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| Edição de 1976. |
Manoelito
de Ornellas escreveu em 1948, um livro que desencadeou uma polêmica e que
desenvolveu uma nova interpretação para a formação étnica do gaúcho
rio-grandense. Em Gaúchos e Beduínos ele defende a
influência árabe na formação do Rio Grande do Sul. Essa influência é expressiva
na caracterização do gaúcho, e o indígena é uma das vertentes que constituem o
“caudal desse tipo étnico”:
O gaúcho nasce mestiço; nasce do ventre fácil
da índia, com o pai peninsular dono das tradições árabes, que vinha à América
fosse espanhol ou português, trazendo a indumentária, o cavalo e os meios de
vida que o avô oriental lhe ensinava por quase um milênio de ascendência
direta... É fácil de concluir que o gaúcho não é dono somente dos hábitos do
cavaleiro do oriente, mas também do sangue crismado do infiel, nas terras da
península; o gaúcho, como todo o ibero-americano, mas o gaúcho, especialmente,
pela vida pastoril que o meio lhe proporcionou. O sangue ancestral, quente,
bravo, audaz e impulsivo, vibrou livremente nas coxilhas, e o pala esvoaçante
tremulou aos ventos do sul, como uma bandeira de liberdade...[1].
A
tentativa é demonstrar a afinidade entre a cultura espanhola e lusitana,
sintetizada na influência árabe. A resposta para a formação étnica e cultural
não está em privilegiar os espanhóis ou portugueses, e sim constatar as origens
que podem aproximar os países ibéricos. Há elementos unificadores, isto é, um
lastro em comum que identifica os vizinhos europeus e os vizinhos
sul-americanos. Para Ornellas, “A constante alternativa de posse econômica, da
Colônia do Sacramento e do território das Missões provocou entre o Rio Grande
do Sul e o Uruguai uma interpretação luso-espanhola que serviu para dar ao
gaúcho das duas parcelas territoriais quase que uma só fisionomia. Portugal
deixou profundas influências na vida sul-rio-grandense”.[2]
[1] ORNELLAS, Manoelito de. As
origens remotas do gaúcho. In: Rio Grande
do Sul: terra e povo. Porto Alegre: Globo, 1964, p. 25-34.
[2] ORNELLAS, Manoelito de. Gaúchos e Beduínos: a origem étnica e a
formação social do Rio Grande do Sul. 2ª ed., Rio de Janeiro: J. Olympio, 1956.
A primeira edição é de 1948. Essa 2ª
edição foi revista e ampliada pelo autor.

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