Com o golpe do Estado Novo em 10 de novembro
de 1937, foram dissolvidas as representações legislativas e Carlos Santos
deixou de ser um Deputado Estadual classista. Retornou a Rio Grande e foi
trabalhar como fiscal de alunos no Ginásio Lemos Júnior, passando a
secretário-geral daquele estabelecimento de ensino. Passou a colaborar com
matérias para os jornais Rio Grande e o Tempo, assumindo como
correspondente do Diário de Notícias de Porto Alegre e A Noite do
Rio de Janeiro. Posteriormente, tornou-se chefe da redação do Jornal Rio
Grande.
Utilizando a legislação vigente, Artigo 91 da
Lei de Diretrizes e Bases da Educação (supletivo), completou o 3º e 4º ano
Secundário no Ginásio do Rosário (Porto Alegre) e realizou o Segundo Ciclo
(Clássico) no Lemos Júnior bacharelando-se em Letras em 1945. No ano seguinte
ingressou na Faculdade de Direito de Pelotas. Em dezembro de 1950, completou o
curso de Ciências Jurídicas e Sociais, estando com 46 anos de idade. Proferiu o
discurso dos bacharelandos em Direito o qual teve grande repercussão durante a
solenidade de colação de grau. O discurso foi publicado em livro com a seguinte
apresentação: “A presente publicação do notável discurso de Carlos Santos, como
orador da turma de bacharéis de 1950 da Faculdade de Direito de Pelotas, da
Universidade do Rio Grande do Sul, é iniciativa de um grupo de amigos e
admiradores do consagrado tribuno rio-grandense, que, em menos de três lustros,
traçou uma trajetória impressionante, que vai da humildade de uma oficina
mecânica às culminâncias da Assembléia Legislativa do Estado e, repontando com
brilho no seio do jornalismo crioulo, atinge, finalmente, as honras do Cultor
do Direito. A verdadeira consagração de que foi alvo o orador no Teatro 7 de
Abril, de parte da culta sociedade pelotense, e a excepcional repercussão
provocada dentro e fora de Pelotas, pela brilhante oração de Carlos Santos, bem
justificam a iniciativa dos promotores da maior divulgação de seu magnífico
trabalho, o que fazem como homenagem de apreço e admiração ao ilustre
rio-grandino, bem digno de ser apresentado como exemplo vivo de Força de
Vontade”. Exerceu as atividades de advogado no fórum da cidade do Rio Grande
entre 1950 e 1959.
Com o retorno de eleições em 1946, Carlos
Santos concorreu e ficou como suplente de Deputado Estadual sendo chamado para
ocupar o cargo. Em 1948 foi eleito como Deputado Estadual o que se repetiu em
1963 e 1967. Em 31 de janeiro de 1967 foram empossados os Deputados Estaduais
sendo Carlos Santos eleito para o cargo de Presidente do Legislativo podendo
substituir o Governador do Estado. Já em março ele foi convocado a assumir o
Governo do Rio Grande do Sul por viagem do Governador Walter Peracchi de
Barcellos. Carlos Santos era do MDB partido de oposição a ARENA, que o
Governador representava. Políticos ligados ao Governador não queriam que um
opositor assumisse e os oposicionistas não aprovavam a sua posse substituindo
um interventor federal. Neste período como presidente do Poder Legislativo
presidiu a inauguração da nova sede do Palácio Legislativo do Rio Grande do
Sul. Foi o primeiro negro a ocupar o Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Após, reeleito no período de 1971-1975 concorreu a Deputado Federal sendo
eleito para o mandato de 1975-1978.
Em 1975 voltou-se ao problema ambiental
quando da implantação do III Pólo Petroquímico em Triunfo: “O povo tem o
direito de ser esclarecido de forma plena e cabal. É preço caro demais o
desenvolvimento sócio-econômico de uma zona ou região chumbado sobre a
putrefação ambiental decretada por agentes poluidores”. Demonstrava indignação
quando escutava que não havia preconceito racial no Brasil, pedindo ao
Presidente da República general João Batista Figueiredo que não fizesse mais
esta referência equivocada. “Pedi para ele abandonar a idéia e vir nos ajudar,
nós que sentimos o preconceito”.

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