Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

JOSÉ DE FRANCESCO E JOSÉ DA SILVA PAES

Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

 Este cartão distribuído em 1937 pela empresa dos Irmãos Moll Ltda é uma fotografia em preto e branco da pintura colorida a óleo do artista José de Francesco (Rio Grande, 1895 - Porto Alegre, 1967). O quadro é comemorativo ao bicentenário de fundação do Rio Grande comemorado em 1937. 

O cenário mostra o desembarque das tropas do Brigadeiro José da Silva Paes nos areais da margem sul da Barra do Rio Grande no dia 19 de fevereiro de 1737. 

O quadro faz parte do acervo da Biblioteca Rio-Grandense. 

domingo, 13 de agosto de 2023

CARTÃO DA SILVA PAES EM 1923

https://www.bvcolecionismo.lel.br/

 Avenida Silva Paes em cartão-postal da Livraria Americana com carimbo de Buenos Aires de 15 de fevereiro de 1923. 

Na época este logradouro tinha a denominação de Rua Uruguayana (nome dado de 1865 em homenagem a rendição paraguaia ao Brasil na cidade de Uruguaiana). Até 1865 era chamada de Rua dos Cômoros.   

sábado, 12 de agosto de 2023

PORTO VELHO EM 1910

Acervo: https://www.bvcolecionismo.lel.br/
 

Cartão-postal do editor Meira circulado em 1910. 

Cena da Rua Riachuelo e a movimentação de embarcações no Porto Velho e a presença de guindastes. 

Este era um dos pontos mais agitados do Porto devido a presença da Alfândega que realizava o controle aduaneiro das mercadorias de exportação e importação. 

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

LOBISOMEM DE BEDBURG (1589)

 

Xilogravura da execução de Peter Stubbe. Publicado por Lukas Mayer em 1589. 

O lobisomem da Idade Moderna mais conhecido e divulgado em folheto holandês traduzido para o inglês foi Peter Stubbe. Ele foi executado em Bedburg em outubro de 1589.

Peter fez um pacto com o diabo sem pedir prosperidade ou posses materiais. Segundo o folheto “apenas pediu que, a seu prazer, pudesse exercer sua malícia em homens, mulheres e crianças, na forma de alguma besta”. O que Satanás fez foi dar-lhe um cinto que quando usado o transformava em lobo para cumprir seus desejos psicóticos.

Os desafetos que foi colhendo na vida eram respondidos com o ataque mortal das mandíbulas do lobisomem e ele “nunca descansaria até que tivesse arrancado suas gargantas e as rasgado em pedaços”. Para além dos desafetos, a sede de sangue e violência o fez se voltar a qualquer vítima que circulasse pelos campos e bosques da região de Bedburg.

Stubbe não se restringia aos assassinatos mas também estuprava mulheres em forma humana e depois se transformava em lobo para matá-las e arrancar pedaços com os dentes e garras. Em alguns anos ele contabilizou a morte de 13 crianças e 2 mulheres grávidas “arrancando as crianças de seus ventres... e depois de comer seus corações ofegantes, que ele considerava deliciosos petiscos”. Também atacava e abatia o gado num aprofundamento da bestialização. Foi considerado culpado de praticar incesto com sua irmã e sua filha o que gerou um neto/filha desta última. Também matou seu próprio filho (não incestuoso), atraindo-o para os campos e assumindo a forma de lobo antes de comer os miolos de seu crânio.

Apesar de todos os crimes cometidos ele agiu durante 25 anos antes de ser pego.

Stubbe foi agarrado quando estava em forma de lobo sendo cercado por homens e cães. Neste momento ele retomou a forma humana e imediatamente foi reconhecido como o cidadão educado que não gerava desconfianças em seu vilamento.

Ele confessou os crimes na prisão em Bedburg. Após assumir a culpa passou por uma sessão de tortura dedicada a criminosos bestiais. Pinças em brasa arrancaram pedaços da carne de Stubbe na roda do suplício e seus membros foram quebrados. Após ele foi decapitado e seus restos mortais queimados em cinzas.

Sua fama ganhou notoriedade em sua época em especial por ter sido produzido material impresso sobre seus crimes. Num olhar atual ele é um serial killer canibal.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

CENÁRIO ASSUSTADOR

https://metsul.com/radar/


A rodada do modelo WRF de alta resolução da MetSul, "em sua saída das 12Z desta quinta-feira, outra vez trouxe o indicativo de rajadas de vento muito forte e em alguns pontos com potencial de danos e até destrutivo para as primeiras horas desta sexta. O modelo chega a indicar vento de 120 km/h a 140 km/h".

Fiz um print da imagem disponível no radar metsul das 23h30 desta quinta-feira e o "cenário é assustador" para amplas áreas do Rio Grande do Sul. 
Sabemos da intensidade do vento quando do ciclone que deixou as cidades de Rio Grande e Pelotas parcialmente às escuras por até mais de uma semana. Foi o meu caso. 

Nesta imagem, o "cenário inicial não é negativo" entre as latitudes de Pelotas, Rio Grande e em direção ao Chuí. Ainda assim, não se descarta ventos entre 50 a 60km. *Como continuo acompanhando o radar, na imagem da sexta-feira 1:30h ocorreu uma intensificação do mau tempo entre Rio Grande e Pelotas com a ocorrência de raios. 

Na manhã desta sexta-feira teremos informações sobre os danos causados por esta linha de instabilidade que cruzara com rapidez do oeste para o leste o território do Rio Grande do Sul provocando chuva forte, raios, granizo e com a possibilidade de ventos destrutivos. 
"Haverá tempestades fortes a localmente severas no estado nas primeiras horas do dia. Embora o alerta laranja oficial das autoridades, a MetSul entende que o risco é condizente com alerta vermelho (o mais alto da escala) em parte do território gaúcho".

https://metsul.com/wp-content/uploads/2023/08/alerta1008a.jpg

Será uma madrugada na torcida para que os danos materiais e humanos, além de problemas no abastecimento elétrico, sejam suportáveis para os resilientes gaúchos que tem enfrentado muito mal tempo neste inverno. 
 

BESTA DE GÉVAUDAN

Besta de Gévaudan (1765). Gravura extraída de Gervais-François Marolles. Biblioteca Nacional da França. 



Na província de Gévaudan (atual departamento de Lozère no Alto Loire) uma besta causou pânico e terror entre 30 de junho de 1764 e 19 de junho de 1767. Os ataques, que se estenderam por 80 quilômetros, tiveram destaque no Reino da França.

As vítimas foram muitas, girando entre 113 mortos e 49 feridos, num total de mais de 210 ataques. Quase cem pessoas teriam sido parcialmente devoradas por mordidas incisivas. O governo francês investiu muitos recursos na caçada ao animal envolvendo desde caçadores especializados, nobres e soldados.

Os relatos descreveram um animal com pele avermelhada e com um odor insuportável. O ataque inicial se voltava a rasgar a garganta e depois devorar outros órgãos. As descrições não se enquadram num lobo: tamanho de um bezerro, peito largo, pescoço robusto, focinho de galgo, boca negra e dois dentes laterais longos e afiados, lista branca da cabeça a cauda. Movia-se aos saltos.

Esta região do sul da França tinha frequentes relatos de ataques de lobos aos rebanhos. O primeiro ataque com morte ocorreu em 30 de junho de 1764 com uma jovem de 14 anos. Os ataques, especialmente a jovens e mulheres, encontradas decapitadas e es estripadas, se sucederam vertiginosamente.

A besta de Gévaudan (1764-67). A mãe Jeanne Jouve tenta salvar seu filho em 14-03-1765. Gravura de François Saint-Martin, Journal des Chasseurs, outubro de 1839. Biblioteca Nacional da França. 



O pedido de socorro dos camponeses chegou a corte do rei Luís XV que ofereceu seis mil libras para quem matasse a besta.

Um animal de grade porte foi abatido em 21 de setembro de 1765 e considerado a besta. Pesava 64 quilos e tinha 183 centímetros. Seria o lobo “Le Loup de Chazes”. O animal foi empalhado e enviado para Versalhes com premiação para o caçador Antoine de Beauterne. Porém, a 2 de dezembro os ataques são retomados com dezenas de novos casos frustrando as expectativas do fim do pavor.


Besta de Gévaudan exibido na corte de Luis XV em 20-09-1765. Gravura de M. François Antoine de Beauterne. Biblioteca Nacional da França. 


Uma segunda besta é encontrada e foi morta pelo caçador Jean Chastell. O animal pesava 58 quilos e foi morto com uma bala de prata que fora benzida por um padre. Iniciava o uso das balas de prata para matar lobisomens.

No estômago do animal estavam restos humanos. Na compreensão feita se considerou que a besta era um Loup-Garou, um lobisomem extremamente brutal é que estava matando e comendo as pessoas.

Criptozoologistas lançam a hipótese que o animal poderia ser um mesoniquídeo um mamífero carnívoro ungulado que deveriam estar extintos desde o Oligoceno (36 a 23 milhões de anos).

Outras hipóteses é que teve a participação humana de psicopata nos assassinatos. É um assunto ainda debatido na França.

Vasta iconografia foi produzida frente ao sensacionalismo que o tema ganhou em sua época e em releituras posteriores.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

FRANÇOIS BERTRAND (1849)

François Bertrand no cemitério. Imagem de Mémoires de M. Claude, Paris, 1880. 


Entre 1848 e 1849 os cemitérios de Paris foram assolados pela besta de Montparnasse quando centenas de mulheres tiveram seus corpos retirados dos túmulos ou tumbas e apareciam com marcas de violência sexual.

Em 16 de março de 1849 o necrófogo caiu numa cilada e foi baleado. O sargento do Exército Francês François Bertrand (1823-1878) confessou seus atos incontroláveis pois o desejo de tocar os corpos mortos o fazia desenterrar vários cadáveres por noite. Cortava o corpo e retirava as entranhas. Seria uma monomania erótica que deu origem a palavra necrofilia. Muitas vezes a imprensa o chamou de vampiro, mas traços de lobisomem também estão presentes. Apesar de não haver transformação física.

Considerado doente mental foi libertado e morreu muitos anos depois.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

LOBO DE ANSBACH (1685)

Lobo de Ansbach em gravura alemã de 1685. 

 

Na Bavária, em Ansbach, ocorreu um dos episódios mais marcantes na trajetória dos relatos de licantropia.

Dos contos de homens que afirmavam ser capazes de se transformar em lobos, chegamos ao que parece, em retrospectiva, ter sido um lobo de verdade. Este lobo começou a atacar um grande número de gado que pastava nos campos o que chamou a atenção dos pastores. A seguir lançou suas investidas as crianças e as mulheres. Número desconhecido de pessoas foram atacadas gerando um pânico entre os moradores ou visitantes desta região. Um tema diferenciado que lembra vampirismo veio a tona: o burgomestre, famoso por ser cruel e impiedoso em sua administração, falecera a pouco tempo e foi associado os atos do lobo com o seu suposto retorno da sepultura na condição de lobisomem. Temos um caso em que um burgomestre falecido acaba sendo associado aos cruéis ataques de um licantropo.

Multidões com o apoio de muitos cães de caça passaram a percorrer os campos e bosques numa busca frenética pelo lobisomem. Encurralado por cães o lobo caiu num poço onde ficou preso. Foi morto a pancadas e armas de metal, porém, não retornou a forma humana do suposto burgomestre e permaneceu com a aparência de um lobisomem.

O cadáver do lobo foi levado triunfalmente pela multidão que desfilou pela região para mostrar a vitória sobre o predador que atemorizou a todos. O focinho do animal foi cortado, foi colocado roupas, peruca e barba para que parecesse o odiado burgomestre.

Finalizando a teatralidade incorporada coletivamente o lobo ficou pendurado na forca para servir de exemplos aos malfeitores, um tratamento que era comum para os assassinos humanos. Este é um caso no mínimo bizarro ocorrido no ano de 1685.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

ROMASANTA

 

Romasanta, o homem-lobo. La Ilustracion, Madrid, 26-06-1854.
Acervo: Biblioteca Nacional de Espanha. 


Manuel Blanco Romasanta (1809-1863) foi um serial killer que atuou na Espanha, sendo denominado de o Lobisomem de Allariz. Ele foi batizado com o nome de Manuela e crismado como Manuel, num possível caso de hermafroditismo. Romasanta trabalhou como alfaiate até a morte de sua esposa em 1833. Passou a viver como caixeiro-viajante entre a Galiza e Portugal servindo como guia aos viajantes que cruzavam as montanhas entre Portugal e a Espanha. Seu primeiro assassinato registrado nos documentos ocorreu em 1843: um criado dum prior de Castela e do aguazil de Leão, Vicente Fernandes. Apesar de condenado a 10 anos de prisão, fugiu das autoridades, indo viver na Galiza como cozinheiro e tecelão. Era visto com simpatia por ser afável, frágil (tinha menos de 1,4m), e educado. Conquistou a confiança das mulheres da aldeia e era considerado afeminado pelos homens.

Ele continuou a servir de guia na travessia da montanha e passou a matar mulheres e crianças que ele guiava forjando cartas das vítimas endereçadas a seus familiares. Era como se eles tivessem chegado em segurança ao destino, mas estavam mortos nas montanhas. Finalmente, as suspeitas trouxeram uma acusação formal em 1852. A prisão ocorreu em Toledo.

Ao longo dos seus depoimentos durante o julgamento ele assumiu o assassinato de 13 pessoas (comendo parte dos corpos) e afirmou que não era ele o autor e sim o lobisomem em que se transformava como sendo um malefício (um fado). O licantropo teria sido despertado após o encontro com duas criaturas nas montanhas. Junta médica examinou Romasanta com técnicas de frenologia (caráter definido a partir das medidas do crânio), e ele foi declarado mentiroso em sua história do lobisomem. Foi condenado por 9 assassinatos, execução no garrote vil, mas a pena passou a prisão perpétua. Porém, um hipnólogo francês defendeu a sua libertação o acabou ocorrendo. Acabou morrendo em liberdade em Ceuta, de um cancro no estômago, em 1863.

O filme espanhol Romasanta (2004) fez uma leitura romanceada do caso de licantropia sendo uma versão diferenciada e humanizada da sedução e atuação de um lobisomem.

domingo, 6 de agosto de 2023

LOBOS EM PARIS

Muralhas de Paris em 1450. Havia muitos buracos na parte inferior das muralhas por onde os lobos entravam. 


Paris, 1450!

A Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra havia trazido extrema pobreza à população francesa. A produção agrícola ficou comprometida e a fome se tornou crônica. As florestas foram exauridas com a tentativa de ampliar as áreas agrícolas e animais fugiram desequilibrando o ecossistema. Alcateias de lobos famintos começaram a atacar os vilarejos e inclusive a cidade de Paris. Os muros que protegiam a cidade dos exércitos invasores estavam com muitos buracos e os lobos famintos começaram a invadir as muralhas e devorar moradores: mais de quarenta parisienses foram mortos.

Nas ruas reinava o pânico e o extremo frio do inverno. Os ataques também deviam alimentar o imaginário de que seriam lobos ou lobisomens que estavam agindo. As maiores vítimas eram mulheres, crianças e pessoas com pouca capacidade de reação. Um lobo chamado Courtaud supostamente liderava os ataques organizados.

A população conseguiu contra-atacar e conduzir dezenas de lobos até a frente da Catedral de Notre-Dame. Neste local os lobos foram cercados e chacinados.

sábado, 5 de agosto de 2023

CHAFARIZ DA TAMANDARÉ E A LIVRARIA AMERICANA

Acervo: https://www.bvcolecionismo.lel.br/


 Já havia mostrado este cartão-postal numa postagem anterior. Porém, aquele cartão era colorido e este é preto e branco. A seleção de cor deveria tornar mais caro o cartão e fizeram duas opções para aquisição. Os dois cartões levavam o mesmo número que é a edição 18 da Livraria Americana. 

Este cenário da Praça Tamandaré é um ângulo pouco retratado. 

Em primeiro plano está o chafariz francês dos anjinhos colocado no Lago por volta de 1903. Desde 1876 ocupava a centralidade da praça e foi retirado para colocação do monumento a Bento Gonçalves da Silva. 

Da direita para à esquerda estão os prédios do Hospital Beneficência, a Igreja do Salvador e o Palácio da família Poock. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

LAGO DOS CISNES

 

Acervo: https://www.bvcolecionismo.lel.br/

Os cartões-postais fotográficos buscaram explorar um aspecto diferenciado de uma praça pública: um lago em que habitavam vários cisnes-de-pescoço-preto (Cygnus melanocoryphus). 

Este é o único cisne sul-americano e pode viver até 25 anos. Sua maior presença geográfica é no litoral do Rio Grande do Sul. 

Esta é uma das aves características da região do Taim, num período anterior a ser criada a reserva ecológica em 1986). O cartão deve ter circulado por volta de 1940. 


quinta-feira, 3 de agosto de 2023

PRÉDIO DOS CORREIOS E TELÉGRAFOS

Acervo: https://www.bvcolecionismo.lel.br/

 Mais um registro fotográfico do prédio dos Correios e Telégrafos em seus primórdios. Foi inaugurado em 1950 na Praça Dr. Pio e o cartão-postal fotográfico deve ser de poucos anos após.

 O espaço da Praça Dr. Pio sofreu ampla modificação estética para comportar o avantajado prédio em estilo art-deco. Seria o início para o sufocamento espacial da Catedral de São Pedro. 

No presente se constitui em ruínas edificadas no centro nevrálgico da cidade. O debate interminável sobre o seu destino acompanha a decadência desta e de outras estruturas patrimoniais tradicionais da cidade. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

PRÉDIO DO JUVENAL MILLER

Acervo: https://www.bvcolecionismo.lel.br/
 

Flagrante do então "Grupo Escolar Juvenal Miller" numa fotografia realizada do interior da Praça Sete de Setembro em direção a Avenida Silva Paes. 

O cartão-postal em sépia foi editado por uma empresa fotográfica de Rio Grande que era a Casa Foto. Lançaram várias imagens da cidade entre 1950-1953. Portanto, observamos o Juvenal Miller nos primórdios dos anos 1950. 

terça-feira, 1 de agosto de 2023

MONUMENTO AO OBREIRO DESCONHECIDO

Acervo: https://www.bvcolecionismo.lel.br/

 No antigo cemitério do Bom Fim que recua a década de 1840 e foi abandonado em 1855, se edificou em 1937 um monumento em homenagem ao obreiro desconhecido. 

Era o ano dos festejos dos 200 anos de fundação da cidade do Rio Grande e se buscou marcar a memória dos milhares de trabalhadores civis e militares que tiveram sua trajetória de vida ligada a história local e nesta cidade encontraram o seu passamento. 

A maioria destas pessoas não deixou registros sociais ou documentais detalhados de sua passagem pela urbe. Numa cidade industrial de destaque regional/nacional milhares de operários brasileiros e imigrantes estrangeiros aqui realizaram suas historicidades.   

Há vários anos fiz um discurso neste local e era um evento no período de finados. Fiquei embaixo da cúpula e próximo a cruz. Sabia que neste local mais de 5 mil pessoas foram enterradas e inúmeras devido a epidemia de cólera. Escrevi um livro sobre a epidemia o que tornou o momento ainda mais vívido de imagens construídas do tempo pretérito. Foi um sensação diferenciada, através das palavras, buscar uma conexão com o passado repleto de vida e reconhecer, num momento de vibração, o papel de tantos obreiros e do esquecimento que pairou sobre tantas trajetórias ao longo dos séculos. 

De forma ampla o monumento é como uma conexão com inúmeras memórias.  Considero um espaço especial na cidade. Mesmo ele também ter se tornado um "obreiro desconhecido". Mas de fato o monumento pode ser um portal para as memórias.