Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

CARLOS SANTOS: NEGRITUDE E CIDADANIA - III


  
Carlos Santos recebendo premiação por sua atuação política voltada à comunidade. 
       Com o golpe do Estado Novo em 10 de novembro de 1937, foram dissolvidas as representações legislativas e Carlos Santos deixou de ser um Deputado Estadual classista. Retornou a Rio Grande e foi trabalhar como fiscal de alunos no Ginásio Lemos Júnior, passando a secretário-geral daquele estabelecimento de ensino. Passou a colaborar com matérias para os jornais Rio Grande e o Tempo, assumindo como correspondente do Diário de Notícias de Porto Alegre e A Noite do Rio de Janeiro. Posteriormente, tornou-se chefe da redação do Jornal Rio Grande.
           Utilizando a legislação vigente, Artigo 91 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (supletivo), completou o 3º e 4º ano Secundário no Ginásio do Rosário (Porto Alegre) e realizou o Segundo Ciclo (Clássico) no Lemos Júnior bacharelando-se em Letras em 1945. No ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito de Pelotas. Em dezembro de 1950, completou o curso de Ciências Jurídicas e Sociais, estando com 46 anos de idade. Proferiu o discurso dos bacharelandos em Direito o qual teve grande repercussão durante a solenidade de colação de grau. O discurso foi publicado em livro com a seguinte apresentação: “A presente publicação do notável discurso de Carlos Santos, como orador da turma de bacharéis de 1950 da Faculdade de Direito de Pelotas, da Universidade do Rio Grande do Sul, é iniciativa de um grupo de amigos e admiradores do consagrado tribuno rio-grandense, que, em menos de três lustros, traçou uma trajetória impressionante, que vai da humildade de uma oficina mecânica às culminâncias da Assembléia Legislativa do Estado e, repontando com brilho no seio do jornalismo crioulo, atinge, finalmente, as honras do Cultor do Direito. A verdadeira consagração de que foi alvo o orador no Teatro 7 de Abril, de parte da culta sociedade pelotense, e a excepcional repercussão provocada dentro e fora de Pelotas, pela brilhante oração de Carlos Santos, bem justificam a iniciativa dos promotores da maior divulgação de seu magnífico trabalho, o que fazem como homenagem de apreço e admiração ao ilustre rio-grandino, bem digno de ser apresentado como exemplo vivo de Força de Vontade”. Exerceu as atividades de advogado no fórum da cidade do Rio Grande entre 1950 e 1959.
       Com o retorno de eleições em 1946, Carlos Santos concorreu e ficou como suplente de Deputado Estadual sendo chamado para ocupar o cargo. Em 1948 foi eleito como Deputado Estadual o que se repetiu em 1963 e 1967. Em 31 de janeiro de 1967 foram empossados os Deputados Estaduais sendo Carlos Santos eleito para o cargo de Presidente do Legislativo podendo substituir o Governador do Estado. Já em março ele foi convocado a assumir o Governo do Rio Grande do Sul por viagem do Governador Walter Peracchi de Barcellos. Carlos Santos era do MDB partido de oposição a ARENA, que o Governador representava. Políticos ligados ao Governador não queriam que um opositor assumisse e os oposicionistas não aprovavam a sua posse substituindo um interventor federal. Neste período como presidente do Poder Legislativo presidiu a inauguração da nova sede do Palácio Legislativo do Rio Grande do Sul. Foi o primeiro negro a ocupar o Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Após, reeleito no período de 1971-1975 concorreu a Deputado Federal sendo eleito para o mandato de 1975-1978. 
         Em 1975 voltou-se ao problema ambiental quando da implantação do III Pólo Petroquímico em Triunfo: “O povo tem o direito de ser esclarecido de forma plena e cabal. É preço caro demais o desenvolvimento sócio-econômico de uma zona ou região chumbado sobre a putrefação ambiental decretada por agentes poluidores”. Demonstrava indignação quando escutava que não havia preconceito racial no Brasil, pedindo ao Presidente da República general João Batista Figueiredo que não fizesse mais esta referência equivocada. “Pedi para ele abandonar a idéia e vir nos ajudar, nós que sentimos o preconceito”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário