Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

segunda-feira, 31 de maio de 2021

ENCHENTE EM PORTO ALEGRE

 

Cartão-postal datado de 27 de maio de 1941. Acervo: Luiz Henrique Torres. 

Este cartão-postal mostra o centro de Porto Alegre (Rua Sete de Setembro) no mês de maio de 1941. As águas do Guaíba romperam o Cais da Mauá e invadiram o centro da cidade provocando muitos prejuízos. 

O deslocamento era feito em barcos como ficou registrado nesta fotografia. 

Cartão-postal datado de 27 de maio de 1941. Acervo: Luiz Henrique Torres. 

No verso do cartão escrito em alemão foi colado este selo de 1.200 réis mostrando os "Arcos da Lapa no Rio de Janeiro" (selo emitido em 14-06-1939).  

CÔMOROS

 

Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

Este recorte da planta urbana da Vila do Rio Grande de São Pedro datado de 5 de agosto de 1829 mostra um espaço muito conhecido da cidade. Está escrito nesta planta que a delimitação da linha de cômoros (morros de areia) limita a área de ocupação da área arenosa incapaz de ser povoada. E esta área é mais central do que podemos imaginar! 

Uma das ruas que desembocava na área "incapaz de se povoar" é a Rua dos Cômoros que é a atual Silva Paes. Atualmente, temos neste espaço que era formado por cômoros, alagadiços e poços de água potável no século XIX,  o maior espaço recreativo público da cidade: a Praça Tamandaré. 

O limite para acesso ao anecúmeno mostrado na planta é o hoje traçado pela Rua General Netto. 

domingo, 30 de maio de 2021

FESTA DO MAR DE 1961

 Em novembro de 1961 ocorreu a primeira Festa do Mar. Se passaram 60 anos desta iniciativa de divulgação turística da cidade. 

Na época foram lançados quatro selos comemorativos do evento com mesma estampa e com cores diferentes: vermelho, verde, azul e laranja. 

A mensagem era "Festa do Mar. Visite a cidade de Rio Grande, R. G. do Sul, Brasil. Segunda quinzena de novembro 1961". Quem recorda desta primeira edição?

  





sábado, 29 de maio de 2021

O CUME

 

Fotografias: Luiz Henrique Torres.  

A escalada foi duríssima!

Vencer os blocos de pedra é uma missão que exige resistência e paciência. 

Afinal, o cume quase toca nas nuvens... 


Seria bem mais fácil escalar o Molhe Oeste se tivéssemos asas como esta garça. 


PEDRAS ALTAS

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

 

O cartão-postal editado por R. Strauch/Livraria Rio-Grandense em 1910 mostra uma típica cena da campanha gaúcha. 

Um casarão colonial e outras estruturas adaptadas à criação de gado. Esta localidade - Pedras Altas -,  faz fronteira com o Uruguai e o pampa Rio-Grandense e Uruguaio formam um continuum fisiográfico. 

Entre 1909 e 1913 foi construído o Castelo de Pedras Altas por Assis Brasil. O local passou a ser um referencial de encontro de políticos liberais e aí foi assinado a paz na Revolução de 1923. 

O município de Pedras Altas foi instalado em 2001 e se emancipou de Herval e de Pinheiro Machado.  

sexta-feira, 28 de maio de 2021

CERRITO

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

 Este cartão-postal é uma rara imagem da atual cidade de Cerrito. O cartão foi editado em Rio Grande por R. Strauch/Livraria Rio-Grandense por volta de 1910. 

A imagem mostra o perfil econômico da localidade que era a criação de gado e o escoamento pela ferrovia. No canto esquerdo se observa um prédio ferroviário com um vagão ao lado.  Mais de um século depois Cerrito possui aproximadamente 7.000 habitantes e a economia é ligada ao setor agropecuário. O destaque está na produção leiteira com gado da raça Jersey.  

quinta-feira, 27 de maio de 2021

POCITOS

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

 

Este cartão-postal dos anos 1950 mostra a Praia de Pocitos em Montevidéo. 

Este balneário foi uma fonte de inspiração para o surgimento do Balneário Vila Sequeira (Cassino) em 1890. Em documento de 1885 foi feita referência a Pocitos como um espaço procurado pela elite do Rio Grande do Sul para veraneio. 

Ao organizar uma empresa balneária na então Província do Rio Grande de São Pedro, se buscou criar o primeiro espaço sofisticado de banho de mar provincial para atrair veranistas de alto padrão socioeconômico.  

quarta-feira, 26 de maio de 2021

O ESPETÁCULO DAS CONCHAS

Fotografias: Luiz Henrique Torres. 

Um fenômeno esperado é a beira da praia do Cassino aparecer repleta de conchas!

Neste mês de maio isto ocorreu em alguns quilômetros de praia. 



Na década de 1970 quando vinha com a família "veranear" em "camping" no Cassino, catávamos conchas para levar de recordação do verão junto ao litoral atlântico. 



As conchas eram deslocadas da Planície Costeira até a Depressão Central do Rio Grande do Sul: o destino era Santa Maria.



Hoje, a coleta de conchas se traduz em fotografar para divulgar as imagens e reviver memórias.  


PARIS HOTEL

 

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

Em Porto Alegre adquiri este material de divulgação (rótulo em papel talvez para colar em malas) do mais tradicional hotel da cidade do Rio Grande: o Paris.

 O estabelecimento perdurou por mais de um século e meio e apenas recentemente sofreu alterações em sua função hoteleira. 

Hipoteticamente, a imagem deve se situar entre as décadas de 1950-1960.  

Em destaque está um dos cartões de Paris: a Torre Eiffel.  

CORUJA

 

Fotografia: Luiz Henrique Torres. 

Numa duna de acesso a Praia do Cassino foi colocada uma placa com os dizeres: "Bem-vindo! Ao partir, por amor, leve o seu lixo". 

Sentada na placa, uma coruja - com sua visão panorâmica de 360 graus-, parece vigiar o cumprimento do singelo e sugestivo pedido. 

terça-feira, 25 de maio de 2021

SUPERLUA

 

Fotografia: Luiz Henrique Torres. 

O entardecer de hoje foi assinalado com o nascimento da Superlua em Rio Grande. 

Uma bela imagem acompanhada de uma massa de ar frio típica do inverno gaúcho. 

Fotografia: Luiz Henrique Torres. 


Fotografia profissional, abaixo, foi obtida na Rússia na noite deste dia 25 de maio de 2021. 

Fotografia: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP. 

Amanhã, dia 26, ocorre um eclipse lunar a partir das 6h47 (horário de Brasília). Para o Brasil o horário já compromete uma boa visibilidade devido ao ofuscamento que será produzido pelo nascer do Sol. Mas fica a dica para quem estiver acordado. 

AMÉRICA EM 1788

Planta da América datada de 1788. Acervo: https://digitalcollections.nypl.org/

 
Esta planta do ano de 1788, impressa em Roma, mostra as três Américas como sendo apenas uma unidade "L'America" a qual é representada como uma mulher com cocar e segurando uma flecha. Esta mulher está numa floresta e em posição de atenção e defesa contra animais selvagens que a cercam. A riqueza está caída no chão buscando evidenciar a dificuldade em ser obtida: a cornucópia (símbolo da riqueza e abundância) está caída no chão e repleta de moedas.   



Planta da América datada de 1788. Acervo: https://digitalcollections.nypl.org/

 A costa do Rio Grande do Sul foi representada no documento cartográfico e a legenda P. S. Pedro (Porto de São Pedro)  remete a entrada da Barra do Rio Grande onde foi erigida a Vila do Rio Grande de São Pedro. 

segunda-feira, 24 de maio de 2021

ZÉ RAMALHO E DYLAN

https://youtu.be/8LX6W3CJJVA


 No dia do aniversário de Bob Dylan recordei do cantor brasileiro com perfil mais próximo ao do norte-americano. Isto é subjetivo mas sempre penso em Zé Ramalho natural do Brejo da Cruz, Paraíba, nascido em 1949.  

Zé Ramalho elaborou composições e sonoridades que expressam alguns dos melhores momentos do que já se produziu musicalmente no Brasil. 

Um álbum de 2008 foi dedicado integralmente a Bob Dylan. 

Antes desta data, Zé Ramalho, em 1997, fez a adaptação de uma música de Dylan e surgiu Batendo na Porta do Céu.

Sugiro aos leitores escutarem a música no endereço:  

https://youtu.be/8LX6W3CJJVA


BATENDO NA PORTA DO CÉU (Knockin' On Heaven'S Door)


Mãe, tire o distintivo de mim
Que eu não posso mais usá-lo
Está escuro demais pra ver

Me sinto até batendo na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu

Mãe, guarde esses revólveres pra mim
Com eles nunca mais vou atirar
A grande nuvem escura já me envolveu
Me sinto até batendo na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu

BOB DYLAN

Bob Dylan. Acervo: Reuters/Rob Galbraith. 

 Neste dia 24 de maio Bob Dylan completa 80 anos. 

Ele iniciou a carreira musical em 1962 e impactou o cenário musical dos anos 1960-1970. Dylan reinventou o folk music americano e singrou as décadas seguintes buscando originalidade e construindo uma mutação musical. Ele não aceitou a mutabilidade das pedras, stones...   

Sempre avesso ao sensacionalismo e a postagem de rótulos em suas obras, Dylan cruzou as décadas sem se converter aos modismos da mídia ou aceitar o culto da egolatria. 

Parabéns ao aniversariante! 

SINAIS DA PRATICAGEM



 

Este recorte de uma planta da Barra do Rio Grande referido como do ano de 1800 (pode ser um pouco depois...)  faz parte do acervo da Biblioteca Nacional da França.  

Remete aos primórdios do serviço profissional de praticagem da Barra e mostra o código de bandeiras utilizado pela praticagem e as respectivas profundidas disponíveis para o acesso ao canal navegável que conduzia ao Porto Velho do Rio Grande. Este canal mudava com frequência e exigia um acompanhamento rigoroso do serviço de praticagem para evitar acidentes marítimos.  Apenas uma bandeira levantada significava um baixo calado para as embarcações. Ou seja, permaneça ao largo da Barra (frente e imediações dos atuais Molhes) esperando uma maior profundidade.  

domingo, 23 de maio de 2021

INVERNO 2021 E O CORONA

Conchas na Praia do Cassino no mês de maio de 2021. Fotografia: Luiz Henrique Torres.


A provação sem fim continua...

 O coronavírus não baixou a guarda no Rio Grande do Sul e estamos ingressando no inverno num cenário de esgotamento dos leitos de UTI (pelo menos na cidade do Rio Grande...). 

Não conseguimos achatar significativamente a curva de novos casos num patamar seguro para ingressar no período mais problemático do ano que é o inverno! 

O vírus precisa da aproximação entre pessoas e de espaços fechados. Circulação de ar em habitações é um inimigo e espaços ao ar livre também compromete o seu desempenho.

Janelas e portas fechadas é o que se espera no inverno. Assim como uma maior aproximação entre as pessoas. Ar mais saturado de CO2 faz a alegria deste vírus. 

Já estamos com a variante amazônica sendo majoritária e presenciamos a chegada da variante indiana (ainda uma incógnita em sua transmissão e letalidade). 

O maior problema que surge em nosso horizonte imediato - pois, enquanto escrevo, o rugido provocado pelo vento de 60 km/h está trazendo mais um presente da Antártida: mais uma frente fria. 

Sei... o inverno climático (e não o astronômico) já está começando. Mas o maio já foi um castigo em termos de frio... 

Depois desta frente fria, que inicia hoje, teremos no final de maio uma poderosa entrada de ar polar que pode jogar os termômetros para próximo a zero graus no Rio Grande do Sul!

 "Mas que a entrada do inverno seja congelante, pois, que é a sua personalidade no Sul, 

pero, que não dure...". 

"Se ai que endurecer 

que non perca la ternura...". 

Porém, aí reside um problema ainda hipotético: a Austrália teve neste mês de maio uma sequência de dias frios que não ocorriam desde 1967. A sequência de noites frias não ocorria desde 1955 (ano em que o Rio Grande do Sul registrou a temperatura mais fria dos seus registros históricos). 

Como destaca o site da Metsul o frio na Austrália ( e na Oceania) não é uma previsão para o Sul do Brasil e, sim, apenas um referencial fundado em analogias históricas que várias vezes tiveram conexão no tempo passado. 

O inverno já é um período crítico para quem vive o horror desta pandemia. Um inverno muito rigoroso é um cenário que vai exigir ainda mais cuidados com a proteção individual.

 Ampliar e intensificar o uso de máscaras de proteção e os cuidados individuais de limpeza das mãos deverão ser uma preocupação não apenas fora de casa e sim "dentro de casa". 

Estamos no limiar de um período crítico?      

PRAÇA 15 DE NOVEMBRO


Acervo: Walter Albrecht. 



Acervo: Walter Albrecht. 

 Este cartão foi manuscrito em 28 de outubro de 1902 e foi enviado do Rio de Janeiro com destino a Hamburgo na Alemanha. 

O carimbo do Rio de Janeiro é de 29 de outubro e após cruzar o Oceano Atlântico o cartão recebeu o carimbo em Hamburgo em 18 de novembro. Foi uma travessia de 19 dias, um período bastante razoável para a época. Foi enviada para o sr. Carl Albrecht. 

Carimbo de Hamburgo. 

Carimbo do Rio de Janeiro num selo de 100 réis que pagava o porte internacional. 

O cartão foi editado por Laemmert & Cia (Rio de Janeiro) e mostra a Praça 15 de Novembro que anteriormente era chamada de Largo do Paço, pois, aí se situa (até o presente) o Paço Imperial. 

A praça foi um destacado cais de desembarque de escravos e ao longo do século 19 foi o local de maior chegada de passageiros ao Rio de Janeiro. Na praça está a estátua equestre do General Osório que foi inaugurada em 1894. 

Monumento ao General Osório. Foto de Marc Ferrez. Acervo: Instituto Moreira Salles. 


sábado, 22 de maio de 2021

RIO JACUÍ


Acervo: Luiz Henrique Torres. 

 

Este cartão-postal datado de 27 de abril de 1915 mostra uma imagem muito rara: o Rio Jacuí. 

Foi editado em Rio Grande por R. Strauch/Livraria Rio-Grandense. 

Mesmo parcialmente devorado pelos cupins, não resiste em adquiri-lo frente a sua raridade. É o único que conheço que retrata este rio há mais de cem anos no passado.  

O local em que a fotografia foi realizada é de difícil identificação pois o Rio Jacuí tem 710 km de extensão nascendo em Passo Fundo e desaguando no Lago Guaíba/Delta do Jacuí. 

O Rio Jacuí ou dos Jacús (em Guarani) foi uma via essencial de deslocamento dos horticultores guaranis que povoaram o Rio Grande do Sul, a partir do Rio Uruguai, nos últimos dois mil anos. No século XVII era conhecido pelos índios Guaranis das Missões Jesuíticas. Foi considerado pelas autoridades  luso-brasileiras como essencial para a conquista da região missioneira e controle da presença espanhola. Em especial, na atual cidade de Rio Pardo.   

Pela formação rochosa e corredeiras a imagem pode ser um trecho em algum município do Planalto, portanto, no Alto Jacuí. 

O que terá levado o editor Strauch tão longe de sua casa em Rio Grande? 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

A MÃO E A ALDRAVA

 


Entre as primeiras décadas do século 19 e as primeiras do século 20 muito se utilizou uma mão com o indicador apontado para chamar a atenção de um anúncio ou informação que se considerava essencial. 

Os jornais estão repletos de matérias ou, especialmente, de anúncios com este recurso. Jornais de Rio Grande da década de 1830 já ostentavam a enfática mão. 

 Também nas portas eram colocadas as aldravas ou peça móvel em metal que se prende às portas e cuja batida contra a madeira alertava o morador da chegada do visitante (desejado ou indesejado). Muitas vezes o formato era a reprodução de uma mão com grande detalhamento. 

A mão acima é um detalhe retirado de um cartão-postal que circulou no Rio de Janeiro em 1907. 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

CHAFARIZES

Acervo: Walter Albrecht. 

Acervo:Walter Albrecht. 

 


Na Praça 15 de Novembro no centro do Rio de Janeiro enfatizarei duas estruturas mostradas neste cartão-postal datado de 8 de junho de 1912 e com destino a cidade do Rio Grande. 

Em primeiro plano está o "chafariz do Mestre Valentim" que foi inaugurado em 1789. A funcionalidade era fornecer água a população e aos navios que atracavam neste cais. A água foi fornecida até a década de 1880. A estrutura é uma pequena torre de quatro face com uma pirâmide quadrangular assentada em seu teto. Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813) foi um dos maiores artistas do período colonial atuando como entalhador, escultor e urbanista. Era filho de um português e de uma escrava alforriada.  

Outra estrutura é o chafariz de ferro fundido que aparece no lado direito que é obra de Louis Sauvageau datada de 1861. É um chafariz francês da fundição Val d'Osne instalado nesta praça  em 1878. D. Pedro II ao visitar a Feira Internacional de Viena conheceu o chafariz e resolveu adquiri-lo para ornamentar/fornecer água na praça que então era denominada de Largo do Paço. 

A estrutura tem 12 metros de altura sendo o maior chafariz do Brasil e um dos maiores do mundo. Em 1962 foi transferido do local e posteriormente, em nova localização, passou a chamar-se chafariz Monroe

Em Rio Grande tivemos quatro chafarizes franceses da fundição Durrene instalados entre 1874-1878.   

Acervo: Walter Albrecht. 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

PÂNTANOS EM 1829

 

Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 


Esta planta urbana da Vila do Rio Grande de São Pedro foi feita em agosto de 1829. 

Fiz um recorte da planta mais ampla. Nesses quase dois séculos muitas modificações espaciais ocorreram com um crescimento que ocupou áreas alagadiças e promoveu aterramentos nas margens da Lagoa dos Patos e do Saco da Mangueira.

 Vamos acompanhar algumas mudanças urbanas.  

Para nos localizarmos com as legendas de 1829: Beco do Cunha é a Rua Coronel Sampaio; Rua da Praia é a Rua Marechal Floriano; Beco D. Genoveva deve ter sido modificado e desapareceu pois a rua mais próxima seria a atual República do Líbano (mas a direção das duas não são convergentes). O trapiche que aparece na parte inferior direita pertencia ao Cunha (deveria ser um grande comerciante...). 
 
Os pântanos tem início no córrego que divide a área urbana com o início dos alagadiços. Este córrego é a atual Rua Almirante Barroso! Portanto, ao cruzar a atual Barroso já se adentrava nos alagadiços da Ilha do Ladino. Estava incluído nos alagadiços a área ocupada pelo BGV, Porto Novo, área do Comando Naval etc.  

Algumas décadas depois foi colocada uma ponte no final da Rua da Praia permitindo o acesso a Ilha do Ladino. A expansão nestes terrenos foi lenta e só se intensificou com a construção pela Companhia Francesa do Porto Novo do Rio Grande a partir de 1908. 

terça-feira, 18 de maio de 2021

80 ANOS DA GRANDE ENCHENTE III

 

Esquina da Rua Riachuelo com a Barroso. A Lagoa dos Patos formou um corpo indiviso com o espaço urbano. 

As notícias da enchente em Porto Alegre, começaram a alarmar os moradores da cidade litorânea do Rio Grande que passam a acompanhar com expectativa o fluxo intenso das águas que chegavam até a Barra. Em Rio Grande, entre 10 de abril e 14 de maio, choveu em 24 dias, num total de 397,7mm. Algo diferente estava ocorrendo num solo já encharcado mas que ainda permitia a manutenção das atividades normais. Porém, no dia 4 maio as águas transbordaram e alagaram várias residências e empresas inviabilizando a continuidade das atividades produtivas de vários estabelecimentos. Os prejuízos foram enormes com a destruição de parte dos maquinários, matéria-prima ou produtos ja industrializados, além da destruição de vários trapiches entre a região do Bosque até o Porto Velho. A inundação surgiu pelo cais fronteiro ao Mercado Público, pela rua Riachuelo e por toda a extensão da margem do canal. Rapidamente, todo o litoral norte e sul, incluindo o Saco da Mangueira, foram invadidos pelas águas. 


Bancas de venda de pescado e Mercado Público alagados.  

Vila Naval. Fotografias: Relatório Municipal da Grande Enchente de 1941. 


PORTO ALEGRE NA GRANDE ENCHENTE

Revista do Globo, 17 de maio de 1941. 

 

Em Porto Alegre, conforme pesquisas de Rafael Guimarães, foram 22 dias de chuva durante os meses de abril e maio de 1941, resultando na maior catástrofe climática vivida por esta cidade em toda sua história, apesar do registro de várias outras enchentes desde 1823. O saldo foram 70 mil pessoas (de uma população de 272 mil habitantes) que tiveram de abandonar suas casas, elevados prejuízos financeiros e mais de 600 empresas afetadas, levando meses para retornarem as atividades ou decretando falência. Foi no dia 30 de abril que as águas invadiram o cais do porto e rumaram para o centro da cidade numa marcha contínua. O ápice de altura, foi no dia 8 de maio, quando o vento Minuano fez com que as águas do Guaíba fossem represadas chegando ao recorde histórico de 4,76 metros acima do nível normal. O resultado foi a maior enchente já vivida por Porto Alegre em sua história. 

Revista do Globo, 17 de maio de 1941. 

80 ANOS DA GRANDE ENCHENTE II

Os efeitos da grande enchente de 1941 estavam em seu piores momentos há 80 anos. 

Benjamin Constant em direção a Marechal Floriano. Fotografias do Relatório Municipal da Grande Enchente de 1941. 


Os bondes ficaram paralisados nas linhas Matadouro e Porto (Macega) sendo modificado o itinerário do Circular em vista das águas que atingiram as ruas Riachuelo e Barroso. Conforme o jornal O Tempo do dia 13 de maio de 1941, “no Bosque Silveira as águas avançaram cerca de 550 metros além do mar. Em virtude da inundação de diversas 
guaritas de cabos subterrâneos, o serviço telefônico local foi prejudicado elevando-se a 252 o número de aparelhos sem ligação. Ontem pela manhã dois menores brincavam dentro de um caixote de madeira nas águas existentes a rua Francisco Campelo esquina General 
Neto. Em dado momento a correnteza das águas carregou o barco improvisado para o lado do mar, com grande risco de vida para os dois imprudentes menores. O sr. Julio Rodrigues, capataz geral da L. P. que se encontrava nas proximidades, com uma corda conseguiu laçar o caixote e trazer para terra firme as duas crianças que foram entregues às respectivas famílias”. 

Rua Coronel Sampaio que foi alagada em toda a sua extensão. 



Conforme a Revista do Globo (31-05-1941), na rua 
Riachuelo as águas subiram a mais de meio metro de altura, invadindo residências e estabelecimentos comerciais. Os armazéns do Porto Velho, repletos de mercadorias, não foram alagados, faltando poucos centímetros para a invasão das águas. “Na rua Riachuelo, como nas principais ruas de Porto Alegre, também navegaram as canoas por trechos nunca dantes navegados, oferecendo espetáculos curiosos à 
população”.

A Revista do Globo também destacou com fotografias a rua Coronel Sampaio e General Osório que ficaram inundadas em toda a sua extensão. Os trilhos da Viação Férrea foram arrastados pelas águas numa extensão de 300 metros entre o Povo Novo e o Capão Seco, impedindo a chegada dos trens. Cenas típicas da cidade de Veneza, o vai e vem das canoas junto das edificações, passam a 
fazer parte do cotidiano da cidade naqueles dias.

Prédio da Câmara do Comércio na rua Riachuelo.



80 ANOS DA GRANDE ENCHENTE

Se hoje vivemos a tensão da pandemia, há 80 anos, outro era o desafio a ser superado pelos moradores: a reconstrução após a subida das águas da Lagoa dos Patos. 

Revista do Globo, 31 de maio de 1941. 

 
Entre os dias 4 e 20 de maio de 1941 a população viveu grande apreensão. As águas subiram e cerca de 30% da área da cidade do Rio Grande ficou com uma lâmina de água. Quase quatro mil pessoas foram recolhidas aos abrigos Além das perdas materiais em nível das residências, as perdas 
em maquinários, estoques, matérias-primas e estruturas físicas das empresas foi muito elevada. O período de desativação das atividades 
acarretou em grandes prejuízos pela não produção e até perda de mercados. Trabalhadores sazonais sem trabalhar não tinham renda.
Revista do Globo, 31 de maio de 1941. 


Assim como os prejuízos aos agricultores, a maioria voltados ao cultivo da cebola, quase sempre foi total nas áreas abrangidas pela enchente. O número daqueles que abandonaram as atividades agrícolas nas ilhas é desconhecido mas certamente foi relevante, pelos 
grandes prejuízos sofridos nas chácaras, ampliando o êxodo rural em curso desde as primeiras décadas do século 20.
Partes mais baixas da Ilha dos Marinheiros ficaram submersas. Na fotografia, Carlos Santos vistoriou o local para escrever o Relatório Municipal de Grande Enchente.