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| Bombardeio aliado (um B-24 Liberator) ao complexo de refinarias de Ploesti, Romênia. |
“As
metralhadoras norte americanas disparavam em todas as direções... Escolhi um
Liberator que voava a uns 150 pés do solo e o ataquei por trás. Desacelerei o
meu Messerschmitt, baixei os flaps
para reduzir ainda mais a velocidade e varri o Liberator com uma descarga que o
alcançou de uma asa a outra. Podia ver os projéteis traçadores, atingindo o
avião e as chamas surgirem por toda a parte. Os artilheiros do teto e da cauda
disparavam contra mim. Acerquei o meu aparelho até situar-me a uns 70 pés de
distância. Meu motor se incendiou e senti uma tremenda vibração. Arrastado pela
velocidade deslizei por baixo do lado esquerdo do bombardeio, que estava já
fora de controle. Restava-me só um segundo para decidir o que fazer. A melhor
possibilidade me pareceu deixar-me expulsar do avião pelo impacto do choque,
quando o Messerschmitt se espatifasse. Livrei-me das correias e abri o teto
corrediço da cabina... Não recordo o momento do impacto. Quando recuperei a consciência,
encontrei-me sentado no solo, com meu uniforme destroçado e as pernas feridas.
Perto, ardiam os dois aviões...”. (Piloto
alemão)
“Avistei um 88 atrás de uma fileira de
árvores, num cruzamento da estrada. Pude ver o clarão do disparo na boca do
canhão, e o projétil vir para nós... Lancei o meu avião por baixo da descarga.
O projétil arrancou o aileron e o
timão esquerdo do aparelho do Capitão Roper que voava a minha direita. Voltei a
colocar-me junto a ele. Seu avião estava destroçado porém se mantinha no rumo.
Pude ver Roper, na cabina, olhando fixamente para frente, mantendo o seu avião
estabilizado... A resistência se fazia cada vez mais violenta. Nossos
metralhadores disparavam incessantemente. Aproximávamos-nos do objetivo pela
direção oposta à projetada, a uma velocidade de 245 milhas por hora, 65 milhas
acima da usual, aplicando potência de emergência nos motores... Tudo o que eu
queria era transpor esse inferno de traçadores, tanques de petróleo explodindo
e aviões em chamas...” (Piloto norte-americano)
Com exceção
do combate travado entre o encouraçado de bolso alemão Graff Spee com navios de
guerra da marinha britânica no Atlântico Sul, Rio Grande manteve-se
geograficamente afastada do teatro da guerra na Europa e nas Ilhas do Pacífico.
Um ataque aéreo como o ocorrido em Ploesti, com a ausência de porta-aviões
alemães e a falta de bases de reabastecimento para a Luftwaff, hoje não passa
de mera ficção. Porém na época, as medidas de segurança contra sabotagens e os
blecautes frequentes para a manutenção das atividades de produção noturna
estavam cercadas de apreensões frente aos rumos que o conflito poderia tomar na
Europa. A espionagem nazista no Rio Grande do Sul e o fato de que em 1940, 30%
da população do Estado era de teuto-brasileiros, indicavam que um ataque a
Refinaria não precisaria necessariamente ser aéreo mas poderia ser fruto de uma
sabotagem terrestre. Felizmente, o ataque a Refinaria hoje consiste num mero
exercício imaginativo.

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