Porto do Rio Grande em 1908

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segunda-feira, 26 de abril de 2021

OS PRIMEIROS SELOS COMEMORATIVOS

 Os primeiros selos comemorativos do Brasil foram lançados em 1 de janeiro de 1900. 

Os lançamentos faziam parte das comemorações do "IV Centenário do Descobrimento do Brasil". 

O "Descobrimento" ocorrido no ano de 1500 contemplou o selo de 100 réis. Num período de afirmação da República proclamada em 1889, se buscou enfatizar elementos de um processo de consolidação da identidade brasileira. O Descobrimento português foi apenas o primeiro referencial. 

Acervo: Luiz Henrique Torres. 

A ruptura com o colonialismo com a Independência do Brasil em 1822 contemplou o selo de 200 réis que apresenta os dizeres de D. Pedro I: "Independência ou Morte".


A abolição da escravatura será outra matriz orientadora de um país que caminhava para a construção da cidadania (que se fez excludente) e que no selo de 500 réis destaca a abolição com o 13 de maio de 1888. Uma mulher com asas de anjo traz a liberdade e segura nas mãos os grilhões rompidos da escravidão. É como se a escravidão tivesse sido uma dádiva e não uma conquista. 



O selo de valor mais alto é o de 700 réis. É a culminância do desenvolvimento histórico que tomou forma com a República proclamada no dia 15 de novembro de 1889. Num cenário da natureza formosa do Rio de Janeiro uma mulher com o barreto rígio - símbolo da República - segura um livro que busca traduzir a estabilidade constitucional e a modernização de um país unificado. De fato a República é uma construção que passava por constantes crises na relação autonomia estadual e centralização administrativa do governo central. A República é um discurso de coesão num cenário de intensificação de relação patrimonialistas e favorecimentos a grupos locais/regionais. 




Mas a definição dos selos estão em sintonia com alguns referenciais essenciais na trajetória histórica do Brasil: o descobrimento e a inserção no colonismo lusitano; a ruptura política com a Independência e as novas dependências advindas e desafios decorrentes; a escravidão como referencial essencial para entender a sociedade brasileira; a República e seus projetos de civilidade, cidadania e persistência de práticas fisiológicas que recuam ao período colonial. 

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