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| Dragões do Rio Grande, século XVIII. Washt Rodrigues. |
O Tenente-General Johann Heinrich Bohn (1708-1783), organizou e comandou o Exército do Sul, sendo o responsável, no período de 1774 a 1776, pelas atividades militares de expulsão dos espanhóis que ocupavam posições em São Martinho (próximo a Santa Maria), Santa Tecla (proximidades de Bagé) e Vila do Rio Grande. Escreveu Memórias relativas à expedição ao Rio Grande (1774-1779) uma importante fonte de pesquisa deste período de enfrentamento luso-espanhol e de consolidação do Continente do Rio Grande. As Memórias e cartas escritas por Bohn ao Vice-Rei Marques do Lavradio, foram traduzidas e publicas por Claudio Moreira Bento no livro A Guerra da Restauração. O mapa em anexo situando o teatro da Guerra do Sul foi retirado do livro deste autor.
Bohn nasceu em
Bremen, na atual Alemanha, no ano de 1708. Foi contrato pelo Exército
Português, para prestar assessoria militar ao Marquês de Pombal. Enviado ao
Brasil num contexto de invasão espanhola
no Sul, assumiu o comando das tropas do Exército do Sul em 1774, dando
prosseguimento as operações de contraofensiva antes dirigidas por José Custódio
de Sá e Faria e por Marcelino de Figueiredo. Bohn investe na construção de
fortificações na parte norte do canal, a qual havia sido retomada dos espanhóis
em 1766. Ele pode contar com tropas de várias partes do Brasil, além de
regimentos oriundos da Europa: Bragança, Moura e Estremoz, contando com efetivo
de mais de 4.000 homens e apoio dos guerrilheiros sediados em Canguçu e
Encruzilhada do Sul.
As atuação destas
guerrilhas, segundo Claudio Moreira Bento, foram fundamentais para a
resistência à presença espanhola. A eficiência desta atividade de guerrilha
(cavalaria ligeira) é atestada num documento do governador de Buenos Aires, o
general mexicano Vertyz y Salcedo que em novembro de 1773 fundou o Forte de
Santa Tecla e cujos objetivos de sua campanha militar, era conquistar Rio
Pardo, Taquari, Porto Alegre e Viamão, derrotar as bases de guerrilha nas
Serras do Tapes e Herval e isolar a atuação lusitana na restinga de São José do
Norte. Executado este plano, os portugueses teriam sido expulsos do Rio Grande
do Sul. Neste documento, Vertyz y Salcedo relata: “Viamão, Rio Pardo, sul da
Vila de Rio Grande e do Rio Jacuí (Serra dos Tapes e Herval) tem sido refúgio
de delinquentes que atuam nos campos de Montevidéu, Maldonado, Soriano, Bacas,
Santa Fé, Corrientes e Missões. Tudo com o fim de roubar a cavalhada das nossas
estâncias do oriente dos Rios da Prata, Uruguai e Paraná. Meus governados, atingidos
por tão continuadas e incessantes ações, sofrem os maiores prejuízos, ao verem
suas fazendas destruídas.”

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