Porto do Rio Grande em 1908

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

CARLOS SANTOS: NEGRITUDE E CIDADANIA - II

Carlos Santos. Acervo: Assembléia Legislativa do RS. 

       Na caminhada de formação política ele participou intensamente do movimento sindical ligado a legislação trabalhista posterior a Revolução de 1930: “Formei entre os primeiros que tomaram a si a incumbência de organizar o operário. Era a ampliação do meu ideal. Tratei de organizar a minha classe, fundando no Rio Grande o Sindicato dos Operários Metalúrgicos, do qual fui o seu primeiro Presidente e mais tarde o seu Secretário-Geral...”.
           Com 25 anos de idade era caldeireiro na Oficina Dias casando-se a 22 de setembro de 1929 com Julieta Bolleto. Tiveram cinco filhos: Carlos Marcelino Bolleto Santos, Neiva Maria, Ybá Maria de Lourdes, Carmem dos Santos e Ney Bolleto dos Santos.
        Com as leis trabalhistas implementadas após a Revolução de 1930, Carlos Santos foi nomeado fiscal-auxiliar do Ministério do Trabalho e Ação Social, organizando o Sindicato dos Operários Metalúrgicos do Rio Grande e também contribuiu para a criação da Frente Sindicalista Gaúcha. Não concordando com a orientação do Ministério ele demite-se do cargo com a seguinte justificativa: “Eu seria indigno de mim mesmo, como trabalhador que sou, se me prestasse também a servir de degrau por onde vai descendo, no conceito do trabalhador, a estrutura moral do Ministério do Trabalho”. Em correspondência ao inspetor regional do Ministério no Rio Grande do Sul ele afirmou: “Ingressei no Ministério do Trabalho julgando poder manter a integridade de caráter que eu formei nos meios proletários. Enganei-me. Volto aos meios trabalhistas para continuar na luta contra aqueles que ainda julgam que a consciência do verdadeiro trabalhador pode ser comprada nas pastas de processos ou que se trai por empregos mais ou menos cômodos...”. Entre 1931-34 ele trabalhou no Estaleiro Naval Plano Inclinado Rio-Grandense que pertencia à empresa Luiz Loréa S/A.
        Em 1935 como delegado-eleitor do Sindicato dos Metalúrgicos, vai ao Rio de Janeiro participar das eleições classistas federais. No mesmo ano foi a Porto Alegre no 1º pleito classista estadual onde foi eleito Deputado classista do Brasil, sendo empossado na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. O Deputado classista foi uma inovação da Constituição de 1934, que buscava assegurar a representação dos trabalhadores sindicalizados no parlamento consolidando a organização das categorias em sindicatos. Carlos Santos foi indicado para representar os trabalhadores da indústria do Rio Grande do Sul. O Correio do Povo do dia 26 de outubro de 1935 noticiou o discurso de posse: “...a todos encantou a sua oração pela forma como, de princípio ao fim, se revelou um brilhante orador e pelos conceitos que emitiu. Seu discurso foi ouvido por todos com real satisfação e por mais de uma vez foi saudado com palmas, por seus colegas e por toda a assistência... Quando terminou sua bela oração o deputado Carlos Santos recebeu verdadeira consagração de aplausos, indo vários colegas e outras pessoas abraça-lo e felicita-lo”. Em suas falas na tribuna defendeu a criação do salário mínimo e externou preocupação com o baixo poder aquisitivo dos trabalhadores. A reduzida representatividade destas categorias, fez com que ele considerasse frustrante a experiência pela inviabilidade numérica na composição de um grupo que pudesse promover a aprovação de propostas de cunho social aos trabalhadores.
      Em 1937 foi publicado em Porto Alegre o livro Sucata que reúne uma autobiografia e discursos de Carlos Santos. No prefácio a obra, Walter Spalding declarou que Carlos Santos “não é escritor, mas é orador e dos melhores, o Patrocínio dos nossos dias, o apóstolo do operariado e da boa causa”. Afirmou ainda que ele trazia “no sangue a veia do trabalhador, do lutador, do defensor dos fracos e oprimidos” e que Carlos Santos era a confirmação da “capacidade intelectual do negro cuja influência na história guerreira e intelectual do Brasil foi grande...”.

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