Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 7 de dezembro de 2019

DO DIÁRIO DO CONDE D’EU...



Fotografia do Conde D'Eu com uniforme militar. 
        Em sua passagem por Rio Grande no ano de 1865, o Conde D’Eu deixou um registro sobre a iluminação noturna da cidade e sua ida a um baile:
À noite, fomos a um suposto baile, depois de ter percorrido em toda a sua extensão, e sempre a pé, as ruas iluminadas. Eram muito bonitas as iluminações: a Praça do Mercado apresentava no contorno um conjunto de luminárias muito imponente, e a rua principal estava esplêndida, guarnecida, em todo o comprimento, de balões de cores. Chamava-se esta rua ainda há pouco, se não me engano, Rua da Praia; mas num belo impulso de patriotismo, a Municipalidade acaba de resolver a supressão de todos os antigos nomes e a sua substituição pelos de Rua do Imperador, Rua dos Príncipes, Rua Dezesseis de Julho, Rua do Riachuelo, Rua de Uruguaiana, etc, de forma que já não é fácil lembrar-se de todas.
As iluminações particulares eram muito variadas. Muitas tinham as duas datas: 16 de julho (chegada do Imperador à província) e 18 de setembro (rendição de Uruguaiana). Um transparente mostrava as bandeiras brasileira e inglesa entrelaçadas, com a inscrição: “Uma nuvem escureceu a amizade dos dois povos; porém reapareceu mais firme e mais sincera”, numa referência aos problemas diplomáticos envolvendo a Questão Christie. Em relação ao baile, tudo quanto posso dizer é que, durante duas horas que lá estive, se não dançou e pouco se falou. Estavam trinta ou quarenta senhoras, solenemente sentadas à roda da sala; as janelas estavam todas fechadas.
        Às seis horas da manhã do dia 4 de novembro, o Conde e o Imperador embarcam no paquete Gerente. Uma hora depois estavam fora da barra. “Todos os pensamentos se voltam para o Rio de Janeiro, cada vez com maior impaciência”. Cerca de 52 anos depois, em 1922, foi a bordo de um navio que ocorreu o falecimento do Conde d’Eu.

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