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| Carlos Santos. Acervo: Assembléia Legislativa do RS. |
Na caminhada de formação política ele
participou intensamente do movimento sindical ligado a legislação trabalhista
posterior a Revolução de 1930: “Formei entre os primeiros que tomaram a si a
incumbência de organizar o operário. Era a ampliação do meu ideal. Tratei de
organizar a minha classe, fundando no Rio Grande o Sindicato dos Operários
Metalúrgicos, do qual fui o seu primeiro Presidente e mais tarde o seu
Secretário-Geral...”.
Com 25 anos de idade era caldeireiro na
Oficina Dias casando-se a 22 de setembro de 1929 com Julieta Bolleto. Tiveram
cinco filhos: Carlos Marcelino Bolleto Santos, Neiva Maria, Ybá Maria de
Lourdes, Carmem dos Santos e Ney Bolleto dos Santos.
Com as leis trabalhistas implementadas após a
Revolução de 1930, Carlos Santos foi nomeado fiscal-auxiliar do Ministério do
Trabalho e Ação Social, organizando o Sindicato dos Operários Metalúrgicos do
Rio Grande e também contribuiu para a criação da Frente Sindicalista Gaúcha.
Não concordando com a orientação do Ministério ele demite-se do cargo com a
seguinte justificativa: “Eu seria indigno de mim mesmo, como trabalhador que
sou, se me prestasse também a servir de degrau por onde vai descendo, no
conceito do trabalhador, a estrutura moral do Ministério do Trabalho”. Em
correspondência ao inspetor regional do Ministério no Rio Grande do Sul ele
afirmou: “Ingressei no Ministério do Trabalho julgando poder manter a
integridade de caráter que eu formei nos meios proletários. Enganei-me. Volto
aos meios trabalhistas para continuar na luta contra aqueles que ainda julgam
que a consciência do verdadeiro trabalhador pode ser comprada nas pastas de
processos ou que se trai por empregos mais ou menos cômodos...”. Entre 1931-34
ele trabalhou no Estaleiro Naval Plano Inclinado Rio-Grandense que
pertencia à empresa Luiz Loréa S/A.
Em 1935 como delegado-eleitor do Sindicato
dos Metalúrgicos, vai ao Rio de Janeiro participar das eleições classistas
federais. No mesmo ano foi a Porto Alegre no 1º pleito classista estadual onde
foi eleito Deputado classista do Brasil, sendo empossado na Assembléia
Legislativa do Rio Grande do Sul. O Deputado classista foi uma inovação da
Constituição de 1934, que buscava assegurar a representação dos trabalhadores
sindicalizados no parlamento consolidando a organização das categorias em
sindicatos. Carlos Santos foi indicado para representar os trabalhadores da
indústria do Rio Grande do Sul. O Correio do Povo do dia 26 de outubro de 1935
noticiou o discurso de posse: “...a todos encantou a sua oração pela forma
como, de princípio ao fim, se revelou um brilhante orador e pelos conceitos que
emitiu. Seu discurso foi ouvido por todos com real satisfação e por mais de uma
vez foi saudado com palmas, por seus colegas e por toda a assistência... Quando
terminou sua bela oração o deputado Carlos Santos recebeu verdadeira
consagração de aplausos, indo vários colegas e outras pessoas abraça-lo e
felicita-lo”. Em suas falas na tribuna defendeu a criação do salário mínimo e
externou preocupação com o baixo poder aquisitivo dos trabalhadores. A reduzida
representatividade destas categorias, fez com que ele considerasse frustrante a
experiência pela inviabilidade numérica na composição de um grupo que pudesse
promover a aprovação de propostas de cunho social aos trabalhadores.
Em 1937 foi publicado em Porto Alegre o livro
Sucata que reúne uma autobiografia e discursos de Carlos Santos. No
prefácio a obra, Walter Spalding declarou que Carlos Santos “não é escritor,
mas é orador e dos melhores, o Patrocínio dos nossos dias, o apóstolo do
operariado e da boa causa”. Afirmou ainda que ele trazia “no sangue a veia do
trabalhador, do lutador, do defensor dos fracos e oprimidos” e que Carlos
Santos era a confirmação da “capacidade intelectual do negro cuja influência na
história guerreira e intelectual do Brasil foi grande...”.

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