Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

sábado, 14 de dezembro de 2019

TRAJETÓRIAS DE VIDA - Uma poesia nada lisonjeira


O negociante português J.M.P.S (livreto editado em Lisboa no ano de 1816 com o título As Regras Gerais do Sr. J.M.P.S. da cidade do Porto) reproduz uma poesia, de autor anônimo, que circulava no Rio Grande quando de sua passagem. A poesia deve ter sido escrita entre 1750 e 1800, possivelmente consistindo no mais antigo registro poético sobre a então Vila do Rio Grande de São Pedro. É um desabafo sobre as condições precárias de urbanidade, a proliferação de insetos e a dialética do vento e da areia:


Tetos de erva, paredes de pântano,
Nome de Vila e construção de aldeia,
Quase coberta da volante areia
Dos combros que aqui crescem todo ano.

Brisas do vento leste e minuano,
De moscas, pulgas, bichos é bem cheia;
Não sei quem tanto inseto aqui semeia
Para causar as gentes nojo e dano!

De pé um diminuto batalhão,
De cavalo os dragões mais esforçados,
De voluntários uma legião.

Dizem que há nos campos muitos gados;
Esta é do Rio Grande a habitação
Onde purgando estou os meus pecados.

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