A
formação histórica sul-rio-grandense, segundo a tendência historiográfica
luso-brasileira, foi desenvolvida sistematicamente por vários autores a partir
da década de 1920. Segundo esta concepção, a formação rio-grandense não
comporta influências marcantes de origem espanhola ou alheias à lusitanidade. A
diretriz é demonstrar que o Rio Grande do Sul é legitimamente marcado pela
formação portuguesa e, desde os primórdios, o estado foi antagônico aos
interesses castelhanos. Com variações de abordagem, dando maior destaque a
certos agentes da nacionalidade como os açorianos ou bandeirantes, ou até
admitindo a importância de atividades desenvolvidas pela Companhia de Jesus, a
linha condutora dos estudos está orientada pelo pressuposto de um vínculo
indissociável com a lusitanidade e a exclusão de outras interpretações
históricas. Apesar dos diferenciados enfoques, o índio missioneiro é associado
aos interesses espanhóis e antilusitanos, resistindo à edificação inexorável da
luso-brasilidade.
Neste
contexto historiográfico é que se inserem as críticas que serão canalizadas ao
trabalho de Manoelito de Ornellas (1903-1969) o qual destaca a marcante
influência platina no Rio Grande do Sul e o caráter telúrico da resistência
missioneira-guarani em defesa de suas terras. Ornellas foi um dos referenciais
básicos para as polêmicas envolvendo questões platino-missioneiras.
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| Edição de 1956. |

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