Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

domingo, 15 de dezembro de 2019

O NASCIMENTO DE UMA REFINARIA

Francisco Martins Bastos (de branco) junto com fundadores e engenheiros da Refinaria Ipiranga. 


“Se o Brasil fosse um tacape, você o seguraria pelo Rio Grande do Sul (...). No imaginário brasileiro o gaúcho é uma espécie de europeu selvagem. E, como tal, imprevisível. De vez em quando, do meio dos bois e das vacas, decola uma companhia de aviação. Ou um baile de facões, esporas e prendas de saias longas é interrompido para fundarem uma refinaria. O Rio Grande do Sul é o fim do Brasil. O que, de certa maneira, o provocou a ser o começo de tantas coisas.” Luiz Fernando Veríssimo

Na década de 1930, a revolução tecnológica ligada ao setor petrolífero (gasolina, querosene, óleo diesel, óleo combustível e lubrificantes) passou a impulsionar o desenvolvimento dos países industrializados. Em 1934, na cidade de Uruguaiana, começou a funcionar uma pequena unidade de produção de derivados básicos do petróleo visando o abastecimento do mercado rio-grandense. A empresa chamava-se Destilaria Rio-Grandense e era constituída por empresários brasileiros e argentinos, sendo pioneira no Brasil na produção industrial de gasolina, querosene, óleo diesel e óleo combustível.
Para chegar até Uruguaiana, o petróleo cruzava o território argentino, cujo governo em 1936, proibiu a reexportação de petróleo interrompendo o fluxo para o Brasil. O desembarque da matéria-prima num porto brasileiro foi à solução para o impasse. A cidade do Rio Grande foi escolhida para a construção de tanques de armazenagem e unidades produtivas devido à existência deste porto marítimo. Em 6 de agosto de 1936, em Porto Alegre, empresários brasileiros, argentinos e uruguaios, constituíram a empresa Ipiranga S.A. Companhia Brasileira de Petróleos. O terreno originalmente escolhido para a construção, com o apoio do governo estadual, foi embargado pelo governo federal, sendo identificada uma nova área na região dos banhados junto ao Saco da Mangueira. “Lama, vegetação com as raízes expostas, insetos, tudo desafiava os ânimos. Parecia impossível que aquele chão instável e alagadiço pudesse suportar uma obra daquela dimensão. Mas não restavam alternativas. O mangue teve de ser drenado e aterrado. Dada a instabilidade do terreno, até as marcações de engenheiros e construtores eram difíceis – e não raro eles chegaram a trabalhar com lama até a cintura.” (Uma história de realizações – Empresas Petróleo Ipiranga 60 anos de realizações). Nove meses após o início das obras, em 7 de setembro de 1937, ocorreu à inauguração da Refinaria num dia de temporal e sem registro fotográfico do evento.
Tanques da Refinaria Ipiranga em seus primórdios. 

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