Porto do Rio Grande em 1908

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domingo, 15 de dezembro de 2019

NAZI-FASCISMO E REVOLTA POPULAR - O Povo nas Ruas

Desfile nazista. 

 “O povo da cidade do Rio Grande, revivendo as suas tradições de patriotismo e de desambro ao tomar conhecimento do vandálico e covarde afundamento de cinco unidades de nossa marinha mercante por submarinos alemães nas nossas águas territoriais, extravasou a sua indignação e repulsa em desagravo ao ultraje à sua soberania. e cheio dessa justa exaltação cívica, veio para as ruas, às primeiras horas da tarde de anteontem, percorrendo as mesmas conduzindo à frente o pavilhão auriverde tendo visitado as redações dos jornais e o palácio da justiça (...) dali os manifestantes, aos brados de morra aos países do eixo e a quinta-coluna, abaixo Hitler, Mussolini e Hiroíto e com vivas ao Brasil, aos países aliados e à democracia, dirigiram-se à praça Xavier Ferreira e ao pé da estátua da liberdade, usou da palavra, o sr. Fernando Barbosa, para dar por encerrado, naquela tarde, devido ao mau tempo, o comício, ocasião em que foi cantada pela massa popular o Hino do Brasil” (O Tempo, 20/08/1942).
Os jornais O Tempo e Rio Grande participaram ativamente da campanha de mobilização para a entrada do Brasil ao lado dos aliados na 2ª guerra mundial, exaltando o chefe de estado e a democracia sem questionar as diretrizes da ditadura varguista. Contribuiram para a construção da “imagem do inimigo”. Sistematicamente, combateram a infiltração de elementos do Eixo e promoveram, através de manchetes e matérias, a edificação de um inimigo sanguinário, covarde e sádico. O afundamento de navios por submarinos alemães foi fator de expansão do noticiário engajado aos discursos antinazistas. O espectro da quinta-coluna e da subsequente infiltração e espionagem, levou a generalização do inimigo nazifascista em todo o descendente alemão ou italiano.
Os tumultos dos dias 18 e 19 de agosto, foram apoiados integralmente pelos jornais enquanto natural expansão do patriotismo e indignação contra os ataques orquestrados pelo Eixo. A depredação de casas comerciais e residências fez parte da imposição dos princípios da brasilidade frente à infiltração inimiga. A discriminação de empresas e funcionários simpatizantes ou oriundos desses países deveria tornar-se uma norma de conduta na comunidade local em tempos de guerra.
Jornal O Globo, fevereiro de 1942. 

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