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| Cartão-postal da rua Marechal Floriano com rua Benjamin Constant em 1915. Acervo: Biblioteca Rio-Grandense. |
O jornal Echo do Sul traz algumas informações sobre o ano de 1918, um dos mais frios já registrados no planeta. Se ressalta das dificuldades que a a cidade vinha passando mas nem se imaginava que o pior ainda estava por vir: a gripe espanhola desembarcaria em outubro...
6 de julho
A praça do peixe, onde o
movimento começa, no inverno, às 4 horas da madrugada, está pedindo que a
iluminem melhor, por exemplo: com uma lampada elétrica ao centro, como agora
se fez em cada uma das partes da praça General Telles.
Há ali um só lampião a gaz,
funcionando com grande irregularidade.
Parece, pois, que seria de
todo ponto justa a efetuação do que lembramos, a pedido de alguns
interessados.
9 de julho
Pedem-nos chamemos a atenção
da municipalidade para as péssimas condições em que se encontram, na sua
maioria, os lugares empedrados da Cidade Nova.
O trecho da rua Moron, entre
Valporto e Senador Corrêa, fronteiro á Companhia de Charutos Poock e ao Hotel Metralhadora, está como nunca, nem
mesmo antes de ser empedrado.
Ha ali um lamaçal
permanente.
Fica a reclamação,
restando, agora, que a atendam com a mesma boa vontade com que nós o
atendemos.
1° de agosto e 2 de agosto
A miséria
Num quarto à rua Visconde do
Rio Branco, onde funcionou a casa comercial A
flôr da sympathia, na Cidade Nova, mora uma família cuja miséria está a se
impor à piedade de quem, tendo bom coração, tem, também, espirito para compreender
que, se é feliz, deve dar uma pouca dessa felicidade aos que o não são, e se o
não é, deve compreender a tristeza que vai sob aquele teto.
Mora ali uma mulher convalescente
ainda do typho, e em redor dessa infeliz, que nada tem de seu, sete crianças
choram de fome.
O marido, que foi
carpinteiro quando pôde trabalhar, chama-se Juvelino Gomes e está na Santa
Casa, gravemente enfermo.
Zulmira pede, por nosso intermédio,
aqueles que tiverem pena da desgraça alheia, que lhe mandem qualquer coisa á
casa.
14 de agosto
Entregamos hoje a d. Zulmira
Gomes da Silva, que nos passou recibo, mais a quantia de 116$000, provenientes
de donativos que, por nosso intermédio, lhe foram feitos.
A pobre senhora
agradeceu-nos e pediu-nos agradecêssemos em seu nome a todas as bondosas
pessoas que a socorreram, enviando-lhe dinheiro e donativos outros em roupas, e
gêneros.
D. Zulmira só por intermédio
do Echo do Sul recebeu, de uma feita,
195$300, e hoje 116$000, ao todo 311$000.
Da importante firma comercial
Fraeb & Comp., recebemos mais, para d. Zulmira, o valioso donativo de
100$000.
Uma anônima mandou-nos, também,
2$000.

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