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| Rio Grande do Sul e o Prata no final da década de 1720. Acervo: Biblioteca Nacional. |
Vários cronistas portugueses descreveram as
potencialidades do Rio Grande do Sul em oferta ao Rei de Portugal ou às
autoridades administrativas portuguesas no Brasil, tendo por objetivo, a
concessão de terras ou o financiamento de expedições em busca de minas e
exploração de riquezas. Esses textos partem de referenciais geográficos
precários e considerações parciais, porém trazem elementos para o entendimento
das primeiras motivações portuguesas em território rio-grandense: Manuel Jordão
da Silva (1698), Domingos de Filgueira (1703), Francisco Ribeiro (1704), Manuel
Gonçalves de Aguiar (1721) e Francisco de Brito Peixoto (1725), realizarem
descrições do litoral, dificuldades de navegação, dos caminhos terrestres para
chegar até a Colônia do Sacramento e das possibilidades econômicas para à
pecuária.
Ligados ao povoamento português na Barra do Rio Grande em 1737 estão
uma série de relatos que buscam justificar o povoamento do território enquanto
base de apoio a Sacramento num contexto de guerra com os espanhóis. Os relatos
descrevem os movimentos militares e a necessidade de fortificações para
garantir uma plena ocupação em nome do Rei de Portugal: Cristóvão Pereira de
Abreu (1737 e 1738), Simão Pereira de Sá (1737), André Ribeiro Coutinho (1737),
José da Silva Paes (1742), e outros cronistas, que relataram a necessidade de
ocupação das terras e a apropriação do gado, tanto o disperso como o
pertencente às estâncias missioneiras. O
Diário de José de Saldanha (1787) e a Notícia
Particular do Continente do Rio Grande do Sul de Sebastião Bettamio (1780) são
das descrições mais completas do século XVIII. Os militares Francisco João
Roscio (1781), Domingo Moniz Barreto (1790) e Gabriel Ribeiro de Almeida
(1806), descreveram de maneira genérica as primeiras povoações, as
possibilidades de crescimento econômico e as ações bélicas. O último desses
cronistas participou da conquista das Missões em 1801, descrevendo os
acontecimentos em que esteve presente na forma de uma Memória sobre a tomada dos Sete Povos das Missões da América Espanhola.
Essas fontes abordam episódios específicos exaltando a expansão portuguesa e a
necessidade de uma ocupação sistemática frente aos interesses espanhóis, e são,
quase sempre, escritas por autoridades portuguesas ou militares. A exaltação do território buscava almejar
investimentos da Coroa Portuguesa para a incorporação econômica do Rio Grande
do Sul. Os cronistas referidos,[1]
não realizaram um trabalho de sistematização fatual que constitua uma obra de
história, escreveram por motivações psicossociais imediatas, ligadas a
solicitações à Coroa de investimentos para incorporação econômica e povoamento
de um território em litígio.
[1] A referência completa assim como um
comentário geral de cada cronista, são
desenvolvidos pelos seguintes autores:
CESAR, Guilhermino. Primeiros
cronistas do Rio Grande do Sul (1605-1801): estudo de fontes primárias da
história rio-grandense. 2.ed., Porto Alegre: Ed. da Universidade/ UFRGS,
1981; RODRIGUES, José Honório. História da História do Brasil. 2.ed.,
São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1979, p. 212-228; BARRETO, Abeillard. Bibliografia sul-rio-grandense: a
contribuição portuguesa e estrangeira para o conhecimento e integração do Rio
Grande do Sul. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, v. 1, 1973; v. 2,
1976.

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