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| Careta, Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1918. Acervo: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. |
As charges são um item que já vale uma visita as revistas de variedades das primeiras décadas do século XX.
A acidez dos diálogos evidencia críticas políticas, sociais, familiares, comportamentais etc.
Nesta charge o Sr. Porphirio e sua esposa vão visitar D. Eulalia. A expressão facial do "chefe de família" já demonstra um distanciamento da "prole" ao chamar o filho de "esse pequeno". E a preciosa resposta da matriarca é desconcertante: deixa ele roer, pois, assim não percebem que suas unhas estão muito sujas.
Diga-se que todos os cinco personagens apresentam um ar de distanciamento e indiferença, como se fossem profundos conhecidos e desconhecidos ao mesmo tempo: não "são" uma família mas "estão" uma família.
Recordo uma piada não muito antiga (mas com o mesmo espírito de porco...) em que um cidadão está na sala com os pés no puff e com uma lata de cerveja na mão e grita para a mulher retirar um dos filhos do recinto: "leva o número três para o quarto pois ele está atrapalhando a visão do jogo de futebol...".
Não deixa de ser uma sofisticação, como o "torcedor" não recorda nem o nome dos filhos, recorre a objetividade da matemática: 1, 2, 3...

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