Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

quarta-feira, 13 de junho de 2018

ERA UMA VEZ NO OESTE


Em 1968, foi lançado um filme que se tornaria um dos maiores clássicos do western. Cinqüenta anos depois, assistir “Era uma Vez no Oeste” continua impactante! A música de Ennio Moricone com sua sonoridade neo-romântica transporta a percepção para algum lugar onde o tempo parou e os personagens se tornam atemporais. Expressões faciais, sol escaldante, transpiração, sons da natureza, brilho do metal dos revólveres, movimentos rápidos que significam manter a vida ou encontrar a morte. Uma tensão implícita no silêncio ou no leve som do vento transportando à areia confronta a antiga barbárie com a nova barbárie que chega pelos caminhos de ferro. O catavento na estação de trem é como um relógio que lenta e preguiçosamente se movimenta ao gosto do ar em movimento.
Duzentos mil anos de caminhada do homo sapiens ficam congelados esperando o próximo saque das armas: é latente a tensão da fronteira tênue entre a barbárie e a sobrevivência no confronto. Filme visceralmente poético, nas poucas palavras, nas muitas imagens e na sonoridade angustiante de Ennio Moricone, especialmente, na música Once Upon a Time in the West (ouvir interpretação de 2012 de Patricia Janeckova).  
A beleza da fealdade poucas vezes foi expressa com uma assinatura de obra-prima como neste filme de Sergio Leone, o mestre do spaghetti  western.  Contribuíram para compor a história os cineastas Dario Argento e Bernardo Bertolucci
O filme, um longa metragem, busca captar um momento de transição entre o tradicional e o moderno: a modernidade das ferrovias e do avanço do capitalismo começa a dissolver o mundo mítico do velho oeste. Retrata, em parte, a morte da sociedade americana do estilo desbravador e a racionalização da violência primitiva direcionada para a violência instrumental do sistema.  
O enredo apresenta narrativas que confluem para compor a obra: o conflito resultante da chegada dos trens, a presença de assassinos de aluguel, disputa por terras, vinganças pessoais ou familiares. A interpretação de Claudia Cardinale, Henry Fonda, Jason Robards e Charles Bronson são marcantes na expressão facial e gestual.
A estética criada por Leone transita entre as paisagens desconcertantes do vazio e da aridez com os closes demorados na representação dos personagens que tornam o tempo quase imóvel. Os sons da natureza, da civilização, do arcaico e do moderno se fundem neste filme repleto de cenas antológicas, personagens marcantes e inspiração artística que se projeta perene nestes últimos 50 anos.

Ilustrações: material de divulgação do filme “Era uma Vez no Oeste” (“C’era una Volta il West”, EUA/Itália/Espanha – 1968, versão italiana de 165 minutos. Produtoras: Rafran Cinematrografia; Finanzia San Marco; Paramount Pictures.


Henry Fonda e Charles Bronson.

Claudia Cardinale. 

Claudia Cardinale. 

Jason Robards.

Pistoleiros em ação e o menino. 

Chegada da modernidade.

A imagem tradicional dos westers: Monument Valley Najavo Tribal Park, Arizona -Utah.

Ao centro o diretor Sérgio Leone. 

Charles Bronson (acima) e Henry Fonda. O uso das expressões faciais caracteriza Leone. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário