Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

GAÚCHOS E BEDUÍNOS


         A formação histórica sul-rio-grandense, segundo a tendência historiográfica luso-brasileira, foi desenvolvida sistematicamente por vários autores a partir da década de 1920. Segundo esta concepção, a formação rio-grandense não comporta influências marcantes de origem espanhola ou alheias à lusitanidade. A diretriz é demonstrar que o Rio Grande do Sul é legitimamente marcado pela formação portuguesa e, desde os primórdios, o estado foi antagônico aos interesses castelhanos. Com variações de abordagem, dando maior destaque a certos agentes da nacionalidade como os açorianos ou bandeirantes, ou até admitindo a importância de atividades desenvolvidas pela Companhia de Jesus, a linha condutora dos estudos está orientada pelo pressuposto de um vínculo indissociável com a lusitanidade e a exclusão de outras interpretações históricas. Apesar dos diferenciados enfoques, o índio missioneiro é associado aos interesses espanhóis e antilusitanos, resistindo à edificação inexorável da luso-brasilidade.
         Neste contexto historiográfico é que se inserem as críticas que serão canalizadas ao trabalho de Manoelito de Ornellas (1903-1969) o qual destaca a marcante influência platina no Rio Grande do Sul e o caráter telúrico da resistência missioneira-guarani em defesa de suas terras. Ornellas foi um dos referenciais básicos para as polêmicas envolvendo questões platino-missioneiras.
Edição de 1956. 

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