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| Centro da cidade do Rio Grande em 1870. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. |
Com o pseudônimo de Vianna- Castellense, um literato anônimo elaborou na Revista Arcádia uma projeção do que seria a cidade do Rio Grande no futuro. Envolvido pelos problemas do presente e acreditando que o desenvolvimento tecnológico da civilização ocidental afugentaria as trevas e traria a luz da racionalidade para o espaço rio-grandino, o autor afirma que no ano de 1868, as profecias estavam desacreditadas e “as luzes da civilização, aclarando os mais afastados cantos do mundo, irradiam por todo o orbe e até já na terra da inocência penetrou o seu clarão".
A população da cidade em 1868 era de aproximadamente 15.500 habitantes. Segundo o censo IBGE 2000 a população atualmente é de 186.755 sendo 90.527 homens e 96.228 mulheres, concentrando-se na zona urbana. 179.422 e na zona rural 7.333.
O literato apresenta um quadro melancólico do presente e projeta grandes transformações para o futuro, explicando as motivações de suas especulações: “Discursava eu, mentalmente, num dos mais tempestuosos dias de agosto, em que por mal de meus pecados fui obrigado a enclausurar-me na minha pobre casa, bloqueada por todos os lados pelas lagoas, que fizeram desta cidade de São Pedro uma Veneza Americana. Ouvindo o coaxar de rãs – sonora música – que vale bem um solo de trombone desafinado, que adormeci recostado numa cadeira e nesse estado de torpor vi ou me pareceu ver tanta grandeza futura, tanto porvir risonho, que resolvi contar publicamente minha visão”.
A "lentidão úmida" da passagem do tempo naqueles dias de agosto do distante ano de 1868 faz com que o exercício de futurologia seja um tanto acanhado e temporalmente longínquo: a máquina do tempo parou treze décadas no futuro, no final do século XX.

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