Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 14 de dezembro de 2019

COLÔNIA RUSSA

Robert Walpole. Autor: J.B. Van Loo (1788). Acervo: Museu Hermitage, San Petesburg.  http://ids.si.edu/ids/deliveryService?id=NMAH-RWS2015-04350&max=1000

      Um plano de colonização idealizado por dois portugueses de origem judaica, poderia ter mudado o processo de formação histórica do Rio Grande do Sul e do Brasil. Rio Grande portuguesa, com certeza? Talvez não! A história a seguir, que se passa na década de 1730, foi resgatada pelo historiador Abeillard Barreto e é sucintamente descrita a seguir. 

              Os personagens principais são dois irmãos Antônio da Costa e João da Costa, os quais mantinham boas relações com a comunidade judaica de Londres. Antônio promovia o tráfico negreiro entre Angola e Pernambuco e narrou que, no ano de 1726, seu navio foi capturado por piratas franceses sendo ele libertado num golfo situado a 32º 10’ Sul. Permaneceu abandonado durante vários dias neste local, que corresponde à localização da cidade do Rio Grande. Neste período, realizou um minucioso reconhecimento da área com o objetivo de promover a colonização e a valorização econômica. Em contrapartida pelo planejamento, desejava tornar-se, o administrador do empreendimento, junto de seu irmão. 

          Os entendimentos para o projeto colonizador iniciaram em 1732, e o primeiro ministro inglês Robert Walpole, apesar de seduzido pela ideia de ocupação deste ponto estratégico para o contexto geopolítico platino, adiou o apoio ao plano, devido aos graves conflitos que provocariam com a Espanha e Portugal. A Câmara dos Lordes promoveu discussões demonstrando o interesse da Inglaterra pela proposta e, apesar de ser criada até uma companhia para a realização do empreendimento, a situação política interna e externa exigiram moderação. 

      Decepcionados com as lentas negociações, os dois irmãos e alguns sócios representantes da burguesia judaica londrina, contataram o príncipe de Cantimir, representante da czarina Ana da Rússia, propondo a execução do plano a ser implementado por uma empresa inglesa sob proteção da imperatriz. João da Costa se propôs a ir a capital russa e viajar numa fragata sob essa bandeira até o Rio Grande onde “tomaria posse das terras em nome da imperatriz da Rússia, que cederia cinco ou mais navios de guerra até que ficasse assegurada a defesa da nova colônia por meio de tratados, ou por outra forma hábil, fornecendo mais um batalhão de quinhentos homens, por ser isso impossível aos membros da companhia, como súditos britânicos. Em compensação, a sociedade oferecia melhorar as percentagens anteriormente propostas e se comprometia a pagar os soldos a partir da posse efetiva das terras”. Este plano foi aprovado pela czarina, porém em discussão pelos sócios, a proposta foi rejeitada, pois para a Inglaterra, a livre operação da marinha russa no Atlântico, representava um perigo frente a um possível expansionismo territorial dos russos. 

        Com o fracasso desta companhia, João da Costa e outros interessados fundaram uma nova companhia, oferecendo condições ainda mais favoráveis ao desenvolvimento de uma ocupação por colonos da religião ortodoxa russa com o envio de dois navios para tomarem posse. Novamente, os planos não obtém o apoio suficiente, pois o primeiro-ministro russo, Ostermann, argumentou que conduzir à América parte de suas forças navais, imprescindíveis na ocasião para a guerra em curso contra a Turquia, poderia alarmar o resto da Europa promovendo novas articulações políticas. 

         Neste ínterim, em 19 de fevereiro de 1737, Silva Paes desembarcou com suas tropas e iniciou a militarização e posse do canal do Rio Grande “muito provavelmente estimulada essa ocupação pela sucessão dos fatos narrados e já do pleno conhecimento das cortes de Espanha e Portugal.” Antes que russos, ingleses ou espanhóis o fizessem, os portugueses ocuparam o canal.

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