A Segunda
Guerra Mundial estendeu-se entre setembro de 1939 e agosto de 1945, resultando
no maior confronto militar da história da humanidade. Apesar da política de
isolamento da América e neutralidade frente às ações militares na Europa, o
Brasil não conseguiu manter-se isolado frente ao conflito. Em 21 de agosto de
1942, o Brasil declara o Estado de Beligerância
contra a Alemanha e a Itália, pois 17 navios mercantes brasileiros já haviam
sido afundados pelo Eixo, número que chegaria a 30 navios até o ano de 1943. O
ataque de submarinos alemães aos navios, provocou indignação em grande parte da
população, desencadeando uma onda de protestos pelo país. Em 31 de agosto de
1942, ocorreu a declaração de guerra, quando o Brasil posiciona-se ao lado dos
países Aliados na luta contra o Eixo.
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| Propaganda de Guerra anti-submarino, 1943. Departamento de Imprensa e Propaganda. |
Os jornais e a guerra
O ano de
1942 foi de fundamental importância para a história brasileira. A ditadura do
Estado Novo, implantada em 1937 por Getúlio Vargas, ao declarar guerra com o
nazi-fascismo e ingressar no bloco dos aliados, viu o seu projeto político
esgotar-se ao final da guerra, com o triunfo das potências democráticas
ocidentais e o anacronismo da ditadura estado-novista.
No contexto
da guerra mundial, os acontecimentos internacionais, nacionais e da cidade do
Rio Grande, foram abordados pelos jornais O
Tempo e Rio Grande.
O jornal O Tempo foi fundado em 1906 e apresentava
quatro páginas em formato standard. A
primeira página era dedicada às notícias nacionais e da guerra, enquanto na
página quatro, apareciam as notícias locais. Em 18 de agosto de 1942, a
manchete define o engajamento do jornal à luta antinazista: “Canalhas!
Bandidos! Assassinos! Hoje nós estamos de luto. Amanhã... As almas dos nossos
irmãos serão vingadas, sem dó nem piedade. Para vocês, a pena de talião”. Nesse
número, o jornal afirma não dar maiores informações sobre o afundamento de
navios brasileiros devido à falta de material oficial da Agência Nacional com
sucursal em Porto Alegre. A orientação de O
Tempo baseava-se em divulgar somente material enviado pelo Departamento de
Imprensa e Propaganda (DIP) e oriundo da Agência Nacional, o que reflete o
comprometimento com fontes estadonovistas. As exaltações a Getúlio Vargas e às
principais autoridades civis e militares ligadas ao governo federal foram
frequentes. O periódico recorre a outros jornais como fontes noticiosas, mas
buscando elementos que respaldem a luta contra o Eixo e a exaltação varguista:
“o Brasil se fará digno das tradições e preservará a sua honra e o seu futuro.
Diante disso é justo que todos depositem a máxima confiança na palavra e nos
atos do supremo magistrado da Nação.” (20/08/1942).
Matérias
diárias divulgam os protestos contra a agressão aos navios brasileiros, “o Rio
Grande protesta com indignação contra a pirataria alemã - o povo vibrando de
patriotismo percorreu a cidade cantando o Hino Nacional, sob abaixo aos
famigerados do Eixo e castigando os quinta-colunistas”. (20/08/1942)
O jornal Rio Grande exalta o ufanismo à
brasilidade e o culto às autoridades, combatendo sem meias-palavras o
nazi-fascismo, porém realiza uma cobertura mais detalhada dos acontecimentos
ligados a manifestação popular. Conforme o jornal, a ação popular ao sair às
ruas e praticar represálias contra elementos originários dos países do Eixo,
foi um movimento “justo e compreensível” de repulsa aos crimes praticados pelos
“nazistas contra os nossos marinheiros, soldados e indefesas crianças e
mulheres”. A população “apedrejou diversas casas comerciais pertencentes a
alemães e italianos conhecidos quinta-colunistas
e simpatizantes da trindade maldita
integrada por Hitler, Mussolini e Hiroíto”. (Rio Grande, 19/08/1942).


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