Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 29 de fevereiro de 2020

CASARÕES DO CASSINO


        Neste final de veraneio de 2020 vamos relembrar um dos cartões-postais do Cassino: seu patrimônio material edificado original.
       Uma das identidades do Balneário Vila Siqueira/Cassino foi à construção dos “casarões”, em especial, junto a Avenida Rio Grande. Este processo já estava em andamento quando da inauguração da praia de banhos em janeiro de 1890 e se intensificou nas décadas seguintes. Seu período de ouro ocorreu entre as décadas de 1890 até o final da década de 1930. A estagnação veio com a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e nos anos 1950 com a crise econômica que desencadeou um processo de modificação urbana que se estendeu pelas décadas seguintes: a maioria dos casarões/chalés foi demolida e pouco restou da arquitetura original do Balneário.
      Um dos últimos exemplares que “ruiu” (recentemente) foi o chalé Raffo cuja imagem editada pelo Atelier Fontana (nos primórdios do século XX) foi aqui reproduzida.
Os postais aqui reproduzidos foram editados pelo Atelier Fontana na primeira década do século XX.
Acervo: Museu da Cidade do Rio Grande. 
         Também na Avenida Rio Grande se localizava um imóvel que se destacava por sua beleza arquitetônica: o chalé do empresário e Consul da Alemanha Nieckele (no espaço atualmente ocupado pelo Ed. Vila Siqueira).
          Nesta avenida foi edificada a residência de um dos mais destacados empresários da história da cidade do Rio Grande: Carlos Guilherme Rheingantz. Diga-se que a maioria das edificações foi mandada construir por comerciantes e industriais locais, o que evidencia o apoio deste segmento socioeconômico ao projeto da uma praia de banhos planificada no Litoral Sul.
          Para finalizar esta breve amostragem é reproduzida, também da coleção de postais de Amílcar Fontana e publicadas nos primórdios do século XX, um dos mais destacados casarões da Avenida Rio Grande: o chalé do Comendador Antônio Joaquim Pinto da Rocha.

A AUSTRÁLIA É AQUI



         A temporada de incêndios ocorridos na Austrália (2019-2020) deixaram uma marca de destruição sem precedentes e uma devastação ambiental que deve impactar estas regiões por longo período. A fumaça destes incêndios que queimaram mais de dez milhões de hectares está sobrevoando o planeta e passou em janeiro passado pelo Rio Grande do Sul. A falta de chuvas na Austrália foi essencial para provocar esta catástrofe que provocou a morte de mais de meio bilhão de animais. 
       Hoje, 28 de fevereiro, desde o início da manhã, foram divulgadas notícias de que na Ilha do Leonídio havia focos de incêndio. Outros focos também ocorreram próximo ao TECON, Parque Marinha etc. Visitamos a Ilha do Leonídio no final da tarde e o fogo persistia além da intensa fumaça, mesmo com todo o combate feito pelos bombeiros e outras equipes envolvidas. Estes focos se estenderam para outros espaços distante vários quilômetros. Junto a praia do Cassino foi possível observar, se projetando ao Oceano, nuvens escuras que pareciam de chuva: de fato era a fumaça que preenchia a atmosfera e lembrava chuva iminente numa primeira observação. 
         Foi uma amostra assustadora do efeito de incêndios em vegetação mas sua ocorrência é coerente com a estiagem que a região sul tem sofrido ao longo deste verão. O pior é que não há previsão de chuvas regulares para o mês de março o que torna a situação em Rio Grande muito grave! A vegetação está seca e junto ao solo repousa uma palha que facilmente pode iniciar incêndios que se alastram com facilidade.   
       Apesar do título é preciso enfatizar: que a Austrália em chamas nunca seja aqui!
         Um pouco deste cenário desalentador é explicitado nas fotografias de Rejane Torres:
Elevado na BR-392 sendo visível o fogo consumindo a vegetação em parte da Ilha do Ladino.

Na BR-392 a fumaça (e fogo) já se fazia presente nos dois lados da pista. 
Junto a estrada para a Ilha dos Marinheiros se observa as labaredas queimando a vegetação no Leonídio.


Detalhe do fogo. 

Combate ao fogo no banhado seco. Área perigosa pela presença de cobras "cruzeiro" acuadas pelo fogo. 
Canal de ligação entre o Saco do Justino e o Saco da Quitéria. À esquerda tem início a Ilha do Leonídio. 


Sol parcialmente encoberto pela fumaça. 

Grande angular da área incendiada. Abaixo, a mesma fotografia em posição lateral para ser ampliada. 


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O PRÉDIO EM CONSTRUÇÃO

       Esclarecendo o recorte da fotografia publicada na última postagem: a imagem remete ao período de 1911-1912 quando da construção do prédio da administração de uma das mais destacadas e pioneiras indústrias brasileiras que foi fundada na cidade do Rio Grande no ano de 1873. 
        É uma fotografia da construção do prédio administrativo da Fábrica Rheingantz (na Avenida com o mesmo nome) que neste período se denominava Fábrica União Fabril. O movimento de pessoas completa coerentemente o cenário, pois, a maioria dos passantes são operárias da fábrica, ou seja, tecelãs.

EM QUE CIDADE? EM QUE LOCAL?

Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

       Esta fotografia remete ao período de 1910-1911. É um flagrante ímpar da construção de um importante prédio.
       Alguém arrisca em que cidade e qual o local em que está ocorrendo esta obra? 
         Dica: o prédio ainda existe. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

A LAGOA DO JACARÉ

Lagoa do Jacaré (2020), localizada na Quitéria em Rio Grande. Fotografia do Autor. 


Purussaurus brasiliensis, Acre.
Descrição: Reprodução
 

     A Lagoa do Jacaré, também chamada de Passo Fundo, guarda um segredo em suas águas. 
        A Lagoa tem cerca de cinco mil de anos de formação e em alguns pontos possui uma profundidade de quase dez metros. Certamente foi local de moradia de grandes traíras e de jundiás, que se desenvolveram na segurança da profundidade e conseguiram se manter longe dos predadores humanos (às vezes...). Porém, o relato de antigos moradores da região fala de algo muito diferente! Não é nada relacionado à observação de um monstro do Lago Ness escocês, mas de um produto híbrido entre a pré-história e a produção independente tupiniquim.
O que os moradores no presente ainda acreditam ser verdade foi relatado por antepassados açorianos lá por volta de 1790. Eles teriam avistado algo estranho se deslocando naquelas águas aparentemente calmas e que causou grande apreensão e se tornou assunto repetido inúmeras vezes: um grande jacaré, o qual pode ser a origem do nome da Lagoa. Porém, um jacaré possui até 2,5 metros de comprimento e há inúmeros deles vivendo ainda hoje no Taim. Portanto, nada assombroso! Já este jacaré, segundo os relatos passados de geração em geração, devia ter pelo menos dez metros de comprimento, ou seja, o tamanho de um Machimosaurus rex, falecido a 120 milhões de anos (com 10 metros de comprimento) ou tendo ainda a opção de ser um Sarcosuchus imperador falecido a 110 milhões de anos (com 15 metros de comprimento).
Algumas hipóteses podem ser levantadas: um jacaré pré-histórico viveu ou vive nas profundezas da Lagoa; um crocodilo do Nilo foi desembarcado na região em algum momento do século XVIII e se adaptou a Lagoa crescendo até 5,5 metros e quase mil quilos; um jacaré pode ter consumido inúmeras traíras ou jundiás com 3 kg ou mais de peso durante a sua fase de crescimento, tendo se tornado um portentoso jacaré que superou os padrões de sua espécie e assustou os antigos moradores da região; ou a hipótese mais consistente, de que há cada vez que a história foi contada desde 1790, o jacaré ganhava mais um centímetro até se tornar uma lenda de dimensões extraordinárias e de insondável explicação.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

VELÓDROMO EM RIO GRANDE

Fotografia por volta do ano de 1900. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

      Fotografia de difícil identificação... Felizmente ela foi descrita em suas linhas gerais e está identificada e integrando o acervo da Biblioteca Rio-Grandense. 
      O tema retratado trata-se da moda esportiva do final do século XIX e início do século XX ligada a utilização de bicicletas: é um velódromo, ou seja, a pista artificial para a prática do ciclismo e a disputa de provas. 
      O local é a Praça "Sete de Setembro" denominada por mais de um século de "Praça do Poço" por sediar o primeiro poço de captação de água luso-brasileiro edificado a partir de 1737. Na Praça foram realizadas as festividades da Independência do Brasil, apresentação de cavalos e de parque de diversões, teatros e palanques políticos, acampamento militar e inclusive, a construção de um velódromo. 

VELÓDROMO EM PORTO ALEGRE

Velódromo da União Velocipédica de Porto Alegre, 1910. Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 
       Natália de Noronha Santucci publicou um artigo no I Colóquio Internacional de História Cultural da Cidade (Porto Alegre, 2015) com o título Memórias Apagadas - Os Velódromos Esquecidos de Porto Alegre. 
     Conforme a autora, a  imprensa construiu representações no imaginário porto-alegrense estabelecendo relações entre esporte e medidas de higiene, modernização, e a bicicleta como símbolo de modernidade.A fundação da União Velocipédica de Amadores, em março de 1895. Em 30 de janeiro de 1898 foi finalmente inaugurado o primeiro velódromo na cidade, pela União Velocipédica. A pista em forma de elipse tinha 550 metros de comprimento e esteve localizada na parte interna do Prado da Independência, que mais tarde seria conhecido como Hipódromo Moinhos de Vento. em 1899 a União Velocipédica já tinha 1100 sócios, mais de 700 “montados”, ou seja, ciclistas. 
       Na virada do século XIX para o XX, Porto Alegre vivia um momento de busca pela modernidade, da qual o ciclismo e a bicicleta eram símbolos. Houve neste período quatro velódromos, sendo dois deles frequentados por milhares de pessoas da elite da cidade. Entretanto, muitas novidades ganharam espaço nesta época - novas formas de lazer, o aumento do trânsito de veículos, outros esportes, como o futebol, que desde o princípio esteve vinculado aos clubes de ciclismo - o que contribuiu para o enfraquecimento da popularidade do ciclismo. In: http://www.ufrgs.br/gthistoriaculturalrs/49CDNataliaSantucci.pdf

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

CARNAVAL NO FINAL DO SÉCULO XIX


Acervo: http://guaipecapapareia.blogspot.com/

     Estes dois cartões-postais editados por Ricardo Strauch/Livraria Rio-Grandense registraram um desfile de carnaval de rua na cidade do Rio Grande. 

        O local é a Rua Marechal Floriano esquina com a rua Benjamin Constant. À direita se observa a Igreja do Carmo (demolida em 1928). Inúmeros populares com roupas formais seguiam o desfile dos carros alegóricos que ocorria ao longo da Rua Marechal Floriano. 

        Os clubes carnavalescos que foram sendo criados a partir da segunda metade do século XIX se encarregavam na elaboração destes carros e na fantasia dos seus integrantes.

A data desta coleção de postais, que totalizam cinco, é uma questão a ser desvendada e muito relevante. 

As datações giram entre 1904-1906, porém, já vi um destes cartões com manuscrito em seu verso com data de julho de 1897. 

Como o editor R. Strauch já editava cartões Gruss aus em 1898 (carimbo de abril daquele ano estampado!) podemos estar observando a primeira ou das primeiras (ao lado de Steidler) coleção de cartões postais lançada no Brasil.  

domingo, 23 de fevereiro de 2020

O ENTRUDO - JEAN DEBRET

Cena das festividades do entrudo nas ruas do Rio de Janeiro. A escrava está sendo agarrada e tendo o rosto coberto por farinha para que a água lançada formasse uma massa. Aquarela de Jean Debret, 1823. *Não é tão difícil imaginar o entrudo ao observar uma atividade de recepção de bixos nas universidades que ainda praticam este tipo de recepção aos novos alunos.  


Detalhe da cena: borrifador de água ou outro líquido mais sofisticado. Mais ao fundo da imagem outra guerra de limões está ocorrendo. Um senhor de guarda-chuva parece seguro mas as reclamações de brasileiros e estrangeiros eram inúmeras por também serem atingidos.  

Detalhe da cena: limão-de-cheiro sendo vendido por uma escrava. 
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O entrudo foi a primeira modalidade do que passará a se chamar carnaval, basicamente já no século XX no Brasil. Sua introdução recua ao século XVI e realizada pelos portugueses que já a realizavam, em diferentes modalidades, em Portugal desde o século XII. Festividades populares que recuavam a Grécia e a Roma, como as dionísicas e as saturnais, apresentavam manifestações de euforia com danças, cortejos musicais, encenações e provocações. Em tempos medievais significava o período de tolerância para a "bagunça" antes da quaresma e suas restrições religiosas. No Brasil se manifestou com diferente adaptação: voltada a brincadeiras familiares dentro das casas com lançamento de limão-de-cheiro; de bagunça generalizada e muitas vezes agressiva, com lançamento de água, farinha e urina nos passantes ou entre vizinhos. As reclamações eram tantas que se buscou desde a década de 1830 a proibição desta prática que persistiu ao longo do século XIX. A organização do carnaval através clubes, de ranchos e blocos, de organização nos desfiles foi esvaziando esta manifestação mais agressiva e que teve três século de vida no Brasil.  
O pintor Jean Debret, assim relatou o que observou durante as festas de entrudo no Rio de Janeiro entre 1816 e 1831. Ele explica como era produzido o “limão-de-cheiro” que foi amplamente usado nas festividades de entrudo pelo Brasil.
"O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra em geral nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem às corridas de cavalos chucros tão comuns na Itália.
Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas que todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera.
O limão-de-cheiro, único objeto dos divertimentos do carnaval, é um simulacro de laranja, frágil invólucro de cera de um quarto de linha de espessura e cuja transparência permite ver-se o volume de água que contém. A cor varia do branco ao vermelho e do amarelo ao verde; o tamanho é o de uma laranja comum; vende-se por um vintém e as menores a dez réis. A fabricação consiste simplesmente em pegar uma laranja verde de tamanho médio, cujo caule é substituído por um pedacinho de madeira de quatro a cinco polegadas que serve de cabo, e mergulhá-la na cera derretida.
        Operada essa imersão, retira-se o fruto ligeiramente coberto de cera e mergulha-se nágua fria, a fim de que se revista de uma película de um quarto de linha de espessura, bastante resistente, entretanto. Parte-se em seguida esse molde, ainda elástico, a fim de retirar a laranja e, aproximando-se as partes cortadas, solda-se o molde de novo com cera quente, tendo-se o cuidado de deixar a abertura formada pelo pedaço de madeira para a introdução da água perfumada com que deve ser enchido o limão-de-cheiro.
O perfume de canela, que se exala de todas as casas do Rio de Janeiro durante os dois dias anteriores ao carnaval, revela a operação, fonte dos prazeres esperados.
Para o brasileiro, portanto, o carnaval se reduz aos três dias gordos, que se iniciam no domingo às cinco horas da manhã, entre as alegres manifestações dos negros já espalhados nas ruas a fim de providenciarem para o abastecimento em água e comestíveis de seus senhores, reunidos nos mercados ou em torno dos chafarizes e das vendas.
Vemo-los aí, cheios de alegria e de saúde, mas donos de pouco dinheiro, satisfazerem sua loucura inocente com a água gratuita e o polvilho barato que lhes custa cinco réis.
Nesses dias de alegria, os homens de cor mais turbulentos, embora sempre respeitosos para com os brancos, reúnem-se depois do jantar nas praias e nas praças, em torno dos chafarizes, a fim de se inundarem de água, mutuamente, ou de nela mergulharem uns aos outros por brincadeira; a vítima, ao sair do banho, pula e faz contorções grotescas, com as quais dissimulam às vezes o seu amor-próprio ferido.
Quanto às mulheres negras, somente se encontram velhas e pobres nas ruas, com o seu tabuleiro à cabeça, cheio de limões-de-cheiro vendidos em benefício dos fabricantes.
Mas os prazeres do carnaval não são menos vivos entre um terço pelo menos da população branca brasileira; quero referir-me à geração de meia-idade, ansiosa por abusar alegremente, nessas circunstâncias, de suas forças e sua habilidade, consumindo a enorme quantidade de limões-de-cheiro disponíveis.
Domingo ainda, mas depois do almoço, o vendeiro procura provocar o vizinho da frente, com incidentes insignificantes, a fim de atraí-lo à rua e jogar-lhe o primeiro limão ao rosto.
Alguns jovens franceses empregados no comércio, passeiam como se fossem sentinelas avançadas, armados de limões, e aproveitam a oportunidade para inundar uma senhora, também francesa, ocupada no fundo da loja semifechada.
Vêem-se também jovens negociantes ingleses, consagrando de bom grado 12 a 15 francos a um quarto de hora de brincadeira lícita, passear com orgulho e arrogância, acompanhados por um homem negro vendedor de limões, cujo tabuleiro esvaziam pouco a pouco, jogando os limões às ventas de pessoas que nem sequer conhecem.
Alguns gritos, entrecortados de gargalhadas, revelam ao locatário do primeiro andar, cujo cómodo de frente já foi esvaziado de seus móveis, por precaução, que chegou a hora de abrir as janelas, ou para evitar que se quebrem os vidros ou para se preparar ele próprio para a batalha de limões.
Alguns curiosos assomam aos balcões e logo desaparecem e a manhã toda decorre entre escaramuças. Depois da refeição, entretanto, sentindo-se todos dispostos ao combate, correm às janelas e alegremente solicitam, de longe, e com gestos, licença para começar; ao mais ligeiro assentimento alguns limões trocados com habilidade e pontaria dão o sinal do ataque geral; e, durante mais de três horas, vê-se grande quantidade desses projéteis hidróferos cruzando-se de todos os lados nas ruas da cidade e estourando contra um rosto, um olho ou um colo.
A ducha decorrente, de mais ou menos um copo de água aromática, suporta-se agradavelmente em vista do calor extremo da estação.
É natural que, após semelhante combate, toda a sociedade de um balcão, molhada como ao sair de um banho, se retire para mudar de roupa; mas logo volta com o mesmo entusiasmo. E uma moça sempre se orgulha do grande número de vestidos que lhe molharam nesses dias gloriosos para seus dotes de habilidade" (Jean Debret, Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, Paris, 1834-1839). A versão brasileira é: Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. São Paulo: Martins, 1940.  

O ENTRUDO - AUGUSTUS EARLE

Games during the carnival at Rio de Janeiro (1822). Acervo: National Library of Australia. 

        A aquarela de Augustus Earle tem por cenário o período do entrudo numa residência do Rio de Janeiro no ano de 1822. Este seria o entrudo como brincadeira familiar em que convidados e familiares promoviam uma guerra de limão-de-cheiro que provocasse um banho nos presentes. O confronto também está sendo travado também com os vizinhos que estão lançando os projéteis a partir destas janelas.  

O ENTRUDO - ANGELO AGOSTINI

Angelo Agostini, Revista Ilustrada, 29-02-1884. Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 
        O entrudo na Rua do Ouvidor (Rio de Janeiro) em fevereiro de 1884 é a fonte para o sarcasmo de Angelo Agostini, o maior caricaturista brasileiro o qual não era favorável as festividades do entrudo. Para ele os festejos eram exacerbados demais e a barreira do saudável no convívio social ficava superada pela agressividade, bebedeira e prostituição que se tornava pública. 
        Na ilustração de baixo o cenário é de desolação e de "punição" aos foliões que são associados aos antigos egípcios que ao perseguirem os hebreus sofreram o castigo divino ao passarem no Mar Vermelho e serem tragados pelas água. De fato é uma analogia distante cujo fator objetivo existiu: uma forte chuva dispersou os foliões cariocas!    
Recorte na cena do entrudo na Rua do Ouvidor. O detalhismo do traço de Angelo Agostini é extraordinário. 

sábado, 22 de fevereiro de 2020

ANÚNCIOS

O Estado, 10-08-1913. Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.


            As propagandas publicadas em jornais da cidade do Rio Grande trazem um panorama dos serviços disponíveis e também dos produtos que eram comercializados. 
        Desde o cinema, até a compra de cebola, do uso do transporte disponível na "cocheira Nicola", do uso do sabão "macaco", da compra de cartões-postais no Atelier Fontana, das compras do "Zé Povo" na Mercearia Moderna,  de uma consulta médica com o Dr. Aragon, da aquisição da papelada para o casamento ou da compra de bilhetes de loteria na casa "A Favorita". 
        Por mais "toscos" que sejam os anúncios eles refletem um mercado de venda/consumo em que se recorre a uma linguagem direta com o consumidor.  Entre o jocoso e o gosto questionável não esqueçam o mais importante: "usae sabão Macaco!".

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

CERVEJA HAERTEL

O Estado, 07-02-1915. Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

         Este anúncio da cervejaria Haertel é uma "declaração de amor" em linguagem poética que emociona o leitor. A canícula que transcorria naquele verão de 1915 exigia que a garganta ressecada buscasse beijar um copo bem gelado e cheinho da "PERU" (um dos rótulos da empresa). 
       Interessados em descobrir como lúpulo e cevada se transformam em cerveja é só se dirigir ao endereço citado no final do anúncio.  

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

CERVEJARIA SCHMIDT

Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

      A fábrica de cerveja Schmidt foi estabelecida no Boulevard 14 de Julho (atual Avenida Portugal) no local que posteriormente foi ocupado pelo Frigorífico Anselmi. 
       Na fotografia acima, hipoteticamente da década de 1920, se observa as carroças que carregavam o produto para distribuição.

Revista Tudo. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

              Esta propaganda da Cervejaria foi publicada na Revista Tudo (Rio Grande, 1935) evidenciando que a fábrica continuava a operar e produzia inclusive "gazoza guaraná". 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

CERVEJARIA ANTONIO KLINGER

Rótulo da Cervejaria de Antonio Klinger. Acervo: http://cervisiafilia.blogspot.com/2010/09/cervejaria-antonio-klinger.html


        "Anton (Antonio) Klinger um imigrante austríaco de Kittlitz-Falkenau na Böhmen, Alemanha, casado com uma descendente de alemães, Marie Sussane Ritter nascida em 02/05/1862 e falecida em 23/09/1940, veio para Rio Grande onde trabalhou como colono e professor até 1883, tornando-se, então, proprietário de uma cervejaria, em seguida ampliada com a produção de malte.
           Em 8 de janeiro de 1890, ocorreu um grande incêndio e nada se pode salvar, a fábrica e demais dependências, bem como a moradia e os móveis estavam no seguro pelo valor de 60.000$000 na Northen Assurance Company e o inquérito policial apurou que o incêndio foi casual.
      Alguns anos mais tarde, Antonio Klinger liquidou suas duas fábricas e transformou-se em representante de uma poderosa cervejaria sediada em Pelotas, a Cervejaria Ritter pertencente a seus dois cunhados Carl e Frederico Ritter. Além dos cunhados, outros parentes próximos possuíam cervejarias em Porto Alegre e em São Lourenço". 
         A matéria sobre esta cervejaria que funcionou na cidade do Rio Grande foi reproduzida do blog "cervisiafilia: a historia das antigas cervejarias". Endereço para acesso: 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

REPRESENTAÇÃO E REALIDADE

Capa do livro Porto Alegre Caricata - Sandra Pesavento (Coordenadora).

      “O historiador se defronta com discursos e imagens enviados pelo passado, que se reportam a fatos e personagens de outras épocas. Ou seja, o historiador de hoje se depara com representações de ontem e, de posse deste material, vai tentar desvelar significados, desfazer intrigas, solucionar enredos, construindo, por sua vez, uma nova imagem e discurso sobre aquilo que teria se passado. Este enunciado, sem dúvida, tem um aporte de acentuado relativismo e mais suscita indagações do que certezas. Mas então, a história não é senão representação? Não é possível atingir o real? Sim, para a primeira questão, uma vez que o que acontece uma vez não pode jamais ser resgatado na sua integridade. Talvez, para a segunda indagação, uma vez que as representações do mundo social são também constitutivas daquilo que chamamos realidade. Muito provavelmente, até sejam mais sedutoras, atraentes e belas enquanto representação, do que o tal concreto que lhes deu nascimento...”. PESAVENTO, Sandra Jatahy. Porto Alegre Caricata: a imagem conta a história. Porto Alegre, UE/Secretaria Municipio da Cultura, 1993.

A DIRETORIA DA BIBLIOTECA EM 1913

Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 
         O jornal "O Estado" (Orgão da Mocidade Castilhista da Cidade do Rio Grande) em sua edição de 17 de agosto de 1913 reproduziu duas fotografias referentes a Biblioteca Rio-Grandense. A matéria é alusiva aos 67 anos de fundação da Instituição. 
        Na imagem superior está o prédio da Biblioteca antes de sua ampla reforma. A segunda imagem é da Diretoria e são nomeados os presentes: Dr. Alfredo Assumpção, Coronel Areias Junior, Reverendo Josué de Mattos, Capitão Francisco Leite e Luiz Duarte. Esta identificação dos fotografados é relevante pois esta fotografia circulou em publicações posteriores sem identificação.    

domingo, 16 de fevereiro de 2020

O ZEPPELIN CRUZOU O ATLÂNTICO

Acervo: https://www.ebay.com/


        O cartão-postal comemorativo retrata uma viagem área que cruzou o Oceano Atlântico e que foi seguida por várias outras nos anos seguintes. No dia 11 de outubro de 1928, o dirigível alemão Conde Zeppelin levantou voo para a primeira viagem aos Estados Unidos. A distância entre Frankfurt e Nova York foi percorrida em 112 horas. 
       O lendário dirigível LZ 127 Conde Zeppelin, tinha 236 metros de comprimento, capacidade de armazenar 105 mil metros cúbicos de gás, 5 motores e autonomia para 10 mil quilômetros de voo. Era um espetáculo visual por onde passavam. Sua primeira vinda ao Brasil foi em 22 de maio de 1930 quando chegou ao Recife e foi recebido por mais de 15 mil pessoas. 

O CÃO E A VITROLA

O Estado, 10-08-1913. Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 
        O "Bazar de Variedades" localizado na Rua General Bacelar vendia as afamadas vitrolas Victor no ano de 1913. O anúncio ressalta a alegria que era escutar música que "é o melhor dos tônicos". 
         A empresa Victor Talking Machine surgiu nos Estados Unidos em 1901 a partir da aquisição da empresa do inventor do gramofone Emil Berliner. A Victor se tornou lendária e teve um mascote que projetou a imagem até o presente: o cachorro Nipper criado pelo artista Francis Barraud em 1898. 
        Nipper realmente existiu e nasceu na Inglaterra em 1884 falecendo em 1895. Ele se tornou uma das imagens/personagens mais lembrado em anúncios e foi uma referência de marketing da Victor Talking Machine e de outras empresas posteriores até o presente. 
Nipper, autoria de Francis Barraud, 1898. Título da pintura: "His Master Voice".

OS CAMPOS NEUTRAIS


         Osvaldo André Oliveira é um historiador que tem um aprofundado conhecimento dos Campos Neutrais: como pesquisador e também por ter morado por muitos anos nesta ampla área. Uma síntese de seu trabalho é apresentada clicando no link:  


http://img.comunidades.net/mer/mergulhao/Mapa_Campos_Neutrais.jpg

sábado, 15 de fevereiro de 2020

AVISOS MARÍTIMOS

Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 
          O jornal O Comercial do dia 13 de dezembro de 1877 replicou uma antiga prática da imprensa da cidade do Rio Grande: os avisos marítimos. A chegada e saída de navios de passageiros ou de cargas é informada no jornal.
         No caso acima a Companhia Nacional de Navegação a Vapor era a proprietária do vapor "Rio Grande" que chegaria do Rio de Janeiro e seguiria para Montevidéo. A Companhia de Paquetes Brasileiros proprietária do paquete "Canova" seguiria de Rio Grande para Paranaguá, Santa Catarina e por destino o Rio de Janeiro. 

CHAPÉUS DE SOL

O Estado, 10-08-1913. Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

        Chapéus de Sol, hoje conhecidos por guarda-chuva e sombrinhas eram amplamente utilizados pelos populares como se observa em fotografias das últimas décadas do século XIX e as primeiras décadas do século XX. O objetivo não era ser um "espanta chuva" mas um protetor do inclemente "Sol". 
        No anúncio José Armada vendia um grande sortimento de chapéus do Sol. O mercado era muito bom a ponto de comerciantes terem se especializado em concertar estes produtos que atualmente viraram peças de descarte e de qualidade duvidosa ou ausente (na maioria dos casos...). 
        Quem, no meio urbano, ainda os utiliza para proteção contra o Sol? 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

BAILES MASQUÉS

O Estado, 07-02-1915 Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 
       O Jornal O Estado publicou na edição de 7 de fevereiro de 1915 o convite para o bailes masqués a ser realizado no salão do Polytheama Rio-Grandense. 
      Estes bailes masqués ou bailes de máscaras eram comuns na cidade desde a segunda metade do século XIX. Ao esconder o rosto com a máscara, o efeito poderia ser o de manter a identidade oculta e não raras vezes, alguns participantes acabavam sendo desagradáveis ao abordarem os outros frequentadores do baile. 
      Durante o entrudo (carnaval popular em espaços públicos e com brincadeiras agressivas) era comum esconder o rosto com máscaras para poder lançar as bolas de cheiro ou outros objetos nos pedestres sem o risco de ser identificado.       
         Os bailes masqués vieram para manter a brincadeira, porém, no espaço de um clube fechado e com algumas normas de controle dos participantes. Um carnaval controlado por regras sociais mas que muitas vezes acabava em confusões ou brigas.    

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

VISÕES A PARTIR DO PORTO DO REI


Rio Grande à direita e São José do Norte à esquerda a partir do Porto do Rei. Acervo: Luiz Henrique Torres (2020). 

Centro de Rio Grande a partir do Porto do Rei - detalhe da fotografia superior.

São José do Norte a partir do Porto do Rei - detalhe da fotografia superior. 

        O Porto do Rei, na Ilha dos Marinheiros, possibilita uma visão privilegiada da Lagoa dos Patos, do Rio Grande e de São José do Norte. 
      O Porto do Rei é um espaço de referência ambiental e de historicidades que marcaram a formação histórica da cidade do Rio Grande. 
       A fotografia mostrou um pouco deste panorama das águas que cercam as duas cidades vizinhas. O sentido histórico destas comunidades do "Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul" (como eram chamadas no século XIX) é a identidade com as águas da Lagoa dos Patos e a sua interação com o Oceano Atlântico. 
        A dimensão deste cenário pode ser "vivida" através de uma observação "serena e atenta" dos grandes e dos mínimos detalhes que compõem esta pintura que transita entre a natureza primeva e a natureza lapida pela ação dos homens. 
    E o portal para esta observação está a poucos quilômetros do centro do Rio Grande: o Porto do Rei na Ilha dos Marinheiros...   
Centro da cidade do Rio Grande (à esquerda) seguindo à orla na direção da Avenida Portugal e a Rua Comendador Henrique Pancada (à direita).