Porto do Rio Grande em 1908

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

FRANCIS BURTON E O BAITAL (1870)

 

Richard Francis Burton. Vikram e o Vampiro. Londres: Longmans, Green, and Co. (1870). 
Ilustrações de Ernest Griset.


Sir Richard Francis Burton (1821 - 1890) foi um britânico que atuou como geógrafo, explorador, tradutor, escritor, soldado, orientalista, cartógrafo, etnólogo, espião, linguista, poeta, esgrimista e diplomata. 

Ele era famoso por suas viagens e explorações na Ásia, África e Américas, bem como seu extraordinário conhecimento de idiomas e culturas. Como capitão do exército britânico atuou na Índia e sempre buscava investigar a cultura popular e as crenças locais. Depois disso, ele foi contratado pela Royal Geographical Society para explorar a costa leste da África e liderou uma expedição guiada por locais e foi o primeiro europeu a visitar o Lago Tanganica. 

Entre os seus mais de 40 livros publicados está “Vikram e o Vampiro”. São narrativas indianas constituintes do seu riquíssimo folclore em que Bourton fez uma adaptação livre e não fidedigna do “Baital Pachisi” (“Vinte e Cinco Contos de Baital”). A primeira compilação escrita destes contos e lendas indianas foi escrito no século XI a partir de relatos muito mais antigos. O enredo se centra no Rajá Vikram que leva um baital ou vetala até um mago que deseja matá-lo. O mago está num cemitério e deseja a cabeça de Vikram para oferecer a Kali (deusa do Hinduísmo). O baital é um dos personagens principais e o livro publicado em Londres acaba por tornar conhecido no Ocidente o espírito que se apossa de cadáveres. 

O baital vive numa árvore pendurado de cabeça para baixo como um morcego e é uma crença milenar que constitui o amplo panteão indiano. Não é um monstro físico com carne e osso próprios. Ele é um espírito, um ser espectral e desencarnado que existe em uma dimensão entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Para interagir com o mundo físico, ele entra e habita corpos de pessoas mortas. Eles residem tipicamente em smashanas (campos de cremação indianos) e cemitérios, locais considerados ritualisticamente impuros e espiritualmente carregados.

Diferente dos vampiros ocidentais modernos (que são predadores sedentos de sangue), o baital/vetala não é intrinsecamente malévolo. Ele gosta de testar a inteligência, o ego e a moralidade dos humanos. Se for tratado com o devido respeito, subjugado por alguém de pura força de vontade (como o Rei Vikram) ou agradado com oferendas corretas, deixa de ser uma ameaça e se torna um poderoso aliado, oferecendo proteção e revelando conspirações.

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