Porto do Rio Grande em 1908

Porto do Rio Grande em 1908

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

PELO ECHO DO SUL EM 1918

Cartão-postal da rua Marechal Floriano com rua Benjamin Constant em 1915. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. 

       
        O jornal Echo do Sul traz algumas informações sobre o ano de 1918, um dos mais frios já registrados no planeta. Se ressalta das dificuldades que a a cidade vinha passando mas nem se imaginava que o pior ainda estava por vir: a gripe espanhola desembarcaria em outubro... 

6 de julho

        A praça do peixe, onde o movimento começa, no inverno, às 4 horas da madrugada, está pedindo que a iluminem melhor, por exemplo: com uma lampada elétrica ao centro, como agora se fez em cada uma das partes da praça General Telles.
        Há ali um só lampião a gaz, funcionando com grande irregularidade.
        Parece, pois, que seria de todo ponto justa a efetuação do que lembramos, a pedido de alguns interessados.


9 de julho
         Pedem-nos chamemos a atenção da municipalidade para as péssimas condições em que se encontram, na sua maioria, os lugares empedrados da Cidade Nova.
       O trecho da rua Moron, entre Valporto e Senador Corrêa, fronteiro á Companhia de Charutos Poock e ao Hotel Metralhadora, está como nunca, nem mesmo antes de ser empedrado.
          Ha ali um lamaçal permanente.
         Fica a reclamação, restando, agora, que a atendam com a mesma boa vontade com que nós o atendemos.



1° de agosto e 2 de agosto
          A miséria
         Num quarto à rua Visconde do Rio Branco, onde funcionou a casa comercial A flôr da sympathia, na Cidade Nova, mora uma família cuja miséria está a se impor à piedade de quem, tendo bom coração, tem, também, espirito para compreender que, se é feliz, deve dar uma pouca dessa felicidade aos que o não são, e se o não é, deve compreender a tristeza que vai sob aquele teto.
        Mora ali uma mulher convalescente ainda do typho, e em redor dessa infeliz, que nada tem de seu, sete crianças choram de fome.
       O marido, que foi carpinteiro quando pôde trabalhar, chama-se Juvelino Gomes e está na Santa Casa, gravemente enfermo.
       Zulmira pede, por nosso intermédio, aqueles que tiverem pena da desgraça alheia, que lhe mandem qualquer coisa á casa.

14 de agosto
         Entregamos hoje a d. Zulmira Gomes da Silva, que nos passou recibo, mais a quantia de 116$000, provenientes de donativos que, por nosso intermédio, lhe foram feitos.
        A pobre senhora agradeceu-nos e pediu-nos agradecêssemos em seu nome a todas as bondosas pessoas que a socorreram, enviando-lhe dinheiro e donativos outros em roupas, e gêneros.
         D. Zulmira só por intermédio do Echo do Sul recebeu, de uma feita, 195$300, e hoje 116$000, ao todo 311$000.
        Da importante firma comercial Fraeb & Comp., recebemos mais, para d. Zulmira, o valioso donativo de 100$000.
          Uma anônima mandou-nos, também, 2$000.

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