Em 2018 escrevi estes parágrafos nas considerações finais do livro sobre a Gripe Espanhola. Infelizmente, um vírus está confirmando aquelas possibilidades de uma pandemia que vem sendo pesquisadas pela ciência:
"No Centenário da Gripe Espanhola o tema não se prende apenas a estudos historiográficos mas a apreensões. Um século após a eclosão da pandemia não há garantias de que os danos causados num novo mega evento não seriam devastadores.
Por mais que se avance no estudo dos vírus influenza a sua metamorfose inviabiliza uma vacina universal. Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre 3 e 5 milhões de pessoas são contaminadas de forma grave por ano e entre 290 e 650 mil morrem. A mutação do vírus e sua capacidade de infectar eficientemente grande número de pessoas dificulta o controle mesmo com as intensas campanhas de vacinação.
Nos últimos anos o sinal de alerta foi reposto com o vírus da gripe aviária A H1N1 que parecia confirmar o grande temor de uma repetição de 1918. Este vírus continua circulando mas não se constituiu na tragédia que se anunciou.
Dada as mudanças anuais das cepas do vírus influenza, a questão não é questionar se haverá uma nova pandemia mas quando é que ocorrerá e qual a letalidade.
O arsenal atualmente disponível de medicamentos como os antibióticos é considerável para enfrentar as infecções respiratórias ligadas à gripe. Mas aquilo que este livro buscou acentuar que é o “colapso do cotidiano”, será o verdadeiro cenário/teste em que ocorrerá o enfrentamento da doença na relação direta das estruturas de saúde pública disponíveis.
No Brasil, é difícil não ficar no mínimo temeroso com um quadro pandêmico frente às carências históricas no campo da saúde à população. A historiografia sobre o vírus de 1918 enfatizou as respostas parciais e fragilizadas por parte dos municípios e estados no combate ao morbus reinante. Os cenários hoje são muito mais auspiciosos?
A contemporaneidade do tema Gripe Espanhola deve ser ressaltada: afinal, não são apenas eventos congelados no passado e que se tornaram objetos de estudo mas poderão se converter em experiências latentes que ocorrerão num futuro impreciso" (TORRES, Luiz Henrique. Centenário da Gripe Espanhola: historiografia e história local. Lisboa/Rio Grande: CIDH/Biblioteca Rio-Grandense, 2018.)

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