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| Manifestação da Aliança Liberal. Acervo: CPDOC. https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcTn40B9NbMHZun2yVt1IdJbv71eZqKPmFkABt79wEpuuMpSbKBF |
Durante a
década de 1920, o Brasil vivenciou uma série de movimentos políticos, sociais e
artísticos que demarcaram o conflito entre um ideário ligado a visão
provinciana de reprodução da dominação (fundado no clientelismo associado ao
latifúndio escravista do século XIX) e a penetração de valores europeus ligados
à modernidade e a práticas burguesas. Estas mudanças passaram pela releitura do
exercício do voto.
O TENENTISMO
A
contestação da ordem oligárquica e da corrupção eleitoral, descontentaram
setores da sociedade que queriam reinventar o Brasil através da via estética
(Semana da Arte Moderna de 1922), da luta armada contra a estrutura de
dominação (Coluna Prestes) ou da edificação de um Estado Nacional autoritário e
moderno (tenentismo). A variável do tenentismo, expressou-se nos levantes e
aquartelamentos promovidos por jovens oficiais a partir de 1922, e propunha a
difusão de valores cívico-nacionais frente aos interesses regionalistas das
oligarquias estaduais. Para os tenentistas, que defendiam o centralismo contra
o federalismo vigente, o controle do jogo político por grupos ligados ao
latifúndio, impossibilitaria a edificação de um projeto nacional que conduzisse
o Brasil a um destino de grande potência frente aos países americanos.
O
desdobramento deste discurso passou pela condenação das práticas de corrupção
eleitoral típicas da República Velha (1889-1930) e teve desdobramentos no
pós-1930, quando Getúlio Vargas lançou as bases de um Estado Nacional brasileiro
que se impôs sobre os interesses regionais.
Para fazer
frente ao discurso de combate a corrupção foi criada a Aliança Liberal (1929) uma
articulação de oligarquias regionais dissidentes apoiada por setores militares
e por camadas médias urbanas. Com um discurso modernizador frente às práticas
político-administrativas da República Velha, esta Aliança era contrariou a
estratégia oficial de irrestrito apoio a economia cafeeira e aos interesses dos
cafeicultores paulistas em detrimento da economia brasileira. Além de pregar a
diversificação da estrutura produtiva dos estados brasileiros e sua
participação nos rumos da economia nacional, fundada na exportação do café para
o mercado internacional, propunha o enfrentamento da questão social originada
nos conflitos entre capital e trabalho característicos de uma sociedade
urbano-industrial em expansão. Defendia, através de um discurso moralizador das
fraudes eleitorais e do voto secreto, a ideia de que o Brasil deveria
constituir-se de forças sociais estaduais participantes ativas da nação e não
espectadoras do controle do Estado exercido apenas por um estado (numa alusão a
dominação exercida por São Paulo).
O
programa da Aliança Liberal expressava o descontentamento com a política
republicana ligado ao clientelismo, buscando “uma generalizada e vigorosa
tentativa de renovação dos costumes políticos e de moralização das práticas da
democracia, dentro da ordem e do regime”. Seu êxito, prossegue o programa,
“dependerá do voto popular e também, em parte, da cultura cívica e do
patriotismo dos governantes, isto é, da compreensão que tenham de seus altos
deveres constitucionais. Se as urnas forem conspurcadas pela lama da fraude,
acabará de esfrangalhar-se a lei eleitoral vigente, que não poderá prevalecer,
sem aniquilar o próprio regime republicano”.

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