Porto do Rio Grande em 1908

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

GAÚCHOS E BEDUÍNOS II

Edição de 1976. 

         Manoelito de Ornellas escreveu em 1948, um livro que desencadeou uma polêmica e que desenvolveu uma nova interpretação para a formação étnica do gaúcho rio-grandense. Em Gaúchos e Beduínos ele defende a influência árabe na formação do Rio Grande do Sul. Essa influência é expressiva na caracterização do gaúcho, e o indígena é uma das vertentes que constituem o “caudal desse tipo étnico”:
O gaúcho nasce mestiço; nasce do ventre fácil da índia, com o pai peninsular dono das tradições árabes, que vinha à América fosse espanhol ou português, trazendo a indumentária, o cavalo e os meios de vida que o avô oriental lhe ensinava por quase um milênio de ascendência direta... É fácil de concluir que o gaúcho não é dono somente dos hábitos do cavaleiro do oriente, mas também do sangue crismado do infiel, nas terras da península; o gaúcho, como todo o ibero-americano, mas o gaúcho, especialmente, pela vida pastoril que o meio lhe proporcionou. O sangue ancestral, quente, bravo, audaz e impulsivo, vibrou livremente nas coxilhas, e o pala esvoaçante tremulou aos ventos do sul, como uma bandeira de liberdade...[1].
         A tentativa é demonstrar a afinidade entre a cultura espanhola e lusitana, sintetizada na influência árabe. A resposta para a formação étnica e cultural não está em privilegiar os espanhóis ou portugueses, e sim constatar as origens que podem aproximar os países ibéricos. Há elementos unificadores, isto é, um lastro em comum que identifica os vizinhos europeus e os vizinhos sul-americanos. Para Ornellas, “A constante alternativa de posse econômica, da Colônia do Sacramento e do território das Missões provocou entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai uma interpretação luso-espanhola que serviu para dar ao gaúcho das duas parcelas territoriais quase que uma só fisionomia. Portugal deixou profundas influências na vida sul-rio-grandense”.[2]


[1] ORNELLAS, Manoelito de. As origens remotas do gaúcho. In: Rio Grande do Sul: terra e povo. Porto Alegre: Globo, 1964, p. 25-34.
[2] ORNELLAS, Manoelito de. Gaúchos e Beduínos: a origem étnica e a formação social do Rio Grande do Sul. 2ª ed., Rio de Janeiro: J. Olympio, 1956. A primeira edição é de 1948. Essa  2ª edição foi revista e ampliada pelo autor.

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