No Brasil o cenário para receber a “espanhola” não era nada promissor. A saúde pública recebeu pouca atenção do Estado durante as primeiras décadas do século XX. A República Brasileira, iniciada em 1889, conviveu com um quadro sanitário preocupante até a eclosão da Gripe.
A “Espanhola” chegou ao Brasil em setembro de 1918 a bordo do vapor inglês Demerara, com doentes a bordo, que atracou nos portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro (no dia 14 de setembro). A propagação foi rápida atingindo até a Amazônia onde dizimou tribos indígenas. Nas primeiras semanas de outubro, o Rio de Janeiro tornou-se um “vasto hospital”. Relata o médico e literato Pedro Nava: “o espantoso já não era a quantidade de doentes, mas o fato de estarem quase todos doentes e impossibilitados de ajudar, tratar, transportar comida, vender gêneros, aviar receitas, exercer, em suma, os misteres indispensáveis à vida coletiva” (Pedro NAVA. Chão de Ferro. Memórias/3. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976.

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