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| Caravana com gauchos. Jean Pallière, meados do século XIX. |
A formação
cultural do Rio Grande do Sul desde o século XVII, apresentou confluências com
o processo histórico platino. A influência missioneira e indígena, o pampa
enquanto continuum fisiográfico
ligando o Rio Grande do Sul e o Uruguai, demarcam interações nas experiências
históricas dinamizadas pelo colonialismo português e espanhol.
Numa
sociedade fundada nas atividades militares e economicamente ligada à pecuária e
à grande propriedade, o pampa tornara-se uma fronteira móvel em trocas
culturais e econômicas. O corredor pampeano até o Rio da Prata, gerou homens
que buscaram um modo-de-vida à margem do sistema colonial, vivendo sem lei, sem
rei, sem religião e exercitando as atividades campeiras de roubo e abate do
gado bravio e rapto de mulheres das estâncias platinas. O gaúcho (da palavra
qûechua huagchu que significa órfão)
foi uma produção biológica do cruzamento de índios com portugueses ou
espanhóis, tornando-se um elemento característico do avesso da ordem colonial
que buscava ser imposta pelas autoridades.
Inimigos de
uma sociedade que buscava corresponder aos anseios de civilidade europeia, os párias da atividade
estancieira-pecuarista-charqueadora, são colocados na categoria de vagabundos e
ladrões, uma forma transitória de sobrevivência antes que o total cercamento
dos campos e as lutas no Prata os eliminassem do cenário pampeano. Esse gaúcho histórico, termo pejorativo ainda
durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), sofreu uma leitura idealizada pela
literatura posterior a 1850 e ressurgiu, no século XX, como a síntese gentílica
da formação do Rio Grande do Sul.

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