Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 7 de dezembro de 2019

INSTRUÇÃO PÚBLICA


         
 Albert Anker "Die Dorfschule von" 1848 (A escola da Aldeia).
         Os problemas com a instrução pública no Rio Grande do Sul são muito antigos. As primeiras escolas mantidas pelo poder público foram criadas na Aldeia dos índios guaranis de Nossa Senhora dos Anjos na década de 1770. Em Porto Alegre, no ano de 1798, surge o primeiro professor de Latim mantido com recursos do poder público autorizado por um termo de vereança. Para manutenção dos proventos dos mestres foi criado em 1772 um imposto chamado Subsídio Literário do Brasil, o qual passou a ser cobrado no Rio Grande do Sul em 1813. A partir de 1820 foram criadas aulas de primeiras letras e aulas elementares, sendo os cargos providos por concurso realizado sob-responsabilidade do governador. Desta forma foram criadas aulas de primeiras de Gramática Latina em Rio Pardo e Rio Grande. O abandono da educação pública motivou José Feliciano Fernandes Pinheiro a afirmar “até a pouco se constava apenas um professor de Gramática Latina, instituído pelo Estado, na capital de Porto Alegre, e por uma contradição incompreensível a mocidade, esperanças da nação, parecia abandonada a mais crassa ignorância e barbárie: só no ano de 1820 é que foram outorgadas e providas algumas das cadeiras...”[1].
A debilidade no desenvolvimento educativo também foi destacado pelo comerciante Antônio José Gonçalves Chaves: “Quem diria que em toda província até 1820 havia uma única aula de Latim, a de Porto Alegre, e que não havia uma escola de primeiras letras paga pelo Estado em toda província! Em 1821 abriu-se uma aula de Filosofia Racional em Porto Alegre,  e duas de Latim, no Rio Grande e em Rio Pardo. E as aulas de primeiras letras que se mandavam criar nas freguesias ninguém as tem querido, porque o honorário é só de 100$000 e com menos de 400$000 não se pode achar um mestre.”[2]
Com esta dificuldade histórica a instrução pública desponta como uma das prioridades pois o município contava em 1845 com somente cinco aulas nacionais, uma de francês e quatro de primeiras letras (uma no Taim e outra no Povo Novo). Denunciava-se as precárias condições dos prédios voltados à educação e “as mesquinhas cotas que para tal efeito se tem aplicado”.[3] 
No ano de 1851, a instrução pública estava formada pela primeira e segunda cadeira dos meninos (respectivamente, com 61 e 56 alunos matriculados), pela primeira e segunda cadeira das meninas (respectivamente, com 67 e 102 alunas matriculadas) e pela aula do Povo Novo (36 alunos). A aula do Taim estava fechada pois o seu professor “não podendo subsistir com o ordenado que vencia deixou de funcionar. O mal que resulta desta falta, a Assembleia Provincial avaliará devidamente”.[4] A avaliação é de precariedade nas instalações, um baixo aproveitamento nos estudos, dificuldades aos professores devido a baixa remuneração. Se o “estado da instrução não é nada lisonjeiro” é devido ao zelo e esforços do docente que existe uma esperança de bons resultados.[5]
         Na defesa feita pela Câmara do Rio Grande esta reconhece que “em todas as épocas, a instrução pública tem sido reconhecida como uma fonte perene de benefícios para todo o povo que quer tocar o zênite da civilização. É esta uma verdade geralmente reconhecida e que por isso não admite a mínima contrariedade”.[6] Na defesa das cadeiras públicas de instrução secundária, a Câmara critica das que a cidade possuía, e que foram transferidas para Porto Alegre, o que “causou grande mal”. Refere-se a dois professores, de francês e de inglês, que continuaram a lecionar gratuitamente porém “esta patriótica e generosa dedicação desses professores não poderá ser permanente, e por isso a Câmara pede a Assembleia Provincial a reinstalação das mencionadas aulas no seu município”. E reitera, que o estabelecimento destas aulas secundárias na capital estabelece dificuldades “insuperáveis à classe pobre da sociedade habitadora em outros lugares da Província. Por falta de meios essa mocidade deixará de frequentar as aulas maiores e o resultado será o ficarem incultas muitas inteligências, dignas por certo de serem aproveitadas.”[7]

[1] PINHEIRO, José Feliciano Fernandes. Anais da Província de S. Pedro. Lisboa: Imprensa Nacional, tomo II, 1822, p. 108.
[2] CHAVES, Antônio José Gonçalves. Memórias economo-política sobre a administração pública no Brasil. Porto Alegre: Cia. União de Seguros Gerais, 1978, p. 212.
[3] Relatório da Câmara Municipal da cidade do Rio Grande, 28 de julho de 1845.
[4] Relatório da Câmara Municipal da cidade do Rio Grande, 23 de setembro de 1851.
[5] Relatório da Câmara Municipal da cidade do Rio Grande, 23 de setembro de 1851.
[6] Relatório da Câmara Municipal da cidade do Rio Grande, 23 de setembro de 1851.
[7] Relatório da Câmara Municipal da cidade do Rio Grande, 23 de setembro de 1851.

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