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| Ex-libris da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro elaborado por Eliseu Visconti em 1902. https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcTJcFVq6-0DFxVTsvqNlsAAE_ckwBmbV8E-dl4moyYdIgeRUHKr |
Artigo de PINHEIRO e HELDE esclarecem sobre a definição e historicidade do "ex-libri" e enfatizam o símbolo desenvolvido pela Biblioteca Nacional.
“São antigos
o desejo e a necessidade que tem o homem de distinguir a propriedade e a origem
de seus produtos. Esse procedimento remonta à Antiguidade, quando os
comerciantes tinham o hábito de marcar seus produtos com emblemas ou símbolos
que pudessem atestar a origem ou a propriedade dos mesmos.
O registro
de posse e de procedência foi também aplicado ao livro, seja pelo uso de
assinaturas, carimbos, selos, etiquetas ou ex-libris, desde o seu primórdio
ainda como papiro, passando pelo rolo de pergaminho, pelo códice e mais
intensamente nos livros tipográficos. Marcas de identificação foram utilizadas
por praticamente todos os que estavam envolvidos com o processo de fabricação e
uso do livro. Para identificação de execução e procedência eram inseridas
marcas de tipógrafos, de encadernadores, de editores, de livreiros; bem como
marcas de propriedade para identificar a posse, seja com a utilização de
assinaturas (ex dono), ou de carimbos (a tinta ou a seco), de ex-libris, ou de
superlibris (marcas aplicadas a ouro ou a seco nas capas das encadernações, em
geral trazendo os brasões, nomes, divisa, emblema ou outro item relacionado com
o proprietário da obra). Quando marcas de propriedade são aplicadas em um livro
ou documento (considerado aqui em suas diversas tipologias), oferecem outros
dados para além das informações contidas no texto.
As
bibliotecas, assim como os arquivos e museus, são, segundo Pierre Nora (1993),
“lugares de memória”, lugares tanto no sentido material, quanto no sentido
simbólico e funcional, sendo que estes três elementos ocorrem simultaneamente e
em graus diversos. Podemos considerar que documentos e objetos que estão sob a
guarda desses espaços institucionalizados também trazem com eles este conceito.
O livro, como objeto, está revestido de seu aspecto material no que se refere
ao papel, à tinta e à encadernação. O livro é simbólico por representar e
apresentar um registro ou uma ideia que contém em si o recorte de um tempo.
Quando se insere uma marca de propriedade num documento, como, por exemplo, a
fixação de um ex-libris, realiza-se um ritual de afirmação, de posse, de poder
e pertencimento. A inserção de uma marca em um livro, ao mesmo tempo que
particulariza o documento, atribui a ele “valor de memória”.
Nesse
sentido, o ex-libris é um elemento que favorece a pesquisa e o estudo para a
reconstituição de coleções e bibliotecas. A presença de ex-libris ou carimbos
em livros ou em documentos constitui um dos parâmetros utilizados para
identificação de determinada coleção ou acervo”.
PINHEIRO, Andréa de Souza & HELDE, Rosângela Rocha
Von. X-libris da Biblioteca Nacional: a marca de uma identidade. In: Anais da
Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, vol.
135-136, 2015-2016.

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