Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

LUIZA LEONARDO NO BISTURI

 

Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 




O periódico caricato publicado na cidade do Rio Grande Bisturi, dedicou a capa e as páginas dois e três para homenagear a pianista Luiza Leonardo.  A matéria está na edição de 29 de julho de 1888. 

Estamos a pouco mais de três meses do fim do Império Brasileiro e da Proclamação da República. 

Luiza Leonardo é uma pianista, compositora e atriz que caiu no esquecimento após sua morte em 1926. Esta matéria do Bisturi é relevante para evidenciar o seu prestígio, inclusive no Rio Grande do Sul, no ano de 1888.

Um pouco da importância da pianista pode ser conhecido no artigo a seguir em que foi reproduzido um fragmento:  

"Nascida em 1859, era afilhada do imperador D. Pedro II e estudou na França, chegando a obter o primeiro prêmio de piano no Conservatório de Paris, em 1879. Apresentou-se, também em Paris, em diversos concertos, inclusive com composições suas. Atuou também como escritora, sendo autora do romance Gazel, publicado na Gazeta da Tarde, no Rio de Janeiro, em 1881, na forma de folhetins. No Rio de Janeiro, atuou em numerosos concertos, mas, a partir de 1885, passou a dedicar-se à carreira de atriz. Transferiu-se mais tarde para Salvador, tendo passado a dedicar-se ao magistério de piano e canto, tarefa esta que inúmeras vezes serviu às mulheres que precisavam começar a trabalhar. Escreveu diversas valsas, tangos e havaneiras para oteatro de revista, fato raro na época, e teve composições editadas como peças de salão, algumas delas encontráveis na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A trajetória de Luiza Leonardo revela uma personagem insubordinada às convenções de sua época, procurando abrir espaço em áreas quase que restritas só aos homens, mas, ao mesmo tempo, revela a retração dela à atividade profissional no âmbito doméstico, no final de sua trajetória, talvez em decorrência do desgaste decorrente da exposição pública". In: Vanda Freire e Angela Portella. Mulheres pianistas e compositoras em salões e teatros do Rio de Janeiro (1870-1930). Cuadernos de Música, Artes Visuales y Artes Escénicas. Pontifícia Universidade Javeriana, Bogotá, vol. 5, n.2, 2010.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

CARNAVAL DE 1897

 

Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 


Jornal  Echo do Sul da terça-feira, 9 de março de 1897, traz uma matéria sobre o carnaval daquele ano. 

Além das festas de salão, se dava muito enfoque ao carnaval de rua, com o desfile de blocos carnavalescos com fantasias e carros alegóricos. 

Elogios e críticas eram comuns, inclusive, mais críticas do que elogios à qualidade questionável dos desfiles. 

Neste ano de 1897 o "Grupo dos Engrossadores" fizeram um belo desfile com direito a quatro corneteiros a cavalo tocando a Ópera Aída. Eram comum as crianças desfilarem com os adultos. O desfile ocorreu na Rua Marechal Floriano e em frente a Praça General Telles (atual Xavier Ferreira) um orador declamou um "bem arquitetado bestialogico, o qual foi muito apreciado". Bestialógico é um discurso repleto de absurdos e asneiras. 

Outros clubes que desfilaram foi o Club Agacha, Congo, Congresso Mina e União. Neste último, "sensaborão metido  a espirituoso que em aranzeis grosseiros chegou até a insolência de proferir obscenidades". A matéria mostrou insatisfação por não ter aparecido a polícia para enquadrar o "grotesco pulha" e colocá-lo na cadeia para aplacar a "nevrose dos malcriados". Os jornais normalmente eram diretos em opiniões sobre a moralidade pública. Nesta direção, criticavam os blocos que se formavam de forma mais espontânea, fora dos clubes, os quais recebiam termos pejorativos que eram utilizados popularmente na época: "os princezes, pulhas, bexigas e concomitantemente caterva, apareceram, como sempre, sujos a valer e desenxabidos que davam lástima". 


500.000

 

Cartão-postal da Livraria Americana mostrando o frigorífico Swift no final da Avenida Honório Bicalho. Datação de 1920. 
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Hoje o blog alcançou a marca de 500 mil acessos. 

Foram 352 mil acessos dos Estados Unidos, 107 mil do Brasil, 12,3 mil da França, 3,8 mil da Alemanha, 3,7 mil de Portugal e acessos de cerca de 30 países. Ou seja, 78,6% acessaram de fora do Brasil.

A maior parte dos temas postados remetem a História do Município do Rio Grande e a História do Rio Grande do Sul. Vários outros temas de história, literatura, cinema, climatologia e "efêmeros" foram aqui trabalhados. 

Ainda não consegui interpretar estes números: qual o interesse de estrangeiros por estas temáticas? O Extremo Sul do Brasil é um espaço de forte imigração europeia e, no caso da cidade do Rio Grande, aqui se fixaram comerciantes o operários portugueses, ingleses, alemães, franceses, italianos, poloneses e de outras nacionalidades. Leitores poderiam ter interesse nas raízes históricas de seus antepassados. Porém, 70,4% dos acessos são realizados dos Estados Unidos. Ocorreu que filhos de comerciantes e industriais da cidade foram estudar práticas comerciais nos Estados Unidos, especialmente, em Nova Iorque e Boston. Entretanto, Rio Grande apresentou poucos migrantes americanos em seus censos. Haverá uma relação, de que a maior empresa que Rio Grande já sediou, que foi o Frigorífico Swift, empregando mais de 1.500 funcionários, era de origem americana do Estado de Chicago. Este seria um fator de atração para conhecer a história local e regional?

Hipóteses são várias. Mas estes números continuam a ser complexos, e, parcialmente, inexplicáveis. 

A LENDA DE RITA PIRES

 

Júlia Lopes de Almeida. In: https://www.elfikurten.com.br

Em sua visita a Porto Alegre em maio de 1918, a escritora Júlia Lopes de Almeida fez uma visita a Casa de Correção. 

Neste presídio referência no Rio Grande do Sul, Júlia Lopes escutou a estória da lenda de Rita Pires. O trecho do livro "Jornadas no Meu País" (Ed. Francisco Alves, 1920) é transcrito a seguir: 


“A fazer girar entre os dedos uma faquinha de osso lavrada pelos presos, conta-nos o Snr. Diretor a curiosa e comovedora lenda da Rita Pires. Senhora de fartos haveres e de rígidas ideias, firme nos seus princípios de intransigência e de severidade fez Rita Pires doação a sua cidade de Porto Alegre de um grande e magnífico terreno com a condição de que nele fosse construída a cadeia. Para dormir seus sonos sossegados queria saber em baixo de ferro todos os ladrões da redondeza e algemados todos os malfeitores. 

Ora aconteceu esta coisa espantosa: concluído o edifício de grossas paredes e seguras portas, a primeira pessoa que a Justiça se viu forçada a encarcerar lá dentro foi, — ó tristeza dos acasos da sorte! — o filho amado da própria doadora. A violência daquele choque terrível e inesperado a pobre mulher sucumbiu. Estalou-lhe o coração, morreu de tristeza.

 Mas desde então, de longe em longe há quem afirme tê-la visto a horas caladas da noite a caminhar lavada em lágrimas por entre os muros da Correção. Com um xalinho vermelho sobre os ombros, a cabeça nua a reluzir na prata dos cabelos, um vestido caseiro a cobrir-lhe as fôrmas magras, ela esgueira-se dos corredores para os pátios, passando rente às sentinelas que estremecem de pavor, ou penetra nos cárceres mais resguardados, quedando-se a contemplar com infinita mágoa os prisioneiros moços. 

Uma vez mesmo, á clara luz do sol um oficial novo no serviço da Correção e que não conhecia ainda a história da Rita Pires, mandou um guarda saber o que desejava ali uma velhota que ele via da janela, no ângulo de uma área interna. O guarda foi imediatamente e voltou sem ter visto nem os vestígios de mulher alguma, ao que o oficial retrucou que isso era impossível, porque ele a vira no mesmo instante em que lhe dera a ordem; e por sinal que era uma velhota em cabelo e com um xalinho vermelho sobre os ombros magros. O guarda desmaiou. 

A alma triste da Rita Pires não se desprende da grande mágoa que sofreu nesta vida transitória, e gira em torno a ela na eternidade como uma louca falena em torno a uma luz inextinguível".


EXPLOSÃO SOLAR X

 

Ionização da termosfera em vermelho cerca de oito minutos depois da explosão. In: https://metsul.com/grande-explosao-no-sol-causa-apagao-de-radio-na-america-do-sul/

Às 10h14 da sexta-feira (09-02), ocorreu uma explosão solar  classe X que são as mais intensas. A tempestade de radiação solar provocou apagões de rádio de ondas curtas na América do Sul, África e no Atlântico Sul. 

Estas explosões são temidas, entre outros motivos, devido a ejeção de massa coronal (EMC) que podem perturbar o campo magnético terrestre e produzir tempestades geomagnéticas que causam danos a satélites e sistemas elétricos em terra. 

Felizmente, o local da explosão solar não estava voltado para a Terra e os efeitos dos pulsos de raio-X e de radiação ultravioleta afetaram a termosfera com apagões de rádio de ondas curtas.  Dos últimos anos, é a segunda maior explosão. 


Maiores informações no endereço:  https://metsul.com/grande-explosao-no-sol-causa-apagao-de-radio-na-america-do-sul/


sábado, 10 de fevereiro de 2024

CASTELO DE PEDRAS ALTAS

 

https://www.google.com.br/maps/place/Castelo+de+Pedras+Altas+-+Assis+Brasil. 


A escritora Júlia Lopes de Almeida visitou o Castelo de Pedras Altas no mês de junho de 1918. O relato de sua estadia foi publicado no livro Jornadas no Meu País, editado pela Ed. Francisco Alves em 1920.  

“Muita gente terá inveja de mim, quando souber que já estive no castelo de Assis Brasil, em Pedras Altas. E terá razão. Rodeado por altas árvores e lindos prados da sua granja modelar, com as suas torres de pedra em ameias descortinando largos horizontes, esta linda residência senhorial, edificada e planejada pelo seu proprietário, com tamanho gosto e tanto carinho, traz-me a lembrança doces recantos da Europa, visões suaves do campo inglês ou da verde Irlanda. 

E esta impressão do exterior acentua-se dentro da sala de mobiliário severo, onde há quadros originais pelas paredes e arde o lume no braseiro de um fogão ladeado de poltronas, em que a família reunida conversa entre si, frequentemente em inglês. Lá fora o vento frigidíssimo vergasta a doce laranjeira carregada de frutas e plantada mesmo rente aos degraus da entrada principal. Nesta casa amiga de tradições, a querida árvore que lhe está à porta e de que é proibido tocar-se sequer num fruto, é a representação de um caso histórico da propriedade, e como que um doce símbolo da sua felicidade doméstica. E, como em parte nenhuma do Rio Grande, encontro neste lar o amor pelas coisas, os usos e os costumes regionais. E' junto ao fogão a europeia da sua sala, que eu tomo pela primeira vez mate chimarrão na respectiva cuia com bomba de prata, conforme o uso tradicional da terra, e que vejo lindas mãos femininas entrançarem com destreza longos fios de uma gramínea para me mostrarem os vários modelos típicos do enastramento dos chicotes e dos arreios gaúchos, feitos com finas tiras de couro. 

Durante o dia passeia-se, à noite conversa-se no abrigo quentinho da sala, enquanto uma das meninas canta e a dona da casa preside ao serão. O chefe da família está ausente, passando uma temporada em uma das suas estâncias vizinhas à fronteira. Tem de dividir o seu tempo pelas suas terras e divide-o com todo o rigor, porque a sua atividade física para o trabalho só pôde ser igualada a sua capacidade intelectual. Com propriedades importantes em diferentes pontos do Estado, e dirigindo todas de modo superior, ele tem de repartir por elas a sua atenção, achando ainda modo de fazer, quando de passagem entre umas e outras, na cidade que lhe fique em caminho, conferências que elucidem e instruam o povo. Não cessa assim este homem de estudo e de gabinete, que por tantos anos foi um dos nossos mais brilhantes ministros no estrangeiro, e que é um dos nossos estadistas de mais larga visão, de lançar nos campos da lavoura e nos da inteligência a semente provida da boa cultura, com os exemplos das suas observações práticas e das suas idealizações. Diz-me alguém que o vê frequentemente em acidentais encontros de caminho de ferro, todo vestido de. linho azul que lhe faz sobressair o moreno da face e a alvura da cabeleira, com perneiras de couro amarelo até os joelhos e largo chapéu de feltro, que, sempre que o ouve em momentâneas palestras entre uma ou outra estação da linha, abre bem os ouvidos na certeza de colher nesses momentos de acaso, qualquer cousa de utilidade para o seu pensamento ou para o seu trabalho. Considera-o por isso um verdadeiro semeador de benefícios. 

Na granja das Pedras Altas, não se conhece a preguiça. Informada de que as duas filhas mais novas dos donos da casa fazem madrugada para tratarem, elas próprias, dos terneiros das suas vacas Jersey, saio do meu quarto mal vejo clarear o dia e vou esperá-las no jardim. Pouco depois ei-las que chegam, com a sua faquinha gaúcha á cinta e o redondo chapéu de feltro a sombrear-lhes os rostos juvenis. Acompanho-as na sua tarefa de boas lavradeiras, vendo-as mugir as vacas, desnatar o leite, preparar a nata para fabricação da manteiga, abrir o curral aos bezerros e levá-los para o pasto tangendo no ar uma varinha leve e assobiando de vez em quando ao gado experto, mas submisso. 

Quando escrevi o meu "Correio da Roça", e procurei nele insuflar na alma das minhas patrícias que vivem no campo esse amor pelas cousas e os seres que nele constituem toda a sua fortuna e todo o seu encanto, disse um crítico que as personagens femininas desse livro seriam interessantes, mas eram absolutamente inverossímeis, em vista dos nossos hábitos e da nossa educação. Em face deste exemplo vivo, que venho encontrar no Rio Grande, numa família muito mais ilustrada do que a que figura no meu livro, e de outras tradições literárias, sinto que não errei ao dar às minhas criaturas espirituais certa iniciativa e independência, como possíveis de florescerem entre nós. Ainda assim, quanto deveriam elas invejar a estas gentilíssimas gaúchas. E como a nossa terra precisa destas devoções! Sim, mais do que de nenhumas outras. 

Soltos, os terneiros no pasto damos algumas voltas pelas aléas do parque onde encontro, a passear lindos cavalos, peões de gorro escarlate e lenço da mesma cor ao pescoço. E' o distintivo dos empregados da casa, a nota rútila da manhã de névoa, tanto às vezes um ponto insignificante dá a quadros importantíssimos, valores curiosos. Tenho a impressão de que nesta granja modelo não há nada em que se não tenha pensado mesmo antes da sua fundação. As cousas têm a feição que a vontade que as executou quis que elas tivessem desde a primitiva. Não há aproveitamentos, há criações. Tudo foi determinado pela vontade de um homem de gosto. Deixo Pedras Altas com saudade”.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

CERVEJARIA EM PELOTAS (1852)

https://memoria.bn.br

 Este anúncio da Cerveja Nacional branca e preta da Fábrica de J. J. da Silva, insere Pelotas entre os pioneiros da cervejaria no Rio Grande do Sul.  

Há uma relação entre a cerveja na Província do Rio Grande do Sul com os imigrantes alemães. Porém, neste caso de Pelotas a fábrica é de um sobrenome luso-brasileiro. 

O anúncio foi publicado no jornal da cidade do Rio Grande O Rio-Grandense de 31 de agosto de 1852. 


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

CARTA DOS CAMINHOS DE FERRO

https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_cartografia/cart249865/cart249865.jpg

 Esta é uma Carta dos Caminhos de Ferro da Província do Rio Grande do Sul. 

A Carta não está datada, porém, hipoteticamente, considero que foi impressa entre o final de 1881 e o início de 1882. A hipótese foi construída pela informação contida na Carta de que a ligação entre Rio Grande e Bagé (280km) estava "concedida" para a Compagnie. O traçado significa que a obra ainda não havia começado mas já havia sido concedido o direito de construção pelo governo Imperial. A inauguração ocorreu em dezembro de 1884. Em apenas três anos o trabalho foi intenso frente aos limitados recursos da época. Pegando um exemplo diferenciado, mas que nos atinge duramente na metade sul, a duplicação da BR-116 entre Rio Grande e Porto Alegre teve início em 2012. E continuamos esperando a finalização... Imaginem, 140 anos depois do final daquelas obras, todos os recursos tecnológicos hoje disponíveis! Além da arrecadação trilionaria com o pagamento de impostos: são cerca de três trilhões de reais por ano. 

Mas sigamos um pouco mais na historicidade da explicação desta Carta.  

Em agosto de 1867 o Governo Imperial publicou um Decreto aprovando as condições para construção de uma estrada de ferro ligando a cidade do Rio Grande até Candiota. Os anos passaram e as obras não tiveram início. O engenheiro Higino Corrêa Durão deu início aos trabalhos, porém, foi a empresa organizada em Paris Compagnie Imperiale du Chamin du Fer du Rio Grande do Sul que recebeu a concessão Imperial em dezembro de 1881. A estrada ligaria Rio Grande a Bagé, dali, seguindo uma nova linha até Cacequi. 

Os projetos almejavam ligar Rio Grande até Uruguaiana, Santa Maria e Porto Alegre. As estradas eram inexistentes ou muito precárias para a passagem de carroças e diligências. Estradas de rodagem era um exercício de futurismo para depois da invenção dos automóveis. O trem era a total modernidade da interligação dos espaços distantes em que inexistia a possibilidade do transporte lacustre. A realidade das cidades e povoados daquela época era o isolamento geográfico. 

A seguir se observa o planejamento da estrada de ferro ligando Rio Grande a Cacequi. 

Neste recorte temos a obra realizada entre o final de 1881 até o final de 1884. A almejada ligação entre Rio Grande (Porto que permitia o escoamento da produção na esfera nacional e internacional), Pelotas (produção charqueadora) e Bagé (produção pecuária). Localidades vão nascendo e prosperando onde surgiam as estações, como é o caso da Estação da Quinta, da Estação Maria Gomes, da Estação Piratini (Pedro Osório e Cerrito). Além do acesso a Candiota e seu fornecimento de carvão utilizado pelas embarcações e indústrias. 


Um mapa, planta, carta geográfica etc, são pretextos para falarmos de História. Afinal, os suportes cartográficos são representações da espacialidade e contemplam a ação humana (com interesses políticos, econômicos, padrões tecnológicos etc). 

A Carta ferroviária é um espetacular objeto para ser investigado: a escolha das rotas, o surgimento de novos povoados, a relevância econômica para a realização das obras, os interesses do capital envolvido e suas perspectivação de reprodução, o impacto causado no meio rural e em populações tradicionais, as modificações ecológicas provocadas, a interligação entre culturas e economias, a geração de novos empregos e perspectivas de crescimento urbano, as preocupações com uma invasão estrangeira com a infraestrutura ferroviária etc. São tantas questões a serem analisadas possibilitando que uma representação cartográfica se converta em pesquisas que buscam esclarecer as historicidades.  

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

KIOSQUE ANJO DA FORTUNA (1896)

Acervo: https://memoria.bn.br

 

Na Praça Xavier Ferreira, nos tempos que se chamava Praça General Telles, havia alguns espaços comerciais chamados de Kiosque. 

O anúncio do jornal Cidade do Rio Grande de 16 de maio de 1896, traz informações sobre os produtos vendidos por um destes Kiosques: Anjo da Fortuna, especializado na área da tabacaria. 

O pé-de-página pode ter deixado uma pista dos proprietários: Caldonazzi & Batalha. 

Caldonazzi é o nome de um editor de cartões-postais que remete a cerca de 1904-1905. Se for o mesmo comerciante, ele entrou também no ramo dos cartões, produto que tinha muito a ver com o espaço de um kiosque. É uma informação/hipótese preliminar na reconstituição do quebra-cabeça dos editores de postais na cidade do Rio Grande. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

BROMBERG MÁQUINAS EM 1910

 

Acervo: Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro). 


A Secção de Máquinas da Bromberg & C. tinha em seus depósitos em Rio Grande e Pelotas "máquinas para a indústria e agricultura, máquinas a vapor, caldeiras, locomeveis fixas e portáteis e toda a classe de máquinas para beneficiar madeiras, máquinas para engenhos de arroz, cana de açúcar e para farinha de mandioca...".

Eram os únicos importadores das máquinas de costura New-Home, Soberba, Alegre, Original, Victoria e Original Saxonia. 

O anúncio publicado no Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul para 1910 descreve mais maquinários e suportes para diferentes atividades. A Era das Máquinas estava em franco crescimento e modificaria cada vez mais as relações de trabalho, a produtividade e as mudanças técnicas e demográficas no meio urbano e rural.  

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

A PESTE BUBÔNICA

http://memoria.bn.br
 

Um dos maiores receios da humanidade está ligado as pestes. 

Entre estas, a mais documentada na iconografia e documentação escrita, causadora da primeira grande devastação epidêmica na Europa (1348-1350) foi a peste bubônica. 

Na cidade do Rio Grande, a peste, quando bem documentada, chegou em 1900 vinda do Porto de Santos. 

A experiência adquirida no combate ao morbus fez com que alguns clínicos que atuavam na cidade escrevessem o livro "A Peste Bubônica no Rio Grande". Entre os médicos estão Augusto Duprat e Pio Angelo da Silva. A base do texto são palestras realizadas em Pelotas no ano de 1907. 

O anúncio do livro foi publicado no Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul para o ano de 1916. 

domingo, 4 de fevereiro de 2024

O TIRO DE GUERRA

 

Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul para 1917. http://memoria.bn.br

A Livraria Americana está anunciando a venda, em suas casas de Rio Grande e Pelotas, o livro O Tiro Brasileiro (em 1910 já havia edição) escrito por Antonio Carlos Lopes (1870-1931), o criador do Tiro de Guerra no Brasil. 

Lopes era natural e proprietário de farmácia na cidade do Rio Grande. Em reunião no Clube Caixeral em 7 de setembro de 1902 ele criou a Sociedade de Propaganda do Tiro Brasileiro. Em 1906, o Ministro da Guerra Hermes da Fonseca, regulamentou por lei a Confederação de Tiro Brasileira. 

Antonio Carlos Lopes se formou como Químico-Farmacêutico e estagiou em laboratórios da Suíça onde conheceu o sistema de defesa deste país em que cada cidadão recebia formação militar estando apto para a resistência armada em caso de invasão estrangeira. Desejava para o Brasil um sistema semelhante que desse qualificação e agilidade para garantir a resistência em caso de confronto bélico. 

O Tiro de Guerra em Rio Grande recebeu a denominação de  número 1 e centenas de Tiros foram criados em cidades brasileiras.  

sábado, 3 de fevereiro de 2024

CARLOS TESCHAUER

Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul para 1913. Acervo: Biblioteca Nacional.

 

O Almanaque está trazendo o anúncio de uma obra hoje rara da historiografia Rio-Grandense. Trata-se do livro do historiador jesuíta Carlos Teschauer analisando a vida do Padre Roque Gonzalez fundador da primeira redução e primeira experiência civilizatória europeia no Rio Grande do Sul. Foi a redução de São Nicolau em 1626. 

Há 15 de novembro de 1628, Roque Gonzalez e Afonso Rodrigues foram mortos por índios guaranis liderados pelo cacique Nheçu na Redução de Caaró. No dia 17 foi assassinado o jesuíta João de Castilho. São conhecidos como os missionários mártires e foram santificados em 1988. 

O livro de Carlos Teschauer (1851-1930) foi fundamental para a divulgação da história e da construção mítica dos mártires. 




sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

RUA 24 DE MAIO

https://www.albertolopesleiloeiro.com.br/

 Cartão-postal editado por R. Strauch/Livraria Rio-Grandense entre 1910-1911. 

Um trecho da Rua 24 de Maio evidencia a lentidão do movimento de pedestres que remete a uma dimensão bucólica frente ao stress urbano no presente. Um bonde puxado com tração animal vem se deslocando em direção ao centro. Não se observa postes ou fiação de energia elétrica, apenas poste de telefonia.  

Identificar o local retratado no cartão se tornou difícil devido ao desaparecimento dos prédios deste período, ou de suas fachadas, o que impede o reconhecimento pelo estilo arquitetônico. Trabalho com a hipótese da fotografia ter sido feita da esquina da Rua General Vitorino em direção a Rua Dr. Nascimento.   

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

ARTHUR MONTENEGRO

 

Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul para 1916. http://memoria.bn.br

J. Arthur Montenegro foi um pesquisador que levantou e organizou um dos maiores acervos sobre a história da Guerra do Paraguai. Felizmente, este precioso material historiográfico está preservado na Biblioteca Rio-Grandense. 

Neste anúncio de 1916, Montenegro é o responsável pela versão e notas da edição do livro "Guerra do Paraguay: monographias historicas".