Porto do Rio Grande em 1908

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sábado, 14 de dezembro de 2019

GAÚCHOS OU FORASTEIROS - O gaúcho histórico

Gauchos, El Curral. Jean Pallière, meados do século XIX. 

A historiografia referente a elementos associados aos gaúchos remonta a 1617, quando em Santa Fé na Argentina, assaltantes de estâncias vestidos como charruas são chamados de moços perdidos. Cuatreros, changadores e vagabundos são associados ao roubo de gado e a uma vida desregrada nos pampas. Descrições destes elementos sociais, gaúchos ou gaudérios, estão presentes em fontes dos séculos XVIII e XIX. Em documentação espanhola de 1771, o historiador argentino Ricardo Molas descobriu uma das primeiras referências à palavra gaúcho: “Muy señor mio, habiendo tenido noticia que alguns gahuchos se habian dejado ver a la Sierra, mandé a los tenientes de milicias [...] com una partida de 34 hombres [...] por ver si podían encontrar los malechores”.
Alguns anos depois, em 1787, um dos demarcadores do Tratado de Santo Ildefonso, José de Saldanha, realizou observações sobre estes elementos na porção central do Rio Grande do Sul: “Gauches, palavra espanhola usada neste país para expressar os vagabundos, ou ladrões do campo, quais vaqueiros, acostumados a matar os touros chimarrões, a sacar-lhes os couros, e a levá-los ocultamente às povoações para sua venda ou troca por outros gêneros”.
Para o comerciante francês Nicolau Dreys, que morou no Rio Grande do Sul na década de 1830, “sem chefes, sem leis, sem polícia, os gaúchos não tem da moral senão ideias vulgares e, sobretudo, uma sorte de probidade condicional que os leva a respeitar a propriedade de quem lhes faz benefícios ou de quem os emprega ou neles deposita confiança”.

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