![]() |
| Edição de 1935 do livro História Popular do Rio Grande do Sul. |
A formação
histórica do Rio Grande do Sul foi alvo de grandes debates por parte dos jovens
acadêmicos gaúchos que estudavam Direito em São Paulo e que foram os
propagandistas que levaram em frente o movimento republicano gaúcho. A partir
desses debates eles desenvolveram uma série de teses a respeito do assunto,
direcionando suas explicações de acordo com seus objetivos políticos, voltados
a atacar a monarquia. “A partir de 1882, uma série de estudos sobre a formação
histórica rio-grandense passam a desenvolver interpretações que privilegiam as
peculiaridades regionais e questionam à monarquia e à centralização política no
Brasil”, enfatizando “personagens ligados à história regional, buscando definir
uma identidade distinta do colonialismo português para o habitante do Rio
Grande do Sul”.[1]
Um
desses escritores foi Alcides Lima, autor de História Popular do Rio Grande do Sul, obra escrita de acordo com
estas ideias dos propagandistas republicanos. Alcides de Mendonça Lima nasceu
em Bagé a 11 de outubro de 1859 e faleceu no Rio de Janeiro, em agosto de 1935.
Filho de um proprietário de armazém de secos e molhados que lhe proporcionou a
oportunidade de estudar, frequentou o Colégio São Pedro, em Rio Grande e o
Colégio Gomes, em Porto Alegre.[2]
Na Faculdade de Direito em São Paulo, foi colega de alguns dos principais
líderes republicanos gaúchos e foi um dos fundadores do “Clube Vinte de
Setembro”, entidade que reunia os republicanos rio-grandenses com o fim de
homenagear a Revolução Farroupilha, chegando a receber o título de sócio
benemérito da entidade, privilégio somente concedido a outros dois sócios,
Júlio de Castilhos e Assis Brasil.[3]
Além
de atuar na sua área de formação acadêmica exerceu também o jornalismo. Foi
redator do “Federalista”, na cidade de São Paulo, em 1880 e da “República”,
também de São Paulo, em 1881, e redator-proprietário do “Cidadão”, em 1889, em
Porto Alegre. Seguindo sua carreira, foi Promotor Público em Santana do
Livramento, Juiz Municipal em Pelotas e Juiz de Comarca em Rio Grande. Atuou
como professor, chegando a ser Reitor do Ginásio Municipal Lemos Júnior, em Rio
Grande. Como escritor, pertenceu à Academia Rio-Grandense de Letras. Dentre
suas obras aparecem, além da História
Popular do Rio Grande do Sul, o Discurso
Inaugural do Clube 20 de Setembro de São Paulo (1881) e outras relacionadas
com o Direito, como Comentário à Lei
Hipotecária (1890) e Resposta do Juiz
da Comarca de Rio Grande à Denúncia do Procurador Geral do Estado (1896).[4]
Dedicou-se
por quarenta anos à advocacia, na cidade de Rio Grande. Participou ativamente
da vida política gaúcha, primeiro como abolicionista e propagandista da
República. Depois da Proclamação da República foi Deputado à Assembleia
Nacional Constituinte pelo Rio Grande do Sul, permanecendo nesse cargo durante
a primeira legislatura ordinária da Câmara dos Deputados como um dos
vice-presidentes. Rompeu com Júlio de Castilhos em 1891, por ocasião da eleição
de Deodoro da Fonseca, tendo declarado que seu voto fora para Prudente de
Morais. Participou da dissidência republicana, tendo participado na fundação do
Partido Republicano Liberal. Ingressou na oposição rio-grandense e fez parte do
Partido Federalista, participando do Congresso de Bagé de 1901, fazendo parte
do Diretório do partido até 1905, quando renunciou. Em 1923, apoiou o movimento
revolucionário liderado por Assis Brasil e foi Presidente da Aliança
Libertadora em Rio Grande. Com o final da Revolução de 1923, retirou-se à vida
privada, não mais participando das lutas partidárias e concentrando suas forças
no exercício da advocacia.[5]
[1]TORRES,
Luiz Henrique. Platinidade e Missões na
historiografia Rio-grandense (1882-1950). Rio Grande: Fundação Universidade
do Rio Grande, 1997. p.17.
[2]MARTINS,
Ari. Escritores do Rio Grande do Sul.
Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, Instituto Estadual do Livro, 1978.
p.312.
[3]LIMA,
Alcides Galhardo de Mendonça. Alcides Lima. IN: Revista Província de São Pedro. Porto Alegre: Globo, 1952. n.16.
p.10.
[4]MARTINS,
p.312.
[5]LIMA,
Alcides Galhardo de M., p.10-11.

Nenhum comentário:
Postar um comentário