Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sexta-feira, 10 de abril de 2020

GRIPE ESPANHOLA EM RIO GRANDE - RUPTURA DO COTIDIANO

Rua Marechal Floriano em 1915. 

      O primeiro caso de Gripe Espanhola em Rio Grande foi no dia 13 de outubro. A contaminação se deu em forte ritmo. Já no dia 16 mais de cinqüenta trabalhadores do frigorífico Swift estavam doentes. Vários imigrantes espanhóis deixados na cidade pelo paquete Itaquera, procedentes de Santos, dormiam ao relento espalhando-se pelos logradouros públicos não sendo aceitos nos hotéis pelo temor da epidemia. 

     O medo da doença era tal que qualquer ardência na garganta ou tosse já causava pânico nas pessoas. A carrocinha da polícia tinha ordens de recolher qualquer pessoa que se desconfiasse gripada. Um indivíduo embriagado que estava caído atrás do cemitério católico foi levado para a Santa Casa, como atacado de influenza. “Aí verificaram que essa espécie de influenza já por aqui há muito se conhece e o borracho ficou naquele hospital não isolado, mas de molho...” (ECHO DO SUL, 18-10-1918).

     No dia 19 de outubro já havia mais de 600 casos de influenza, ocorrendo um aumento no preço dos produtos, especialmente os medicamentos: “As classes pobres, as classes desprotegidas da fortuna, mais cruelmente atacadas do mal, são as que mais sofrem neste momento de inigualável crise, pelo elevado preço dos medicamentos” (ECHO DO SUL, 21-10-1918).

     No dia 26 a manchete destacava que a população em sua maioria estava presa do mal. “A cidade é um imenso hospital. O comércio fechado. E não há quem olhe por isto? Como na casa d’Abrantes tudo como d’antes...”. As escolas foram fechadas. No Porto Novo havia 300 trabalhadores doentes e nos frigoríficos 500. Na Rheingantz 400. No 9º Regimento 200. Fecharam todas as casas comerciais da Benjamin Constant. A Companhia Francesa suspendeu as atividades. As padarias Portuguesa e Vitória fecharam. A Ítalo-Brasileira fechou as portas por falta de operários (que eram mais de 600). 

     No dia 30 de outubro a situação continuava crítica e os referenciais do cotidiano desapareceram ficando a desolação frente à epidemia reinante. O Echo do Sul relata que o aspecto da cidade é desolador. “A maioria do comércio fechado, como a maioria das farmácias, das padarias e casas de comestíveis. Muitos destes estabelecimentos são servidos por mulheres que ali estão pelos seus maridos convalescentes”. 

     Somente até o final do mês de novembro que o número de casos vai baixando e a intensidade do vírus vai desvanecendo.  
Cartão-postal da Rua Marechal Floriano em 1915. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário