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| Edição de 1956 da José Olyimpio Editora. |
A abordagem
de Manoelito de Ornellas é contestada por Moysés Vellinho, que ao resenhar o
livro Gaúchos e beduínos, elogia o
autor pela amplidão do estudo mas insiste na diferenciação entre o gaúcho
platino e o gaúcho rio-grandense. Por
maior que seja a identidade do meio físico, das atividades e dos instrumentos
de trabalho, da semelhança de usos e costumes “tenham aproximado um dos outros
os tipos do gaúcho, o nosso foi, pelos componentes de sua estruturação étnica e
psicológica, e pelas injunções de sua função política, tributário direto das
raízes culturais luso-brasileiras”.[1]
Vellinho relembra que a formação do Rio Grande do Sul está ligada ao povoamento
oriundo de Laguna, de São Paulo, dos Açores, de Portugal, da Colônia do
Sacramento e de outras partes do Brasil. As “infiltrações” provenientes do sul “essas não seriam suficientes para pôr em
dúvida, ainda que de longe, a paternidade luso-brasileira do gaúcho
rio-grandense”[2].
O
fato é que Moysés Vellinho defende o exclusivismo luso-brasileiro no povoamento
e formação histórica do Rio Grande do Sul partindo para o ataque das abordagens
que desviem do eixo explicativo lusitano-brasileiro, numa história regional que
sofreu determinantemente influência do Brasil português e não do espaço
espanhol do Rio da Prata. Na década de 1950, novas polêmicas envolvendo Moysés
Vellinho, Otelo Rosa e Mansueto Bernardi, aprofundarão este conflito entre uma
abertura a atores históricos missioneiros, indígenas e platinos, defendida por
Manoelito de Ornellas e outros atores, e as posições voltadas a uma historiografia
do antagonismo rio-grandense/platino.

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