Porto do Rio Grande em 1908

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quinta-feira, 9 de maio de 2019

O TUTANCÂMON INGLÊS


Pesquisador analisando a tumba. Imagem: MOLA. 
  
 O site https://www.bbc.com/portuguese/geral-48212907 postou neste dia 9 de maio de 2019 uma matéria sobre a tumba do “Tutancâmon inglês”. A descoberta ocorreu em 2003 a leste de Londres e uma longa pesquisa tem sido realizada na vasta câmara funerária que foi encontrada entre um pub e um supermercado. A matéria é da bbc e os direitos de imagem pertencem a MOLA.
Local em que foi encontrada a tumba. Imagem: MOLA. 
“Operários desenterraram a sepultura, que continha dezenas de artefatos raros, durante obras rodoviárias em Prittlewell, perto de Southend, na costa a leste de Londres, em 2003, e detalhes sobre o suposto ocupante foram agora finalmente revelados. Fragmentos de esmalte dos dentes eram os únicos restos humanos, mas especialistas dizem que o seu "melhor palpite" é que eles pertenciam a um príncipe anglo-saxão do século 6. A descoberta foi considerada o exemplo mais antigo de um enterro de um membro da realeza anglo-saxã cristã.
Quando escavou o local, a equipe do Museu de Arqueologia de Londres (Mola, da sigla em inglês) disse estar "surpresa" de encontrar a câmara funerária intacta.
Os restos da estrutura de madeira, que teria medido cerca de 4 metros quadrados e 5 metros de profundidade, abrigavam cerca de 40 artefatos raros e nobres. Entre eles havia uma lira - uma antiga harpa - e uma caixa de 1.400 anos, que acreditava-se ser o único exemplo que restou de madeira anglo-saxônica pintada na Grã-Bretanha. Moedas de ouro, o gargalo de prata dourado de um vaso de madeira, copos de vidro decorativos e um jarro que seria procedente da Síria também foram encontrados. Cada um deles foi colocado dentro do túmulo "como parte de um ritual de sepultamento cuidadosamente coreografado", indicando o local de descanso de um homem de linhagem de príncipe, disseram eles. 
O túmulo continha 40 artefatos, incluindo tesouros de outros reinos Moradores apelidaram o ocupante desconhecido do túmulo de Príncipe de Prittlewell.

O túmulo continha 40 artefatos, incluindo tesouros de outros reinos. Imagem: MOLA. 
Chegou-se a cogitar que os restos mortais fossem de Saebert, rei saxão de Essex entre 604 e 616 d.C.. Mas a datação por carbono e outros testes indicaram que o túmulo foi construído entre 575 e 605 d.C. - pelo menos 11 anos antes de sua morte. Após 15 anos de pesquisa, arqueólogos disseram que o "melhor palpite" nesse caso era de que o túmulo pertencia a Seaxa, irmão de Saebert.
De acordo com informações do Museu de Arqueologia de Londres, cruzes de folha dourada encontradas na cabeceira, por exemplo, teriam sido colocadas sobre os olhos dele como sinal de que era cristão. No entanto, outras características, como a mamoa (pequenos montes artificiais que recobrem monumentos fúnebres), os artefatos presentes nele e a câmara de madeira, refletem crenças e tradições pré-cristãs. Uma fivela de cinto de ouro, provavelmente feita especialmente para o enterro, indica um indivíduo de status elevado. O caixão de madeira de freixo "excepcionalmente grande" e de tampa elaborada também chamou a atenção, com espaço para um corpo e outros itens. Acredita-se que o caixão sozinho pesava 160 kg.
Vasos de ouro decorados estavam entre os tesouros encontrados na área. Imagem: MOLA.
O tamanho do caixão e a disposição dos itens dentro dele sugerem ainda que o ocupante tinha cerca de 1,68 m de altura. Entre os itens encontrados também havia um banquinho dobrável de ferro, que um lorde usaria, por exemplo, para distribuir recompensas e julgamentos a seus leais seguidores e guerreiros. Uma "espada habilmente trabalhada", com detalhes em ouro adornando o punho de chifre e uma lâmina de padrões complexos, era um sinal claro de um funeral real ou aristocrático.
Sophie Jackson, diretora de pesquisa do Museu, disse que ninguém esperava que o "local pouco promissor" encontrado em 2003 contivesse "o equivalente ao túmulo de Tutancâmon". "O local fica entre uma linha de trem e uma estrada, basicamente um limite. Não é onde você esperaria encontrá-lo", disse ela. Segundo pesquisadora, local onde a tumba foi encontrada era considerado "pouco promissor". Ela disse que o túmulo forneceu um retrato de uma "época realmente interessante", quando o cristianismo estava "apenas começando" nas Ilhas Britânicas. "Era uma fase de transição entre ter enterros pagãos com todos os seus objetos, mas também ter essas cruzes", disse ela. Jackson disse que "o melhor palpite" foi que o túmulo abrigava Seaxa. "Há muito debate sobre se ele era um verdadeiro guerreiro saxão maduro, ou mais jovem", acrescenta. "Teria ele morrido antes que pudesse realmente provar o seu valor?"
Quem foi Tutancâmon? Ele foi um rei egípcio que morreu há cerca de 3.000 anos. Seu túmulo foi descoberto pelo arqueólogo britânico Howard Carter em 1922 em uma área hoje conhecida como o Vale dos Reis. Foi uma das tumbas mais bem preservadas que os arqueólogos já viram, e aproximadamente 2 mil objetos foram encontrados dentro. A câmara estava cheia de tesouros e pinturas de parede detalhadas que mostravam a história da vida e da morte do rei Tutancâmon. Depois que os tesouros foram catalogados e limpos, a tumba se tornou um destino turístico quando foi aberta ao público na década de 1930.
Máscara funerária de Tutancâmon. Imagem: REUTERS.
Mais de 40 especialistas de várias áreas trabalharam juntos em Prittlewell para escavar, limpar e reconstruir a câmara. Em alguns casos, os itens haviam sido tão desgastados que sobraram apenas suas marcas impressas no solo. Esses artefatos foram recriados digitalmente usando técnicas como tomografia computadorizada e análise microscópica de amostras de solo. Alguns dos artefatos recuperados serão exibidos no Museu Central em Southend. O museu também lançou um site com informações sobre sua pesquisa, bem como um diagrama interativo da tumba”, conclui a matéria (https://www.bbc.com/portuguese/geral-48212907).
Artefato encontrado na tumba. A datação por carbono indicou as datas de sepultamento do "Tutancâmon inglês" entre 575 e 605 Depois de Cristo. Imagem: MOLA. 

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