![]() |
| Frigorífico Swift, cidade administrativo. Acervo: Revista Máscaras, 1919. |
Em 1912 foi fundada a
União dos Criadores, órgão de representação de pecuaristas do Rio Grande do Sul,
com o objetivo de refinamento do rebanho e melhoria da qualidade do gado. O
aprimoramento das atividades criatórias foi incentivado pelo governo estadual
sob presidência de Borges de Medeiros, o qual, pela ótica da política positivista,
defendia a modernização através a preservação da ordem existente. Com o apoio
governamental à solução dos problemas de pecuaristas e charqueadores, a
modernização voltou-se ao apoio ao estabelecimento de frigoríficos. Com o
início da I Guerra Mundial em 1914, as possibilidades econômicas para a
pecuária rio-grandense, que poderia abastecer os países beligerantes em nível
de militares e civis, geraram uma grande euforia entre os produtores e
perspectivas de crescimento econômico ao governo borgista.
A
boa receptividade do mercado internacional nesta conjuntura bélica promoveu o
aumento da demanda e a elevação dos preços do gado. Empresas frigoríficas
norte-americanas e inglesas ampliaram suas áreas de atuação buscando países em
que o custo de produção fosse inferior que nas matrizes. Frigoríficos
estrangeiros voltaram-se para a região platina, reconhecida internacionalmente
pelas atividades pecuaristas e instalam-se na Argentina, Uruguai e também no
Rio Grande do Sul. Tecnologia de ponta e capital multinacional voltado a uma
lógica de lucro de seus países provocam preocupações do próprio Borges de
Medeiros em Mensagem à Assembleia (20/09/1917), que observando a experiência
destas empresas no Uruguai, afirmou: “São indubitavelmente assombrosos os
lucros líquidos obtidos (por estes frigoríficos). Um rápido exame do assunto
nos leva à conclusão que o portentoso enriquecimento dos frigoríficos no Rio da
Prata funda-se na exploração do fazendeiro e, por derivação, dos operários,
seja nas próprias fábricas, ou seja, fora delas”.
Apesar
das tentativas infrutíferas dos criadores regionais em constituírem um
frigorífico com capital rio-grandense evitando o monopólio das empresas
estrangeiras, a Swift e Armour estabeleceram-se no Estado em 1917. Com a
abertura da barra e as condições propicias do porto do Rio Grande a partir de
1915, os produtos derivados da pecuária puderam fluir com segurança para os
mercados mundiais.
A
euforia durou pouco, pois com o final da guerra em 1918, a retração da demanda
internacional e a deflação dos preços produziu uma crise para o setor dos
frigoríficos que foi repassado aos criadores. O criador não estava mais ligado
aos fluxos e refluxos de demanda e consumo no Brasil, mas inserido dentro de
relações de dependência das flutuações de uma economia mundializada no contexto
de depressão econômica do pós-guerra.
O frigorífico norte-americano, de Chicago, estava prestes a desembarcar na cidade industrial do Rio Grande e provocar forte impacto na econômica pecuarista de parte do Rio Grande do Sul.

Nenhum comentário:
Postar um comentário