Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 5 de setembro de 2020

PONTE DO SÃO GONÇALO

A construção da ponte sobre o Canal São Gonçalo foi uma luta que se intensificou nos anos 1950. 

Barcas faziam a travessia dos veículos, porém, o tráfego foi se intensificando, o que exigiu uma travessia a seco. A "Ponte Alberto Pasqualini" foi inaugurada em 1963.  Em 1974 ela foi interditada por motivos estruturais e a atual ponte foi inaugurada em 1976. 

Jornal Rio Grande, 24 de janeiro de 1956. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

WILLIAM CAPERTON EM RIO GRANDE

Uma frota naval norte-americana estava visitando o Porto do Rio Grande em 1919. Conforme o jornal Rio Grande de 29 de janeiro de 1919, a colônia americana em Rio Grande organizou um baile no Clube do Comércio (no dia 28). Um trem reservado aos oficiais seguiu na noite do dia 29 para a Vila Siqueira (Cassino) onde seria realizado um baile no Hotel Cassino. 

O Almirante William Banks Caperton (1855-1941) atuava neste período como Comandante da Frota do Pacífico e estabeleceu muitos contatos no Brasil. Com a entrada dos Estados Unidos na Guerra contra a Alemanha em 1917, Caperton comandava o patrulhamento naval no Atlântico frente ao ataque de submarinos. O navio capitânia Pittsburgh e outras embarcações ficaram fora da Barra. Ingressaram, devido ao calado de 8 a 10 metros no canal de acesso ao Porto Novo, apenas os cruzadores Denver e Cleveland.  

Ele se aposentou na Marinha Americana após 46 anos de serviços prestados.    


Jornal Rio-Grande, 29 de janeiro de 1919. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 


Almirante William Caperton em 1914. Acervo: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/04/ADM_William_B._Caperton%2C_1914.jpg

COMPANHIA "PREVIDÊNCIA DO SUL"


Revista Tudo, 15 de setembro de 1919. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

      A revista Tudo (magazine-mensal-ilustrado) foi publicada em Rio Grande a partir do ano de 1919 e era um periódico de variedades. Dedicava parte do seu espaço a propagandas de empresas que atuavam em Rio Grande como é o caso da Companhia "Previdência do Sul" de Porto Alegre que tinha um agente estabelecido em Rio Grande.  

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

NOVIDADE - A ILHA DOS MARINHEIROS NA CARTOGRAFIA

 


Acaba de ser publicado o livro "A Ilha dos Marinheiros na Cartografia". 

Neste livro realizei um levantamento de plantas, mapas etc, e fiquei surpreso com a riqueza de produtos cartográficos que retratam a Ilha e que recua ao ano de 1737. 

Este é o volume 26 da Coleção Documentos (CLEPUL de Lisboa e Biblioteca Rio-Grandense). 

O livro pode ser acessado para leitura na página das Edições Biblioteca Rio-Grandense, no link abaixo:

https://issuu.com/bibliotecariograndense/docs/cole__o_documentos_26

*É só copiar e colar no google este endereço. O livro não está disponível para download. 

RUAS E VESTIDOS

Os trajes femininos da Belle Époque não eram nada fácil de se usar nas ruas! 

As longas caudas transportavam parte dos dejetos espalhados pelas ruas sujas e o piso irregular quebrava o salto dos sapatos. 

O chargista se diverte e "desacredita" na possibilidade de que a melhoria dos calçamentos e uma rigorosa limpeza pública fosse efetivada em Rio Grande permitindo que os vestidos parisienses circulassem pelas ruas.  

Imaginem tudo o que vinha para dentro de casa agarrado no tecido...


Bisturi, agosto de 1892. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense.

ALUCINAÇÃO, BELCHIOR E POE

Capa do Disco Alucinação (1976).

Belchior foi um grande poeta! Sua musicalidade estava repleta destas passagens poéticas. Em certa música do disco Alucinação (1976) ele flertou com Edgar Allan Poe e produziu estes preciosos versos:  


Como Poe, poeta louco americano, 

Eu pergunto ao passarinho: Black Bird, Assum-preto, o que se faz?

Raven never raven never raven, 

Black Bird me responde: tudo já ficou atrás. 

Raven never raven never raven, 

Assum-preto me responde: O passado nunca mais. 

Você não sente, não vê,

Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, 

Que uma nova mudança, em breve, vai acontecer.

O que, há algum tempo, era jovem, novo, 

Hoje, é antigo 

E precisamos, todos, rejuvenescer. 

Belchior, Velha Roupa Colorida

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

PANCADARIA NO BECO DO CARMO

 A imprensa caricata é uma caixinha de surpresas. 

Esta charge é preciosa demais... 

Considero muito interessante a ideia de que a Rua Benjamin Constant na esquina com a Rua Marechal Floriano não passava do "Beco do Carmo". O espaço só permitia a passagem de uma carroça de cada vez. 

E eis que o jornal Bisturi mostrou que até este problema de "trânsito grave" para o ano de 1892 era um fator de confronto e pancadaria. Quem primeiro entrava e quem tinha de "engatar marcha a ré" nos cavalos ou burros? Pelo jeito o Manoel e o Joaquim não se entenderam e resolveram no braço a disputa. 

Ao leitor desavisado: ocupando grande parte da rua na esquina do atual Banco do Brasil até a esquina da Rua General Bacelar, havia este Beco devido a presença da antiga Igreja do Carmo e nos fundos desta o Cemitério do Carmo. Havia uma disputa para entrar primeiro no beco e exigir que o bípede que dirigia o quadrúpede retornasse. Parece patético mas é real!  

Esta situação perdurou até o final dos anos 1920 e ficou ainda pior. Fico imaginando, na era dos automóveis, uma briga entre dois "Ford bigode" pela prioridade de acesso. Ou um Chevrolet Ramona contra um bigode. Nossa...   


Bisturi, 31 de julho de 1892. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

FÁBRICA RHEINGANTZ EM 1885

O jornal Echo do Sul do dia 7 de março de 1885 traz informações sobre o funcionamento da primeira fábrica têxtil do Brasil: a Rheingantz. 

Constata-se que ela continuava funcionando no local original (inaugurado em 1874), nas proximidades da cadeia municipal que ficava na atual praça do monumento a Marcílio Dias. O novo complexo têxtil estava quase pronto e então haveria a mudança (em 1885) para a Avenida Rheingantz. 

Vejamos a matéria:

" Fábrica de Tecidos:Antes porem de tratarmos do novo edifício, trataremos da fábrica situada nas proximidades da cadeia e há anos funcionando ativa e regularmente. A Fábrica Nacional de Tecidos de Lã é atualmente propriedade da Sociedade Comanditaria Rheingantz e C., do capital de 600:000$000, todo subscrito, e da qual é sócio gerente o laborioso rio-grandense o Sr. Comendador Carlos Guilherme Rheingantz. Queremos dizer que tendo sido a primeira que se estabeleceu no Império, a sua fundação significa da indústria de lanifícios no Brasil. Alem da sua importância como estabelecimento industrial, na especialidade a que se dedica, tem a de animar a de criação de ovelhas, indústria que está destinada a um grande futuro, se, a exemplo do Rio da Prata, os nossos proprietários rurais quiserem romper com a rotina e melhor curar dos seus interesses, juntando à criação do gado vacum a de ovelhas. Na exposição Brasileira-Alemã em Porto Alegre recebeu oito medalhas. A fábrica encarrega de torcer as franjas dos xales. Pode-se então calcular o seu pessoal em 200 operários, todos nacionais, à exceção apenas de cinco contra-mestres. Trabalha-se diariamente 10 horas, e, quando é necessário, mais algumas, porém, com correspondente aumento de salário" Echo do Sul, 07 de março de 1885.

Complexo da Rheingantz no local atual. Está sendo construído o prédio da administração que foi inaugurado em 1912. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

PAULINHA E O FRIO


 Com esse friozinho só dormindo com uma manta... 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

A LAGOA DAS NOIVAS EVAPOROU

 

Fotografias: Luiz Henrique Torres (2006).

Esta é a Lagoa das Noivas na Ilha dos Marinheiros!


O que não falta é água. Abundante e límpida. 
No ano de 2006, fiz algumas fotografias que mostraram algo muito diferente e se não visse, teria dificuldade em acreditar. A Lagoa estava seca!
 

A grande estiagem de 2005-2006 deixou muitos prejuízos para o Rio Grande do Sul e fez a água da Lagoa das Noivas evaporar. 
Neste local viviam várias espécies de peixes, de moluscos etc. Os peixes que os moradores não recolheram quando a água baixou e começou a faltar oxigênio, foi devorado pelos predadores e pelos gaviões. 
Presenciei gaviões vasculhando em busca de algum caramujo que tenha sobrevivido enterrado no resto de lodo.Também vi esqueletos de peixes. 
Em 2004 estive com meu pai numa atividade recreativa de pescaria na Lagoa. Foi sua última pescaria pois faleceu no ano seguinte. A memória que ficou foi muito boa pela parceria e pelas traíras e jundiás de tamanho considerável que esticavam as linhas durante a noite. Como ele sofreu um AVC, com apenas uma mão ele recolhia a linha num exercício de esforço e busca de superação. Um velho pescador não se entrega sem muita luta...  
A Ilha dos Marinheiros e a Lagoa das Noivas são muito especiais. 

  

Estou dentro da Lagoa e vendo ao fundo a margem num ponto em que a profundidade era de cerca de 1 metro e 70 centímetros. Como sei disto? Já caminhei neste trecho com água na altura da boca. 


O Chão ressecado começou a receber uma camada de vegetação. A vegetação aquática que morreu está sendo substituída por vegetação terrestre num solo com boa adubação. A natureza vai buscando outros caminhos para aflorar. Quando a chuva retornar de forma abundante o ciclo será o de recompor a paisagem natural da lagoa interna da Ilha. 

Outra área com maior umidade em que a vegetação está aflorando com vigor. 




Observei centenas de conchas de moluscos pelo solo. Os gaviões caramujeiros tiveram ceias fartas. 




Com o retorno das chuvas, nos meses e anos seguintes, a Lagoa das Noivas foi se reconstruindo. 

As águas foram o milagre para retornar o povoamento por plantas aquáticas, plâncton, peixes, moluscos, cobras d'água etc. Quem sabe até algum mamífero como o ratão do banhado ou uma lontra viesse povoar o local? 

Observamos a fragilidade e a dependência dos seres vivos a necessidade de água. Sua ausência pode trazer a aridez e a extinção. Sua presença possibilita a diversidade de espécies e a opulência das formas vivas para se perpetuarem. 

E este equilíbrio propiciador da vida depende em última instância do clima. E dos seres humanos...   

ESCÂNDALOS NO CASSINO

No dia 1 de março de 1914, o jornal caricato Bisturi faz duas referências ao Balneário Cassino. 

Na primeira, dois senhores conversam no banco de uma praça sobre os "escândalos no Casino" envolvendo uma  "gente desabusada". 

A conversa dos anciãos difere consideravelmente da segunda charge onde uma mulher está em trajes de banho e um homem bem vestido e olhar predador observa a banhista. A legenda já diz tudo: "O que estará ele observando? Será ciúmes da onda?...".



Bisturi, 1 de março de 1914. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

O LOBO MARINHO

Fotografias do Autor (2008). 

 Este garotão estava na beira da praia do Cassino no mês de  abril de 2008. O local era em direção ao navio Altair.

Ele ficou um longo tempo na praia como se quisesse recuperar o fôlego e parecia exausto. 

Aos poucos me aproximei na maior discrição e silêncio possível e ele espiou e me ignorou. Fiz estas fotografias e tentei me solidarizar com o lobo marinho que não parecia estar bem. Lembrei da balada de Toy Story "amigo estou aqui". Me lentamente afastei e liguei para o órgão responsável, mas, não consegui contato. Gostaria que avaliassem se precisava de cuidados e tratamento. 



Sabia que os minutos estavam contados até ocorrer um incidente com algum passante. E foi para já: escutei uns urros de "olha ali na praia..." e -chegou atropelando-, uma poderosa camionete cabine dupla com placa de uma cidade distante e quatro tripulantes saltaram com máquinas fotográficas/celulares em punho. 

Fizeram um verdadeiro arrastão tentando barrar o acesso do lobo marinho para a água. Este, assustado, investia em direção ao oceano e voltava com medo dos bípedes que davam berros tentando afugentá-lo para terra. Se pudessem, o jogavam no porta-mala e levavam como troféu da visita ao Cassino. 

Felizmente, o lobo marinho desviou e investiu numa corrida firme e não desistiu de buscar as águas para escapar da malta de ignorantes. 

Em Rio Grande temos o Centro de Recuperação de Animais Marinhos (CRAM/FURG) anexo ao Museu Oceanográfico. Prestam um tratamento competente que merece todo elogio e apoio. 

O que ainda não tem tratamento é a boçalidade, este vírus que está entranhado em alguns integrantes da espécie humana.  

terça-feira, 1 de setembro de 2020

SEMANA FARROUPILHA

 Este ano as comemorações do 20 de setembro serão bastante discretas e on-line. 

A pandemia modificou as festividades coletivas dos dois maiores eventos de setembro: a Independência do Brasil e a Semana Farroupilha.  

Em Rio Grande, desde a inauguração do monumento-túmulo de Bento Gonçalves da Silva em 20 de setembro de 1909, as comemorações passaram a ser uma agenda obrigatória e com grande participação popular. 

Em ano de pandemia, até o tradicional precisa ser repensado e ritualizado de outras formas. 

Monumento-túmulo a Bento Gonçalves da Silva. Fotografia: Luiz Henrique Torres (2016). 

Monumento-túmulo a Bento Gonçalves da Silva. Fotografia: Luiz Henrique Torres (2016).



Monumento-túmulo a Bento Gonçalves da Silva. Fotografia: Luiz Henrique Torres (2016).

FOTÓGRAFO VIRGÍLIO CALEGARI

O italiano Virgílio Calegari (1868-1937) foi um dos mais destacados fotógrafos do Rio Grande do Sul. 

Atuou em Porto Alegre com ateliê fotográfico a partir de 1893 e recolheu impostos de sua empresa até 1932.

 A documentação visual por ele produzida é uma das mais relevantes para a compreensão das noções de progresso, modernidade e crescimento urbano que marcaram a República Velha gaúcha. 

Neste anúncio de 1906, Calegari está pousando para divulgar o seu "Atelier Photographico". 

Guia Bemporat, 1906. 

MISCELÂNEA E OS POSTAES

 O jornal Bisturi de 23 de dezembro de 1906 publicou uma arte/anúncio em homenagem a loja "Miscelânea Rio-Grandense" localizada na Rua Marechal Floriano n. 58. 

O produto principal desta loja eram os postais (não podiam circular nos Correios) e os cartões-postais (coleção e circulação nos Correios) que estavam em ótimo momento de colecionismo nesta primeira década do século XX. 

Tanto que a loja se intitulava "a rainha dos postaes". O anúncio afirma que estavam disponíveis "80.000 postais" para venda. Havia um mercado internacional para este produto e as coleções vinham de vários países do mundo, tendo acesso fácil a aquisição em navios chegados ao Porto do Rio Grande.

 Uma visita a esta loja, numa viagem no Túnel do Tempo até 1906, permitiria formar uma coleção de grande valor em 2020. Que preciosidades não estavam disponíveis na Miscelânea Rio-Grandense?  

~

Entre as preciosidades poderíamos encontrar a série de cartões editadas em Pelotas por Simões Lopes Netto. Uma coleção muito valorizada no presente. 
O problema é que a viagem não seria tão rápida. Verificar oitenta mil cartões... 

Coleção Brasiliana, n. 22, Simões Lopes Netto, 1906.