Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 14 de dezembro de 2019

A FREGUESIA DO ESTREITO NO OLHAR EUROPEU

Continente do Rio Grande por Antonio Córdova, 1780. O Estreito está assinalado no mapa.  


A Aldeia de Nossa Senhora da Conceição do Estreito foi fundada em 1753 por padres franciscanos e posteriormente administrada por jesuítas estando ligada administrativamente a Rio Grande até a emancipação política de São José do Norte em 1732. Esta Aldeia manteve uma população indígena até 1763, quando os habitantes de Rio Grande invadem esta área fugindo do ataque espanhol a Vila do Rio Grande. Em 1765, frente à persistência da ocupação surge a Freguesia do Estreito que demarcava a fronteira norte portuguesa. Novos atores sociais são incorporados, com a presença de açorianos, retirantes da Colônia do Sacramento e escravos negros, participando de um crescimento que perdurou até o final do século XVIII.
Cronistas estrangeiros estiveram no Rio Grande do Sul nas três primeiras décadas do XIX deixando informações sobre botânica, fauna, clima e população, além de preciosos relatos culturais e políticos. John Luccock e Auguste Saint-Hilaire fizeram descrições da freguesia do Estreito quando de sua passagem e estadia na Vila do Rio Grande de São Pedro.
Luccock faz o seguinte relato da passagem pelo Estreito no ano de 1809:
Ao aproximarmo-nos da costa do Rio Grande do Sul (...), Pequenos cômoros redondos de areia, sem a mais leve vegetação, pareciam erguer-se d'água, a que um sol esplêndido comunicava uma alvura deslumbrante. Dentro em pouco verificamos que não passavam de irregularidades de uma praia de areia, em cujo meio elevava-se a igreja do Estreito, pequenino edifício no mesmo estilo que os demais das aldeias do Brasil. Umas poucas árvores e uma escassa vegetação ao redor, visíveis agora, contribuíram para acentuar a aparência inóspita do deserto circundante.
Apesar de não trazer dados precisos, Luccock faz clara referência a Igreja do Estreito, avistada pelos navegantes que passavam pela costa atlântica em direção ao porto do Rio Grande. A observação de uma Igreja entre cômoros de areia, tornou-se um referencial que a barra do Rio Grande estava próxima e os cuidados para a navegação deveriam ser redobrados. Portanto, a vista da Igreja demonstrava ruptura com o litoral aparentemente retilíneo e monótono que estendia-se desde Torres e do Rio Tramandaí.

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