Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

domingo, 8 de dezembro de 2019

ALCIDES LIMA

Edição de 1935 do livro História Popular do Rio Grande do Sul. 

A formação histórica do Rio Grande do Sul foi alvo de grandes debates por parte dos jovens acadêmicos gaúchos que estudavam Direito em São Paulo e que foram os propagandistas que levaram em frente o movimento republicano gaúcho. A partir desses debates eles desenvolveram uma série de teses a respeito do assunto, direcionando suas explicações de acordo com seus objetivos políticos, voltados a atacar a monarquia. “A partir de 1882, uma série de estudos sobre a formação histórica rio-grandense passam a desenvolver interpretações que privilegiam as peculiaridades regionais e questionam à monarquia e à centralização política no Brasil”, enfatizando “personagens ligados à história regional, buscando definir uma identidade distinta do colonialismo português para o habitante do Rio Grande do Sul”.[1]
         Um desses escritores foi Alcides Lima, autor de História Popular do Rio Grande do Sul, obra escrita de acordo com estas ideias dos propagandistas republicanos. Alcides de Mendonça Lima nasceu em Bagé a 11 de outubro de 1859 e faleceu no Rio de Janeiro, em agosto de 1935. Filho de um proprietário de armazém de secos e molhados que lhe proporcionou a oportunidade de estudar, frequentou o Colégio São Pedro, em Rio Grande e o Colégio Gomes, em Porto Alegre.[2] Na Faculdade de Direito em São Paulo, foi colega de alguns dos principais líderes republicanos gaúchos e foi um dos fundadores do “Clube Vinte de Setembro”, entidade que reunia os republicanos rio-grandenses com o fim de homenagear a Revolução Farroupilha, chegando a receber o título de sócio benemérito da entidade, privilégio somente concedido a outros dois sócios, Júlio de Castilhos e Assis Brasil.[3]
         Além de atuar na sua área de formação acadêmica exerceu também o jornalismo. Foi redator do “Federalista”, na cidade de São Paulo, em 1880 e da “República”, também de São Paulo, em 1881, e redator-proprietário do “Cidadão”, em 1889, em Porto Alegre. Seguindo sua carreira, foi Promotor Público em Santana do Livramento, Juiz Municipal em Pelotas e Juiz de Comarca em Rio Grande. Atuou como professor, chegando a ser Reitor do Ginásio Municipal Lemos Júnior, em Rio Grande. Como escritor, pertenceu à Academia Rio-Grandense de Letras. Dentre suas obras aparecem, além da História Popular do Rio Grande do Sul, o Discurso Inaugural do Clube 20 de Setembro de São Paulo (1881) e outras relacionadas com o Direito, como Comentário à Lei Hipotecária (1890) e Resposta do Juiz da Comarca de Rio Grande à Denúncia do Procurador Geral do Estado (1896).[4]
         Dedicou-se por quarenta anos à advocacia, na cidade de Rio Grande. Participou ativamente da vida política gaúcha, primeiro como abolicionista e propagandista da República. Depois da Proclamação da República foi Deputado à Assembleia Nacional Constituinte pelo Rio Grande do Sul, permanecendo nesse cargo durante a primeira legislatura ordinária da Câmara dos Deputados como um dos vice-presidentes. Rompeu com Júlio de Castilhos em 1891, por ocasião da eleição de Deodoro da Fonseca, tendo declarado que seu voto fora para Prudente de Morais. Participou da dissidência republicana, tendo participado na fundação do Partido Republicano Liberal. Ingressou na oposição rio-grandense e fez parte do Partido Federalista, participando do Congresso de Bagé de 1901, fazendo parte do Diretório do partido até 1905, quando renunciou. Em 1923, apoiou o movimento revolucionário liderado por Assis Brasil e foi Presidente da Aliança Libertadora em Rio Grande. Com o final da Revolução de 1923, retirou-se à vida privada, não mais participando das lutas partidárias e concentrando suas forças no exercício da advocacia.[5]

[1]TORRES, Luiz Henrique. Platinidade e Missões na historiografia Rio-grandense (1882-1950). Rio Grande: Fundação Universidade do Rio Grande, 1997. p.17.
[2]MARTINS, Ari. Escritores do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, Instituto Estadual do Livro, 1978. p.312.
[3]LIMA, Alcides Galhardo de Mendonça. Alcides Lima. IN: Revista Província de São Pedro. Porto Alegre: Globo, 1952. n.16. p.10.
[4]MARTINS, p.312.
[5]LIMA, Alcides Galhardo de M., p.10-11.

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