Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

FONTES PARA O ESTUDO DA HISTÓRIA RIO-GRANDINA DO SÉCULO XVIII - ROSCIO

Francisco João Roscio, Sebastião Cabral da Câmara e José Varella y Ulloa. Plano Topográfico e individual
que compreende os arroios Chuy e S. Miguel... (1784).
Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

         Uma fonte fundamental para o estudo da Vila do Rio Grande foi escrito pelo engenheiro militar Francisco João Roscio que elaborou, em 1781, uma descrição geográfica, econômica e populacional: Compêndio noticioso do Continente do Rio Grande de São Pedro...[1] O autor descreve a barra do Rio Grande e as dificuldades para a navegação devido ao regime dos ventos e correnteza que alteram a profundidade do canal. Roscio elaborou vários mapas localizando a barra do Rio Grande e a área circunvizinha à cidade. Também descreveu o modo-de-vida da população do meio rural, discorrendo sobre a plantação de trigo, e, especialmente, a atividade ligada à criação de bois e cavalos.


[1] ROSCIO, Francisco João. Compêndio Noticioso. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: IHGRS, ano 22, nº 87, III e IV trimestres, 1942, p. 30.

FONTES PARA O ESTUDO DA HISTÓRIA RIO-GRANDINA DO SÉCULO XVIII – BARRETO

Plano do Rio Grande de São Pedro (1786). Livro "Defesa da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro", de José Correia Rangel. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

         O militar Domingos Alves Moniz Barreto escreveu em 1790, algumas observações sobre as possibilidades de crescimento econômico da povoação através das atividades agrícolas. Ressaltou os perigos da barra para a navegação e o caráter dos habitantes: dóceis, amáveis, sinceros e muito vigorosos para o trabalho.[1]
         As fontes citadas são fundamentais para o resgate das dificuldades e avanços no processo de colonização lusitana no sul do Brasil. Os escritos não possuem, com exceção de Simão Pereira de Sá, um caráter de conhecimento histórico e sim de descrição geográfica, econômica, social e dos costumes da população, com ênfase nas possibilidades de desenvolvimento e inserção local nos quadros mais amplos da organização portuguesa. Os estudos apresentam um caráter oficioso, por estarem ligados a autoridades, militares ou pessoas voltadas à legitimação do domínio da Coroa portuguesa no Rio Grande do Sul. Mas, nas narrações, exaltam-se as riquezas e perspectivas de crescimento, inclusive indicando procedimentos efetivos, como em Sebastião Bettamio, num diagnóstico daquilo que faltava ao centro urbano emergente. As fontes convergem para a legitimação de investimentos e consolidação de um projeto civilizatório lusitano num espaço platino de confronto entre espanhóis e portugueses.


[1] MONIZ BARRETO, Domingos Alves. Observações relativas à agricultura, comércio e navegação do Continente do Rio Grande de São Pedro (1790). In: CESAR. 1981, p. 169-171.

DR. PIO ÂNGELO DA SILVA EM 1880

Raríssima caricatura do Dr. Pio publicada no jornal da cidade do Rio Grande"Marui"  número 8 do ano de 1880.
Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

         As informações a seguir foram reproduzidas do site Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul. 
        "Pio Ângelo da Silva nasceu na então Vila do Rio Grande de São Pedro a 3 de maio de 1818. Quando eclodiu a Revolução Farroupilha (1835-1845), cursava enfermagem, e auxiliou no tratamento dos feridos durante esta luta armada.
      Em 1841, antes do término do conflito, iniciou seus estudos superiores na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, concluindo-os na Universidade Sorbonne de Paris, França.
    Depois de formado, retornou à sua cidade natal dedicando-se ao combate do chólera-morbus, que entre 1855-1856 começara a espalhar óbitos na população rio-grandina. Por conta dos serviços prestados à população durante tal epidemia, foi agraciado com uma medalha pelo Governo Imperial. Ele estudou com seus mestres da Sorbonne o vírus, facilitando assim diversas curas que promoveu entre os enfermos, o que veio a contribuir com sua fama de médico competente.
        Tornou-se diretor da Enfermaria Militar do Rio Grande por ocasião da Guerra do Paraguai (1864-1870), enquanto os médicos do Exército seguiram para os campos de batalha em solo paraguaio. Nesse período um Batalhão de Voluntários infectado com a Varíola egresso do Nordeste, teve a saúde reestabelecida pelo Dr. Pio na Enfermaria, sendo esta localizada na antiga Rua Yataí.
         Pio da Silva foi um dos líderes do Partido Liberal do Rio Grande, sendo amigo de Bento Gonçalves da Silva e Gaspar Silveira Martins..
         Dr. Pio faleceu a 14 de abril de 1897, após uma cirurgia na cidade de Montevidéu, Uruguai. Seu sepultamento foi realizado em Rio Grande, após três anos de sua morte, no cemitério católico local.
      O Decreto Municipal nº 22 de 20 de maio de 1897 tornou o Largo da Matriz, a Praça Doutor. Pio. Ela se localiza onde hoje está instalado o prédio da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, inaugurado em 1950. Em 1930, houve a troca do nome desta para Praça João Pessoa, por ocasião do assassinato do Presidente da Paraíba, João Pessoa. No entanto, em 3 de agosto de 1935 pelo ato nº 131, a praça voltou a se chamar Doutor Pio.
       A praça continua sendo um ponto tradicional e cultural de Rio Grande, situada na área central da cidade, próxima a prédios públicos: a Igreja Matriz de São Pedro, a Biblioteca Rio-Grandense, a Prefeitura Municipal, locais estes onde continuam a ocorrer diversas manifestações públicas" (http://www.muhm.org.br/index.php? formulario=sys_bio_bibliografias_notas&submenu=4)

ANTONIO BONONE MARTINS VIANNA



      Esta rara caricatura conseguiu preservar o que a ausência de fotografias não permitiu conhecer: o rosto do comerciante, jornalista e advogado Antonio Bonone Martins Vianna. Ele foi, em Rio Grande, um dos nomes mais destacados entre meados e a segunda metade do século XIX. Foi um dos criadores da Câmara do Comércio em 1944 e mandou construir um prédio de referência na cidade e que persiste no cenário urbano: o Sobrado dos Azulejos (1862). 
       A caricatura foi publicada na capa do jornal Marui número 6 de 1880. Acervo da Biblioteca Rio-Grandense. 

FORNECIMENTO DE ÁGUA E O MARUI



          A caricatura do jornal Marui mostra algumas dificuldades no fornecimento de água em Rio Grande. O exemplar do Marui (jornal literário e caricato) é o número 1 de janeiro do ano de 1880 e que foi editado na Tipografia e Litografia de H. M. Gonzaga à Rua Pedro II n.53B.  
         A coleta pública era, desde o século XVIII, realizada em poços localizados em praças (especialmente na Praça da Geribanda ou Tamandaré) e na Ilha dos Marinheiros. Em 1870 é criada a Companhia Hidráulica Rio-Grandense para o fornecimento de água por encanamento em residências e para venda de água em praças junto aos quatro chafarizes (instalados na Praça Sete de Setembro, Tamandaré, Xavier Ferreira e Barão de São José do Norte). A Companhia fecha os poços da Praça Tamandaré e monopoliza o fornecimento de água que continuou apresentando problemas. 
       Na caricatura se mostra o novo sistema de fornecimento mas sem pressão para a chegada da água e o antigo sistema, de venda de água em carroças por "aguadeiros". 

VISITA DE GETÚLIO VARGAS



        A cidade se mobilizou para receber o presidente da República Getúlio Vargas em sua visita dos dias 21 e 22 de fevereiro de 1953. O Programa de Recepção foi publicado pelo Jornal Rio Grande do dia 19 de fevereiro. Entre as atividades previstas se destacaram a inauguração do Entreposto da Pesca e a inauguração das novas unidades da Companhia de Petróleo Ipiranga. A Refinaria ampliaria de forma consistente sua capacidade de produção e alcançaria num crescendo o mercado nacional do refino e da distribuição de derivados do petróleo. 
         Milhares de pessoas estavam nas ruas para registrar a passagem do "pai dos pobres" que no ano seguinte cometeria suicídio. Conforme suas palavras impressas na carta testamento: "deixo a vida para entrar na História".  

O MERCADO PÚBLICO E A CHINA EM 1953


        O Mercado Público era motivo de polêmica na primeira metade dos anos 1950. Obras já se arrastavam por anos e um segundo piso havia sido construído em sua fachada para a Praça Xavier Ferreira. A continuidade da obra e sua almejada e não realizada finalização era motivo de indignação para os redatores da Coluna "Corujando" do jornal Rio Grande do dia 29 de setembro de 1953. 


         Outra matéria, atualmente reposta, está relacionada ao aumento do preço da carne que afligia os consumidores. Inflação crescente, perda de poder aquisitivo, desemprego em alta com o fechamento de empresas tornava o cenário do aumento dos alimentos um fator de apreensão na cidade operária/industrial em crise. No presente, a crise do preço da carne está relacionada a um paradigma que na época não existia: o mercado consumidor chinês em expansão. Naquele período dos anos 1950, milhões de chineses morreram de fome frente as dificuldades do governo em organizar a produção e garantir o abastecimento. Comprar alimentos no exterior, com os cofres abarrotados de dólares, seria um exercício de imaginação demasiadamente criativo para ser pensado por algum visionário! Em 2019, as vendas do Rio Grande do Sul para a China vão fechar o ano em aproximadamente 5 bilhões de dólares. Comparativamente, as vendas para a União Europeia fecharão em aproximadamente 1,7 bilhão de dólares.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

OS ALAGAMENTOS EM RIO GRANDE

     A coluna "Corujando" destacou um dos problemas históricos em Rio Grande, que recuam ao século  XVIII e que eram dos mais sentidos por parte da população da cidade em meados do século XX: os alagamentos. 
         Conforme o Jornal Rio Grande do dia 30 de setembro de 1953 as chuvas dificultavam o deslocamento urbano. Uma das áreas mais atingidas era a zona sul/leste da urbe, em especial, as ruas Vitorino, General Câmara e Coronel Sampaio. 



A DOCA E A BANCA DO PEIXE



      A coluna "Corujando" do Jornal Rio Grande  trazia informações sobre as necessidades de melhorias urbanas  ou obras que estavam sendo realizadas ou finalizadas na cidade do Rio Grande. A Coluna é um manancial documental valioso para estudar o crescimento urbano e suas variáveis infraestruturais, participação do poder público e impactos sociais. 
       No dia 26 de setembro de 1953 há uma referência a colocação de embarcações de agricultores da Ilha dos Marinheiros sobre o Cais em frente a "Banca do Peixe". O forte vento norte provocava ondas que ameaçavam engolir as canoas e caiaques. Interessante que há poucos anos assisti a esta cena no mesmo local, evidenciando uma ritualização do cotidiano, numa ação necessária para evitar que o movimento das águas lançasse as embarcações contra o cais e, em consequência, as danificasse ou afundasse. 

VIGARISTAS ATEMPORAIS



         Como se depreende do Aviso mandado publicar pela Companhia Swift, os vigaristas estão para além de temporalidades específicas, mas se difundem e se entranham na rede social aplicando golpes nas mais diversas situações e modalidades criativas.
        Em tempos virtuais, no presente, eles proliferaram de forma ainda mais impessoal e sórdida. O jornal Rio Grande do dia 19 de fevereiro de 1953 publicou este Aviso que objetivava alertar aos acionistas da Swift a respeito da ação inclemente dos estelionatários.

NOVAS ZONAS RESIDENCIAIS EM 1953

       A imprensa é uma fonte essencial para acompanhar a evolução urbana. As notícias diárias possibilitam estabelecer uma diacronia na ocupação de espaços e a alteração de suas funcionalidades. As crises ou incrementos econômicos estão diretamente relacionados ao aumento populacional ou a demandas de construção de imóveis. 

       A matéria do jornal Rio Grande do dia 26 de setembro de 1953 enfatiza que o poder público municipal precisa fornecer a infraestrutura para o surgimento de novas áreas residenciais. No caso, uma zona com intensa ocupação estava sendo as imediações do fim das ruas Dr. Nascimento, Francisco Marques, General Vitorino e Salgado Filho. Porém, a precária pavimentação, além dos serviços de iluminação e esgoto, necessitavam da contrapartida municipal.



ALFREDO SOARES DO NASCIMENTO





      A Revista Tudo n.2 de setembro de 1930 destacou a atuação do ex-Intendente Municipal Alfredo Soares do Nascimento que naquele período era Deputado a Assembléia dos Representantes do Rio Grande do Sul.

     Conforme a coluna "Você me Conhece" (http://secultrg.blogspot.com/2018/09/capitao-doutor-alfredo-soares-do.html?m=0) mais conhecido por Dr. Nascimento, o capitão foi engenheiro militar. Nasceu no Rio Grande, em 18 de setembro de 1863 e foi nomeado Intendente Provisório por Borges de Medeiros, Presidente do Estado, de acordo com o decreto n° 2016, de 7 de setembro de 1913. Tendo promulgado, em 29 de dezembro do mesmo ano, a nova lei eleitoral para o município, foi efetivado no cargo. Eleito para completar o então vigente quatriênio administrativo, tomou posse em 5 de março de 1915. Nascimento foi reeleito em maio de 1916 e manteve-se no cargo até 27 de julho de 1924.
          A "Tudo" publicou uma informação pouco conhecida: a atuação de Nascimento na campanha militar de Canudos (1896) e a referência a ele no livro "Os Sertões" de Euclides da Cunha.  


REVISTA TUDO - 1935





      A Revista Tudo Rio-Grandino foi uma das publicações periódicas que buscaram divulgar a história, geografia, sociabilidades, literatura e aspectos culturais da cidade do Rio Grande. Diferente dos jornais periódicos, estas publicações recorriam a temáticas variadas e pesquisas históricas normalmente associadas ao recurso visual: fotografias e plantas urbanas. 

         Nesta edição de 1935, ano de elevação do Rio Grande de Vila para Cidade, a edição comemorativa registrou a efeméride com o recurso a retrospectiva de acontecimentos norteadores da identidade local e também da exaltação dos potenciais econômicos do presente (indústria e comércio de exportação). Em sua penúltima página, a própria revista editada pela Livraria Americana explica a sua proposta aos leitores.

ESGOTOS EM RIO GRANDE

Trabalhadores nas obras de esgotos que tomaram as ruas centrais da cidade em 1917. "Revista Tudo" do ano de 1935.
Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

           
        A fotografia registrou o árduo trabalho realizado pelos trabalhadores nas obras de construção dos esgotos urbanos da cidade do Rio Grande no ano de 1917. Para sua época foi um grande avanço frente a uma cidade que apresentava um intenso incremento populacional nos quadros da industrialização e das obras realizadas pela Companhia Francesa (Porto Novo e Molhes da Barra). A população da cidade aumentou de 29.500 no ano de 1900 para 44.000 no ano de 1918, evidenciando a necessidade de obras de infraestrutura urbana que garantisse a salubridade. 

COLÉGIO UNIÃO


Fotografia reproduzida na Revista Tudo do ano de 1935. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

        O atual prédio da Prefeitura Municipal foi inaugurado em 1900. A estrutura original era o chamado Casarão do Rasgado, edificado em 1824. Ao longo dos anos o casarão passou para a família Tigre, Werneck e foi alugado para comércio. Nesta fotografia, a fachada original evidencia que estava alugada para o Colégio União nos primórdios da década de 1890. Após profunda reforma o prédio perderia este estilo e ganharia as características atuais que são visíveis na fotografia abaixo.

Prefeitura Municipal por volta de 1925. Revista Tudo de 1935. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense.