Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

quinta-feira, 5 de março de 2026

ESCRAVA DE GANHO (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6488

Escrava de ganho no Rio de Janeiro, cerca de 1865, pelo fotógrafo Christiano Junior

A serenidade e a imponência desta mulher é hipnótica. 

Reproduzo o verbete do Arquivo Nacional na definição de Escravo(a) de Ganho:

"Os jornaleiros, ou escravos ao ganho como são mais comumente conhecidos, representavam uma parcela significativa dos Escravos urbanos. Esses escravos realizavam trabalhos diversos, eram artesãos, barbeiros, vendedores, quitandeiras, quituteiras, carregadores, entre outras atividades. O escravo ao ganho tinha um senhor, a quem pertencia como os outros escravos, mas tinha uma certa autonomia de seu dono, não morando na mesma casa, não tendo um feitor, podendo circular mais livremente pelas ruas e praticar um ofício que lhe garantisse o sustento e alguma renda. No entanto, apesar da aparente liberdade, o escravo jornaleiro devia a seu senhor uma diária, normalmente alta, que era para ele uma fonte de renda importante, e caso não conseguisse pagá-la, poderia perder o “benefício” do ganho e sofrer castigos. O que sobrasse do seu Jornal, ou seja, da renda obtida no dia de trabalho, deveria usar na sua alimentação, moradia, e outras despesas, o que desonerava bastante o senhor, que economizava nos gastos com a sobrevivência do escravo. Com a ajuda das diárias, alguns escravos conseguiram acumular a quantia necessária para a compra de Alforrias" (http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/glossario/index.php/verbetes/10-verbetes-iniciados-em-e/743-escravos-de-ganho#:~:text=Em:%20Fran%C3%A7ois%20Auguste%20Biard.,para%20a%20compra%20de%20Alforrias).

ESCRAVO CONGO (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6506

Escravo Congo, em 1865, fotografado por Christiano Junior no Rio de Janeiro. 

Conforme o Arquivo Nacional, esta é a definição para Escravo Congo:

"O termo escravo de nação não necessariamente indica a etnia ou nação ou a precisa procedência geográfica dos cativos africanos. Na maior parte das vezes indica o lugar de embarque ou de aprisionamento do negro africanos que foi escravizado. Segundo o costume do tráfico, qualquer cativo exportado pelos mercados ligados à rede comercial do rio Zaire era considerado um congo. Logo, os escravos vindos desta região pertenciam a variados grupos étnicos. Na cidade do Rio de Janeiro, os congos eram considerados escravos com grande habilidade na agricultura, nos ofícios da arte e no trabalho doméstico. Destacava-se no grupo o costume de preservar suas tradições, celebrando o antigo reino do Congo em suas canções e coroando seus próprios reis e rainhas" (https://historialuso.an.gov.br/index.php/hlb/2055-gloss%C3%A1rio/2073-e/6194-escravo-de-nacao-congo). 

ESCRAVO DE GANHO (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6493

Escravo de Ganho em 1865. Fotografia de Christiano Junior no Rio de Janeiro. 

A imagem mostra a atuação de um Escravo de Ganho atuando como barbeiro. Era estipulada uma parte do ganho diário que deveria ser entregue ao seu proprietário. O que excedesse seria para os seus gastos e guardar para a compra da carta de alforria (documento oficial que garantia a liberdade desde que assinada pelo proprietário). Obtendo a carta o cativo passava à condição de negro forro ou liberto. 

ESCRAVA DE GANHO VENDEDORA (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6490

Escrava de Ganho Vendedora no ano de 1865. Fotografia de Christiano Junior no Rio de Janeiro. 

A mulher é vendedora de frutas pelas ruas do Rio de Janeiro. Esta atividade era essencial para o funcionamento da sociedade Colonial/Imperial. O menino deve atuar como vendedor ambulante. 

Está no estúdio posando para o fotógrafo e fico impressionado com a expressão de altivez desta mulher ostentando com suas marcas tribais no rosto:


Outras atividades essenciais desenvolvidas por escravos de ganho eram: comércio ambulante de doces, comidas típicas, hortaliças e artesanato; serviço de transporte de pessoas e de mercadorias, barris, dejetos, descarga nos portos; ofícios de barbeiro, extração de dentes, sapateiro, ferreiro, carpinteiro, pedreiro, consertos gerais; serviços gerais de lavadeira, engomadeira, ama de leite, consertos domésticos e faxineira.

Além destas, inúmeras atividades eram exercidas por escravos de ganho.  

ESCRAVO MONJOLO (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6507

Escravo Monjolo, 1865, fotografado por Christiano Junior no Rio de Janeiro. 

No Brasil Colonial e Império, o termo Monjolo era uma referência ao trabalho exercido por um escravo e não a uma localidade na África ou a uma etnia originária. 

O monjolo é uma máquina hidráulica utilizada para descascar e moer grãos de milho (ou outros), a triturar mandioca ou outras sementes/grãos. 

O Escravo Monjolo é uma referência a estes trabalhadores escravizados das fazendas e áreas rurais que manejavam este equipamento que era movido com a força da água. 

ESCRAVO MINA (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6503

Escravo - Mina em 1865, fotografado por Christiano Junior no Rio de Janeiro. 

Vejamos a definição do Arquivo Nacional para Escravo - Mina ou Preto Minas

"O termo “Minas” foi usado, entre os séculos XVII e XIX, como designação étnica de africanos escravizados e traficados para a América. Foram construídas identidades de acordo com a cor e procedência da população escravizada: minas, angolas, cabindas, benguelas, monjolos – identidades cunhadas por traficantes de escravos, europeus ou africanos, ou pela burocracia colonial, que tinham como função classificar e organizar a grande massa de africanos estabelecida no Novo Mundo. A expressão “preto Mina” carregava informações indispensáveis que acompanhavam o escravo por toda vida, mesmo que esse trocasse de proprietário ou conseguisse sua alforria; a cor e a origem eram atributos indeléveis. A identidade Mina estava diretamente relacionada aos africanos trazidos da Costa do Ouro na África Ocidental, ou Costa da Mina como era conhecida pelos portugueses, englobaria ainda a Costa do Marfim e, no século XVII, a Costa dos Escravos, portanto era usada para designar uma grande variedade de grupos étnicos e linguísticos. Segundo Juliana Barreto Farias e Mariza de Carvalho Soares, “eram no seu conjunto povos diversos que foram escravizados em diferentes momentos de suas histórias em função da demanda do comércio atlântico de escravos. Pode-se hoje afirmar que a “nação mina” engloba indivíduos que pertenceram a diferentes povos e que, dentre eles, os mais numerosos foram os conhecidos como de línguas do grupo gbe e do iorubá” (De GBE a Iorubá: os pretos Minas no Rio de Janeiro, séculos XVIII-XX. Revista África(s), v. 04, n. 08, p. 46-62, jul./dez. 2017). Usada pelos colonizadores como forma de identificação dos escravizados, a expressão também serviu como organização de grupos identitários com um passado étnico em comum, criando formas de sociabilidades do outro lado do Atlântico. A afirmação dessas identidades seria fundamental para a inserção do africano escravizado na sociedade urbana e suas redes de trabalho, religiosas ou de parentescos" (http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/glossario/index.php/verbetes-de-a-a-z/28-verbetes-iniciados-em-p/1133-preto-minas). 

ESCRAVO ANGOLA (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6501

Escravo - Angola no Rio de Janeiro em 1865. Fotógrafo Christiano Junior

Escravo - Angola ou Preto de Nação Angola é assim definido no Glossário de História Luso-Brasileira do Arquivo Nacional

"O termo “escravo (ou preto) de nação” não necessariamente indica a etnia ou nação ou a precisa procedência geográfica dos cativos africanos. Na maior parte das vezes se refere ao lugar de embarque ou de aprisionamento do negro africano que foi escravizado. No caso do escravo de nação Angola, indica o cativo da região centro-oeste atlântica africana, em geral da região de Angola. Foi um dos grupos majoritários de escravos no Brasil, um dos três mais numerosos no Rio de Janeiro. Os escravos angola eram um dos grupos mais apreciados pelos senhores do Brasil tanto por serem considerados mais “pacíficos” que os de outras regiões da África, quanto pela sua boa condição física, além de se destacarem pela habilidade em trabalhos mecânicos e especializados" (http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/glossario/index.php/verbetes-de-a-a-z/28-verbetes-iniciados-em-p/641-preto-de-nacao-angola). 

ESCRAVO CABINDA (1865)

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6498

Escravo Cabinda em 1865. Fotografado por Christiano Junior no Rio de Janeiro. 

Vejamos o glossário do Arquivo Nacional referente ao termo Cabinba:  

"Pequena porção de terra limitada ao norte pela República do Congo e ao sul e oeste pela República Democrática do Congo (antiga República do Zaire), compreende uma parcela do antigo reino do Luango e a quase totalidade dos velhos reinos do Ngoio e Cacongo. Portugueses, holandeses e ingleses estabeleceram postos de comércio, fábricas de extração de madeira e de óleo de palma nessa região. Após 1830, e especialmente nos anos de 1840, os esforços antiescravistas britânicos estimularam os negociantes a multiplicar os pontos de embarque, visando o contrabando de escravos para as plantações do Brasil e Cuba. Cabinda parece ter servido como o maior ponto de aterrissagem para mercadorias vindas do Brasil, Inglaterra e Estados Unidos. Depois de descarregar as mercadorias em Cabinda, os negociantes as direcionavam – por barco ou por terra – para a Ponta da Lenha, onde seriam utilizadas para adquirir escravos. Em praticamente todas as listagens de escravos vindos para o Rio de Janeiro, havia referências aos cabindas, grupo que parecia tão numeroso quanto o dos angolas ou congos. Por ocasião da Conferência de Berlim (1884-1885), quando simultaneamente nasceram o Congo Belga (ex-Zaire e atual República Democrática do Congo) e o Congo Francês (ex-Congo Brazzaville e atual República do Congo), a atribuição de Cabinda a Portugal foi internacionalmente confirmada, adotando-se a designação Congo português" (https://historialuso.an.gov.br/index.php/hlb/2055-gloss%C3%A1rio/2071-c/5895-cabinda).

ALFAIATARIA AO BOM TOM (1897)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=829684&id=023501252863&pagfis=600

Almanach Popular Brazileiro para 1897 (Livraria Universal - Pelotas e Porto Alegre). 

Anúncio da Alfaiataria e Fábrica de Luvas e Gravatas Ao Bom Tom localizada na Rua dos Andradas em Porto Alegre. 

A gravura mostra o alfaiate tirando as medidas do cliente. Este padrão para confecção de roupas se manteve dominante por séculos. Já a aquisição nas lojas de roupas prontas possibilitou agilizar a aquisição do produto pelo consumidor e levou a reprodução industrial de inúmeros exemplares do mesmo modelo. 

Na alta costura a confecção completa de uma roupa a partir do tecido ainda é fundamental. Fora deste restrito mercado, o uso de mão-de-obra de alfaiates e costureiras, na maioria das vezes, se volta a ajustes e adaptações de roupas produzidas industrialmente. 

MANUFACTURA DE CALÇADOS PELOTENSE (1897)

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=829684&id=023501252863&pagfis=588

Anúncio publicado no Almanach Popular Brazileiro para 1897 (Livraria Universal - Pelotas e Porto Alegre). 

Esta era a maior fábrica de calçados de Pelotas no final do século XIX e início do XX. 

A Manufactura de Calçados Pelotense produzia cerca de 20 mil calçados por ano e empregava entre 150 a 200 operários. 

PORTO NOVO DO RIO GRANDE

 

https://www.leiloesportaldascolecoes.com.br/peca.asp?ID=28189004#&gid=1&pid=1

Cartão-postal fotográfico sem editor identificado com legenda "Porto - Rio Grande (Sul)". 

Trata-se do Porto Novo do Rio Grande, inaugurado em 1915, mostrando um intenso movimento de navios. 

No canto esquerdo está a chaminé do Frigorífico Swift inaugurado em 1918. 

Datação hipotética do cartão: década de 1930. 

quarta-feira, 4 de março de 2026

BANDEIRAS E SEGURANÇA NAVAL (1793)


https://www.mcu.es/ccbae/es/consulta/resultados_busqueda.do?posicion=341&id=31266

"Cuarenta dibujos de banderas y gallardetes representando diversas señales marítimas en relación con el avistamiento de buques enemigos". 

Estas quarenta bandeiras para sinalização naval utilizadas pela Espanha são do ano de 1793 (Archivo General de Simancas/Espanha). 

No presente, os recursos para comunicação terrestre, naval ou aérea são muito avançados e ágeis. Para termos uma noção das dificuldades de comunicação, a radiotelegrafia marítima começou, lentamente, a ser utilizada a partir de 1900. 

A arte de navegar envolvia inúmeras dificuldades e temporal ou neblina poderia fazer com que uma frota se afastasse e ficasse sem contato com as demais. Ainda no século XVIII ou XIX, a incerteza das condições meteorológicas eram um desafio para os navegantes. 

As bandeiras de sinalização eram fundamentais para troca de informações entre navios da frota. A aproximação de outras embarcações era fator de sobressalto devido à sistemática incursão de corsários em busca das riquezas dos galeões espanhóis. Identificar a embarcação e divulgar a sua condição de periculosidade ou neutralidade era fundamental para a segurança da tripulação e o preparativo para o enfrentamento em batalha naval. 

As bandeiras, a distância observadas com lunetas, eram formas de comunicação eficiente frente as limitações instrumentais da época. 

https://www.mcu.es/ccbae/es/consulta/resultados_busqueda.do?posicion=341&id=31266

VENDER FIADO! (1894)

 

Almanach Popular Brasileiro para 1894  (Livraria Universal - Pelotas e Porto Alegre).
https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=829684&id=023501252863&pagfis=225

O anúncio da Livraria Universal de Echenique & Irmão referenda a antiguidade deste lugar comum em casas comerciais. É uma pequena placa junto a caixa registradora de algumas lojas mais tradicionais, no tempo presente, com o dizer Fiado só Amanhã!

No caso da produção de material pedagógico para evitar falência de comerciantes, a Livraria Universal está vendendo um quadro com uma estampa litográfica colocada sobre cartão "representando em duas figuras alegóricas o fiel e verdadeiro contraste entre o comerciante que Vende Fiado - esquálido, desesperado, miserável - e o comerciante que Vende a Dinheiro - alegre, rechonchudo e opulento".

SOCIEDADE DE PROPAGANDA DE TIRO BRAZILEIRO

 

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=829684&id=023501252863&pagfis=866

Almanach Popular Brazileiro para 1897 (Livraria Universal - Pelotas e Porto Alegre). 

Fragmento de um texto escrito por Antonio Carlos Lopes, Diretor da Sociedade de Propaganda de Tiro Brazileiro

Antonio Carlos Lopes foi um comerciante que atuava no ramo farmacêutico em Rio Grande (cidade do Rio Grande do Sul). Ele defendia a criação de Tiros de Guerra em que a população masculina teria formação militar básica para contribuir com recrutamento para o Exército Brasileiro no caso de guerra ou invasão do território nacional. 

Em Rio Grande foi fundado o Primeiro Tiro de Guerra do Brasil em 7 de setembro de 1902. A iniciativa foi difundida em nível nacional e muitas cidades criaram o seu Tiro. No presente, ainda funcionam cerca de duzentas organizações com este perfil. 

terça-feira, 3 de março de 2026

CÉDULA DO PARAGUAI (1862)

 

https://es.numista.com/308182


A peça litográfica acima é um papel moeda emitido pelo Tesoro Nacional de la Republica del Paraguai em 1862. O valor é de 4 pesos e foi impresso na Imprenta del Estado (Asunción). Decreto de emissão datado de 31 de março de 1862.

O verso está em branco e o anverso traz o brasão de armas do Paraguai em medalhão oval ao centro; no lado esquerdo, está a figura de um boi puxando um arado em referência a agricultura. 

No lado direito do brasão está a assinatura (firma) do Presidente Carlos Antonio López falecido em 10 de setembro de 1862. Com sua morte, assumiu a presidência do Paraguai o seu filho Francisco Solano López. Em dezembro de 1864 Solano López declarou guerra ao Império do Brasil.

https://es.numista.com/308182