Porto do Rio Grande em 1908

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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

SELOS ANTIGOS DA GRÉCIA

https://www.flickr.com/photos/44841559@N03/5380700348/in/photostream/


Card alemão do extrato de carne Liebig com uma série sobre "Selos Postais" editados em 1900.

Como filatelista amador, esta é uma das séries mais atraentes entre as centenas lançadas pela Liebig. Instiga a pesquisar a história dos selos em vários países do mundo. 

Observamos na gravura uma menina com trajes típicos da Grécia do final do século XIX. No centro, uma visão da Acrópole e do Partenon e outras estruturas, na cidade de Atenas.

Os três selos foram editados na Grécia em 1862 e 1886.

Os primeiros selos gregos foram emitidos a partir de 1861 e foram chamados de "Grandes Cabeças de Hermes". Foram gravados na França por Albert Barre e impressos por Ernest Meyer em 1 de outubro de 1861. Tinham sete valores diferentes em lépton. Em novembro de 1861 as chapas de impressão foram levadas para Atenas que assumiu as novas impressões.

Observem com mais detalhes o exemplar de 1861:

https://www.ebay.com/itm/388098096312

Em 1886, foi lançado um novo conjunto: "Pequenas Cabeças de Hermes", que inicialmente foi impresso na Bélgica e na sequência em Atenas.

Detalhes do selos impresso na Bélgica em 1886:

https://www.ebay.com/itm/265149365175

Percebemos que neste card Liebig foram reproduzidas às tiragens de "cabeça grande (1862) e pequena (1886)". Hermes é o deus mensageiro, ligado ao comércio, proteção, viagens e eloquência. 

Abaixo uma folha de selos que contempla exemplares de 1861 e 1886. 

https://www.ebay.com/itm/167697537149

domingo, 1 de novembro de 2026

NOVEMBRO (1900)

 

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Cartão colecionável publicado em 1900 pela empresa de torrefação de café Georges Dero, Antuérpia, Bélgica. 

O cartão Novembro (Novembre) faz parte de uma série sobre "Os Meses do Ano". 

A gravura em estética Art Nouveau reflete o clima do outono europeu. 

Vejamos alguns elementos que compõem a gravura: 

A mulher é retratada com elegância idealizada, típica da Belle Époque, e sua expressão é serena e contemplativa; ela segura crisântemos coloridos que, na Europa, é a flor tradicional do outono; a Art Nouveau valorizava as linhas sinuosas, assimétricas e inspiradas na natureza, integrando perfeitamente a moldura ao tema floral; ao fundo, as pinceladas e cores sugerem uma paisagem natural crepuscular ou um jardim com cores quentes de outono, criando uma atmosfera nostálgica e suave.

DOM QUIXOTE (1899)

 

https://www.flickr.com/photos/44841559@N03/55439966199/

Cartão publicitário belga da empresa Cibils editado em 1899. 

A gravura mostra Dom Quixote caído ao chão, vestido com sua armadura metálica, após o confronto frustrado contra o moinho. Sua lança está quebrada ao meio e seu escudo repousa ao lado. A expressão e a postura corporal transmitem a derrota física do personagem. O cavalo, aparece magro e estático, reforçando a atmosfera de exaustão e o aspecto tragicômico da cena original do livro. No centro e ao fundo, erguem-se grandes moinhos de vento. As pás em movimento simbolizam os "gigantes" que a mente de Quixote criou. A composição utiliza uma perspectiva que faz os moinhos parecerem imponentes diante da fragilidade do cavaleiro no chão.

A obra "Dom Quixote de la Mancha", escrita pelo espanhol Miguel de Cervantes, é considerada o primeiro romance moderno do mundo e uma das maiores obras-primas da literatura universal. Publicada em duas partes (a primeira em 1605 e a segunda em 1615), o livro funciona como uma brilhante sátira aos romances de cavalaria que eram extremamente populares na época.

E qual é o enredo de Dom Quixote? 

A história acompanha Alonso Quijano, um fidalgo pobre do interior da Espanha que, de tanto ler histórias de cavaleiros andantes, acaba perdendo o juízo. Ele passa a acreditar que essas histórias são reais e decide se tornar ele mesmo um cavaleiro para defender os fracos e oprimidos. Ele adota o nome de Dom Quixote, veste uma armadura velha de seus antepassados, monta um cavalo magro e cansado chamado Rocinante, e escolhe uma camponesa analfabeta para ser sua dama idealizada, rebatizando-a de Dulcinea del Toboso.


Dom Quixote representa o Idealismo e a loucura romântica, a imaginação sem limites e a busca por valores nobres e utópicos em um mundo que já se modernizou e esqueceu a cavalaria.

Sancho Pança representa o Realismo, um camponês simples, prático e focado nas necessidades imediatas (como comer e dormir). Ele aceita acompanhar Quixote sob a promessa de se tornar governador de uma ilha. É a voz da razão e do bom senso que tenta, em vão, trazer o patrão de volta à realidade.

Os Moinhos de Vento é a cena mais famosa da literatura mundial, pois, Quixote enxerga moinhos de vento como "gigantes monstruosos" e os ataca com sua lança, terminando derrubado e machucado.

O obra deu origem a palavra "Quixotesco" que significa pessoas idealistas, ingênuas ou que lutam de maneira obstinada por causas impossíveis ou imaginárias.

sábado, 31 de outubro de 2026

O VAMPIRO DE HIGHGATE

Túmulos no Cemitério de Highgate por Ian Yarham, 2009. CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=14420103

O cemitério de Highgate, ao norte de Londres, foi inaugurado por anglicanos em 1839. Sua fama de mal-assombrado já era conhecida por Bram Stoker quando ele pesquisou para a escrita de “Drácula” e fez referência a Highgate como sendo o último lugar de descanso de um dos discípulos do Conde. A morte de Elizabeth Siddal, seu enterramento em Highgate e posterior exumação do corpo, influenciou a escrita da obra literária máxima do vampirismo. 

Em 1969, vários relatos contam da aparição de um espectro entre os túmulos do cemitério. A aparição era de um homem alto e assustador, com olhos vermelhos que petrificava as vítimas. Dezenas de relatos se seguiram e o clima de curiosidade foi crescendo numa sociedade londrina com grupos satanistas e ocultistas em profusão. 

Ocorre, no ano de 1970, a invasão do cemitério por caçadores de vampiros: túmulos profanados, corpos estaqueados e queimados, além de ampla divulgação na mídia com debates sobre a possível veracidade das aparições. 

A lenda urbana de que o vampiro de Highgate criara raízes e se difundia cada vez mais, apesar dos ocultistas e autoridades não chegarem a nenhuma conclusão sobre os eventos. O vampiro seria um visitante externo ou era um dos milhares de moradores enterrados no cemitério, sendo muitos deles famosos?

 *Em tempo! O túmulo de Karl Marx, Erik Hobsbawn e inúmeros personagens de destaque na História Contemporânea, estão enterrados neste cemitério privado. 

CARMILLA DE SHERIDAN LE FANU (1872)

 

Carmilla. Ilustração publicada no The Dark Blue e autoria de David Henry Friston (1872).


Joseph Thomas Sheridan Le Fanu (1814-1873) nasceu e faleceu em Dublin sendo conhecido pela publicação de contos góticos, história de fantasmas e romances de mistério. 

O conto “Carmilla” foi publicado em forma de folhetim em quatro capítulos na revista “Dark Blue” entre dezembro de 1871 e março de 1872 e integrado na coleção de Le Fanu “In a Glass Darkly” (1872). 

“Carmilla” é um dos casos misteriosos que foram investigados pelo personagem Dr. Martin Hesselius um especialista alemão em ciências ocultas. Hesselius é o primeiro investigador ocultista, o qual, antecede Van Helsing (de Bram Stoker) e o detetive Sherlock Holmes (de Conan Doyle). 

Stoker elaborou o romance “Drácula” entre 1890-1897 fazendo a leitura de várias fontes para construir sua narrativa, porém, a leitura de “Carmilla” foi decisiva: os primeiros manuscritos de Stoker remetem ao cenário geográfico de “Drácula” à Estíria na Áustria (onde se passa o conto de Le Fanu) e no “Hóspede de Drácula” é feita referência a uma tumba escrita em alemão sobre a Condessa Dolingen de Graz na Estíria com semelhanças de espaço e narração com Le Fanu; o uso da estaca para eliminar “definitivamente” o vampiro rompeu com a abordagem de Lord Ruthven e Varney cuja luz do luar os trazia de volta ao mundo dos vivos.

 Le Fanu e a estaca será marcante em Bram Stoker para eliminar Drácula; outra influência, é a transformação do vampiro em animais como é o caso da personagem Carmilla tomar a forma de gato enquanto Stoker, transforma Drácula em morcego e lobo; Carmilla e Lucy se apresentam como arquétipos de vampiras que atraem suas vítimas, atacam crianças para beber o sangue, são atraentes e bonitas, além de sonâmbulas; outro aspecto é a narrativa em primeira pessoa comum aos dois escritos.

Le Fanu. Por Desconhecido - Pinterest, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=42799496

A MORTE AMOROSA - GAUTIER (1836)

By Eugène Decisy / After Paul Albert Laurens, 1904. This file comes from Gallica Digital Library and is available under the digital ID bpt6k1525903t/f108, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=117975058

“Ao cortar uma fruta, dei por acaso um corte bastante profundo no dedo. O sangue imediatamente jorrou em filetes purpúreos e algumas gotas respingaram em Clarimonde. Seus olhos se iluminaram, sua fisionomia assumiu uma expressão de alegria feroz e selvagem que eu nunca havia visto nela. Pulou da cama com uma agilidade animal (...) e precipitou-se sobre meu ferimento, que começou a chupar com um ar de indescritível volúpia” (GAUTIER).

 O conto fantástico de Théophile Gautier “A Morte Amorosa” é considerado por Ítalo Calvino como o mais famoso e perfeito do escritor francês. Neste conto está presente de forma magistral a contraposição entre realidade e extraordinário - dualidade cara a literatura fantástica. 

O conto aborda os mortos-vivos e o narrador é o sacerdote Romuald que é tentado desde criança por uma mulher extremamente bela e elegante que o hipnotizou. Seu nome era Clarimonde que ressurgiu e passou a atormentar e enlouquecer Romuald. Na verdade, a linda mulher era uma vampira que colocou em cheque os votos religiosos do narrador. O conto foi apreciado por muitos literatos se tornando uma referência de conto gótico vampírico. 

Uma breve passagem é reproduzida a seguir: 

"É aqui mesmo!", disse Sérapion e, pondo a sua lanterna no chão, introduziu a alavanca no interstício da pedra, começando a erguê-la. A pedra cedeu e ele continuou o trabalho com a picareta. Eu o via trabalhar, mais sombrio e silencioso do que a própria noite; ele, curvado, continuava a sua obra fúnebre encharcado de suor, ofegante como se agonizasse. Era um espetáculo estranho, e quem nos tivesse visto, certamente teria nos tomado por profanadores ou ladrões de túmulos, nunca por padres. 
O zelo de Sérapion tinha algo de duro e selvagem, aproximando-o mais de um  demônio do que de um apóstolo ou anjo; seu rosto de traços austeros e profundamente marcados pela luz da lanterna não era nada tranquilizador. Eu sentia escorrer sobre os membros um suor glacial e meus cabelos levantavam-se dolorosamente na cabeça. Intimamente, considerava a ação do severo Sérapion um abominável sacrilégio, e gostaria que, do lado das nuvens sombrias que passavam sobre nossas cabeças, saísse um triângulo de fogo que o reduzisse a pó. 
Os mochos, empoleirados nos ciprestes, assustados pela luz da lanterna, vinham chicotear o vidro com toda a força com suas asas empoeiradas, soltando gemidos queixosos; as raposas uivavam ao longe e mil ruídos sinistros emanavam do silêncio. 
Finalmente, a picareta de Sérapion encontrou o caixão e a madeira estalou com um ruído surdo e sonoro, com esse ruído terrível que emite o nada quando tocamos nele; ele levantou a tampa e vi Clarimonde pálida como um mármore, com as mãos juntas; o seu sudário branco não tinha uma única ruga da cabeça aos pés. Uma pequena gota vermelha brilhava como uma rosa no canto da sua boca descolorida. 
Sérapion, ao vê-la, enfureceu-se: "Ah! Ei-la, demônio, cortesã impudica, devoradora de sangue e de Ouro!" E aspergiu então, com água benta, o corpo e o caixão sobre o qual traçou a forma de uma cruz com o seu hissope. A pobre Clarimonde mal tinha sido tocada pelo santo orvalho e o seu belo corpo já se desfazia em pó; dele só restou uma mistura horrivelmente informe de cinzas e ossos semi-calcinados. 
"Eis a sua amante, senhor Romuald", disse o inexorável padre, mostrando-me os tristes restos mortais; "sente-se ainda tentado a ir passear no Lido ou na Fusine com a sua beldade?" 
Baixei a cabeça; acabava de se fazer uma grande destruição dentro de mim. Regressei ao meu presbitério, e o senhor Romuald, amante de Clarimonde, separou-se do pobre padre ao qual fizera, durante tanto tempo, uma companhia tão estranha. 
Na noite seguinte, no entanto, vi Clarimonde; ela me disse, como na primeira vez sob o portal da igreja: "Infeliz! Infeliz! O que você fez? Por que escutou esse padre imbecil? Não era feliz? O que eu lhe fiz para que violasse a minha sepultura e expusesse a miséria do meu nada? A comunicação entre nossas almas e nossos corpos rompeu-se para sempre. Adeus, você sentirá saudades minhas."
 Dissipou-se no ar como fumaça e não a vi mais. ........Ai de mim! Ela falara a verdade! Senti saudades e ainda sinto. A paz da minha alma foi comprada por um preço muito alto; o amor de Deus não foi suficiente para substituir o de Clarimonde. Eis, irmão, a história da minha juventude. Nunca levante os olhos para uma mulher, caminhe sempre com eles fixos na terra porque, por mais casto e calmo que você seja, basta um minuto para perder a eternidade”.

By Eugène Decisy / After Paul Albert Laurens, 1904. This file comes from Gallica Digital Library and is available under the digital ID bpt6k1525903t/f68, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=117947872.

O PRIMEIRO POEMA VAMPÍRICO (1748)

 

Der Vampir. In: Der Naturforscher, 25/05/1748. Acervo: https://www.deutsche-digitale-bibliothek.de/item/ZCPCSEDC7A7UL5JN7WPOMABC3ZAJYD3D

Considerado o primeiro poema moderno sobre vampiros, “Der Vampir” foi escrito por Heinrich August Ossenfelder (1725-1801). Publicado em 25 de maio de 1748, o poema foi solicitado a Ossenfelder pelo editor (Christlob Mylius) do jornal alemão “Der Naturforscher”.

 A partir das lendas húngaras foi elaborado o poema fundado na tensão entre desejo e morte. A história é narrada pelo vampiro que conta como invade o quarto de uma jovem cristã e a seduz. Em contraponto, a jovem foi educada pela mãe nos preceitos do cristianismo. O vampiro é colocado como o antagonista corruptor da inocência e dos princípios religiosos cristãos personificados na jovem seduzida. Além disto, é incluído no poema a sensualidade que se tornará um tema inerente ao vampiro literário. 

Der Vampir:

“Minha amada jovem crê
 Constante, segura e firme 
Nos ensinamentos herdados 
Da sempre piedosa mãe. 
Como as gentes do Tisza
 Que em vampiros mortais 
Creem firmes com heiduques (antigos nobres húngaros).
 Aguarda então Cristina,
 Pois que amar-me não desejas; 
Anseio de ti vingar-me, 
E hoje brindo um tocai 
Beber a saúde de um vampiro.

 E quando tranquila dormires 
De tuas formosas faces 
Sorver o fresco purpúreo. 
E enquanto te amedrontares 
Conforme eu te for beijando 
Tal qual um vampiro beija; 
E quando enfim tu tremeres 
E enfraquecida em meus braços 
Caíres qual foras morta;
 Então te perguntarei: 
Não são minhas lições melhores 
Que as de tua bondosa mãe?”

VLAD TAPES III - DRACUL (1500)

 

Vlad III jantando em meio a uma floresta de empalados, 1500, xilogravura de panfleto, impressa por Matthias Hupnuff em Estrasburgo. Acervo: Germanisches Nationalmuseum , Nuremberg. https://dlib.gnm.de/item/8Inc16936/5.

Raymond MACNALLY e Radu FLORESCU em seu livro “Em busca de Drácula e outros vampiros” (Editora Mercuryo, 1995), deixaram o seguinte registro sobre Vlad Tapes III (1431-1476):

“Em uma galeria de bandidos, Drácula certamente competiria pelo primeiro lugar com César, Bórgia, Catarina de Médicis e Jack, o Estripador, ganhando não apenas pela quantidade de suas vítimas, mas pelo refinamento de sua crueldade. 

Para seus contemporâneos a história de sua maldade foi amplamente divulgada – em certos casos por algumas de suas futuras vítimas. A história de Drácula, de fato, foi um best-seller que correu a Europa quatrocentos anos antes de Stoker escrever a sua versão. 

Muitos dos registros de origem alemã do século XV da lenda de Drácula foram encontrados em arquivos empoeirados de mosteiros e bibliotecas. Drácula era de fato um autêntico príncipe da Valáquia do século XV, que foi frequentemente descrito em documentos alemães, bizantinos, eslavos e turcos do seu tempo, e em histórias de horror populares como um governante cruel, egoísta e possivelmente louco. Ele se tornou mais conhecido pela quantidade de sangue que indiscriminadamente derramou, não apenas o sangue dos turcos infiéis – os quais pelos padrões de seu tempo fariam dele um herói – mas pelo de alemães, romenos, húngaros e outros cristãos. Sua mente engenhosa concebeu todas as espécies de torturas físicas e mentais, e sua maneira favorita de matar fez com que se tornasse conhecido pelo nome de “o Empalador”. 

REVISTA SPEKTRO

 



A revista de história em quadrinhos Spektro foi publicada pela Editora Vecchi entre janeiro de 1977 a agosto de 1983, num total de 28 edições. 

Em outubro de 1979 tive contato com o número 12 e, nos anos seguintes, adquiri as edições de número 1 a 5. O Especial dos Vampiros (nº 5), despertou o interesse por leituras literárias ao reproduzir o texto de Bram Stoker "O Hóspede de Drácula". 

A revista de terror tinha em média 160 páginas em preto e branco. A capa colorida era um destaque que atraia os leitores. 

Neste dia de Halloween, reproduzo algumas capas com alguns momentos da magnífica arte da revista Spektro.  
 







sexta-feira, 30 de outubro de 2026

FRANCIS BURTON E O BAITAL (1870)

 

Richard Francis Burton. Vikram e o Vampiro. Londres: Longmans, Green, and Co. (1870). 
Ilustrações de Ernest Griset.


Sir Richard Francis Burton (1821 - 1890) foi um britânico que atuou como geógrafo, explorador, tradutor, escritor, soldado, orientalista, cartógrafo, etnólogo, espião, linguista, poeta, esgrimista e diplomata. 

Ele era famoso por suas viagens e explorações na Ásia, África e Américas, bem como seu extraordinário conhecimento de idiomas e culturas. Como capitão do exército britânico atuou na Índia e sempre buscava investigar a cultura popular e as crenças locais. Depois disso, ele foi contratado pela Royal Geographical Society para explorar a costa leste da África e liderou uma expedição guiada por locais e foi o primeiro europeu a visitar o Lago Tanganica. 

Entre os seus mais de 40 livros publicados está “Vikram e o Vampiro”. São narrativas indianas constituintes do seu riquíssimo folclore em que Bourton fez uma adaptação livre e não fidedigna do “Baital Pachisi” (“Vinte e Cinco Contos de Baital”). A primeira compilação escrita destes contos e lendas indianas foi escrito no século XI a partir de relatos muito mais antigos. O enredo se centra no Rajá Vikram que leva um baital ou vetala até um mago que deseja matá-lo. O mago está num cemitério e deseja a cabeça de Vikram para oferecer a Kali (deusa do Hinduísmo). O baital é um dos personagens principais e o livro publicado em Londres acaba por tornar conhecido no Ocidente o espírito que se apossa de cadáveres. 

O baital vive numa árvore pendurado de cabeça para baixo como um morcego e é uma crença milenar que constitui o amplo panteão indiano. Não é um monstro físico com carne e osso próprios. Ele é um espírito, um ser espectral e desencarnado que existe em uma dimensão entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Para interagir com o mundo físico, ele entra e habita corpos de pessoas mortas. Eles residem tipicamente em smashanas (campos de cremação indianos) e cemitérios, locais considerados ritualisticamente impuros e espiritualmente carregados.

Diferente dos vampiros ocidentais modernos (que são predadores sedentos de sangue), o baital/vetala não é intrinsecamente malévolo. Ele gosta de testar a inteligência, o ego e a moralidade dos humanos. Se for tratado com o devido respeito, subjugado por alguém de pura força de vontade (como o Rei Vikram) ou agradado com oferendas corretas, deixa de ser uma ameaça e se torna um poderoso aliado, oferecendo proteção e revelando conspirações.

BISCOITOS FRANCESES LU (1912)

 

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Cartão da marca de biscoitos francesa Lefèvre-Utile (LU), fundada em 1846, que contratava pintores, ilustradores e cartazistas da Belle Époque para criar suas embalagens, cartazes publicitários e retratos promocionais. 

Destacados artistas desenharam para a LU, entre os quais: Alphonse Mucha, um dos maiores expoentes da Art Nouveau; Firmin Bouisset, criador da famosa ilustração do Petit Écolier que se tornou um dos símbolos mais tradicionais e duradouros dos biscoitos LU; Luigi Loir, conhecido por suas paisagens urbanas e ilustrações que ajudaram a moldar as campanhas estéticas da empresa; Gaston Bussière e Albert-Joseph Chantron, figuram entre os pintores de destaque que produziram obras de arte refinadas para promover os produtos da marca em alta sociedade. 

A história dos cartões publicitários (trade cards) da famosa marca de biscoitos francesa Lefèvre-Utile (LU) está profundamente ligada à evolução do marketing moderno e à era de ouro da ilustração artística no final do século XIX e início do século XX. 

O autor da obra Beauty, de 1899, é Étienne Adolphe Piot (1850-1910) e o cartão comercial da LU, reproduzido acima, foi editado em 1912. 

O PRIMEIRO VAMPIROLOGISTA (1645)

 

De Graecorum..., 1645. Acervo: Universidade de Granada. https://digibug.ugr.es/handle/10481/95403

Leo Allatius, também conhecido como Leone Allacci, foi, provavelmente, ainda no século XVII, o primeiro vampirologista do mundo, e, provavelmente, o primeiro autor moderno de um livro sobre vampiros. 

Nascido em 1586 em Chios, uma ilha grega, foi morar em Roma em 1600 para estudar no Colégio Grego e, após o encerramento dos seus estudos, ele retornou a Chios como assistente do bispo católico Marco Giustiniani. Alguns anos depois, ele voltaria à Itália para estudar medicina e retórica, chegando a trabalhar vários anos na Biblioteca do Vaticano.

 Em 1661 foi nomeado curador, vindo a morrer, em Roma, em 19 de janeiro de 1669. Em 1645, Allatius terminou a obra “De Graecorum Hodie Quirundam Opinationibus“, que discutia as crenças e tradições dos povos da Grécia, fazendo uma cobertura detalhada das tradições vampíricas de seu país. 

Um dos pontos altos da obra é a descrição do vrykolakas, corpo não decomposto tomado por demônio, e os procedimentos da Igreja grega quanto às providências a serem tomadas. Pouco depois, o próprio Allatius confirmou suas crenças na existência de vampiros, narrando casos surgidos em Chios. Apesar de sua crença na existência de vampiros, Allatius não se esforçou em aprofundar mais sobre o tema. Mesmo assim, sua obra popularizou o vampirismo na Europa e o relacionou à Grécia, relação esta que foi alimentada até o final do século XIX, quando o mito do vampirismo foi deslocado mais para o Leste Europeu (muito devido a obra “Drácula“, de Bram Stoker). 

Também podemos notar que a obra de Leo Allatius não faz julgamentos severos quanto aos mitos que descreve, principalmente o vampirismo, e tal não se deve apenas pelo fato dele acreditar em vampiros: um dos esforços de Allatius foi o de unir as Igrejas grega e romana, o que deixou suas apresentações das crenças locais mais delicadas, pois, de acordo com suas convicções, elas precisavam ser aceitas em Roma como uma extensão da cultura local, e não como heresias.

Leo Allatius. Lit. Fili. Doyen, Turim, 1872. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

SURGIMENTO DA PALAVRA VAMPIRO (1725)


https://serbianvampires.weebly.com/wienerische-diarium.html

Um dos clássicos relatos de vampiros ocorreu na vila de Kisilova, na Sérvia quando ocupada pela Áustria. 

O assunto obteve divulgação, pois o relatório do administrador militar austríaco Ernest Frombald do Distrito de Gradisker (enviado pelo Imperador da Áustria para a região) foi publicado no Wienerische Diarium  (Diário de Viena) de 21 de julho de 1725 e reproduzido em outros jornais europeus. 

O personagem central é agricultor Peter Plogojowitz com aproximadamente 60 anos de idade, que faleceu e supostamente retornou do túmulo. Dez semanas após sua morte ele passou a ser visto por familiares e vizinhos. Nove pessoas afirmaram terem visto o falecido que tentara inclusive estrangulá-los. No prazo de uma semana dos contatos estas pessoas morreram. Inclusive a viúva de Plogojowitz foi visitada pelo falecido que lhe pedira seus sapatos para ir até outra vila. 

Foi relatado que ele pediu comida ao filho e que os aldeões que faleceram, se sentiram cansados devido à perda de sangue. Durante o sonho eram visitados por Plogojowitz que sugava sangue dos seus pescoços. Com o clamor dos moradores de que a vila seria destruída pelo vampiro, as sepulturas foram abertas e Peter apresentava aparência normal com pele fresca, tendo seu cabelo e unhas crescido, estando a sua boca suja de sangue fresco. Foi introduzida uma estaca no coração o que fez o sangue jorrar copiosamente da boca e das orelhas. O último passo, acompanhado também de um padre, foi os aldeões queimarem o corpo. 

Frombald conclui seu relatório sobre o ritual antivampiro com o pedido de que, caso essas ações fossem erradas, ele não deveria ser culpado por elas, pois os aldeões estavam "fora de si e com medo". As autoridades aparentemente não consideraram necessário tomar quaisquer medidas em relação ao incidente. 

Os relatórios de autoridades e posteriormente de militares austríacos foram essenciais para a divulgação do vampirismo nos grandes centros intelectuais europeus.

Neste relato surge a palavra que vampyr (vampiro) que se tornou referencia para definir estes fenômenos. Possivelmente, foi uma corruptela da palavra eslava upior e vrykolakas. 

RITUAL ANTIVAMPIRO (1755)


Berlinische Priviligirte Zeitung (Berlim) quinta-feira, 2 de abril de 1755.

O relato de vampirismo a seguir, foi publicado em meados do século XVIII. Está relacionado a uma mulher praticante de curandeirismo e esclarece da prática do ritual antivampiro: o túmulo é profanado e o corpo tem a cabeça cortada, o coração perfurado com uma estaca e o corpo queimado numa fogueira. Um último aspecto do ritual antivampiro é lançar as cinzas em água corrente de um córrego ou rio. 

A fonte é o jornal Berlinische Priviligirte Zeitung de quinta-feira, 2 de abril de 1755, publica a notícia de eventos ocorridos em fevereiro do mesmo ano em Hersmsdorf na Alta-Silésia:

 "Rosina Polakin era uma bruxa que praticava curandeirismo e reapareceu como vampira dois anos e meio depois de sua morte atacando muito aldeões que se transformaram em vampiros. Trinta túmulos foram escavados e foram identificados vinte vampiros que apresentavam sangue depois de um ano de sua morte. Suas cabeças foram cortadas, os corações perfurados e os corpos queimados até virarem cinzas". 

A rainha da Áustria Maria Teresa, mandou publicar um “decreto vampiro” (em 1 de março de 1755) para proibir a profanação de cadáveres e combater a superstição ligada aos mortos-vivos que resultava em inúmeras profanações em cemitérios.

 Retomando o tema, o jornal Berlinische Priviligiren Zeitung do dia 8 de maio de 1755 declara apoiar a rainha Maria Teresa no combate aos violadores de túmulos para que estes fossem punidos com rigor pois nova profanação ocorreu em Hersmsdorf.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

CASTELO DE BOUILLON, BÉLGICA (1934)

 

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Cartão Liebig parte de uma série sobre os Castelos Belgas, editado em 1934. 

A gravura mostra o Castelo de Bouillon que é o mais antigo e conservado da arquitetura feudal da Bélgica. 

O Castelo recua ao ano de 988 d.C., e foi construído no alto de uma crista rochosa e cercado por uma curva acentuada do rio Semois. Godofredo de Bouillon herdou a fortaleza no final do século XI e foi um financiador da Primeira Cruzada da Cristandade rumo à libertação de Jerusalém, na Terra Santa. Vitorioso, Godofredo se tornou o primeiro governante do Reino de Jerusalém. 

O Castelo de Bouillon foi projetada para ser impenetrável e resistir por longos períodos aos cercos das tropas inimigas. 

Na gravura, dois personagens estão calmamente pescando no rio Semois num cenário bucólico que não reflete os intensos  acontecimentos históricos envolvendo esta fortificação militar. 

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