A Vila do
Rio Grande de São Pedro, nos primórdios do século XIX, dinamizou uma nova
modalidade de sentido histórico, não mais exclusivamente ligado ao seu papel de
fronteira militarizada frente às incursões oriundas do Rio da Prata, mas
promovendo uma crescente urbanização e desenvolvimento econômico ligado às
atividades comerciais. A demanda de serviços portuários para escoamento da
produção pecuária, charqueadora e do trigo da Capitania do Rio Grande,
acarretou o surgimento de um grupo de comerciantes que promoveram a circulação
de mercadorias e a expansão de relações capitalistas. Nas primeiras décadas do
século passado, produtos oriundos da Europa buscaram um mercado em expansão que
ainda apresentava grandes dificuldades quanto à circulação de numerário e
padrões seguros de retorno do capital investido. Apesar da insegurança frente
ao apoio estatal às atividades comerciais - na medida em que no pacto colonial
apenas os interesses da metrópole são prioritários -, do restrito mercado
consumidor e dos inúmeros impostos cobrados pela Coroa portuguesa, ocorreu o
crescimento destas atividades que impulsionaram a economia local.
O cenário do descontentamento
Uma
correspondência assinada por 61 comerciantes e fazendeiros, foi dirigida ao
Senado para que este intercede-se junto ao monarca português D. João. Este
documento de 1804, é um raro retrato das dificuldades e pesadas taxações que
recaíam sobre os comerciantes e proprietários nos primórdios do século XIX. A
carga tributária que a Coroa Portuguesa cobrava de sua Colônia, o Brasil,
gerava descontentamento nos grupos econômicos atuantes. Mais de dois séculos
depois, o conflito entre taxações do Estado e investimentos sociais persiste,
na medida em que, de um lado aprimoraram-se radicalmente os mecanismos de
cobrança dos encargos e, de outro, observa-se a redução do investimento de
recursos públicos e a pulverização do numerário recolhido aos cofres
governamentais.
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