Porto do Rio Grande em 1908

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O QUE É EX-LIBRIS?

Ex-libris da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro elaborado por Eliseu Visconti em 1902.
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Artigo de PINHEIRO e HELDE esclarecem sobre a definição e historicidade do "ex-libri" e enfatizam o símbolo desenvolvido pela Biblioteca Nacional. 
“São antigos o desejo e a necessidade que tem o homem de distinguir a propriedade e a origem de seus produtos. Esse procedimento remonta à Antiguidade, quando os comerciantes tinham o hábito de marcar seus produtos com emblemas ou símbolos que pudessem atestar a origem ou a propriedade dos mesmos.
O registro de posse e de procedência foi também aplicado ao livro, seja pelo uso de assinaturas, carimbos, selos, etiquetas ou ex-libris, desde o seu primórdio ainda como papiro, passando pelo rolo de pergaminho, pelo códice e mais intensamente nos livros tipográficos. Marcas de identificação foram utilizadas por praticamente todos os que estavam envolvidos com o processo de fabricação e uso do livro. Para identificação de execução e procedência eram inseridas marcas de tipógrafos, de encadernadores, de editores, de livreiros; bem como marcas de propriedade para identificar a posse, seja com a utilização de assinaturas (ex dono), ou de carimbos (a tinta ou a seco), de ex-libris, ou de superlibris (marcas aplicadas a ouro ou a seco nas capas das encadernações, em geral trazendo os brasões, nomes, divisa, emblema ou outro item relacionado com o proprietário da obra). Quando marcas de propriedade são aplicadas em um livro ou documento (considerado aqui em suas diversas tipologias), oferecem outros dados para além das informações contidas no texto.
As bibliotecas, assim como os arquivos e museus, são, segundo Pierre Nora (1993), “lugares de memória”, lugares tanto no sentido material, quanto no sentido simbólico e funcional, sendo que estes três elementos ocorrem simultaneamente e em graus diversos. Podemos considerar que documentos e objetos que estão sob a guarda desses espaços institucionalizados também trazem com eles este conceito. O livro, como objeto, está revestido de seu aspecto material no que se refere ao papel, à tinta e à encadernação. O livro é simbólico por representar e apresentar um registro ou uma ideia que contém em si o recorte de um tempo. Quando se insere uma marca de propriedade num documento, como, por exemplo, a fixação de um ex-libris, realiza-se um ritual de afirmação, de posse, de poder e pertencimento. A inserção de uma marca em um livro, ao mesmo tempo que particulariza o documento, atribui a ele “valor de memória”.
Nesse sentido, o ex-libris é um elemento que favorece a pesquisa e o estudo para a reconstituição de coleções e bibliotecas. A presença de ex-libris ou carimbos em livros ou em documentos constitui um dos parâmetros utilizados para identificação de determinada coleção ou acervo”.
PINHEIRO, Andréa de Souza & HELDE, Rosângela Rocha Von. X-libris da Biblioteca Nacional: a marca de uma identidade. In: Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, vol. 135-136, 2015-2016.

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