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| Imperatriz Ana da Rússia (1730-1740). Autor: Louis Caravaque. |
A imperatriz Ana Ivanovna, sobrinha de Pedro, o Grande, tomou posse do trono russo em 1730 e prosseguiu nas reformas ocidentalizantes desenvolvidas por Pedro. A política de famílias e as lutas pela sucessão ao trono são prioridades no complexo quadro político da Rússia. O incitamento às ações voltadas à expansão territorial e de colonização, visando o retorno financeiro, quase sempre é incentivado por grupos externos ligados à burguesia ultramarina. “Armadores, negociantes e banqueiros são representados junto aos soberanos por conselhos de comércio, conselhos de companhias de comércio, sindicatos de financistas. Apresentam reivindicações relativas aos ataques dirigidos aos seus interesses pelos concorrentes estrangeiros, notadamente no comércio marítimo.”
O século XVIII apresentou um crescente de políticas ligadas ao nacionalismo que se consolidarão no século XIX nas disputas imperialistas pelas colônias e áreas de influência. Para o historiador André Corvisier, “sob o ponto de vista diplomático, a Europa se divide em duas. Os países atlânticos possuem uma política externa na escala dos oceanos. A política exterior dos Estados da Europa Central e Oriental é motivada principalmente pela busca de objetivos nacionais”.
A Rússia apresentava outros problemas a serem enfrentados em seu próprio território e nas vizinhanças, daí as dificuldades em assumirem um processo colonizador que poderia gerar atritos ou guerras num espaço geopolítico muito longe de casa.
Conforme Abeillard Barreto, se o projeto dos irmãos Costa tivesse vingado “basta que se pense na sua efetivação por uma das potências envolvidas, para que se tenha a ideia de como teria sido transformada a fisionomia política de toda a América do Sul. Que essa perspectiva não escapou às cortes de Madrid e Lisboa não há a menor dúvida, pois apesar de empenhadas em lutas locais de pequeno porte, elas se entenderam no momento preciso, em face de um perigo maior”. E conclui: “estes fatos, indiscutivelmente chegados ao conhecimento da chancelaria lusa, por condutos secretos antes mesmo de haverem sido comunicados oficialmente, terão apressado o ditame que levou à fundação do Rio Grande vencendo o ânimo do monarca português e a indecisão em que se mantivera por tantos anos.”

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