Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

domingo, 15 de dezembro de 2019

ATAQUE À REFINARIA

Complexo de refinarias de Ploesti, Romênia. 

          Durante o grande conflito mundial deflagrado em 1939, a manutenção do esforço de guerra mobilizou tanto as forças aliadas como as do Eixo no sentido de garantir a produção e suprimento de combustíveis para as frentes de batalha. As refinarias de petróleo tornaram-se essenciais para a produção em grande escala da energia indispensável para as atividades bélicas e ligadas a produção industrial. Em agosto de 1942, com a entrada do Brasil na guerra contra a Alemanha e Itália, a refinaria Ipiranga sediada em Rio Grande, tornou-se um espaço de segurança nacional. Exercícios contra ataques aéreos e blecautes sistemáticos, fizeram parte do cotidiano daqueles que viveram este período.
         Apesar de distante das frentes de batalha, a costa oceânica brasileira recebeu por diversas vezes a funesta visita de submarinos alemães e o seu território foi percorrido por diversos agentes do Reich. A possibilidade de sabotagens e a observação das atividades industriais e bélicas por espiões nazistas não constituem mera ficção literária. Uma refinaria era um ponto estratégico de imenso valor bélico, pois a falta de combustíveis poderiam paralisar os movimentos militares. Cientes disto, os aliados voltaram-se para a destruição das grandes refinarias de petróleo na região vizinha a cidade romena de Ploesti, que consistia no maior complexo de refino da Europa e um dos centros industriais mais poderosos ao serviço do Eixo e de seu esforço bélico.
 O encouraçado terrestre
     Ploesti apresentava uma guarnição de 50 mil homens pertencentes à Wehrmacht e Luftwaff, além de 70 mil prisioneiros de guerra que desenvolviam atividades auxiliares nas indústrias. As instalações das refinarias erguiam-se em torno da cidade de Ploesti formando um anel de dez quilômetros de diâmetro constituídos por depósitos, estações de bombeamento, tubulações, tanques, instalações militares etc. Ao sul da cidade encontrava-se a refinaria de Brazi e ao norte, Campina. Os estudos realizados pelos aliados, indicavam que Ploesti era o principal alvo industrial da Alemanha. A sua destruição reduziria drasticamente a disponibilidade de combustível para a máquina de guerra nazista. Um ataque aérea em grande escala reduziria a produção de combustível a uma terça parte e encurtaria a guerra em pelo menos seis meses.
Ploesti era formada por um sistema de segurança que previa ataques aéreos contra o seu cinturão industrial e de refino. A defesa aérea contava com bases formadas por 52 caças Messerschmitt Me-109 e 17 caças Me-110, além de mais de uma centena de aviões romenos e búlgaros. A artilharia antiaérea era integrada por um anel constituído por 40 baterias de 88 mm e centenas de metralhadoras. O adestramento da defesa antiaérea alemã era permanente e a zona era com frequência submetida a ataques simulados.
Partindo de bases na Líbia, situadas a 2.100 km do alvo, os norte-americanos lançaram um maciço ataque aéreo a região de Ploesti formada por cinco grandes refinarias. Os bombardeiros B-24, levando mais de 300 toneladas de bombas, foram preparados para a arriscada missão que tinha um contorno suicida devido ao forte aparato antiaéreo e a presença de dezenas de caças da Luftwaff. 
O B-24 Liberator foi um quadrimotor amplamente utilizado no bombardeio realizado pelos norte-americanos nas frentes de combate na Europa e no Pacífico. Ao longo da guerra foram fabricados 18 mil unidades que lançaram mais de 600 mil toneladas de bombas sobre alvos do Eixo. A tripulação era de sete a dez homens, transportando uma carga máxima de 6 toneladas de bombas e desenvolvendo uma velocidade de cruzeiro de 320 km/h.
O ataque aconteceu no dia 1º de agosto de 1943, quando em voo rasante a poucos metros das chaminés, os B-24 precipitaram-se sobre o complexo de refinarias lançando toneladas de bombas e provocando grande destruição. As bombas de efeito retardado transformaram as refinarias num inferno de fogo, quando os tanques de óleo explodiam estrondosamente. A encarniçada resistência alemã ocasionou muitas baixas na tripulação dos pesados aviões que a baixa altitude eram um alvo fácil para as baterias em terra e para os Messerschmitt no ar.
Dos 178 Liberator que decolaram das bases de Bengasi na Líbia, 165 alcançaram Ploesti sendo derrubados pelo inimigo 41 aviões o que provocou a morte ou o desaparecimento de 446 membros das tripulações. A intensidade do ataque e da resistência alemã pode ser constatada nas baixas norte-americanas e nas avarias provocadas nos aparelhos que conseguiram pousar nas bases aliadas de Bengasi, Malta, Sicília e Chipre: dos 112 aparelhos restantes, 55 estavam com graves avarias. Foi um dos bombardeios durante a guerra em que mais morreram aviadores norte-americanos.
Ploesti sob ataque aéreo. Acervo: Biblioteca do Congresso Americano. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário