Porto do Rio Grande em 1908

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domingo, 15 de dezembro de 2019

ATAQUE A REFINARIA - Relato de pilotos

Bombardeio aliado (um B-24 Liberator) ao complexo de refinarias de Ploesti, Romênia. 

 “As metralhadoras norte americanas disparavam em todas as direções... Escolhi um Liberator que voava a uns 150 pés do solo e o ataquei por trás. Desacelerei o meu Messerschmitt, baixei os flaps para reduzir ainda mais a velocidade e varri o Liberator com uma descarga que o alcançou de uma asa a outra. Podia ver os projéteis traçadores, atingindo o avião e as chamas surgirem por toda a parte. Os artilheiros do teto e da cauda disparavam contra mim. Acerquei o meu aparelho até situar-me a uns 70 pés de distância. Meu motor se incendiou e senti uma tremenda vibração. Arrastado pela velocidade deslizei por baixo do lado esquerdo do bombardeio, que estava já fora de controle. Restava-me só um segundo para decidir o que fazer. A melhor possibilidade me pareceu deixar-me expulsar do avião pelo impacto do choque, quando o Messerschmitt se espatifasse. Livrei-me das correias e abri o teto corrediço da cabina... Não recordo o momento do impacto. Quando recuperei a consciência, encontrei-me sentado no solo, com meu uniforme destroçado e as pernas feridas. Perto, ardiam os dois aviões...”. (Piloto alemão)

“Avistei um 88 atrás de uma fileira de árvores, num cruzamento da estrada. Pude ver o clarão do disparo na boca do canhão, e o projétil vir para nós... Lancei o meu avião por baixo da descarga. O projétil arrancou o aileron e o timão esquerdo do aparelho do Capitão Roper que voava a minha direita. Voltei a colocar-me junto a ele. Seu avião estava destroçado porém se mantinha no rumo. Pude ver Roper, na cabina, olhando fixamente para frente, mantendo o seu avião estabilizado... A resistência se fazia cada vez mais violenta. Nossos metralhadores disparavam incessantemente. Aproximávamos-nos do objetivo pela direção oposta à projetada, a uma velocidade de 245 milhas por hora, 65 milhas acima da usual, aplicando potência de emergência nos motores... Tudo o que eu queria era transpor esse inferno de traçadores, tanques de petróleo explodindo e aviões em chamas...” (Piloto norte-americano)
Com exceção do combate travado entre o encouraçado de bolso alemão Graff Spee com navios de guerra da marinha britânica no Atlântico Sul, Rio Grande manteve-se geograficamente afastada do teatro da guerra na Europa e nas Ilhas do Pacífico. Um ataque aéreo como o ocorrido em Ploesti, com a ausência de porta-aviões alemães e a falta de bases de reabastecimento para a Luftwaff, hoje não passa de mera ficção. Porém na época, as medidas de segurança contra sabotagens e os blecautes frequentes para a manutenção das atividades de produção noturna estavam cercadas de apreensões frente aos rumos que o conflito poderia tomar na Europa. A espionagem nazista no Rio Grande do Sul e o fato de que em 1940, 30% da população do Estado era de teuto-brasileiros, indicavam que um ataque a Refinaria não precisaria necessariamente ser aéreo mas poderia ser fruto de uma sabotagem terrestre. Felizmente, o ataque a Refinaria hoje consiste num mero exercício imaginativo.

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