEBLON

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8240

Praia do Leblon (Rio de Janeiro) no ano de 1919. Fotografia de Augusto Malta

Leblon, o teu nome é solidão... 

As imagens dizem mais do que as palavras. Como o espaço pode ser modificado pela ação humana em um século. 

Vista atual da Praia do Leblon. 

Por Arne Müseler / www.arne-mueseler.com, CC BY-SA 3.0 de, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=116745810.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O PERDIGUEIRO DESAPARECIDO (1852)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=712248&pesq=&pagfis=4

Anúncio do desaparecimento, no dia 11 de novembro de 1852, de um cachorro perdigueiro na cidade de Porto Alegre. 

Quem o encontrasse poderia entregar na rua de Bragança na Botica (estabelecimento semelhante a farmácia) do Sr. Feliciano. 

Chamou a minha atenção colocar em jornal, no caso O Mercantil (Porto Alegre) o anúncio do desaparecimento de um cão ocorrido a 173 anos. Outro aspecto foi tratar-se da raça perdigueiro

A raça perdigueiro português tem registros em Portugal a cerca de mil anos. "A sua figura está representada entre outros numa lápide sepulcral visigótico-moçárabe da Igreja de S. João Baptista de Tomar (Séc. X), no Testamento Veteres de SªCruz de Coimbra (Séc.XII) e no Génesis de uma Bíblia portátil do Séc.XIII (Biblioteca Nacional de Lisboa). Desde o rei Afonso III (1248-1279) que aos cães destinados a caçar aves, era dado o nome de podengos de mostra, designação que permanece hoje em Espanha onde o cão de parar é conhecido por "perro de muestra" [Ordenações, 1261 - "...e os açoreiros que levem os podengos..."]. No Livro de Montaria de D. João I (1357-1433) é mencionado igualmente como podengo de mostra, ou seja um cão de "pés grandes" ( do grego podos - podengo), que evidenciava capacidade de parar perante a caça gozando de grande prestígio entre os seus utilizadores (A História do Perdigueirohttp://www.canildetorres.com/aahistoria).

Não encontrei fontes aprofundadas sobre a chegada da raça perdigueiro no Brasil. 

A hipótese é que, desde o século XVI, começaram a ser enviados nas caravelas portuguesas e se fizeram presente, mesmo que esporadicamente, no Brasil Colônia e Império. 

De forma mais explícita, por volta de 1770, há uma imagem que mostra cinco perdigueiros numa caçada realizada no Brasil: "O documento em causa é uma aquarela de Joaquim José de Miranda, (42,5 cm X 55 cm) da Colecção de Beatriz e Mário Pimenta Camargo, intitulada «Cena da Expedição (ao Brasil) do Coronel Afonso Botelho de Sampaio e Sousa - 1768-73». Ilustra a página 2 do livro «Cotidiano e Vida Privada na América Portuguesa» Ed. Companhia das Letras-Brasil" (http://www.canildetorres.com/artperdigueirosbrasil.html).

Joaquim José de Miranda. Cena da expedição do Cel. Afonso de Sampaio e Souza (1768-1763).

Antes do perdigueiro de Porto Alegre, que não se sabe se foi encontrado, muitas gerações desta raça já conviviam no Brasil. 

Recordo com carinho da Diana, cachorra perdigueiro que era do meu pai. Era dócil e, quando criança, eu brincava com ela. Só agora fiquei sabendo que vinha de uma raça tão antiga que remontava a algumas regiões da Península Ibérica, em terras de Portugal. 

IMPOSTOS EM 1876

 

https://www.albertolopesleiloeiro.com.br/peca.asp?Id=21528804

Documento de importação da Alfândega da cidade do Rio Grande datado de 3 de outubro de 1876. 

O objetivo é a cobrança de impostos da carga deste navio vindo da Antuérpia e que tivera o destino anterior no Rio de Janeiro. 

Cada navio que chegava ao Porto do Rio Grande era fiscalizado para cobrança de taxas que recaiam nos produtos importados. 

Assustador os inclementes impostos cobrados há 150 anos?

Talvez não, pois, tem coisas que não mudam e apenas se aprimoram. 

No ano de 2025 a arrecadação federal no Brasil foi de R$2,887 trilhões. Valores basicamente impensáveis, mas, que sempre são insuficientes frente aos gastos. Esta foi a maior arrecadação da série histórica a partir do ano 2000. E não terá sido uma das maiores arrecadações de toda história brasileira? 

E o pé no acelerador continua pesado em 2026! Em apenas 42 dias do ano o imposto arrecadado já foi de mais de 536 bilhões de reais. Ou seja, como comparação, daria para comprar 7 milhões e 700 Jeeps Renegade neste início de ano (https://impostometro.com.br/). Não me perguntem onde guardar estes 7 milhões de Jeeps...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

CHARRUA (1834)

 

https://digital.bbm.usp.br/bitstream/bbm/3724/1/006245-1_IMAGEM_028.jpg

Gravura clássica de 1834 com um Chefe Charrua desenhado por Jean Debret.

Postura altiva e de guerreiros sob o cavalo é uma das representações dos Charrua

A partir de relatos do século XVI estes indígenas estavam localizados entre os Rios Paraná e Uruguai na província argentina de Santa Fé. Frente ao avanço espanhol e das Missões Jesuíticas, estes grupos -que resistiram a expansão colonial-, foram se deslocando para áreas do Uruguai e Rio Grande do Sul. 

Em 1831, o governo uruguaio de Fructuoso Rivera busca exterminá-los no Massacre de Salsipuedes quando muitos Charruas são mortos ou aprisionados. Foi o primeiro grande golpe na tentativa do desaparecimento da etnia que continuava a resistir à presença dos colonizadores europeus. 

ALFÂNDEGA E PORTO VELHO (1905)

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=13660666&ctd=32

Cartão-postal fotográfico enviado do Rio de Janeiro para a Inglaterra em 1 de agosto de 1905. 

Este é um dos cenários mais marcantes para os navegantes que chegavam ao Porto Velho do Rio Grande

O portentoso prédio da Alfândega do Rio Grande foi construído entre 1874-1879. 

Pelas bandeiras estendidas a partir da torre e movimento de populares, inferimos que está ocorrendo algum festejo, possivelmente, cívico. 

Na área central esta a Rua Ewbank que liga com a Rua Marechal Floriano (prédios ao fundo): 


O prédio no lado direito é a Câmara do Comércio fundada em 1844: 


Verso do cartão:


https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=13660666&ctd=32

SANTA MARIA (1904)

 

https://www.ebay.com/itm/187455375407

Cartão-postal fotográfico do editor Phot. Bocqué com data manuscrita 29 de agosto de 1904.

O cenário é a Rua do Acampamento em Santa Maria. Personagens em carruagens estão posando para o fotógrafo que está com o equipamento montado no meio da rua que ainda era de chão batido. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

MUSEU NACIONAL NO CAMPO DA ACLAMAÇÃO (1856)

 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18140/museo-nacional-campo-d-acclamacao#zoom-in

Gravura do Museu Nacional no Campo da Aclamação no ano de 1856. Desenhista e gravador Pieter Godfried Bertichen (Litografia Imperial de Eduardo Rensburg, Rio de Janeiro). 

O prédio que na época sediou o Museu Nacional ficava no Campo de Santana ou Campo da Aclamação (atual Praça da República no centro do Rio de Janeiro). 

Este prédio foi mandado construir, a partir de 1807, pelo opulento comerciante João Rodrigues Pereira de Almeida (1781-1830) para ali edificar a sua residência. Um dos mais ricos comerciantes do Rio de Janeiro era traficante de escravos e importador de produtos da Capitania do Rio Grande do Sul. 

Almeida vendeu o prédio no ano de 1818 ao governo português para ali instalar o Museu Real. Este museu recebeu posteriormente as denominações de Imperial e Nacional, tendo permanecido neste local até 1892. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro aí também se estabeleceu assim como a Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e outras instituições. Isto ocorria concomitante ao Museu e provocava falta de espaço para tantas atividades.

A importância histórica do prédio se evidencia por suas persistentes ocupações.

Abaixo, uma versão colorizada de P. G. Bertichem de 1856 (Litografia Imperial de Eduardo Rensburg, RJ): 


https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Bertichem_museu_nacional_campo_aclamacao.jpg


domingo, 8 de fevereiro de 2026

O RIO DE JANEIRO (1856)

 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18140/museo-nacional-campo-d-acclamacao

Publicação de 1856 da Litografia Imperial de Rensburg (Rio de Janeiro) mostrando cenários da capital do Império do Brasil. A maioria das gravuras são de cenas urbanas, porém, a ênfase nas belezas naturais estão presentes. 

Neste desenho de Manuel de Araújo Porto-Alegre gravado por Pieter Godfried Bertichen observa-se a densidade da floresta virgem da Mata Atlântica que envolvia o Rio de Janeiro. 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18089/floresta-virgem

Estas imagens de natureza densa junto a um centro urbano atraíam os olhares e curiosidade dos europeus. 


https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18089/floresta-virgem

PALECETE IMPERIAL EM PETRÓPOLIS (1856)

 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18112/palacete-imperial-petropolis

Gravura de 1856 do Palacete Imperial em Petrópolis

Desenhista e gravador Pieter Godfried Bertichen. Edição da Litografia Imperial de Rensburg. 

D. Pedro II assinou o decreto de criação de Petrópolis em 1843 e imigrantes, especialmente alemães, trabalharam na construção da cidade. O Palacete ou Palácio Imperial foi mandado construir pelo Imperador entre 1845-1862 com o objetivo de ser o Palácio de Verão. É uma das edificações neoclássicas mais importantes do país. 

Em 1940, o presidente Getúlio Vargas criou neste local o Museu Imperial cujo acervo é formado por peças que marcaram a trajetória da Monarquia no Brasil. 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18112/palacete-imperial-petropolis

CARTÃO DO PORTO NOVO

 

https://www.albertolopesleiloeiro.com.br/peca.asp?Id=8581075

Cartão-postal Ed. Mercator com uma vista do Porto Novo do Rio Grande (1915) e o bairro Getúlio Vargas (BGV). 

Cartão-postal, aproximadamente, 1980. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

GUAICURUS

 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/17459/charge-de-cavalerie-gouaycourous

Carga de cavalaria Guaicuru (1834) desenho de Charles Motte a partir de esboço de Jean-Baptiste Debret. 

A imagem faz parte de um imaginário do Rio Grande do Sul em relação aos índios cavaleiros Minuanos e Charruas. Porém, o grupo acima não atuou no Rio Grande do Sul. 

Trata-se dos Guaicurus grupos indígenas identificados no século XVI no Chaco (no norte do Paraguai) e que migraram para Goiás e Mato Grosso do Sul (Pantanal) onde deixaram relatos a partir do século XVIII. 

Esta tribo guerreira conheceu a doma do cavalo com os espanhóis. Passaram a utilizar o cavalo com grande maestria em caçadas e ataque a tribos rivais (como os guaranis) e aos espanhóis. Eram temidos e impuseram grandes perdas aos colonizadores espanhóis e portugueses. 

O artista Debret ficou surpreso com a habilidade dos Guaicurus em manejar o cavalo. Deixou o seguinte relato no livro publicado na década de 1830 Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil:

"para esconder-se do inimigo, imaginam um ardil que dá bem ideia de sua destreza e sua perícia de cavaleiros. Cada guerreiro, unicamente apoiado no estribo direito, segura a crina com a mão esquerda e assim se mantém suspenso e deitado de lado, no sentido do corpo do cavalo, conservando essa atitude até chegar ao alcance da lança; ergue-se então da cela e combate com vantagem, em meio à desordem provocada pelo ataque tumultuoso".

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/17459/charge-de-cavalerie-gouaycourous

TERMO DE VISITA DA ALFÂNDEGA (1856)

 

https://www.ocolecionistaleiloes.com.br/peca.asp?Id=21463871


Mais um exemplo de documento que era expedido pela Alfândega do Rio Grande. 

Trata-se de um Termo de Visita a um brigue vindo de Pernambuco para o Porto do Rio Grande. A visita ocorreu em 19 de fevereiro de 1856. 

O Termo de Visita é para que o escrivão e os oficiais da Alfândega inspecionassem a embarcação em busca de mercadorias que não foram descarregadas para o pagamento de impostos. Se fossem encontradas mercadorias não declaradas estas seriam confiscadas e ainda o comandante receberia uma multa no metade do valor delas.  

IGREJA DE FÁTIMA (1959)

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=11048794&ctd=57

Imagem pouco documentada nos cartões-postais: a Igreja N.S. de Fátima e o Colégio Marista São Francisco

Este é o número 33 dos cartões-postais editados pela empresa paulista Foto Postal Colombo em 1959.