Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 7 de dezembro de 2019

A GRANDE EPIDEMIA



         A epidemia de cólera atingiu parte do Brasil entre 1855-1856. A faixa litorânea foi a mais atingida e a cidade do Rio Grande foi duramente atingida com cerca de 700 mortos numa população de cerca de 12.000 pessoas.
Um relatório da Câmara Municipal deixou informações sobre a atuação do morbus que praticamente parou a cidade durante algumas semanas do final do ano de 1855. É feita uma referência, entre tantas outras, que a Câmara cedeu o seu prédio para o atendimento dos doentes (no local em que hoje está o prédio da Biblioteca Rio-Grandense). Também é feita referência a Timoleon Zallony que se notabilizou no combate e desenvolvimento de técnicas de cura de pacientes acometidos de cólera.  
      “A autorização que habilitasse a câmara a resolver de pronto no caso de alguma epidemia, foi decretada no art. 38 da lei de 29 de novembro de 1833. Em fins do ano passado manifestou-se o cólera morbus e então a câmara, por falta dessa autorização, se viu em embaraços. Não obstante isso, tomando a si a responsabilidade, alugou logo uma casa para o estabelecimento da enfermaria, que depois foi removida para o paço da câmara municipal, por não ter aquela casa a comodidade precisa. Desde 2 de dezembro até 6 de fevereiro, despendeu-se a quantia de 7:586$119rs afora a gratificação dada, por autorização da presidência da província, aos enfermeiros Polidoro Rodrigues da Silva e Custodia Maria do Sacramento, sendo a esta a de 220$000 e aquele a de 180$000. A câmara recebeu do tesoureiro da Alfândega por ordem do Exm. ex-presidente, a quantia de 2:000$000 para socorrer a essas despesas. A subscrição promovida para esse fim pelo delegado de polícia Antonio Bonone Martins Vianna, com o presidente desta municipalidade, produziu 3:880$000rs. Depois disso o mesmo Exm. ex-presidente autorizou a câmara a despender mais de seu cofre 2:000$000rs. Na referida enfermaria, única que se estabeleceu nesta cidade, entraram durante aquele tempo, 254 doentes, sendo 159 estrangeiros e 59 nacionais; curaram-se 132 e faleceram 122. Pelo Exm. ex-presidente foi autorizado a serem ali tratados tanto os escravos como a gente de mar, pagando porém, o mesmo que nos hospitais de caridade. Em consequência dessa autorização recebeu-se de curativo dos primeiros 234$000rs e dos segundos 403$200rs. A câmara em tempo, como lhe cumpria, levou ao conhecimento da presidência o relatório, de que inclui cópia, dos diretores da enfermaria, do qual consta os donativos e os serviços prestados por diversos cidadãos. Entre estes mais se distinguiu Timoleon Zallony, que serviu com o maior zelo e desinteresse à causa da humanidade. E de muita precisão que autorizeis a despesa de 1:000$000 com dois médicos de partido para os distritos do Povo Novo e Taim, que distam muitas léguas desta cidade, com a obrigação de residirem ali afim de, quando for necessário, poderem com prontidão socorrer os enfermos, maxime quando se der o caso de uma epidemia qualquer”[1].

[1] Relatório da Câmara Municipal da cidade do Rio Grande, 30 de outubro de 1856.

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