Porto do Rio Grande em 1908

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

GAÚCHOS E BEDUÍNOS - V

Edição de 1956 da José Olyimpio Editora. 

A abordagem de Manoelito de Ornellas é contestada por Moysés Vellinho, que ao resenhar o livro Gaúchos e beduínos, elogia o autor pela amplidão do estudo mas insiste na diferenciação entre o gaúcho platino e o gaúcho rio-grandense.  Por maior que seja a identidade do meio físico, das atividades e dos instrumentos de trabalho, da semelhança de usos e costumes “tenham aproximado um dos outros os tipos do gaúcho, o nosso foi, pelos componentes de sua estruturação étnica e psicológica, e pelas injunções de sua função política, tributário direto das raízes culturais luso-brasileiras”.[1] Vellinho relembra que a formação do Rio Grande do Sul está ligada ao povoamento oriundo de Laguna, de São Paulo, dos Açores, de Portugal, da Colônia do Sacramento e de outras partes do Brasil. As “infiltrações” provenientes do sul “essas não seriam suficientes para pôr em dúvida, ainda que de longe, a paternidade luso-brasileira do gaúcho rio-grandense”[2].
         O fato é que Moysés Vellinho defende o exclusivismo luso-brasileiro no povoamento e formação histórica do Rio Grande do Sul partindo para o ataque das abordagens que desviem do eixo explicativo lusitano-brasileiro, numa história regional que sofreu determinantemente influência do Brasil português e não do espaço espanhol do Rio da Prata. Na década de 1950, novas polêmicas envolvendo Moysés Vellinho, Otelo Rosa e Mansueto Bernardi, aprofundarão este conflito entre uma abertura a atores históricos missioneiros, indígenas e platinos, defendida por Manoelito de Ornellas e outros atores, e as posições voltadas a uma historiografia do antagonismo rio-grandense/platino.


[1] VELLINHO, Moysés. Gaúchos e beduínos (resenha). Província de São Pedro. Porto Alegre, Globo, n º 13,  março 1949, p. 147.
[2] VELLINHO, Idem, p. 147.

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