Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

VERANEIO NA VILA SEQUEIRA


Primeira década do século XX. Acervo: Museu da Cidade do Rio Grande. 

Matéria no jornal Bisturi do dia 23 de novembro de 1890, remete aos primórdios da Balneário Vila Sequeira, o Balneário Cassino. A inauguração do Balneário ocorreu em janeiro deste ano e as informações são fundamentais para entender os primeiros movimentos para consolidar o primeiro balneário planificado de todo o Brasil.
“Vila Sequeira – Fica a praia de banhos da Vila Sequeira situada na costa do mar, a 8 quilômetros ao sul da boca da Barra e alcança a extensão de 3.000 metros ao correr da costa e cerca de 2.200 de fundo, cortada a meio pela Via Férrea, que a liga com a cidade do Rio Grande. A entrada da Vila Sequeira efetua-se por uma Avenida de 2.200 metros de comprimento e 40 de largura, achando-se todo o terreno dividido em quadras de 100 x 50 metros formando assim ruas de 16 metros de largura. Foi preciso empregar-se um trabalho inteligente e perseverante para domar a rebeldia do terreno, entrelisado pela inércia dos pequenos proprietários aqueles lugares a fim de evitar os estragos provenientes do gado, entregue aos próprios instintos; careceu-se de fechar, por meio de aramados os contornos dos quadros: sendo que, o projeto de arborização de toda a vila está de acordo com o plano do arruamento e brevemente será ela aformoseada de pinheiros, eucaliptos, acácias e outras árvores que a natureza do terreno se prestar para o efeito. Para obtenção destas árvores que se contarão aos milhares já se procedeu a devida sementeira, em terreno preparado e devidamente dragado. A linha das marinhas, junto a costa, é toda guarnecida de cedros marítimos e outras árvores indígenas.
A praia impressiona ao primeiro golpe de vista pelo atrativo da sua perspectiva. Ao nordeste, a duas léguas de distância, avistam-se os principais estabelecimentos da barra; o farol e a atalaia; ao sudeste a praia lisa, numa quietude indolente, coberta por uma camada pardacenta dura e resistente às rodas dos veículos e em frente, ao sueste, desvia-se a amplidão do oceano, numa extensão de um largo horizonte a fundir-se mar e céu, na mesma visão. Um extenso baixio, que se mede por milhas, oferece o belo quadro da arrebentação das ondas, mostrando uma dentadura miúda, alvejante, rugindo sempre, ora surdamente, ora com o furor da raiva”.

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