O negociante português J.M.P.S (livreto editado em Lisboa no ano de
1816 com o título As Regras Gerais do Sr. J.M.P.S. da cidade do
Porto) reproduz uma poesia, de autor anônimo, que circulava no Rio Grande
quando de sua passagem. A poesia deve ter sido escrita entre 1750 e 1800,
possivelmente consistindo no mais antigo registro poético sobre a então Vila do
Rio Grande de São Pedro. É um desabafo sobre as condições precárias de
urbanidade, a proliferação de insetos e a dialética do vento e da areia:
Tetos de erva, paredes de pântano,
Nome de Vila e construção de aldeia,
Quase coberta da volante areia
Dos combros que aqui crescem todo ano.
Brisas do vento leste e minuano,
De moscas, pulgas, bichos é bem cheia;
Não sei quem tanto inseto aqui semeia
Para causar as gentes nojo e dano!
De pé um diminuto batalhão,
De cavalo os dragões mais esforçados,
De voluntários uma legião.
Dizem que há nos campos muitos gados;
Esta é do Rio Grande a habitação
Onde purgando estou os meus pecados.
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