Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

400.000

Bandeira naval desconhecida no mastro de um navio atracado no Porto do Rio Grande em 1851. Aquarela de Hermann Wendroth. 

 Oficialmente, a contador do blog indicou quatrocentos mil acessos. 

Além do Brasil, muitos acessos são dos Estados Unidos e de países europeus. 

Não consigo explicar este número grandioso, mas é o que o indica o contador de visualizações do google analytics. 

Agradeço aos leitores que acessam!

NOVA CERVEJARIA SCHMITT

Echo do Sul, 12-04-1913. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

No dia 13 de abril de 1913 foi inaugurada a nova Cervejaria Schmitt no Boulevard 14 de Julho (Avenida Portugal).

 Cruzeiro, Indiana e Gaúcho eram as três marcas vendidas nesta empresa de Anselmi & Schmitt. 

Neste local, anos depois, foi instalado o Frigorífico Anselmi. 
 

domingo, 8 de outubro de 2023

CASSINO E O VERANEIO EM MARÇO

Echo do Sul, 14-03-1913. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

 O veraneio era muito mais longo em priscas eras. Este anúncio que de forma "séria" está oferecendo o desfrute da praia balnear do Cassino está sendo publicado ainda no mês de março de 1913. Há cento e dez anos o veraneio começava ao longo de dezembro e ia até o final de março. Atualmente, são cerca de 40 a 50 dias, quando não se está recuperando aulas em janeiro ou fevereiro, devido à greves ou outros fatores. Inclusive, o preparativo ou realização do ENEM que já faz dispersar parte dos frequentadores e seus familiares. 

A contribuição extraordinária dada com a fixação dos 200 dias letivos (LDB que entrou em vigor em 1996) nas escolas e universidades brasileiras (eram 180 dias), acarretou no estrangulamento do veraneio quase que o reduzindo ao final de dezembro e ao mês de janeiro. Aulas já precisam ser iniciadas em fevereiro para curtir outro tipo de veraneio nas aprazíveis e ventiladas salas de aula. Podemos provar ao mundo que a sapiência pode ser exercida plenamente dentro de uma estufa ou de uma fornalha. 

As praias são grandes propulsores de vendas para o comércio e na consequente geração de inúmeros empregos. O curto período de veraneio se torna um problema social, pois reduz ainda mais os ganhos de um trabalhador sazonal praieiro. 

Este anúncio de mais de um século se tornou patético frente à realidade atual. 

sábado, 7 de outubro de 2023

R. STRAUCH E O RIO PIRATINI



https://www.albertolopesleiloeiro.com.br/

 Apresento aos leitores mais um cartão-postal inédito do editor R. Strauch/Livraria Rio-Grandense da cidade do Rio Grande. É sempre uma surpresa agradável encontrar estas preciosas peças de cartofilia que ampliam o amplo acervo já identificado deste que é um dos pioneiros editores brasileiros. 

É um cartão fotográfico com uma imagem do Rio Piratini. Diferente de 2023 em que sofreu/sofre uma grande enchente, o Rio neste postal está num patamar médio de volume de água. Uma pequena embarcação pode ser observada. 

Estimativa de datação é 1905. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

LIVRARIA AMERICANA DE CARLOS PINTO

Acervo: https://www.avenidalivros.com.br

 Este belíssimo trabalho artístico é uma nota fiscal da Livraria Americana referente a compra de material de escritório pela Câmara Municipal do Rio Grande. 

A data é 31 de dezembro de 1888, o último ano do Império Brasileiro. 


https://www.avenidalivros.com.br

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

ENCHENTE NA LAGOA E A BARRA DO RIO GRANDE

 

Lagoa dos Patos no Cais do Mercado de Pescado em Rio Grande no dia 04-10-2023. 

Hoje, na aula de História do Município do Rio Grande e na aula de História do Rio Grande do Sul, conversamos sobre a questão da enchente da Lagoa dos Patos que está causando prejuízos para a população da cidade do Rio Grande e para São José do Norte. 

Conversamos sobre a perspectiva de superação deste momento e um recuo das águas da Lagoa dos Patos e opinei que vejo com preocupação o cenário. Os alunos brincaram que sou bom em prognósticos e costumo acertar algumas informações dadas: ao escrever o livro da Gripe Espanhola (2008) afirmei que seria uma questão de tempo para a eclosão de uma nova pandemia; antes da enchente da Lagoa dos Patos, que está em curso, contextualizei a alta probabilidade dela ocorrer neste segundo semestre de 2023; discuti que a posição geográfica do Rio Grande do Sul é propicia a intensificação de eventos extremos ligados ao aquecimento global. Porém, não há bola de cristal envolvida e nem profecias, somente muitas leituras de artigos científicos ou sites (como a da Metsul) que possibilitam trabalhar com a hipótese de um evento ou fenômeno ocorrer. E este ano é de El Niño Forte e para os gaúchos o resultado está sendo de um Super El Niño. 

O que há de especial com a localização geográfica de Rio Grande e São José do Norte? Os municípios se situam na parte terminal do Estuário da Lagoa dos Patos nas proximidades em que a Barra do Rio Grande despeja as águas no Oceano Atlântico. Se a Lagoa dos Patos chega a ter 70 km de largura -em alguns pontos ao longo dos seus 250 km de extensão-, ao chegar a parte terminal dos Molhes da Barra no encontro com o Oceano a largura se reduz para 600 metros.   

A nossa geografia é muito difícil de ser explicada sem olhar para um mapa ou para uma imagem de satélite como as disponíveis no Google Earth. Vejamos a seguir qual é o nosso cenário geral que vai depender de volume das águas, da velocidade da correnteza, dos ventos que fazem o represamento etc. 

1)Inicialmente, na altura do Bojuru, a largura da Lagoa dos Patos é de 52 quilômetros e 800 metros. No centro superior da imagem está os Molhes da Barra e já podemos observar a diferença brutal de largura. 

https://earth.google.com/web/search/Molhes+da+Barra+do+Cassino,+Rio+Grande+do+Sul/

2)Entre o pontal na Quarta Secção da Barra (em São José do Norte) e a Barra Nova (em Rio Grande) são apenas 865 metros de largura.

https://earth.google.com/web/search/Molhes+da+Barra+do+Cassino,+Rio+Grande+do+Sul/

3)Entre os dois cabeços dos Molhes Leste e Oeste em seu ponto de encontro com o Oceano, a largura se reduz para apenas 600 metros.

https://earth.google.com/web/search/Molhes+da+Barra+do+Cassino,+Rio+Grande+do+Sul/

De onde a Lagoa dos Patos recebe tamanho volume de águas? No Rio Grande do Sul os rios que desaguam no Atlântico alimentam o Lago Guaíba e se juntam com a Lagoa dos Patos. Os rios principais e suas bacias hidrográficas são: Antas/Taquari, Pardo, Jacuí, Vacacaí/Vacacaí-Mirim, Caí, Sinos, Gravataí, Camaquã, Jaguarão, Piratini e Canal São Gonçalo. 


Região Hidrográfica da Lagoa dos Patos (em verde e marrom). Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do RS (SEMA).

A precipitação de chuvas nestas bacias hidrográficas vão alimentar a Lagoa dos Patos e o escoamento - que evita o transbordamento das margens -, é feito pela Barra do Rio Grande, onde estão localizados Rio Grande e São José do Norte! 

As chuvas no mês de setembro em Rio Grande foram de 466,4 mm (a média mensal de setembro é de 110 mm). Em vários municípios destas bacias hidrográficas as chuvas superaram estas marcas. Peguemos o exemplo de Caçapava do Sul onde choveu 680,6 mm e às águas rumaram para a bacia hidrográfica do Rio Camaquã e na sequência foram despejadas na... Lagoa dos Patos. Porto Alegre teve o mês de setembro mais chuvoso já registrado em dados históricos com 447,3 mm. Continuamos a receber estes volumes absurdos das precipitações em vários municípios gaúchos que escoam para o Atlântico.

No dia 4 de outubro altos volumes de chuva foram registrados em municípios que vão impactar o Guaíba e a Lagoa dos Patos. A previsão do tempo entre 6 a 8 de outubro é de alerta. Não para a Metade Sul onde a chuva deve ser mínima, mas para o Norte, Noroeste e Nordeste do Rio Grande do Sul. Parte das precipitações levarão a enchentes no Rio Uruguai (cujas águas contribuem para a formação do Rio da Prata), porém, outras áreas com chuvas extremas tomarão o rumo do Guaíba e na sequência da Lagoa dos Patos. Portanto, os eventos de chuvas em outubro sequer ainda chegaram até a Barra do Rio Grande. 

Vejamos o alerta da Metsul para os próximos dias: 
"Onde mais deve chover no Rio Grande do Sul entre esta sexta e domingo será em cidades do Noroeste, do Médio e Alto Uruguai, Planalto Médio, Norte da Serra, Campos de Cima da Serra e balneários da costa perto de Torres, aponta a projeção da MetSul Meteorologia. De acordo com o prognóstico da MetSul, nestas áreas, um grande número de municípios deve ter chuva de 100 mm a 200 mm com marcas isoladamente acima de 200 mm. São volumes muito altos e capazes de gerar alagamentos, inundações e quedas de barreiras. Preocupa que estes volumes, que se somam aos 50 mm a 100 mm do começo da semana nestas mesmas áreas, vão atingir as nascentes de rios como Caí e Taquari, nos Campos de Cima da Serra, e o Jacuí, cuja nascente está na região de Passo Fundo. Os três rios desembocam depois no Guaíba".

Mantendo este cenário que está ficando cada vez mais desafiador, precisaremos de um plano de contingenciamento para lidar com esta situação. Em São José do Norte as chuvas excessivas estão causando graves prejuízos na agricultura, em especial, no plantio da cebola. A expectativa da safra de camarão é péssima pois o excesso de chuva é prejudicial a reprodução do crustáceo. Parte da população trabalha com a cebola ou é pescador artesanal. O impacto socioeconômico será muito grave. O mesmo vale para as áreas produtoras de legumes, verduras e frutas em Rio Grande cuja região das ilhas está sofrendo com o avanço das águas. A pesca artesanal já está muito prejudicada com a elevação das águas.  Se a água avançar muito mais também na área urbana será necessário realocar pessoas. Depois da tragédia do Rio Taquari é preciso fazer planos de prevenção hipotéticos para poder lidar com situações que podem se agravar em poucas horas ou dias. 

Se o dilúvio atual continuar pelo mês de outubro e novembro o cenário que pesquisei em meu livro sobre a enchente de 1941 poderia se repetir parcialmente. Um referencial que temos em Rio Grande - sobre a gravidade dos eventos -, é observar o comportamento do Guaíba em Porto Alegre. Em 8 de maio de 1941 a altura da água chegou a 4,76 metros (a cota de transbordamento no cais é de 3,00 metros). De 272 mil habitantes de Porto Alegre, 70 mil ficaram desabrigados. Ou seja, um de cada quatro moradores. Num cenário "ficcional" semelhante, em Rio Grande poderíamos ter 50 mil desabrigados. A lógica destes números é que muitas áreas desabitadas em Rio Grande no ano de 1941, onde a Lagoa avançou mais de 100 metros, hoje estão repletas de áreas habitacionais como na Av. Henrique Pancada, no Bosque, a longa extensão em torno do Saco da Mangueira etc.

Acompanhar os dados do tempo é essencial neste mês de outubro (e vindouros) para podermos avaliar a redução ou aumento dos riscos da Lagoa dos Patos continuar a avançar nas áreas urbana e rural de Rio Grande e São José do Norte. 

A BUCÓLICA DINÂMICA DA RUA MARECHAL FLORIANO

 

https://www.albertolopesleiloeiro.com.br/

Podemos recuar nosso pensamento a um dos principais espaços públicos da cidade do Rio Grande no ano de 1905. 

Este cartão-postal fotográfico da Edição Meira (n.62) mostra um trecho da Rua Marechal Floriano (tendo o prédio da Alfândega do lado esquerdo) numa fotografia realizada da esquina da Rua dos Andradas em direção a Rua Benjamin Constant. 

Este era um dos trechos de maior circulação e de forte comércio num período em que o Porto Velho trazia dinamicidade para a urbe portuária. Carroças, pessoas, trilhos do bonde, lampiões a gás, prédios em estilo eclético e neoclássico, sacadas e janelas envidraçadas com aberturas coloniais etc. 

É uma dinâmica de tempos antigos em que o bucólico ainda continua a imperar sem o stress dos automóveis e motocicletas. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

LAGOA NOVAMENTE TRANSBORDANDO

 

Cais do Porto Velho do Rio Grande na altura do Mercado de Pescado. 04-10-2023, 13h30.

Cais do Porto Velho do Rio Grande na altura do Mercado de Pescado. 04-10-2023, 13h30.

Cais do Porto Velho do Rio Grande na altura do Mercado de Pescado. 04-10-2023, 13h30.

Cais do Porto Velho do Rio Grande na altura do Mercado de Pescado. 04-10-2023, 13h30.

Cais do Porto Velho do Rio Grande na altura do Mercado de Pescado. 04-10-2023, 13h30.



Canalete da Major Carlos Pinto novamente transbordou. 04-10-2023, 14h.

Nesta quarta-feira, 4 de outubro, novamente a Lagoa dos Patos transbordou em vários pontos da cidade do Rio Grande. 

Junto ao Cais do Porto Velho a água estava formando uma lâmina que encobria levemente o paralelepípedo. Em outros pontos, na Avenida Portugal, a água avançou até 100 metros. 

A quarta-feira foi de chuva intensa em várias cidades do Rio Grande do Sul que escoam para a Bacia do Atlântico. Vamos continuar a receber altos volumes nos próximos dias. Se o vento não represar o escoamento poderá contribuir para reduzir o impacto do avanço das águas nas áreas urbana e rural. 

O Rio Grande do Sul teve 200 mil raios entre a noite da terça e a quarta-feira. A Metade Norte gaúcha, Santa Catarina e Paraná tiveram a situação mais difícil nesta rodada do mau tempo com chuvas de mais de 100 mm, fortes ventos e até tornado no Paraná. 

O El Niño não está dando trégua. 

Fotografias: Luiz Henrique Torres. 

O BONDE NA DUQUE DE CAXIAS

Cartão-postal sem editor, datação ou manuscritos.
https://www.bvcolecionismo.lel.br/peca.asp?ID=10446843&ctd=139

 

Esta é a rua Marques de Caxias (hoje Rua Duque de Caxias) na cidade do Rio Grande. 

Hipoteticamente estamos em torno do ano de 1940. 

Em primeiro plano a esquina com a Rua Luiz Loréa. 

O bonde está se aproximando da esquina com a Avenida Silva Paes. 

Ao fundo a tênue imagem da torre da Igreja do Bomfim. 


 

terça-feira, 3 de outubro de 2023

CISNE DO PESCOÇO PRETO NO CAPÃO SECO

 

Panorâmica da área. Fotografias: Luiz Henrique Torres. 




A várzea do Canal São Gonçalo está alagada pelo excesso das chuvas. A lâmina de água avançou vários quilômetros em sua margem no município do Rio Grande nas imediações do Capão Seco (que poucas vezes esteve tão molhado...). 

Passando cerca de um quilômetro do pedágio da BR-392 na direção de Pelotas, no último domingo, foram feitas estas fotografias. 

Pelo menos, às aves, estão comemorando a fartura das águas. No caso, inúmeros cisnes do pescoço preto (Cygnus melancoryphus) e seus filhotes estão sendo vistos nesta área. Um recorte desta presença pode ser observado nestas fotografias que lembram visões obtidas na Reserva Ecológica do Taim.

A fotografia panorâmica, para melhor visualização, reproduzo novamente a seguir. No canto inferior está o Parque Una em Pelotas (em linha reta, são cerca de 10 km de distância). 




O RETORNO DOS TEMPORAIS

 

https://metsul.com/radar/ 03-10-2023 20h56.


https://metsul.com/radar/ 03-10-2023 20h56.


Esta imagem seria bom não ser observada no radar!

Depois de um setembro absurdamente chuvoso no Rio Grande do Sul estamos com esta virada da terça para a quarta-feira do dia 3 de outubro com este cenário do retorno dos temporais. 

Núcleos muito carregados avançam de Oeste para o Leste trazendo chuva que pode ser intensa e volumosa (entre 50 e 100 mm em muitos municípios) acompanhada de muitos raios e do temido granizo. Alguns dos núcleos tem alguns pontos na cor rosa que é a formação de granizo. Entre o centro e o norte do Estado (adentrando no momento a região missioneira) estão os núcleos mais pesados. 

Em Rio Grande o chamado para olhar o radar se deve ao som intenso dos trovões que se aproximam da cidade.  A história do clima está sendo escrita com intensidade implacável neste ano 2023. 

https://metsul.com/raios/ 03-10-2023 21h10.


Conforme a Metsul em matéria deste dia 3 de outubro a chuva foi absurdamente elevada no mês de setembro. Em Rio Grande foram 466,4 mm e a média histórica é de 110,8 mm (ou seja, mais de quatro vezes a média para este mês).

Vejamos a matéria da Metsul:


"CHUVA DE ATÉ MEIO ANO EM UM MÊS REESCREVE HISTÓRIA CLIMÁTICA GAÚCHA.  Volumes de chuva consolidados do mês de setembro contam a história de um mês absurdamente chuvoso no Rio Grande do Sul. Setembro de 2023 recém terminado reescreveu a história climática do Rio Grande do Sul. O clima levou os gaúchos ao limite e deixou muitas comunidades de joelhos diante da enormidade da destruição e da dolorosa perda de vidas humanas. Os volumes de chuva foram espantosos com acumulados de 500 mm a 700 mm em apenas trinta dias em parte do território gaúcho. Foram 51 pessoas que perderam as suas vidas por chuva durante o mês no Rio Grande do Sul.
Quando no começo de setembro a MetSul alertava que setembro seria “absurdamente chuvoso” não era exagero retórico. O estado teve o maior desastre desde 1959 com 50 mortos, a maior enchente (e catastrófica) no Vale do Taquari desde 1941 e a maior enchente do Guaíba em Porto Alegre também desde o fatídico 1941. Os números consolidados da precipitação registrada em setembro ajudam a explicar o mês absolutamente anormal e espantoso de chuva dos gaúchos. Estações do Instituto Nacional de Meteorologia registraram 680,6 mm em Caçapava do Sul; 546,4 mm em São Gabriel; 539,6 mm em Serafina Corrêa; 507,1 mm em Cruz Alta; 503,6 mm em Ibirubá; e 501,6 mm em Canguçu. Choveu ainda em setembro 498,0 mm em Passo Fundo, 488,8 mm em Tupanciretã; 482,2 mm em Santiago; 482,1 mm em Santa Maria; 477,6 mm em Capão do Leão; 475,6 mm em Dom Pedrito; 474,6 mm em São Vicente do Sul; 466,4 mm em Rio Grande; e 460,8 mm em Rio Pardo. Passaram de 400 mm também outras cidades gaúchas com 448,6 mm em Vacaria; 443,8 mm em Teutônia; 442,2 em Campo Bom; 440,6 mm em Soledade; 433,6 mm em Canela; 428,0 mm em Bagé; 427,0 mm em Bento Gonçalves; 412,6 mm em Cambará do Sul; e 406,0 mm São Luiz Gonzaga. Estações meteorológica particular no município de Tio Hugo, no Norte do estado, acusou em setembro precipitação de 771,6 mm. O volume equivale praticamente à metade da média histórica de chuva do ano inteiro, considerando que Passo Fundo tem média anual de 1.930,7 mm enquanto Cruz Alta tem 1.932,3 mm. Caçapava do Sul, com seus 680,6 mm, teve apenas em setembro praticamente o que choveu em todo o primeiro semestre de 2023, quando a precipitação nos primeiros seis meses do ano somou 705 mm. As médias históricas de precipitação para o mês de setembro no Rio Grande do Sul, de acordo com a série histórica 1991-2020, são de 97,0 mm em Santa Vitória do Palmar, 110,8 mm em Rio Grande, 128,7 mm em Pelotas, 138,3 mm em Torres, 146,6 mm em São Luiz Gonzaga, 147,8 mm em Porto Alegre, 155,3 mm em Santa Maria, 160,4 mm em Encruzilhada do Sul, 162,5 mm em Cruz Alta, 163,1 mm em Caxias do Sul, 165,5 mm em Passo Fundo, 169,9 mm em Bom Jesus e 175,1 mm em Iraí. Ou seja, em grande parte das cidades gaúchas choveu entre o triplo e o quádruplo da climatologia normal do mês de setembro".

APÓLICE DE 1888

https://www.avenidalivros.com.br

 Este documento assinado no Paço da Câmara Municipal da cidade do Rio Grande, Província de São Pedro é datado de 13 de agosto de 1888. 

É uma apólice no valor de um conto de réis recebida pela Câmara Municipal como empréstimo para o estabelecimento de colônias agrícolas no município. Esta apólice renderia juros a quem emprestou o dinheiro. 

Este foi um esforço da Câmara para implantar colônias agrícolas. Estas iniciativas levaram a criação da Colônia Agrícola da Quinta a qual tinha também a função de escola agrícola. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

VERANEIO DESVIO BLAUTH

 

Na curva está a famosa caixa d'água que foi a origem das paradas do trem. Em fotografia recente é basicamente a única estrutura remanescente. https://www.acervoraroleiloes.com.br/peca.asp?ID=7525944&ctd=128

Estava observando este cartão-postal e veio a curiosidade em saber o que era este "Desvio Blauth" e se ele ainda existe. 

A resposta é: o que mais existe é a memória do local. A funcionalidade e a materialidade se perderam.

Acredito que o cartão é um pouco anterior ao início do empreendimento ou seus primórdios. Pesquisei mais dois cartões que reproduzo onde o "Veraneio Desvio Blauth" já está em funcionamento. 

Vamos para a história que é muito interessante.

Em Rio Grande se tem uma trajetória secular de turismo e hospedagem devido ao Balneário Cassino que foi inaugurado em 1890. São os banhos de mar medicinais com uma infraestrutura de hotel, trem, casas de aluguel e casas particulares, avenida etc. Como eu sempre repito: é o nascimento do banho de mar planificado no Brasil. Ou seja, foi idealizado em 1885, ainda no tempo do Império, e formalizado cinco anos depois, já no início da República. Não existia estrutura na área do Cassino/Vila Sequeira (chamado de Campos da Mangueira) e tudo foi planejado no papel e efetivado com a construção da estrada de ferro, do hotel Cassino, das casas do Quadro, de telefone, das casas de troca de roupa no beira-mar, água potável, coleta de dejetos, do Restaurante a beira mar, da construção da capela ainda no final do século XIX etc. Outros espaços de banho de mar surgiram no litoral Norte, como é o caso de Cidreira, mas com uma estrutura inicial extremamente precária e com acesso cruzando de carroça e cavalo picadas de difícil trânsito.

A imagem está no ângulo inverso dos dois outros cartões postais. https://www.bvcolecionismo.lel.br/

Nesta direção a história do Desvio Blauth atraiu a minha atenção, pois foi um projeto de veraneio e hospedagem "pioneiro" na Serra Gaúcha. É o que consta no artigo de Pedro de Alcântara César, Luiz Brambatti e Thaise Marchesine "O papel da ferrovia na definição do território turístico e da hospitalidade: um estudo sobre o Hotel Veraneio Desvio Blauth (Farroupilha/RS)" publicado na Revista Turismo e Análise de dezembro de 2019.

Conforme os autores, entre 1905-1910 foi construída a ferrovia Montenegro a Caxias do Sul que passava pela propriedade da família Blauth (de origem germânica), em Nova Sardenha, Farroupilha. A linha foi inaugurada em junho de 1910. No local havia o abastecimento de água para a caldeira do trem e os passageiros com destino a Caxias do Sul passaram a apreciar a bela vista do local localizado a 710 metros de altura. A idealização de tornar a área em veraneio de lazer é de 1914 e o empreendimento teve início no final de 1920. A empresa foi registrada em 1932. O projeto foi finalizado em 1954 no contexto da decadência das linhas ferroviárias com o surgimento de uma rodovia federal que ligou a capital com Caxias do Sul deixando o local isolado. O automóvel e o ônibus trouxeram maior rapidez e agilidade para os viajantes. 

Em seu período de funcionamento O "Veraneio Desvio Blauth" recebia descendentes de alemães e luso-brasileiros representantes da elite de Porto Alegre (e região metropolitana) que almejavam entre dezembro e março escapar do calor excessivo do verão e buscar locais para veraneio de lazer junto a natureza.

As instalações do local eram "constituídas inicialmente de quatro blocos edificados e de madeira, trilhas, atrativos naturais e um lago. A sede principal compreendia o refeitório, o escritório, a cozinha, uma pequena loja e a farmácia. Mais tarde, com o aumento dos hóspedes, foi construído um conjunto de nove chalés ou cabanas, onde eram hospedadas as famílias. Havia também alojamentos coletivos, o feminino, do lado da estação e o masculino, do outro lado dos trilhos. A estrutura de meios de hospedagem funcionava nos meses de dezembro até março e tinha a capacidade de pernoite para aproximadamente 100 pessoas. Salvo as diferenças de épocas, estes recursos determinavam a formação de equipamento turístico com todas as possibilidades de estada, lazer e recreação ininterrupto por meses, como atualmente determinam em hotéis de resorts".

A própria empresa difundiu a sua identidade em propaganda publicada em 1933: "Boas estradas, via férrea e telégrafo’, ‘comunicação rápida com todo o Estado’, ‘a sua localização, a 700 m acima do nível do mar, é um desses prodigiosos bens que a natureza pródiga proporcionou ao homem, colocando-o em meio da exuberância de nossas matas’. ‘O panorama desse Éden montenegrino oferece aos veranistas paisagem bizarra e de lindíssimos aspectos. Além dos parques de diversões abrigados nas verdes matas, possui jogos ao ar livre, como tênis, tamborim etc.’. ‘No grande salão de diversões existem também dois bilhares, luz elétrica. Ótima cozinha. Os seus proprietários também mantêm um aviário de Leghorn brancas, cuja produção e ovos destinam-se ao consumo dos veranistas. Para o mesmo fim, possuem tambos de leite. No local existe uma piscina e lago para o esporte do remo. A par de tudo isso, encontra-se na região, grande abundância de frutas de todas as espécies’. ‘O veraneio Desvio Blauth é incontestavelmente, o único do gênero em nosso Estado.’ ‘O estabelecimento dos Srs. Blauth & Haupt prima não só pelo conforto e higiene, como pela excelência de suas águas cristalinas’. ‘Para o Desvio Blauth afluem anualmente, centenas de pessoas, que ali vão em busca de repouso e da saúde" (Álbum comercial de Montenegro, 1933, Acervo pessoal de Ricardo Luiz Haupt).

Conforme os autores, o "Veraneio Desvio Blauth" representa um marco na história do turismo e dos meios de hospedagem na Serra Gaúcha e no Brasil. Formado para organizar um fluxo de turistas que intensificava suas vindas, suas estruturas físicas demarcaram um período pioneiro do hotel de lazer e iniciação a reprodução na Serra Gaúcha de territórios para o turismo".

Acervo: https://www.filatelicajunges.com.br/

domingo, 1 de outubro de 2023

RHEINGANTZ EM 1922

Acervo: https://www.bvcolecionismo.lel.br

 Cartão-postal colorido n.7 da Livraria Americana. Foi comprado em Rio Grande e enviado de Montenegro para a Argentina em 20 de junho de 1922. 

A visão é da Avenida Rheingantz com destaque para as casas geminadas que eram alugadas para os operários da empresa União Fabril (antiga Rheingantz). Na sequência está a caixa d'água, a área mais externa do trabalho de tecelagem (primeiro dos diversos pavilhões com os teares em direção ao Saco da Mangueira) e o prédio da administração. Na parte térrea desta edificação ficava os portões de entrada e saída do operariado de uma das maiores indústrias têxteis do Brasil. Também se observa um bonde elétrico parado em frente ao portão de entrada. 

sábado, 30 de setembro de 2023

TEX - 75 ANOS

 

Mythos Editora.

Mythos Editora.

Mythos Editora.


Mythos Editora.

Tex edição 647, setembro 2023. Mythos Editora. 




https://www.lojamythos.com.br/hq-s/assinatura-tex-4-meses-setembrodezembro

Recebi hoje a primeira de quatro remessas de uma experiência de assinaturas da revista Tex que está sendo implementada pela Mythos Editora. 

Nota dez o material e estou fazendo a divulgação aqui no blog. O personagem neste dia 30 de setembro está completando 75 anos de vida. É extraordinário que depois de tantas décadas ainda se faça o lançamento de colecionáveis e revistas de qualidade. Pode ser uma projeção de longevidade garantindo que mais uma geração possa conhecer Tex e seus pards. Para isto, é necessário divulgar as iniciativas (como a da Mythos Editora) e plantar o espírito da leitura dos quadrinhos entre os jovens leitores.