Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 14 de dezembro de 2019

GAÚCHOS OU FORASTEIROS

Caravana com gauchos. Jean Pallière, meados do século XIX. 

A formação cultural do Rio Grande do Sul desde o século XVII, apresentou confluências com o processo histórico platino. A influência missioneira e indígena, o pampa enquanto continuum fisiográfico ligando o Rio Grande do Sul e o Uruguai, demarcam interações nas experiências históricas dinamizadas pelo colonialismo português e espanhol.
Numa sociedade fundada nas atividades militares e economicamente ligada à pecuária e à grande propriedade, o pampa tornara-se uma fronteira móvel em trocas culturais e econômicas. O corredor pampeano até o Rio da Prata, gerou homens que buscaram um modo-de-vida à margem do sistema colonial, vivendo sem lei, sem rei, sem religião e exercitando as atividades campeiras de roubo e abate do gado bravio e rapto de mulheres das estâncias platinas. O gaúcho (da palavra qûechua huagchu que significa órfão) foi uma produção biológica do cruzamento de índios com portugueses ou espanhóis, tornando-se um elemento característico do avesso da ordem colonial que buscava ser imposta pelas autoridades.
Inimigos de uma sociedade que buscava corresponder aos anseios de civilidade europeia, os párias da atividade estancieira-pecuarista-charqueadora, são colocados na categoria de vagabundos e ladrões, uma forma transitória de sobrevivência antes que o total cercamento dos campos e as lutas no Prata os eliminassem do cenário pampeano. Esse gaúcho histórico, termo pejorativo ainda durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), sofreu uma leitura idealizada pela literatura posterior a 1850 e ressurgiu, no século XX, como a síntese gentílica da formação do Rio Grande do Sul.

Nenhum comentário:

Postar um comentário