Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

GUERRA GUARANÍTICA

 

https://www.mcu.es/ccbae/es/consulta/resultados_navegacion.do?id=105&posicion=7&forma=ficha

Título do mapa conforme descrição do Archivo General de Simancas:  "Mappa geographico da campanha por donde marchou o Exercito de S[a] Magestade Fidelisima sahindo do Rio Grande de Sam Pedro, a quem auxiliava contra os sette povos rebeldes situados na margem oriental do Rio Uruguay elevada pelo tenente coronel... José Custodio de Sá é Faria [Material cartográfico] / elevada pelo Tenente Coronel do Regimento de Artilharia do Rio de Jan[ei]ro Jose Custodio de Sa, e Faria; desenhada por Manoel Vieyra Leao Then[ient]e do Regimento de Art[ilhari]a (1758)".

O Tratado de Madrid (1750) estabeleceu que a região dos Sete Povos da Missões passaria ao controle de Portugal. Os índios missioneiros e os padres jesuítas deveriam abandonar seus povoados e estâncias e rumarem para o lado espanhol, na outra margem do Rio Uruguai. 

A não aceitação destes termos levou a Guerra Guaranítica que resistiu a ocupação dos exércitos luso-espanhol coligados. A derrota missioneira levou ao início da decadência dos povoados. 

O Mapa mostra alguns cenários geográficos da Campanha de ocupação militar da região missioneira (Sete Povos) após o massacre de Caiboaté e a ocupação militar luso-espanhola em 1756. 

No detalhe abaixo, se observa a Vila de Rio Grande de S. Pedro de onde partiram as tropas luso-brasileiras para encontrarem as tropas espanholas em Castilhos Grandes (atual Uruguai) em outubro de 1752. Ali tem início a demarcação fixada pelo Tratado de Madrid para evitar novos confrontos militares entre Portugal e Espanha na América do Sul. 


Com o avanço da demarcação em direção ao território das estâncias missioneiras, os índios missioneiros se negam a aceitar o abandono de suas terras e povoados. Esse momento inicial ocorreu em Santa Tecla (ao norte de Bagé) quando centenas de índios do povoado de São Miguel Arcanjo argumentam que ali é parte de sua estância e não deixariam a Comissão avançar. Foi Sepé Tiaraju e outros caciques de São Miguel que fazem a Comissão se dispersar: era o dia 26 de fevereiro de 1753. Neste dia Sepé teria proferido a frase: "Essa terra é nossa; nós a recebemos de Deus e de São Miguel". 

Nos três anos seguintes, a rebelião se difunde e tem início um movimento de guerrilha que muito dificultou a demarcação. Mais de dois mil índios tombaram nos confrontos e a ferro e fogo os Sete Povos das Missões passam para a bandeira portuguesa. Porém, já em 1761 o Tratado de Madri torna-se letra morta e militares espanhóis passam a ocupar os Sete Povos. Descontentes por décadas, um grupo de militares/paisanos portugueses invadem as Missões e as conquistam para Portugal em 1801. 

Entre avanços e recuos da fronteira, o projeto histórico missioneiro foi eliminado e a população foi lançada entre os vacilos colonizatórios e o escravismo dos projetos civilizatórios luso-espanhol. 

CONFRONTO LUSO-ESPANHOL (1775)

 

https://www.mcu.es/ccbae/es/consulta/registro.do?control=BAB20100056424

Peça cartográfica do acervo do Archivo General de Simancas (Espanha). 

Plano del río Grande de San Pedro con indicación de la profundidad y de los establecimientos y parajes de interés que hay en él.

Observamos a Barra do Rio Grande com a Vila do Rio Grande de São Pedro ocupada pelas tropas espanholas e São José do Norte ocupada por fortificações portuguesas. 

Pela disposição das fortificações espanholas e lusitanas, o Plano deve ser de 1775. Em abril de 1776, os portugueses navegam a Barra do Rio Grande e retomam a Vila ocupada em 1763. 

BARALHO DE CARTAS

 

https://www.mcu.es/ccbae/es/consulta/resultados_busqueda.do?posicion=4366&id=1341069&forma=ficha

Rei de Espadas!

Esta é uma das cartas de um baralho no formato 9,5x5,6cm. É uma gravura litográfica sobre papel colorizada a mão e faz parte do acervo do Archivo General de Simancas (Espanha). 

Para quem é familiarizado com baralhos e naipes, a datação desta peça chama a atenção: quase meio milênio no passado. Não foi identificado o ano exato mas foi produzida nos anos 1500. O Brasil estava engatinhando quando a carta circulou.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

BONDES ELÉTRICOS EM PORTO ALEGRE (1908)

 

https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=27936787

Cartão-postal Edição Casa Miscellanea e A. Electrica S. Leonetti (Porto Alegre). 

Usuários em ponto de bondes elétricos na Rua Marechal Floriano Peixoto em Porto Alegre. 

Todos estão posando e não tiram os olhos do equipamento fotográfico na espera do click. 

Estas pessoas tiveram suas imagens congeladas para serem vistas num cartão-postal em seu tempo presente e por curiosos ao longo deste século que já transcorreu. 

O cartão-postal circulou por volta de 1912. Mas a fotografia é creditada ao fotógrafo Virgilio Calegari em março de 1908. Um dos mais importantes fotógrafos da cidade documentou, visualmente, os primeiros dias de circulação de bondes elétricos em Porto Alegre. 

ALBERTO SANTOS DUMONT

 

https://www.personaliteleiloes.com.br/peca.asp?ID=27886328&ctd=146

Alberto Santos Dumont (1873-1932) foi um inventor brasileiro de projeção internacional por seus balões dirigíveis e aviões. 

Cartões-postais, selos, moedas e papel moeda marcaram os seus feitos ligados a história da aviação. 

É o caso desta nota de 10.000 cruzeiros lançada em 1966 e que em 1967 recebeu um carimbo de 10 cruzeiros novos (novo valor monetário cortando três zeros). 

No anverso temos a imagem clássica de Santos Dumont e no verso o voo de 220 metros do piloto brasileiro no avião 14 Bis. Este evento público ocorrido em Paris no dia 12 de novembro de 1906 projetou Santos Dumont como o Pai da Aviação


https://www.personaliteleiloes.com.br/peca.asp?ID=27886328&ctd=146






CAMPEONATO GAÚCHO 2026

 

Figurinhas Ping Pong de 1979.
 https://www.personaliteleiloes.com.br/peca.asp?ID=27886630&ctd=366

Futebol é cultura histórica e figurinhas Ping Pong também. 

Em primeira mão a opção de jogadores para escalação do Grêmio e do Internacional para os dois jogos em que será decidido o Campeonato Gaúcho de 2026

Figurinhas Ping Pong de 1978.
https://www.leilaosebogeekmania.com.br/peca.asp?ID=20045640#desc-compl&gid=1&pid=5

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

CRUZ MISSIONEIRA

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=27617798&ctd=245

Cartão-postal das Ruínas de S. Miguel editado por Foto Bruno (Santo Ângelo). Fotografia com datação hipotética de 1950. 

Ao fundo a fachada da Igreja de S. Miguel Arcanjo e, em primeiro plano, a Cruz Missioneira. 

A inspiração para a Cruz Missioneira está na Cruz de Caravaca da Espanha e na Cruz de Loreto da França. Os Jesuítas espanhóis utilizaram o símbolo de Caravaca nas missões/reduções durante o projeto de conquista espiritual. O símbolo foi utilizado como proteção espiritual, devoção, reforço da fé e luta contra o mal.  

Interessante é que a Cruz mostrada na fotografia de São Miguel não é original desta Missão. Ela foi retirada de um cemitério de Santo Ângelo e enviada no ano de 1938 para S. Miguel onde estava sendo montado o Museu das Missões Jesuíticas. 

No Rio Grande do Sul, os Sete Povos das Missões foram invadidos por tropas luso-espanholas em 1756 e os jesuítas foram expulsos em 1759. Foi um longo período de abandono, pilhagens, roubo de peças, retirada de estruturas materiais para novas construções, tornados, incêndios etc. Quantos povoados tinham a Cruz Missioneira? Talvez todos? No presente se investiga o que restou das materialidades e se busca compreender as origens destes remanescentes. 

Na Planta da Missão de São Miguel Arcanjo de 1756 se observa a Cruz Missioneira em frente a primeira carreira de casas comunais do guaranis. Este caminho levava a praça maior e dali para a Igreja. O desenho retrata a Cruz que ainda existia em São Miguel.  



Quando visitei São Miguel em 1990, comprei uma Cruz Missioneira em madeira esculpida por índios Guaranis. Dei de presente para os meus pais que a mantinham em destaque na sala de estar. Atualmente, guardo com carinho esta peça com carga emocional e como símbolo fundamental do projeto histórico das Missões Jesuítico-Guaranis. 

BONDE URBANO EM PERNAMBUCO

 

https://www.personaliteleiloes.com.br/peca.asp?ID=27886474&ctd=393

Me chamou a atenção esta peça que observei no personaliteleiloes.com.br 

Esta passagem de bonde traz algumas dicas para uma interpretação preliminar desta peça histórica. 

A impressão foi realizada pelo American Bank Note C. (New York) e "vale uma passagem" de bonde urbano puxado a tração animal de cavalos (o correto seria mulas) e tem o valor de 200 réis. 

A cidade em foco é Recife e a datação hipotética da passagem é cerca de 1895. 

No verso da passagem estão algumas representações que lembram impressões de papel moeda. A centralidade está na âncora que remete a solidez (da empresa). 

https://www.personaliteleiloes.com.br/peca.asp?ID=27886474&ctd=393

A imagem do bonde é a mesma utilizada para impressões do American Bank Note C. como se observa no Carris de Ferro de São Paulo. O que muda é o nome da empresa na lateral do bonde. 


Algumas informações sobre a empresa Pernambuco Street Railway Co. obtive no site http://www.tramz.com/br/re/re.html do excelente pesquisador Allen Morrison:

"Em 22 de setembro de 1871, a Pernambuco Street Railway Co., posteriormente chamada Ferro Carril de Pernambuco, inaugurou uma linha de bondes para Madalena, cujos veículos eram puxados por mulas. Os primeiros bondes eram fechados, como os ônibus locais, e o público os chamava de ônibus; quando a empresa instalou luzes elétricas, os passageiros renomearam os bondes para eletroburros. A bitola era larga, a circulação era pela esquerda e mulas extras eram posicionadas à beira d'água para ajudar a puxar os bondes sobre as pontes em arco. Em 1882, a FCP possuía 50 bondes e 400 mulas".

Allen Morrison também publicou um mapa das linhas de bonde no Recife em 1906:

http://www.tramz.com/br/re/rem06.html

Não foi muito ampla a investigação, mas o pequeno pedaço de papel que eu não tinha qualquer conhecimento, ao final da matéria já tem um outro significado de espacialidade, conjuntura e temporalidade. A passagem faz parte de um momento da história que recua a cerca de 130 anos. 

O crescimento urbano se intensificou e novas tecnologias vão surgindo como a transição da tração animal para os bondes elétricos que no Recife surgem em 1914. E para explicar esta transição, novas historicidades precisam ser investigadas...

LIGA DE DEFESA NACIONAL (1939)

 

https://www.avenidalivros.com.br/peca.asp?Id=25073083

Cartão propaganda da Liga de Defesa Nacional da cidade do Rio Grande nas comemorações do 7 de Setembro de 1939. 

Símbolos nacionais, uma mulher com o barrete frígio republicano e a Independência declarada por D. Pedro I estão na imagem. 

A Liga de Defesa Nacional foi criada em 7 de setembro de 1916 buscando o engajamento de intelectuais ao ideário nacionalista no contexto da Primeira Guerra Mundial. Foi criado o serviço militar obrigatório e desenvolvido o conceito de cidadão-soldado

RUA RIACHUELO E O BECO DO AFONSO

 

https://www.albertolopesleiloeiro.com.br/

Cartão-postal colorizado da Livraria Americana nº5. Cerca de 1907. 

Cais do Porto Velho do Rio Grande e Rua Riachuelo no trecho entre a Benjamin Constant até a Estação Marítima. 

No primeiro plano observamos um prédio de quatro pavimentos na esquina do Beco do Afonso (posteriormente no local surgiu novo prédio como sede da Wilson Sons & C.). 

https://www.albertolopesleiloeiro.com.br/

O sobrado com detalhes na fachada (Rua Riachuelo nº 48) foi o comércio de Secos e Molhados de Abel Asti & C. Esta foi uma das mais destacadas empresas de Rio Grande que atuaram com secos e molhados por atacado/comissões e consignações. O comércio foi fundado em 1893.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

PORTO ALEGRE EM 1912

 

https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=28139783#


Cartão-postal colorizado editado por Casa A. Miscellanea - S. Leonetti, Porto Alegre. 

Data do carimbo de 1 de junho de 1912. 

Este é um cenário que instiga a imaginação! 

Aglomeração de pessoas esperando o bonde urbano na Praça Senador Florencio (atual Praça da Alfândega) no centro de Porto Alegre. 

 Se observa uma relativa padronização nas roupas masculinas e femininas, nos estilos de chapéus, nos tons escuros e claros das roupas. São elementos que transmitem uma sobriedade ao clima Belle Époque em curso.

Abaixo, o verso do cartão enviado de Porto Alegre para Berlin:

https://www.filatelicajungesleiloes.com.br/peca.asp?Id=28139783#

REGATA EM 1902

 

https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?Id=8018425

Cartão-postal fotográfico editado por A. Caldonazzi (Rio Grande). 

O cartão circulou, no dia 28 de abril de 1905, da cidade do Rio Grande para o Rio de Janeiro e depois para a Inglaterra. Neste período de modal marítimo, a correspondência demorava cerca de um mês entre o Brasil e a Europa. 

A fotografia é de uma Regata ocorrida no Porto do Rio Grande no dia 15 de novembro de 1902.  

MACHADO DE ASSIS

 

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/1084

O fotógrafo Marc Ferrez em 1884 captou este retrato do nosso maior literato: Machado de Assis. O clichê foi elaborado por Insley Pacheco em 1912. 

Esta se tornou uma das imagens mais clássicas e reproduzidas de Machado

Machado de Assis (1839-1908) produziu literariamente por mais de 50 anos. Foram 10 romances, 205 contos, 600 crônicas, peças teatrais etc. Influenciou escritores e permanece um deleite para quem busca uma escrita inteligente, criativa e sensível.   

sábado, 21 de fevereiro de 2026

ILHA DOS MARINHEIROS COLORIZADA


https://www.danielchaiebleiloeiro.com.br/peca.asp?ID=25333770#desc-compl

Peça que foi leiloada por danielchaiebleiloeiro com a seguinte descrição: "Antiga xilogravura iluminada a mão, intitulada Rio Grande do Sul, Brazil -med. 17 x 23cm ( gravura) -med. 35,5 x 41,5cm (moldura)". 

Foi uma agradável surpresa!

Desconhecia esta versão colorizada (sem datação) feita a partir de uma gravura publicada no The Illustrated London News de 30 de novembro de 1867 (na página 21 e autoria de David Powel). 

O artista estava na Ilha dos Marinheiros e, ao fundo, estão embarcações e prédios no Porto Velho do Rio Grande

IGREJA DOS INGLESES (1856)

 

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18105/igreja-dos-inglezes

Gravura de Pieter Godfried Bertichen do ano de 1856 (Litografia Imperial Rensburg). 

Observamos a primeira Igreja dos Ingleses (Christ Church) construída em 1820 na Rua Evaristo da Veiga no Rio de Janeiro. 

É o primeiro templo Anglicano construído no Brasil que era um país oficialmente católico. 

O contexto da construção autorizada por D. João VI foi a fuga da Família Real de Portugal em 1808 e a invasão francesa pelas tropas de Napoleão Bonaparte. A Inglaterra despontou como o maior aliado de Portugal que abandonou Lisboa e sediou o reino no Rio de Janeiro até 1821 (quando ocorre o retorno de D. João VI para Portugal). 

Pelo Tratado de Amizade e Comércio (1810), o artigo 12 estabelecia: "Sua Alteza Real o Príncipe Regente de Portugal declara e se obriga no seu próprio nome e no de seus herdeiros e sucessores a que os vassalos de Sua Majestade Britânica, residentes nos seus Territórios e Domínios, não serão perturbados, inquietados, perseguidos ou molestados por causa de sua Religião, mas antes terão perfeita liberdade de consciência e licença para assistirem e celebrarem o serviço divino em honra do Todo Poderoso Deus, quer seja dentro de suas casas particulares, quer nas particulares Igrejas e Capelas que Sua Alteza Real agora e para sempre graciosamente lhes concede a permissão de edificarem e manterem dentro de seus domínios e conquista, contato que as sobreditas capelas sejam construídas de tal maneira que exteriormente se assemelhem a casas de habitação e também que o uso de sinos não lhes seja permitido".

https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18105/igreja-dos-inglezes