Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

FONTES LUSO-BRASILEIRAS PARA O ESTUDO DA HISTORIOGRAFIA DO RS

Rio Grande do Sul e o Prata no final da década de 1720. Acervo: Biblioteca Nacional. 

        Vários cronistas portugueses descreveram as potencialidades do Rio Grande do Sul em oferta ao Rei de Portugal ou às autoridades administrativas portuguesas no Brasil, tendo por objetivo, a concessão de terras ou o financiamento de expedições em busca de minas e exploração de riquezas. Esses textos partem de referenciais geográficos precários e considerações parciais, porém trazem elementos para o entendimento das primeiras motivações portuguesas em território rio-grandense: Manuel Jordão da Silva (1698), Domingos de Filgueira (1703), Francisco Ribeiro (1704), Manuel Gonçalves de Aguiar (1721) e Francisco de Brito Peixoto (1725), realizarem descrições do litoral, dificuldades de navegação, dos caminhos terrestres para chegar até a Colônia do Sacramento e das possibilidades econômicas para à pecuária. 
        Ligados ao povoamento português na Barra do Rio Grande em 1737 estão uma série de relatos que buscam justificar o povoamento do território enquanto base de apoio a Sacramento num contexto de guerra com os espanhóis. Os relatos descrevem os movimentos militares e a necessidade de fortificações para garantir uma plena ocupação em nome do Rei de Portugal: Cristóvão Pereira de Abreu (1737 e 1738), Simão Pereira de Sá (1737), André Ribeiro Coutinho (1737), José da Silva Paes (1742), e outros cronistas, que relataram a necessidade de ocupação das terras e a apropriação do gado, tanto o disperso como o pertencente às estâncias missioneiras. O Diário de José de Saldanha (1787) e a Notícia Particular do Continente do Rio Grande do Sul de Sebastião Bettamio (1780) são das descrições mais completas do século XVIII. Os militares Francisco João Roscio (1781), Domingo Moniz Barreto (1790) e Gabriel Ribeiro de Almeida (1806), descreveram de maneira genérica as primeiras povoações, as possibilidades de crescimento econômico e as ações bélicas. O último desses cronistas participou da conquista das Missões em 1801, descrevendo os acontecimentos em que esteve presente na forma de uma Memória sobre a tomada dos Sete Povos das Missões da América Espanhola
       Essas fontes abordam episódios específicos exaltando a expansão portuguesa e a necessidade de uma ocupação sistemática frente aos interesses espanhóis, e são, quase sempre, escritas por autoridades portuguesas ou militares.  A exaltação do território buscava almejar investimentos da Coroa Portuguesa para a incorporação econômica do Rio Grande do Sul. Os cronistas referidos,[1] não realizaram um trabalho de sistematização fatual que constitua uma obra de história, escreveram por motivações psicossociais imediatas, ligadas a solicitações à Coroa de investimentos para incorporação econômica e povoamento de um território em litígio.

[1] A referência completa assim como um comentário geral de cada  cronista, são desenvolvidos pelos seguintes autores:  CESAR, Guilhermino. Primeiros cronistas do Rio Grande do Sul (1605-1801): estudo de fontes primárias da história rio-grandense. 2.ed., Porto Alegre: Ed. da Universidade/ UFRGS, 1981;  RODRIGUES, José Honório. História da História do Brasil. 2.ed., São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1979, p. 212-228;  BARRETO, Abeillard.  Bibliografia sul-rio-grandense: a contribuição portuguesa e estrangeira para o conhecimento e integração do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, v. 1, 1973; v. 2, 1976. 

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