Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

quinta-feira, 6 de maio de 2021

MONUMENTO AO CONDE DE PORTO ALEGRE

Cartão-postal da Livraria Selbach com o monumento ao Conde de Porto Alegre.
 Acervo: Luiz Henrique Torres. 

 Este cartão-postal é datado de 30 de dezembro de 1923 e foi editado pela Livraria Selbach de Porto Alegre (edição n. 50). 

A imagem mostra o monumento em homenagem a Manuel Marques de Souza III, o Conde de Porto Alegre. Nascido em Rio Grande em 1804 e falecido no Rio de Janeiro em 1875, o Conde de Porto Alegre foi apelidado de "o Centauro de Luvas" por sua atuação como militar, político do Partido Liberal, abolicionista, defensor da monarquia brasileira, patrono da literatura e ciência. Participou de ações militares entre a Revolução Farroupilha e a Guerra do Paraguai. 

 

O primeiro monumento público da cidade de Porto Alegre foi a estátua de um destacado personagem que nasceu na então Vila do Rio Grande. A estátua (autoria de Aurélio Pittanti e Carlos Fossati) foi originalmente instalada na Praça da Matriz e inaugurada em 1 de fevereiro de 1885. Em sua inauguração se fez presente a Princesa Isabel. Em 1912 o monumento foi transferido para a atual Praça Conde de Porto Alegre. 

Localização original do monumento na Praça da Matriz em Porto Alegre. Fotografia de autor desconhecido datada de 1902. https://pt.wikipedia.org

INSPIRAÇÃO ESTÉTICA

                                                                                  

Fotografias: Luiz Henrique Torres. 

 Nuvens agregando-se para encobrir o sol. 

Riscos rápidos para desenhar a paisagem. 

O que a evaporação da água pode contribuir na fisionomia da natureza...     

                                            



quarta-feira, 5 de maio de 2021

O ENIGMA DA PONTE

Ponte no Rio Pardo. Álbum do cinquentenário da Bromberg, 1913. Acervo: Autor. 

Bom divertimento é tentar desvendar um enigma do passado! Hoje observei esta fotografia e fiquei curioso em saber em qual cidade uma ponte tão "moderna" havia sido construída. 

 Esta ponte sobre o Rio Pardo foi construída pela empresa Bromberg sucursal de Porto Alegre. 

Investiguei a imagem de 1913 buscando algum indício de, em que cidade banhada pelo Rio Pardo, poderia estar esta ponte.

Encontrei algumas pistas em imagens da internet. As melhores fotografias estavam numa reportagem do jornal Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) do dia 13 de março de 2020. O tema era a limpeza feita pela prefeitura de Rio Pardo para retirada de galhos e troncos dos pilares de uma ponte. O baixo nível do Rio Pardo permitiu a observação privilegiada de suas estruturas.

 

Acervo: http://www.gaz.com.br/conteudos/regional/2020/03/13/163020-prefeitura_aproveita_nivel_baixo_e_faz_limpeza_sob_ponte_do_rio_pardo.html.php

http://www.gaz.com.br/conteudos/regional/2020/03/13/163020-prefeitura_aproveita_nivel_baixo_e_faz_limpeza_sob_ponte_do_rio_pardo.html.php

http://www.gaz.com.br/conteudos/regional/2020/03/13/163020-prefeitura_aproveita_nivel_baixo_e_faz_limpeza_sob_ponte_do_rio_pardo.html.php

http://www.gaz.com.br/conteudos/regional/2020/03/13/163020-prefeitura_aproveita_nivel_baixo_e_faz_limpeza_sob_ponte_do_rio_pardo.html.php

O que me chamou a atenção foi o formato dos pilares da ponte de 1913. Se observarmos a atual, os pilares são muitos semelhantes. A cobertura de adobo dos pilares está comprometida o que torna a imagem ainda mais interessante. Na fotografia original a impressão é de um bloco monolítico. O pilar é formado por rochas de diferentes tamanhos e que resistiram a 108 anos de correnteza. Rios como o Rio Pardo, em períodos de intensa precipitação, sobem vários metros e se tornam muito correntosos. A altura que foi construída já evidencia a preocupação com inundações das margens. 

Dada a importância da localidade nos primórdios do século XX, trabalhei com a hipótese de ser Rio Pardo que era um centro estratégico para o deslocamento para outras áreas do centro do Rio Grande do Sul e o deslocamento fluvial até Porto Alegre. 

Conta a oralidade que esta ponte foi inicialmente construída em 1813. Portanto, 100 anos depois, recebeu este excelente trabalho de engenharia realizado pela Bromberg. Esta empresa tinha filial na cidade do Rio Grande desde a década de 1880.  

Portanto: minha hipótese é que a ponte se localizada na cidade de Rio Pardo. 

terça-feira, 4 de maio de 2021

CONDE DE PORTO ALEGRE

As três imagens foram obtidas em fevereiro de 1937 e mostram a casa que abrigou três gerações dos Conde de Porto Alegre. O último deles foi um destacado militar e também parlamentar que se destacou no cenário político do Rio Grande do Sul no século 19. 

A casa ficava na Rua General Bacelar no local onde atualmente fica o Edifício Galeria Conde. 

Alguns detalhes da fachada da casa e das esculturas evidencia a opulência desta família. A placa em mármore mostrada na segunda imagem é uma homenagem da Câmara Municipal quando do falecimento do Conde de Porto Alegre. 




O TAIM NA FILATELIA

Acervo: Luiz Henrique Torres. 







A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou em 1995 um envelope e selos da série América 95 contemplando a Reserva Ecológica do Taim. 

O carimbo de primeiro dia de circulação retratou uma ave em voo. 

O enfoque do selo ficou com o cisne de pescoço negro nadando nas águas da Estação Ecológica do Taim. 

Para lembrar: a Estação foi criada em 21 de julho de 1986 e abriga cerca de 30 mamíferos e 250 aves. 

Em tempo: o duvidoso cogumelo laranja poderia ser substituído por uma capivara!

segunda-feira, 3 de maio de 2021

CONGRESSO PAN-AMERICANO

Carta-bilhete do Brasil, 1906. Acervo: Luiz Henrique Torres. 

 

Esta carta-bilhete dos Estados Unidos do Brasil foi editada em 1906 em comemoração a realização do III Congresso Pan-Americano no Rio de Janeiro. 

O Congresso ou Conferência Pan-Americana tiveram início em 1889 nos Estados Unidos e o segundo encontro ocorreu no México em 1901. O objetivo era reunir delegados, ministros e presidentes nacionais para discutir os princípios de identidade e defesa do pan-americanismo.  

A imagem mostra um trecho do orgulho urbano do Rio de Janeiro naquele período que era a ampliação e revitalização da Avenida Central. 

domingo, 2 de maio de 2021

BRASIL-EUROPA NO ZEPPELIN

 

Acervo: Luiz Henrique Torres. 


Este carimbo postal é parte de um envelope que circulou por avião da Condor e depois pelo dirigível Zeppelin em agosto de 1933. O dirigível alemão cruzava o Oceano Atlântico interligando o Brasil com a Europa. O carimbo reproduz um avião da Condor e o Zeppelin. Um selo do Syndicato Condor no valor de 2.000 réis (emitido em 1933) é a taxa paga pela correspondência.  

Como em cerca de apenas três dias o Oceano era atravessado pelo dirigível, a agilização na circulação de correspondências sofreu uma revolução frente ao envio por navios que levavam entre 15 e 21 dias para a travessia.  

O CÓRREGO E O OCEANO

 

Praia do Cassino. Acervo: Luiz Henrique Torres. 

No Litoral Sul do Rio Grande do Sul um córrego cristalino deságua no Oceano Atlântico. 

sábado, 1 de maio de 2021

FREDERICO ALBUQUERQUE

Acervo: Luiz Henrique Torres. 


 Adquiri este envelope da década de 1890 num cartofilista europeu! 

Inicialmente, frente a tantos cartões/envelopes a serem observados em sua página no ebay, senti uma familiaridade no nome F. Albuquerque. 

Cerca de um ano antes tinha feito um livro sobre a "Ilha dos Marinheiros" e o nome Frederico Guilherme de Albuquerque foi muito citado. Mas seria o mesmo personagem? 

Sim! Frederico Albuquerque morou na Ilha dos Marinheiros (na Marambaia, na década de 1860) e desenvolveu muitas atividades de plantio e experiências botânicas. Em especial, destaco suas experiências com cepas de uvas para produção de vinhos. Seus conhecimentos o levaram a ocupar um cargo público no Rio de Janeiro e na sequência estabeleceu uma empresa que foi uma referência brasileira em seu tempo. No cartão F. Albuquerque é referido como "produtor de sementes para agricultura, horta e jardins, caixa postal 533, Rio de Janeiro". O carimbo é de 19 de junho de 1893 e o selo pré-fixado é de 100 réis do Correio com o dístico "República dos Estados Unidos do Brasil". 

Considero o envelope uma preciosa peça que preserva um fragmento da trajetória de um dos maiores botânicos e naturalistas brasileiros. Há... ele nasceu em Rio Grande em 18 de dezembro de 1839.  

sexta-feira, 30 de abril de 2021

O CÃO PESCADOR E O NAVIO

Navio saindo dos Molhes da Barra do Rio Grande. Fotografia: Luiz Henrique Torres.


 Enquanto "la nave" rompe a linha dos Molhes e adentra o Oceano... 

Cão pescador na praia do Cassino. Fotografias: Luiz Henrique Torres. 


No tímido córrego que se projeta no Atlântico um quatro patas está em ação... 

Os pequenos peixes recebem mais uma visita indesejada, além das sempre presentes e comilonas garças... 

É o "cão pescador" do Cassino que constantemente sacode o rabo e passa o dia correndo atrás dos peixes (ou quase alevinos). 

O que pensarão as garças a respeito deste novo concorrente?  



CENTENÁRIO DO SELO

 

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

Dentro as várias atividades e lançamentos de material filatélico ocorrido quando das comemorações do centenário do selo postal no Brasil, uma das peças lançadas em 1943 foi este bloco. 

Foram reproduzidos pela Casa da Moeda do Brasil os clássicos "Olhos de Boi" nos seus três valores de emissão: 30, 60 e 90 réis, adaptados para os "centavos de cruzeiro" que havia sido criado no Brasil em 1942. 

Em destaque o "jovem D. Pedro II" e o presidente brasileiro Getúlio Vargas. 

O clima contextual é o Estado Novo e a formalidade das atividades e construção imagética filatélica se baliza pela orientações gerais da brasilidade do estado-novismo. 

quinta-feira, 29 de abril de 2021

EX LIBRIS DO BARÃO DO RIO BRANCO

 

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

Esta folhinha filatélica lançada no Rio de Janeiro é comemorativa do centenário do nascimento do Barão do Rio Branco (1845-1912). 

Os carimbos indicam a data de 20 de abril de 1945 ainda no transcurso da II Guerra Mundial. 

Além dos três selos comemorativos a folhinha  reproduz o ex libris do Barão do Rio Branco, um termo que caiu em desuso e que, literalmente, significa "dos livros de". Ex libris é uma representação artística que está associada a um proprietário de livros ou de uma biblioteca que pode ser identificado apenas pelo símbolo carimbado ou impresso.    

O Barão do Rio Branco era  um pesquisador de ex libris e ele próprio desenhou a sua marca de identificação com as palavras latinas: "ubique patrie memor". Traduzindo: "em qualquer lugar terei sempre a pátria em minha lembrança".

quarta-feira, 28 de abril de 2021

GETÚLIO EM 1940

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

 Esta folha emitida pelo Departamento dos Correios e Telégrafos faz a divulgação da "Exposição Filatélica Comemorativa do Decênio do Governo Getúlio Vargas". 

Compõem a Folha uma fotografia de Getúlio, o carimbo comemorativo do decênio de seu governo e o selo de 400 réis com o perfil do Presidente e a data 10-11-1937 que é o início do Estado Novo.  Este selo foi emitido em 10 de novembro de 1938 quando do primeiro aniversário do Estado Novo. 

Selo emitido em 1938. Acervo: Luiz Henrique Torres. 

Getúlio Vargas chegou ao poder com a Revolução de 1930 ocorrida em outubro daquele ano. Em 1940 estava muito fortalecido politicamente e ampliou a construção de sua imagem como "o pai dos pobres" da nação brasileira. 

Abaixo o selo emitido a partir de 1941 no valor de 100 réis com o perfil de Getúlio e na base escrito "Estado Novo".  

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

terça-feira, 27 de abril de 2021

SCHOTTISCHE

Casais dançando "Quadrilha" na França em gravura de Lebas (1818). https://pt.wikipedia.org

 

O jornal Diário do Rio Grande do dia 21 de fevereiro de 1852 fez a seguinte referência: 

“A noite realizou-se na Sociedade Recreação Familiar o grande baile oferecido ao desembargador Pedro Fernandes Chaves. A orquestra teve a regê-la Joaquim dos Santos Paiva. O baile esteve animadíssimo dançaram-se nove quadrilhas, três valsas e um schoteish, terminando a função as 3 e ½ da manhã do dia seguinte”. 


Os ritmos dançados no baile foram "quadrilhas", "valsas" e "schoteish" ou schottische. Este último ritmo foi introduzido no Brasil por José Maria Toussaint, em 1851 e já estava em Rio Grande no ano seguinte. Isto evidencia a inserção cultural da elite rio-grandense nas influências europeias e da capital do Império.

Schottische é uma palavra de origem alemã e se refere a uma dança de salão de origem centro-europeia conhecida em Portugal por "chotiça" e no Brasil por "xote". Temos desde os xotes gaúchos até os forrós nordestinos que foram influenciados por este ritmo.

Originalmente, foi uma dança das elites brasileiras da segunda metade do século XIX. 

segunda-feira, 26 de abril de 2021

OS PRIMEIROS SELOS COMEMORATIVOS

 Os primeiros selos comemorativos do Brasil foram lançados em 1 de janeiro de 1900. 

Os lançamentos faziam parte das comemorações do "IV Centenário do Descobrimento do Brasil". 

O "Descobrimento" ocorrido no ano de 1500 contemplou o selo de 100 réis. Num período de afirmação da República proclamada em 1889, se buscou enfatizar elementos de um processo de consolidação da identidade brasileira. O Descobrimento português foi apenas o primeiro referencial. 

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

A ruptura com o colonialismo com a Independência do Brasil em 1822 contemplou o selo de 200 réis que apresenta os dizeres de D. Pedro I: "Independência ou Morte".


A abolição da escravatura será outra matriz orientadora de um país que caminhava para a construção da cidadania (que se fez excludente) e que no selo de 500 réis destaca a abolição com o 13 de maio de 1888. Uma mulher com asas de anjo traz a liberdade e segura nas mãos os grilhões rompidos da escravidão. É como se a escravidão tivesse sido uma dádiva e não uma conquista. 



O selo de valor mais alto é o de 700 réis. É a culminância do desenvolvimento histórico que tomou forma com a República proclamada no dia 15 de novembro de 1889. Num cenário da natureza formosa do Rio de Janeiro uma mulher com o barreto rígio - símbolo da República - segura um livro que busca traduzir a estabilidade constitucional e a modernização de um país unificado. De fato a República é uma construção que passava por constantes crises na relação autonomia estadual e centralização administrativa do governo central. A República é um discurso de coesão num cenário de intensificação de relação patrimonialistas e favorecimentos a grupos locais/regionais. 




Mas a definição dos selos estão em sintonia com alguns referenciais essenciais na trajetória histórica do Brasil: o descobrimento e a inserção no colonismo lusitano; a ruptura política com a Independência e as novas dependências advindas e desafios decorrentes; a escravidão como referencial essencial para entender a sociedade brasileira; a República e seus projetos de civilidade, cidadania e persistência de práticas fisiológicas que recuam ao período colonial.