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| Fotografia do Conde D'Eu com uniforme militar. |
À noite, fomos a
um suposto baile, depois de ter percorrido em toda a sua extensão, e sempre a
pé, as ruas iluminadas. Eram muito bonitas as iluminações: a Praça do Mercado
apresentava no contorno um conjunto de luminárias muito imponente, e a rua
principal estava esplêndida, guarnecida, em todo o comprimento, de balões de
cores. Chamava-se esta rua ainda há pouco, se não me engano, Rua da Praia; mas
num belo impulso de patriotismo, a Municipalidade acaba de resolver a supressão
de todos os antigos nomes e a sua substituição pelos de Rua do Imperador, Rua
dos Príncipes, Rua Dezesseis de Julho, Rua do Riachuelo, Rua de Uruguaiana,
etc, de forma que já não é fácil lembrar-se de todas.
As iluminações
particulares eram muito variadas. Muitas tinham as duas datas: 16 de julho
(chegada do Imperador à província) e 18 de setembro (rendição de Uruguaiana).
Um transparente mostrava as bandeiras brasileira e inglesa entrelaçadas, com a inscrição:
“Uma nuvem escureceu a amizade dos dois povos; porém reapareceu mais firme e
mais sincera”, numa referência aos problemas diplomáticos envolvendo a Questão
Christie. Em relação ao baile, tudo quanto posso dizer é que, durante duas
horas que lá estive, se não dançou e pouco se falou. Estavam trinta ou quarenta
senhoras, solenemente sentadas à roda da sala; as janelas estavam todas
fechadas.
Às seis horas da manhã do dia 4 de novembro,
o Conde e o Imperador embarcam no paquete Gerente.
Uma hora depois estavam fora da barra. “Todos os pensamentos se voltam para o
Rio de Janeiro, cada vez com maior impaciência”. Cerca de 52 anos depois, em
1922, foi a bordo de um navio que ocorreu o falecimento do Conde d’Eu.

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