Um estudo
realizado por Paulo Cesar Duarte em dissertação de mestrado elaborada junto a
PUCRS (“Clube
Caixeiral: O movimento pelo fechamento de portas e a construção de uma
identidade coletiva”), apresenta
um balanço do surgimento e organização dos Clubes Caixeirais no Rio Grande do
Sul. Segundo ele, uma das interpretações sobre o papel destes Clubes foi
historiograficamente associado com a primeira forma de organização do
operariado, ou seja, a partir de uma periodização tradicional ligada a história
do movimento operário, haveria uma superação de etapas: os mutualistas, os
socialistas, os anarquistas e os comunistas. Numa interpretação mais recente, a
atuação destes Clubes são analisadas enquanto entidades voltadas ao socorro
mútuo, a instrução e a recreação. Neste sentido, os Clubes Caixeirais não
representaram formas primitivas de organização do movimento operário gaúcho. A
posição dos caixeiros frente as lutas operárias do final do século 19, estavam
voltadas aos interesses mais específicos da categoria: garantir o descanso
dominical e em feriados dos empregados do comércio, além da previdência e o
desenvolvimento de atividades de recreação dos sócios.
No
período entre 1879 e 1895, surgiram vários Clubes no Rio Grande do Sul. Entre
1877 e 1889, existiam 57 associações de socorro mútuo, sendo que 21% destas
entidades mutuais eram de caixeiros. Jornais escritos e dirigidos por caixeiros
circulavam em Porto Alegre na década de 1870, como é o caso do primeiro
periódico registrado O Social (1874).
A imprensa, portanto, antecedeu o surgimento dos clubes caixeirais. A primeira
fundação desta entidade no Rio Grande do Sul ocorreu no ano de 1879 na cidade
de Pelotas. A bandeira de luta inicial foi a manutenção do fechamento das
portas do comércio aos domingos e feriados, no turno da tarde, conquista
ocorrida alguns dias antes da fundação do Clube. Portanto, o sentido da
organização estava voltado ao mutualismo e a defesa da melhoria das condições
de trabalho da categoria.
No estatuto
do Clube Caixeiral de Pelotas, ano de 1895, artigo 3º e parágrafos 1º a 9º,
estão expressas as principais finalidades da associação: congregar os caixeiros
em um grêmio de fraternidade e união; pugnar pelo interesse da classe Caixeiral
tendo em vista seu engrandecimento e bem-estar; tratar de todas as questões de
manifesta conveniência entre os caixeiros e proprietários de casas comerciais,
procedendo sempre com máximo critério; distribuir socorros entre seus membros
quando dele necessitarem; promover diversões para recreio de seus sócios, tendo
em vista que não afetem os interesses do Clube a juízo da diretoria; manter uma
biblioteca para utilização de todos os associados; procurar ocupação para os
sócios quando desempregados; estabelecer cursos de instrução; providenciar
quanto aos funerais dos sócios falecidos sem recursos.
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