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| Primórdios da Refinaria Ipiranga. |
A cidade do Rio Grande já convivera com algumas experiências industriais pioneiras como a fábrica de têxteis Rheingantz ou o frigorífico Swift. A Refinaria Ipiranga demarcou inovações tecnológicas que persistem até o presente. Os primórdios foram cercados de dificuldades operacionais e de comercialização dos produtos. Em 1938, Francisco Martins Bastos assumiu a superintendência técnica da Refinaria encarregando o engenheiro russo Estebán Polanski de fazer os ajustes necessários para o funcionamento dos equipamentos que, nos primeiros meses de funcionamento, apresentavam graves problemas. Em nível de comercialização ocorreu um fato curioso: o querosene Ipiranga tinha uma restrita venda devido ao concorrente apresentar na embalagem um jacaré. Num golpe de marketing, Bastos esboçou o desenho de seu pastor alemão de estimação para serem estampados nas latas, acarretando no aumento das vendas do produto.
No ano de
1938, foi inaugurado na cidade do Rio Grande o primeiro posto de serviço
Ipiranga, ampliando a área de atuação da empresa. Em abril do mesmo ano, o
presidente Getúlio Vargas instituiu, por decreto, o Conselho Nacional do
Petróleo, órgão responsável pelo controle e supervisão da produção e
comercialização do petróleo e derivados. Neste decreto ficou determinado que
somente cidadão brasileiros poderiam ser acionistas, excluindo portanto, os
sócios uruguaios e argentinos e gerando uma crise na Ipiranga. As ações foram
vendidas para interessados brasileiros formando a base acionária da empresa João
Pedro Gouvêa Vieira, Francisco Martins Bastos, Carlos Fagundes de Mello,
Aristides de Almeida, René Ormazabal e João Francisco Tellechea.
Demarcando a
dificuldade dos primeiros anos de atuação, em setembro de 1939 com o inicio da
Segunda Guerra Mundial, desencadeou-se a suspensão do envio de petróleo bruto
para a Ipiranga, por parte de uma empresa subsidiária da Shell. Com a escassez
de matéria-prima, a Refinaria chegou a fazer a destilação de petróleo em
caldeiras aquecidas à lenha. Com a entrada do Brasil na guerra, temendo-se um
ataque das forças alemãs, a Refinaria foi considerada um alvo de grande
importância estratégica, quando o trabalho noturno passou a ser feito quase às
cegas. Com o bloqueio naval dos submarinos alemães, as atividades foram
basicamente paralisadas restringindo-se a manutenção dos equipamentos.
Apesar das
dificuldades buscou-se alternativas para a sobrevivência com a produção de
solventes para a indústria da borracha voltada a fabricação de pneumáticos,
ingressando a empresa, no importante mercado paulista. Por decreto-lei de 1945,
a empresa Ipiranga foi considerada oficialmente como de interesse nacional e os
funcionários foram reconhecidos como “soldados mobilizados dentro da empresa”,
equiparando o seu trabalho com o dos pracinhas que lutavam no front. Somente no final da guerra a
contabilidade da empresa registrou lucratividade. Neste período de 1937 a 1945,
sobreviver às dificuldades foi o desafio enfrentado pela empresa que se
consolidou no mercado regional e nacional nas décadas seguintes.

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