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| Complexo de refinarias de Ploesti, Romênia. |
Apesar
de distante das frentes de batalha, a costa oceânica brasileira recebeu por
diversas vezes a funesta visita de submarinos alemães e o seu território foi
percorrido por diversos agentes do Reich. A possibilidade de sabotagens e a
observação das atividades industriais e bélicas por espiões nazistas não
constituem mera ficção literária. Uma refinaria era um ponto estratégico de
imenso valor bélico, pois a falta de combustíveis poderiam paralisar os
movimentos militares. Cientes disto, os aliados voltaram-se para a destruição
das grandes refinarias de petróleo na região vizinha a cidade romena de
Ploesti, que consistia no maior complexo de refino da Europa e um dos centros
industriais mais poderosos ao serviço do Eixo e de seu esforço bélico.
Ploesti era
formada por um sistema de segurança que previa ataques aéreos contra o seu
cinturão industrial e de refino. A defesa aérea contava com bases formadas por
52 caças Messerschmitt Me-109 e 17 caças Me-110, além de mais de uma centena de
aviões romenos e búlgaros. A artilharia antiaérea era integrada por um anel
constituído por 40 baterias de 88 mm e centenas de metralhadoras. O
adestramento da defesa antiaérea alemã era permanente e a zona era com frequência
submetida a ataques simulados.
Partindo de
bases na Líbia, situadas a 2.100 km do alvo, os norte-americanos lançaram um
maciço ataque aéreo a região de Ploesti formada por cinco grandes refinarias.
Os bombardeiros B-24, levando mais de 300 toneladas de bombas, foram preparados
para a arriscada missão que tinha um contorno suicida devido ao forte aparato
antiaéreo e a presença de dezenas de caças da Luftwaff.
O B-24
Liberator foi um quadrimotor amplamente utilizado no bombardeio realizado pelos
norte-americanos nas frentes de combate na Europa e no Pacífico. Ao longo da
guerra foram fabricados 18 mil unidades que lançaram mais de 600 mil toneladas
de bombas sobre alvos do Eixo. A tripulação era de sete a dez homens,
transportando uma carga máxima de 6 toneladas de bombas e desenvolvendo uma
velocidade de cruzeiro de 320 km/h.
O ataque
aconteceu no dia 1º de agosto de 1943, quando em voo rasante a poucos metros
das chaminés, os B-24 precipitaram-se sobre o complexo de refinarias lançando
toneladas de bombas e provocando grande destruição. As bombas de efeito
retardado transformaram as refinarias num inferno de fogo, quando os tanques de
óleo explodiam estrondosamente. A encarniçada resistência alemã ocasionou
muitas baixas na tripulação dos pesados aviões que a baixa altitude eram um
alvo fácil para as baterias em terra e para os Messerschmitt no ar.
Dos 178
Liberator que decolaram das bases de Bengasi na Líbia, 165 alcançaram Ploesti
sendo derrubados pelo inimigo 41 aviões o que provocou a morte ou o
desaparecimento de 446 membros das tripulações. A intensidade do ataque e da
resistência alemã pode ser constatada nas baixas norte-americanas e nas avarias
provocadas nos aparelhos que conseguiram pousar nas bases aliadas de Bengasi,
Malta, Sicília e Chipre: dos 112 aparelhos restantes, 55 estavam com graves
avarias. Foi um dos bombardeios durante a guerra em que mais morreram aviadores
norte-americanos.
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| Ploesti sob ataque aéreo. Acervo: Biblioteca do Congresso Americano. |


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