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| Detalhe do Forte Jesus-Maria-José. |
No século XVIII, Rio Grande apresentava um cenário muito diferenciado dos dias de hoje. O surgimento da localidade e as motivações de ocupação da barra do Rio Grande de São Pedro estão relacionadas ao interesse de Portugal em ocupar militarmente este ponto estratégico. Tempos de guerra no Prata, nas contínuas lutas entre portugueses e espanhóis pelo controle da Colônia do Sacramento. Rio Grande surge dinamizada por este confronto sendo uma base de apoio logístico à manutenção das pretensões lusitanas em colonizar e controlar o comércio pelo Rio da Prata.
A
colonização é uma decorrência da ocupação militar e não o contrário. A
prioridade é controlar uma fronteira móvel e indefinida que as duas potências
ibéricas argumentam a posse. Os fortes surgem como fundamento da militarização
e eles fazem parte de um plano detalhadamente orquestrado.
Dois fortes num horizonte de areia e água
O
sistema de defesa lusitano, implementado por Silva Paes a partir de 1737, era
composto pelo Forte de São Miguel (Chuy), as guardas do Taim, Chuí, Albardão,
Passo da Mangueira, do porto e do norte, e por dois fortes situados na atual
área urbana do Rio Grande: o Forte de Jesus-Maria-José e Sant’Ana do Estreito.
Estas
duas fortificações deram origem a dois núcleos populacionais, que consolidaram
uma ocupação civil do então Presídio do Rio Grande de São Pedro: a Povoação do
Porto e a do Estreito.
Junto
ao forte Jesus-Maria-José surgiu entre 1737 e 1750, a denominada povoação do
Porto, formada por pequeno número de habitações e cujo papel militar era
restrito. Conforme o Mestre-de-campo André Ribeiro Coutinho, o Forte de
Jesus-Maria-José era formado por “uma igreja de 92 palmos de comprido,
incluindo cruzeiro e capela-mor e 40 palmos de largo; um corpo de guarda de 34
palmos; 4 quartéis pequenos para os soldados; um armazém para a courama de 105
palmos; uma ferraria, uma casa para o armeiro”.
Na
Povoação do Porto, segundo Maria Luiza Bertulini Queiróz, localizava-se a
fiscalização da atividade comercial do Presídio, envolvendo o controle de
entrada e saída de mercadorias e embarcações, a passagem de gado pelo canal e a
arrecadação de impostos.
A
sede da Comandância Militar localizava-se na povoação do Estreito (concluída em
janeiro de 1738) que concentrava 65% do efetivo militar – 31 oficiais e 414
soldados. Um maior número de habitações concentrou-se nas proximidades do Forte
e da Igreja de Sant’Ana do Estreito. A fortificação localizava-se em ponto
estratégico, estendendo-se entre a Lagoa dos Patos e o Saco da Mangueira,
utilizando 44 peças de artilharia para assegurar o controle sobre o
deslocamento pela península.
A
povoação do Estreito foi abandonada até o final da década de 1750, devido à
deposição de areia que acabou encobrindo as construções. Gomes Freire de
Andrade, em 1752, transfere oficialmente a Povoação do Estreito para o Porto
que passou a concentrar o crescimento urbano. Escreveu Andrade que “a povoação
do Estreito se desfez toda, e de novo se passou tudo para a do Porto, e causou
grande admiração ver donde vivia maior parte deste povo todos cobertos de
areia, que muitas vezes lhes tapa as portas das casas em que moram”. A área
ocupada pelo Estreito, ficou relativamente desocupada até a metade do século XX.

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